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Análise | Anthem

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Em desenvolvimento pela BioWare desde 2012, Anthem deixou o público em alvoroço na E3 de 2017, quando um teaser foi apresentado durante a conferência de imprensa da EA Play, e no dia seguinte, para o delírio geral, uma gameplay foi apresentada durante a conferência de imprensa da Microsoft. A partir de então, a expectativa dos gamers aumentou exponencialmente, criando uma hype estratosférica em torno do lançamento, inicialmente previsto para o final de 2018 mas só chegou a nossas mãos no último dia 22 de fevereiro.

E senhores, a recepção inicial pela crítica dita “especializada”, criou uma verdadeira avalanche de energia negativa em torno de Anthem (como só a internet é capaz de fazer, foi potencializada) e após finalizar o jogo, posso afirmar categoricamente, de maneira injusta e precipitada. Afirmo isso do mesmo ponto de vista que você provavelmente terá ao experimentar Anthem, o jogador que em meio a uma infinidade de novos títulos lançados mensalmente, precisa investir seu dinheiro em games que valham a pena, e sejam capazes de proporcionar bons momentos de lazer e diversão.

Sim, Anthem tem problemas, mas de antemão afirmo, trata-se de um excelente shoot and loot (multiplayer online) com elementos de RPG, com uma gameplay MAGNÍFICA. Venham comigo! Vamos conferir juntos o que torna Anthem um jogo único, que mesmo com problemas evidentes, merece toda a sua atenção.

O HINO DA CRIAÇÃO

A BioWare, uma das grades players no mercado de videogames, criou seu renome ao entregar títulos com história impecáveis, onde o jogador tinha a possibilidade de interferir ativamente no desenvolvimento da trama, que via de regra sempre foi excelente. Títulos como Mass Efect 1, 2 e 3, e a franquia Dragon Age são excelentes exemplos da capacidade criativa dessa desenvolvedora.

Mas parece que as coisas, de alguma maneira, não são as mesmas por lá, o final de Mass Effect 3 foi incrivelmente controverso, e o desenvolvimento do enredo em Mass Efect Andrômeda foi um grande fracasso, despertando a ira dos fãs hardcores (e eu me incluo aqui) mundo a fora. Com isso, se criou uma aura de desconfiança que precisava ser rapidamente aplacada pela BioWare. E sinto dizer que essa desconfiança só aumentou depois de Anthem, que nos entregou uma história, que embora seja interessante em alguns pontos, apresenta um desenvolvimento confuso e superficial, e no ponto em que se encontra, dificilmente vai ser o fator de motivação para atrair novos jogadores.

Anthem é ambientado em um planeta repleto de relíquias de tecnologia avançada, que utilizam uma fonte de energia conhecida como Anthem, o hino da criação. Essas relíquias de origem misteriosa são capazes de controlar absolutamente tudo em sua área de influência, sendo capazes de até mesmo terraformar espontaneamente regiões inteiras do planeta, mudando as formas de vida existentes, criando portais e gerando até mesmo criaturas monstruosas, controlando inclusive o clima. Artefatos instáveis podem criar cataclismas, envolvendo uma área com energia destrutiva, erradicando todas as formas de vida em seu raio de alcance.

Séculos antes do início do jogo, os humanos foram escravizados por uma raça de criaturas chamada de Urgoth. Então, Helena Tarsis e seus companheiros, por intermédio do pouco conhecimento que possuíam dessa tecnologia misteriosa, construíram os Javelins, exoesqueletos que lhes permitiram resistir a escravidão. Na nação criada após essa rebelião, as pessoas vivem em fortalezas protegidas pelos Javelins.

A campanha começa após eventos ocorridos dez anos atrás, onde o vilão da campanha principal conhecido como “O Domínio” atacou a cidade de Freemark com o objetivo de pôr as mãos em uma relíquia ancestral escondida sob a cidade, que poderia lhe dar controle sob o hino da criação. As ações do Domínio acabaram gerando um cataclismo de proporções inimagináveis, destruindo Freemark completamente. Porém as ambições desse vilão ainda estão em marcha, e caberá a você defender a humanidade dessa ameaça sem precedentes.

EU COSTUMAVA FAZER ARMAS PARA GANHAR A VIDA

O gameplay de Anthem é divido basicamente em duas partes de igual relevância, quando na cidade, que funciona como um HUB central onde, sabe-se porque cargas d’água, optaram por uma câmera posicionada em primeira pessoa, você vai interagir com os NPCs em conversações com múltiplas escolhas, que não influencia em nada o desenvolvimento do enredo, mas que acabam se tornando fundamentais para facilitar o entendimento dos acontecimentos do mundo e da cidade base, além de servirem para desenvolver a história destes NPCs.

Além disso, nessa cidade, você vai ter a sua disposição uma série de vendedores desbloqueados ao longo do gameplay, que não vendem ABSOLUTAMENTE nada de útil para o seu Javelin. Até mesmo a loja de microtransações é pouco útil, com pouquíssimas opções de itens de customização, e mesmo esses poucos itens possuem valores completamente descompensados, o que desencorajará até mesmo os jogadores mais dedicados (não dispostos a gastar dinheiro real) a formar as moedas do jogo para comprá-los.

Além das microtransações, um mal com o qual já estamos habituados, há outro fator extremamente incômodo quando estamos na cidade: é o maldito silêncio! Você vai passar constantemente em meio a uma “feira de rua” repleta de pessoas conversando animadamente, e tudo o que vai ouvir são os seus passos. Pode até parecer besteira, mas você vai precisar passar um bom tempo nesse ambiente, e a ausência de som vai ser uma das coisas mais irritantes ali.

No HUB central, interagindo com alguns personagens você vai pegar tanto missões principais, quanto secundárias, além disso haverão objetivos diários, semanais e mensais que te darão algumas recompensas interessantes. Os objetivos principais das missões tornam-se repetitivos logo nas primeiras horas de jogo, você sempre vai acabar tendo que proteger um grupo de arcanos (cientistas) de hordas inimigas, ou estabilizar relíquias coletando as partes faltantes enquanto enfrenta oponentes, e se tiver alguma sorte, no final dessas missões vai ter um mini boss para enfrentar, e raramente vai ter que resolver alguns puzzles bastante simples para abrir uma determinada porta.

O jogo brilha mesmo quando pilotando os Javelins ao longo das campanhas fora do forte, com uma câmera posicionada em terceira pessoa, onde você poderá andar, correr, realizar um salto duplo, flutuar com o uso dos propulsores do seu exoesqueleto, utilizar armas diversas (rifles, escopetas, torretas e pistolas), além de voar ao melhor estilo do homem de ferro. Voar vai te proporcionar os momentos mais incríveis no jogo!

Controlando os Javelins, o gameplay é sólido e ABSOLUTAMENTE divertido. Todos os controles são responsivos, e a física de movimentação é impressionante. Você terá acesso inicialmente a um Javelin, e conforme avança no gameplay e sobe de nível, até quatro tipos diferentes serão gradualmente desbloqueados. Cada um deles vai possuir características e uma dinâmica de física, ataque e movimentação únicas, mudando drasticamente o estilo de movimentação e combate. O sistema de progressão é simples, e faz sentido, conforme você upa novos espaços para dispositivos e armamentos serão desbloqueados.

Inicialmente você terá acesso ao Patrulheiro, a classe mais equilibrada, que mescla bem poderes de ataque e defesa, possui um ataque especial devastador, e lembra muito o Homem de Ferro. O Storm (meu preferido) funciona como uma espécie de mago, com resistência física mais frágil, é capaz de planar por mais tempo, além de desferir uma série de ataques elementais (fogo, gelo e raio) em combos que causarão quantidades de dano absurdas. O Colosso, basicamente uma Hulkbuster, um verdadeiro tanque de guerra ambulante. E por fim o Interceptador, que tem como característica principal uma agilidade extrema, com um salto triplo, é quase um ninja robô.

Na Forja (estação de fabricação e manutenção), que pode ser acessada tanto pela cidade, quanto no final das missões, você poderá preparar seu Javelin para a ação. Além dos ataques específicos de cada classe, equipados por meio de dispositivos, poderão utilizar até duas armas de fogo. E aqui o jogo apresenta outro problema: as armas são super limitadas, nos dando até mesmo a impressão de serem algum tipo de trabalho inacabado por parte dos desenvolvedores, as vezes é até mesmo difícil distinguir entre um rifle e uma escopeta, visto que o design delas são bastante parecidos. Você tem ainda a opção de fabricar suas próprias armas, porém não parece fazer sentido perder tempo farmando, ou até mesmo comprando as peças necessárias quando estas vão ser, quase sempre, elementos secundários nos momentos de combate.

Ainda na forja será possível customizar os Javelins, para cada um deles você poderá criar até cinco visuais diferentes, e embora o sistema de customização seja essencialmente simples, visto que no mercado de microtransações ainda há pouquíssimas peças novas de armadura, o jogo te da uma liberdade de criação muito interessante, e a internet já esta pipocando com modelos que você poderá usar como base para customização.

A cereja do bolo seguramente é o sistema de combate, ABSOLUTAMENTE INCRÍVEL. Mesmo que os inimigos possuam uma inteligência artificial extremamente deficiente, quase sempre te atacando abertamente, e os objetivos das missões sejam repetitivos, os momentos de ação (com até quatro jogadores) SEMPRE serão um deleite. Você poderá fazer uma grande variedade de combos avassaladores, capazes de deixar até mesmo Tony Stark com inveja do seu Javelin. Se estiver jogando com um grupo de amigos, poderão combinar as sequências de ação ao longo do combate, e essa é a única maneira de tirar o máximo do que o seu exoesqueleto pode dar no que diz respeito a destruição e poder de fogo. Os ataques combinados entre os membros do grupo vão ser elementos chave, principalmente nas campanhas finais do gameplay, onde as dificuldades serão mais elevadas.

Nós recebemos Anthem para analisar alguns dias após o lançamento, de modo que no momento que iniciei a minha gameplay, o jogo já havia recebido duas grandes atualizações que seguramente trouxeram importantes melhorias. Porém, novas atualizações serão necessárias, não só para acrescentar conteúdo ao jogo, corrigir alguns bugs menores no que diz respeito a trilha sonora e efeitos de áudio, mas principalmente para a redução no tempo de duração e na quantidade absurda de telas loadings durante a jogatina. Alguma atenção também deve ser dada as armas de fogo disponíveis no jogo, além de possuírem um design desnecessariamente simplista, com informações confusas, é necessário que o uso delas faça sentido.

O CORAÇÃO DA TEMPESTADE

Os gráficos de Anthem são excelentes, embora algumas decisões de design, principalmente no que diz respeitos as armas sejam preguiçosas, a estética e animação dos Javelins é impecável. O mundo criado para o jogo possui uma variedade de ambientações e criaturas, hostis ou não, interessante, além ser cuidadosamente criado, com uma riqueza de detalhes impressionante, inclusive nos momentos de exploração subaquática. A animação dos NPCs também é um ponto forte do jogo, com uma excelente dublagem aliada a expressões faciais e olhares que condizem com o tema do assunto do diálogo, são sempre muito convincentes e esse foi um dos fatores que me levou a falar com eles sempre que possível.

Embora possua uma trilha sonora consistente, o áudio do jogo é ausente e apresenta altos e baixos, em raros momentos até mesmo a voz dos NPCs parece distante (mesmo que estejam na sua frente) ou desaparece completamente ao longo de diálogos.

VALE A PENA JOGAR?

Anthem é um dos jogos mais divertidos que chegou a minha mão nos últimos tempos! O gameplay é sólida e consistente, a customização dos Javelins (que deve melhorar com a chegada de novas peças) é muito satisfatória e te da bastante liberdade criativa. O sistema de progressão do seu personagem faz sentido e, voar com esses exoesqueletos é uma das experiências mais gostosas que já tive em um videogame, além disso o sistema de combate é super dinâmico, positivamente cooperativo, com controles muito bem polidos que nunca te deixarão a deriva.

É claro que nem tudo são flores, lembre-se que o título requer uma conexão constante com a internet (os servidores estão OK) e muito ainda precisa ser melhorado para que o jogo possa ser aproveitado em todo o seu potencial, e isso já está sendo feito pela BioWare via atualizações, que devem continuar chegando constantemente, visto que se trata de um game com o potencial para uma longa duração.

Não se deixem influenciar negativamente pelas críticas enraivecidas que o título vem recebendo, Anthem é um jogo incrivelmente divertido, e conforme continuar recebendo atualizações e conteúdo extra, vai se tornar ainda mais consistente.

Uma copia de Anthem foi gentilmente cedida para a Manual dos Games pela EA Brasil

Publicado em 26 de fevereiro de 2019 às 12:06h.
2019-02-26 12:06:02