O universo dos games no Brasil está prestes a passar por uma mudança significativa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta semana o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que entre outras medidas, proíbe o acesso de menores de 18 anos às chamadas loot boxes — as famosas caixas virtuais com itens aleatórios que vão de skins e personagens a vantagens competitivas dentro dos jogos.
A nova regra entra em vigor a partir de março de 2026 e tem como objetivo proteger crianças e adolescentes de práticas digitais potencialmente nocivas, como o estímulo ao comportamento compulsivo por recompensas. A decisão traz impactos diretos para alguns dos jogos mais populares do país.
A seguir, listamos alguns títulos que terão de repensar seu modelo de monetização ou implementar barreiras de acesso para seguir operando legalmente no Brasil:
EA Sports FC 26: Ultimate Team pode mudar drasticamente

O modo Ultimate Team, coração pulsante da franquia EA Sports FC (antigo FIFA), permite a compra de pacotes com jogadores aleatórios. A comparação com “mecanismos de aposta” já foi feita mais de uma vez, e com a nova lei, o modelo terá de ser adaptado no Brasil.
A EA poderá ser obrigada a:
- Restringir o acesso a loot boxes para menores
- Implementar verificação de idade robusta
- Classificar o jogo como “18+” para manter o sistema atual
- Ou até substituir pacotes aleatórios por compras diretas com conteúdo pré-definido
Counter‑Strike 2: skins e caixas podem ganhar trava no Brasil

Conhecido por sua economia de skins milionária, CS2 permite compra e troca de caixas com itens cosméticos de valor imprevisível. Mesmo com classificação etária alta, o jogo terá que garantir que menores não tenham acesso a esses conteúdos.
Entre as alternativas, estão:
- Verificação de identidade por documentos ou cartões
- Bloqueios automáticos em contas de perfil menor
- Redução da aleatoriedade ou criação de pacotes com opções de escolha
Overwatch 2: Blizzard pode ter que rever decisão recente

Após abandonar as loot boxes, Overwatch 2 voltou com tudo ao modelo em 2025, oferecendo caixas com skins e outros itens visuais. A Blizzard promete transparência nas chances de drop, mas isso pode não ser suficiente.
A empresa poderá ter que:
- Restringir o sistema para menores no Brasil
- Criar versões locais sem loot boxes
- Informar de forma mais clara as probabilidades e limites de compra
Free Fire: sistema de monetização entra em xeque

Free Fire é um dos jogos mobile mais populares do país e depende fortemente da venda de caixas com itens aleatórios. Com a nova lei, a Garena pode ser obrigada a criar versões diferenciadas para o Brasil.
Entre as possíveis mudanças:
- Remoção ou bloqueio de caixas para menores
- Criação de pacotes com itens definidos
- Limitação de gastos por conta
PUBG Mobile: Tencent terá que se adaptar à legislação brasileira

Assim como Free Fire, PUBG Mobile utiliza caixas de loot com itens cosméticos e raros. A Tencent deverá ajustar o modelo para se enquadrar à lei nacional, o que pode incluir:
- Verificação de idade para compras
- Transformação de loot boxes em vendas diretas
- Separação de versões para diferentes faixas etárias
Clash Royale: baús podem virar coisa do passado para menores
No jogo da Supercell, os famosos baús entregam cartas aleatórias que afetam o progresso dos jogadores. Com a nova regulamentação, contas de menores podem ser impedidas de adquirir ou abrir esses itens.
As possíveis soluções incluem:
- Criação de baús com conteúdo previsível
- Escolha entre diferentes cartas ao abrir recompensas
- Versões “light” com menos aleatoriedade
Apex Legends: transparência e controle de acesso no horizonte

Mesmo com foco competitivo e itens estéticos, Apex Legends também utiliza pacotes com conteúdos aleatórios. A EA e a Respawn deverão aplicar verificações rigorosas de idade e considerar a substituição do modelo atual no Brasil.
Mudanças possíveis:
- Obrigatoriedade de informar as chances de obtenção de itens
- Bloqueio de loot boxes para menores
- Venda de pacotes com conteúdo definido
O que muda a partir de 2026?
As empresas terão até março de 2026 para implementar as mudanças exigidas pela nova lei. A expectativa é que os estúdios reformulem seus sistemas de monetização, adicionem filtros de verificação de idade mais eficientes ou, em alguns casos, retirem completamente as loot boxes de suas versões brasileiras.
- Brasil proíbe loot boxes para menores de 18 anos a partir de 2026
- EA diz que os fãs de FIFA amam os loot boxes
A medida levanta debates sobre liberdade criativa, monetização e proteção infantil no ambiente digital. E você, o que acha da nova lei? Mudança necessária ou exagero?






