Patrice Désilets, mente por trás da franquia Assassin’s Creed, voltou aos holofotes com a revelação de 1666: Amsterdam, projeto que ocupa o estúdio canadense Panache Digital Games há cerca de uma década. O anúncio aconteceu durante a Summer Game Fest 2026, evento comandado por Geoff Keighley em Los Angeles, e veio acompanhado de um trailer de estreia e de uma surpresa para quem quiser experimentar o jogo imediatamente.
A novidade que mais chamou atenção foi a disponibilização de um prólogo gratuito e jogável já na própria noite do evento. Essa demonstração independente, com cerca de 30 minutos de duração, está acessível na Steam e na Epic Games Store, e funciona como uma porta de entrada para o universo, os personagens e o mistério central da produção. O jogo completo está previsto para chegar ao Acesso Antecipado no PC ainda neste ano, com versões para consoles planejadas para um momento posterior.
1666: Amsterdam é descrito como uma aventura de ação narrativa em terceira pessoa, com tom sombrio e forte apelo de história. A ambientação remete à cidade de Amsterdã no século XVII, retratada como um centro erguido sobre riqueza, poder e ambição, mas moldado por forças que escapam ao controle de seus habitantes. Entidades conhecidas como os Originais convivem entre as pessoas há séculos, com tempo e poder concedidos a elas, além da liberdade para abusar de ambos. Esse poder, agora, precisa ser cobrado.
Uma protagonista marcada pelo destino e uma jornada de quase uma década em 1666: Amsterdam
No centro da trama está Noa Brooklyn, nascida com o papel de Coletora e criada pelos Zaindaris para cumprir uma função que jamais escolheu. Ao seu lado caminha Aaron, uma figura trazida de 1999 que passa a enxergar o mundo pelos olhos de um gato, mecânica que aparece no trailer como um dos elementos mais peculiares da experiência. O prólogo apresenta justamente o início desse ciclo, no momento em que Noa assume o manto da Coletora e começa a compreender o destino para o qual foi preparada, com direito a escolhas que definem quem a acompanhará na jornada.
A proposta mistura exploração, narrativa densa e sequências de combate que envolvem poderes mágicos, incluindo habilidades como telecinese para arremessar inimigos. O resultado aproxima a obra de uma fantasia ambientada em um contexto histórico real, no qual a protagonista, retratada como uma bruxa, precisa sobreviver em uma cidade hostil a quem é diferente. É um território criativo distinto de tudo o que Désilets havia explorado anteriormente.
A história de 1666: Amsterdam vai muito além do jogo em si. O projeto nasceu ainda durante a passagem de Désilets pela Ubisoft e se tornou alvo de uma longa disputa legal pelos direitos da propriedade intelectual, resolvida apenas em 2016, quando o designer recuperou o controle criativo da obra. Fundado em 2014, o Panache Digital Games é o mesmo estúdio responsável por Ancestors: The Humankind Odyssey, lançado em 2019, e agora aposta nessa produção como seu segundo grande projeto.

Antes de chegar a esse novo capítulo, Désilets construiu um currículo de peso na indústria. Além de Assassin’s Creed, ele dirigiu Prince of Persia: The Sands of Time, título que ajudou a definir o estilo das aventuras de ação da Ubisoft nos anos 2000. Esse histórico explica boa parte da expectativa criada em torno de 1666: Amsterdam, já que parte do público acompanha o desenvolvimento desde os primeiros rumores, surgidos há mais de dez anos.
O lançamento em Acesso Antecipado de 1666: Amsterdam indica que o estúdio pretende refinar o jogo com base no retorno da comunidade antes da versão definitiva, estratégia comum entre estúdios independentes que trabalham com equipes menores.






