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Análise | Assassin’s Creed Odyssey

Uma das séries mais longevas e de maior sucesso do mundo gamer dá um passo irreversível! Após diversos títulos que cultivaram e continuam a conquistar uma verdadeira legião de fãs fiéis ao redor do mundo, a UBISOFT por fim dá um passo a diante, modificando completamente a velha fórmula de sucesso, que já vinha se tornando repetitiva. Ensaiou uma incursão em um novo mundo com Assassin’s Creed Origins, e mergulhou de cabeça com incrível personalidade em um novo gênero de jogo, com novas mecânicas, sistemas de progressão e story telling completamente diferente dos títulos anteriores com Assassin’s Creed Odyssey.

Sim, senhores! agora estamos diante de um RPG de ação e aventura em mundo aberto no melhor estilo de The Witcher, Dragon Age e outros games do gênero. E ao jogá-lo na sua forma mais polida, em Assassin’s Creed Odyssey, é incrível perceber como essa foi uma transição natural e necessária, que seguramente vai atrair milhões de outros fãs, e dar um novo frescor à franquia.

Venham comigo, os Portões Quentes, Leônidas e seus 300 espartanos nos esperam!!!!

A GUERRA DO PELOPONESO

Acompanharemos a história de um mercenário espartano, que a despeito de tudo o que acontece ao seu redor, deve lealdade apenas a si próprio. A trama que pode ser protagonizada por Alexios ou Kassandra, gira ao redor de duas linhas guia, um mundo grego assolado pela guerra, e um misterioso culto ancestral que controla os rumos dos eventos.

Ambientado entre os anos 431 a 404 A.C, em meio a uma violenta guerra entre Esparta e Atenas, as duas maiores potências da civilização ocidental daquela época, nosso herói de caráter duvidoso se vê mergulhado em uma trama que segue em uma constante crescente, e ganha as proporções épicas de uma verdadeira odisséia, digna de Ulisses:

herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros.

Agora nós podemos participar da história de maneira ativa, moldando o caráter da nossa personagem nesse mundo dividido pela guerra, onde não raro, o mito se mistura com a realidade. Em um RPG de mundo aberto, com uma trama complexa que segue seu próprio ritmo, as nossas escolhas ao longo da jornada realmente vão ter influência direta em parte dos acontecimentos que se desenrolam na vida da nossa heroína, e você vai sentir que está no controle da história que se desenvolve ao longo do gameplay.

Até mesmo as missões secundárias nos apresentam enredos interessantes e bem elaborados, como quando ao descobrir o templo de adoração de Artemísia a deusa da caça, uma das suas adoradoras nos desafia a caçar um Javali em honra a deusa. Ou em missões que nos põe de cara com dilemas morais, onde precisamos decidir entre a morte de uma família inteira, ou a possibilidade da propagação de uma doença contagiosa.

No jogo, temos a oportunidade de mergulhar em um mundo rico em mitos e lendas, elaborado, segundo os produtores, com a maior precisão histórica possível. Vamos conhecer figuras lendárias da Grécia antiga, descobrir estátuas grandiosas e presenciar eventos que parecem saltar direto dos nossos livros de história para a tela da TV.

 

A ODISSEIA

Em Assassin’s Creed Odyssey, a mecânica de jogo segue a mesma linha do Origins, porém, agora tudo está muito mais bem polido e a jogabilidade funciona à perfeição. Antes de iniciar o jogo propriamente dito, deveremos escolher entre 4 diferentes níveis de dificuldade, e dois modos de jogo: O modo Guiado oferece uma experiência mais próxima aos Assassin’s Creed tradicionais, e o modo Exploração, que é a recomendação dos produtores, oferece uma possibilidade de jogo mais desafiadora, onde você deverá interagir com o mundo para descobrir seus alvos e objetivos de missão, características típicas de RPGs de mundo aberto.

Temos a inédita opção de escolher o protagonista do jogo, o casal de irmãos Alexios e Kassandra, independente da sua escolha, a história será basicamente a mesma para os dois. Após ser resgatado semi-morto por um picareta de coração mole da ilha grega de Cefalônia, você crescerá como um mercenário, e nos momentos iniciais do jogo, será introduzido as mecânicas de combate de Odyssey, ao ser atacado por dois capangas enviados pelo infame Ciclope, com o objetivo te dar uma surra e cobrar uma dívida.

O sistema de combate é similar ao apresentado em Origins, muito mais complexo, exigente e desafiador que os jogos anteriores da franquia, onde poderíamos enfrentar uma infinidade de inimigos ao mesmo tempo. Aqui teremos uma mecânica de combate muito similar a The Witcher e Dark Souls, onde enfrentar mais de um ou dois inimigos ao mesmo tempo é praticamente suicídio. Você poderá fixar a câmera em um inimigo, realizar movimentos de esquiva, ataque rápido, ataque pesado e atirar flechas, além de poder realizar combos com as habilidades especiais que Alexios ou Kassandra aprenderão ao longo da jornada.

Poderemos ainda agir na surdina, como assassinos silenciosos, atacando das sombras nos escondendo em arbustos e outros elementos do cenário. A depender do nível do inimigo, a morte é quase sempre instantânea, caso você esteja atacando um mercenário que está te caçando, ou o líder de alguma fortaleza, você tirará apenas parte da barra de vida dele. Caso seja descoberto, ou deixe algum cadáver de bobeira, os inimigos entrarão em estado de alerta e você será a caça dessa vez.

E é nos momentos de stealth que a inteligência artificial do jogo mais deixa a desejar, caso você esteja jogando no nível normal de dificuldade, os inimigos são praticamente cegos e surdos, mesmo após execuções praticamente na frente deles, sua presença não será detectada, e mesmo após encontrarem o corpo de algum colega assassinado, o estado de atenção deles vai passar muito rapidamente e você poderá voltar a eliminá-los sorrateiramente.

No que diz respeito as armas, teremos acesso a uma infinidade delas (adagas, espadas, lanças, maças, foices etc), possuindo características e atributos próprios, que como em todo RPG que se preze, um manuseio próprio que muda completamente o estilo de combate. As armas são dropadas por inimigos eliminados ou encontradas em baús protegidos por fortalezas ou até mesmo espalhados no cenário. Elas possuem um sistema de progressão próprio, e podem ser comuns, raras, épicas ou lendárias. Quanto mais elevado o status da arma, maior a quantidade de atributos bônus oferecidos ao jogador, elas podem ainda ser melhoradas nos ferreiros espalhados nas cidades e povoações do mundo grego.

Nesse mundo aberto completamente explorável a cavalo ou a pé, seremos desafiados por uma verdadeira infinidade de inimigos, que vão desde soldados leves, pesados, arqueiros, animais selvagens e mercenários. Cada um desses inimigos deve ser enfrentado com cautela e vão exigir do jogador uma estratégia de aproximação diferenciada, principalmente no que diz respeito aos mercenários.

Em Assassin’s Creed Odyssey vamos estar em constante conflito com o interesse de figurões do mundo grego, de modo que a cabeça de Alexios e Kassandra sempre vai estar à venda, e essa é uma das mecânicas mais divertidas e desafiadoras em todo o jogo. Constantemente seremos caçados por mercenários em uma dinâmica de jogo que lembra até certo ponto o visto em Shadows of War. Não se deixe enganar, aqui encontraremos as batalhas mais desafiadoras, é imprescindível estar, no mínimo, em um nível similar ao do mercenário que está te caçando para ter alguma chance de sucesso, caso contrário, a morte é quase certa.

Você pode resolver esse problema caçando e matando a pessoa que pôs o prêmio na sua cabeça, pagando o valor de recompensa oferecido por ela, ou fazer o mais divertido, matando todos os caçadores de recompensa que vem até você. E ao matá-los, coletar um item especial utilizado pelo próprio defunto, que poderá ser uma arma ou armadura.

O mundo criado para Assassin’s Creed Odyssey nos oferece um mapa gigantesco, e aproximadamente fiel do ponto de vista geográfico, de modo que uma nova dinâmica de jogo que volta com força e profundidade à franquia é a exploração naval. Aqui poderemos explorar TODO o mar mediterrâneo e suas ilhas. O navio possui uma dinâmica e sistemas de progressão próprios, onde poderemos “contratar” certa quantidade de soldados especiais para reforçar nossa tripulação e ao explorarmos o mar mediterrâneo, nos depararemos com uma série de perigos que nos forçarão a travar batalhas navais verdadeiramente épicas.

O sistema de progressão de Alexios e Kassandra é bastante similar ao visto em Assassin’s Creed Origins. Teremos três arvores de habilidades especiais que podem ser aprimoradas conforme ganhamos level: Caçador, Guerreiro e Assassino. Cada uma delas disponibilizam habilidades únicas que naturalmente se adequarão ao seu estilo de jogo.

Outra dinâmica de gameplay presente é a Conquista de Nações, onde poderemos atacar ou defender o território ateniense ou espartano. Lembre-se, você é um mercenário e defende apenas os seus interesses pessoais. Ao longo do gameplay as localidades do jogo serão dominadas militarmente por Esparta ou Atenas, e ao matar líderes e saquear fortalezas, você vai enfraquecer o poder dessa nação naquele território, em dado momento, poderá participar da batalha decisiva que vai estabelecer a supremacia de uma dessas nações lá, e será recompensado com XP além de uma arma ou armadura.

O gameplay em Assassin’s Creed Odyssey é absolutamente satisfatório, os únicos pontos incômodos estão relacionados a inteligência artificial dos inimigos nos momentos de stealth, mas caso isso te incomode, é parcialmente minimizado no nível difícil, quando os inimigos estarão mais sensíveis as suas ações.

UMA TERRA DE MITOS E LENDAS

Em uma das recriações mais completas e espetaculares do mundo grego, Assassin’s Creed Odyssey nos dá a oportunidade de imergir em um mundo aberto absolutamente magnífico, arrebatador e vivido. Baseado na civilização que lançou os pilares do mundo ocidental, em cada canto do cenário vamos nos deparar com elementos que nos remeterão a mitologia que tanto adoramos, isso pode acontecer de maneira sutil, quando subiremos a Colina do Sátiro, ou em outros momentos vamos dar de cara com o magnífico templo de Apolo e a Oráculo de Delfos. E tudo isso reproduzido com uma qualidade gráfica impressionante.

Como já é característico da série, a trilha sonora aqui é soberba, desde os momentos em que estamos navegando e nossa tripulação canta para Poseidon, até mesmo nos momentos em que estamos explorando aleatoriamente, e belíssimas músicas instrumentais dita o clima do jogo.

Os únicos pontos negativos relacionados ao áudio do jogo estão ligados a dublagem em português do Brasil, onde alguns NPCs possuem vozes estranhas e sem emoção, e em alguns momentos, a voz do nosso personagem parece sofrer uma redução brusca de volume em alguns diálogos.

 

CONCLUSÕES

Após o ensaio em Origins, Assassin’s Creed Odyssey finca o pé de vez em um novo terreno para a franquia, e com incrível propriedade. É bem verdade que não traz absolutamente nada de novo ao gênero, porém apresenta um jogo sólido, com um sistema de escolhas que moldam a evolução da história e o caráter do protagonista em mundo aberto espetacular. Seguramente foi um salto de fé necessário para a franquia, capaz de agradar aos fãs mais antigos, e atrair uma nova leva de entusiastas para a Seita dos Assassinos!!

Se você é fã da franquia, trata-se de um jogo obrigatório para a sua coleção! Caso você nunca tenha dado uma chance a ela, e tenha jogador títulos como The Witcher, Dragon Age, ou até mesmo Dark Souls, este é o jogo ideal para embarcar na jornada dos assassinos.

Em uma campanha principal com aproximadamente 40h de duração, que podem ser quase que duplicadas caso você busque os 100%, Assassin’s Creed Odyssey vale cada centavo do seu rico dinheirinho!

Assassin’s Creed Odyssey foi gentilmente cedido à Manual dos Games para análise pela Ubisoft

Publicado em 14 de outubro de 2018 às 23:03h.
2018-10-14 23:03:04

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