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Análise | Borderlands 3

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O mais novo título da 2K, Borderlands 3,  chegou para trazer novos ares até essa franquia clássica e muito bem falada. Desenvolvido pela Gearbox, o jogo traz o estilo de RPG ‘loot’n’shoot’ já consagrado, agora com promessas audaciosas para a campanha. O título está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC (com uma exclusividade temporária à Epic Store). Vale lembrar que uma portabilidade para o Google Stadia também foi confirmada! Confira nossa análise:

O universo que já conhecemos

Como de costume, Borderlands começa no planeta Pandora, onde um rumor especula há décadas a existência de uma ‘arca’ que abriga uma vasta coleção de tesouros e tecnologia. A busca por esse tesouro trouxe várias corporações para a caça, causando diversos conflitos e propagando o caos. Muito tempo depois, alguns grupos ainda se reuniram para buscar independentemente pela promessa de riquezas e tecnologias: os chamados ‘Vault Hunters’ (ou Caçadores de Arcas).

Depois de receber um chamado dos Crimson Raiders, seu personagem chega em Pandora apenas para descobrir que os próprios foram quase extintos por uma gangue chamada Children of The Vault. A decepção, no entanto, dura pouco: seu personagem conhece Lilith se te é familiar, vou confirmar: sim! Lilith era um personagem jogável no primeiro título da franquia e ganha a missão de encontrar o mapa do Vault, que fora recentemente roubado. Assim, o enredo começa sob o comando de Lilith e guiado por Claptrap.

Quatro opções, quatro estilos de jogo

As introduções de Borderlands sempre surpreenderam. Dessa vez, não é diferente: tocando Put it On The Line, do The Heavy, conhecemos os personagens com a assinatura da franquia.

Com o clima decadente de um mundo perigoso, a introdução traz a identidade de cada personagem e o que eles  podem fazer. Tudo isso num pequeno filme que, quando o título chega e finalmente entrega “Borderlands”, arrepio e nostalgia são sentimentos inevitáveis.

São quatro personagens para sua escolha, todos com suas peculiaridades e personalidades: Amara, FL4K, Zane e Moze. Eles têm, cada um, suas habilidades especiais. Amara é uma Ninfa que usa poderes elementais para conter e esmagar inimigos na batalha; FL4K é um ‘domaferas‘ que usa animais para aterrorizar seus inimigos; Zane é um agente cheio de dispositivos capazes de manipular o espaço ao seu gosto e Moze é uma atiradora perspicaz que tem um Urso de Ferro para se manter à salvo enquanto explode a cabeça de inimigos. Todos tem suas próprias árvores de habilidades que você pode evoluir como preferir no decorrer da jogatina.

Referências constantes e personagens carismáticos

Borderlands traz uma história extremamente familiar para quem jogou os títulos anteriores. Dessa vez, com novos antagonistas e aliados com o excelente carisma já conhecido da franquia.

No decorrer da jogatina, é impressionante a quantidade de referências que não estão exatamente escondidas, e ainda aumentaram desde os últimos títulos. É possível testemunhar, por exemplo, alguém dizendo o clássico “Excelsior!” (referência ao querido e falecido Stan Lee) durante uma batalha e até mesmo de outras produções, como o muito bem conhecido “Hey, you! You’re Finally Awake” (Ei, você. Está finalmente acordado) de Skyrim, quando você revive.

Essas citações da nossa atualidade, destacando principalmente o conteúdo da internet, funcionam muito bem com o mundo completamente surtado de Borderlands… na primeira hora. Mesmo que te façam acreditar que isso é verossímil no futuro desse universo, as alusões a cultura pop transformam-se e podem ser encaradas como genéricas, principalmente para o público que amadureceu nesse hiato.

Por outro lado, é extremamente gratificante o carinho dos escritores em colaborar com a atmosfera do game. Os NPCs são figuras interessantíssimas de se conhecer. Até mesmo os chefões, que pouco falam antes de morrer, tem peculiaridades gigantescas que enriquecem o universo e mostram o grande potencial criativo dos desenvolvedores.

Enquanto o mundo entorno dos protagonistas é rico e divertido de assistir, o mesmo não ocorre com os próprios.

Uma boa trama é imprescindível, mas a forma como é tratada, especialmente sobre a história dos personagens principais, é limitada. O carisma dos heróis tem potencial, mas os desenvolvedores repetiram o mesmo arranjo dos antecessores em entregar falas padrões de resposta e iniciativa para todas as interações dos personagens, empobrecendo boa parte dos diálogos. Mesmo estando, não nos sentimos realmente “ali” de verdade.

Curiosamente, falas durante batalhas imitam o mesmo erro e são bem interativos com o que acontece em tempo real. Pelo menos nas primeiras horas, você sente que seu personagem está vivo e lutando com você.

Graficamente previsível

O gráfico de Borderlands, com total certeza, é original. A mistura de cel-shading com o estilo cartum fazem do game uma grande história em quadrinhos 3D. Não tentar seguir o realismo, coisa que muitos jogos tentam hoje em dia, garante uma ressalva para o título e funciona muito bem com o humor canastra e quebrador de quarta parede.

Desde os últimos jogos, houve uma melhoria: explosões ficaram mais sofisticadas, os traços mais detalhados e as cores mais vivas principalmente quando tratamos de luzes de neon e tiros dos mais diferenciados tipos de armamento alienígena. Contudo, essa melhoria não é destaque. Respeitando a autenticidade, o visual poderia estar bem melhor, com traços mais sofisticados e aperfeiçoamento nas texturas, já que parecem ser as que já vimos no primeiro título, com pequenos ajustes acrescentados.

Realmente, nada é à prova de falhas: problemas com serrilhado, principalmente nas sombras, ficam evidentes em alguns momentos; atrasos na renderização podem acontecer com frequência, essencialmente nas transições de cenários. Isso além de texturas embaçadas e defeitos onde o corpo de alguns personagens atravessam objetos durante ações roteirizadas

Vale citar que os mesmos erros estão presentes nos antecessores. Isso ressalta a impressão de que o desenvolvimento gráfico foi levemente superficial.

Trilha sonora satisfatória

No menu inicial, o crepitar de uma fogueira e uma música contemplativa já mostram como será a trilha do jogo.

Nos diferentes ambientes que você visita, desde a nave, até territórios terrestres, tudo tem sua própria identidade. Variada e constante, raros são os momentos silenciosos, assim como são raros os momentos onde há repetição evidenciável.

O ponto mais alto da trilha é durante as batalhas e cutscenes. A mistura de músicas de bandas reais sempre esteve na franquia, e a adrenalina musical é permanentemente indispensável para deixar as batalhas mais intensas, algo que os desenvolvedores souberam dar importância.

Diversão caótica

Em jogabilidade, Borderlands não perdeu o jeito único de divertir o jogador. Os conflitos intensos e viscerais são extremamente empolgantes, pois além de tudo explodir em manchas vermelhas e pedaços, os marcadores registram o dano e acertos críticos sem sair do toque cartunesco  fazendo você querer arrasar mais e mais.

A liberdade para eliminar inimigos como quiser se amplificou desde os últimos jogos. Ainda que algumas mecânicas sejam clássicas da série, tudo está mais evoluído.

Escorregar e, com um chute, arremessar os inimigos enquanto seu drone os enche de balas é só uma das coisas  que você pode fazer com o Zane, por exemplo.  As combinações são divertidíssimas e praticamente infinitas, tendo em vista as diferentes árvores de habilidades de cada personagem.

Nem tudo é um mar de rosas. Em alguns momentos você se encontrará frustrado por uma certa falta de fluidez nos combates. Muitos desencantamentos poderiam ser evitados se existisse um desempenho melhor, já que queda de quadros ocorrem constantemente.

Mesmo com alguns problemas técnicos, Borderlands não abandona seu ritmo veemente e variado. Os equipamentos também melhoraram e aumentaram: um repertório de armas ainda mais vasto, que agora também introduz munições elementais e novas granadas para tornar tudo mais caoticamente divertido.

Esse mundo bagunçado também é infestado de coisas para fazer, mas que se limitam a quests. Enquanto as missões dadas são criativas e se esforçam para serem únicas, a repetição é inevitável ao ponto que você da um suspiro e diz: “lá vamos nós de novo”, enquanto entra no seu carro para mais um longo e vazio caminho.

Cenários inteligentes e diferenciados

Os cenários de Borderlands são ricos e constroem ainda mais a atmosfera do universo. Todos completos e, por mais que existam espaços superficiais, os locais que os jogadores mais estarão são ricos em detalhes; pichações com frases engraçadas, luzes, construções e armadilhas de ácido, explosivas, choque e queda.

A destruição de cenário é quase inexistente, mas isso acaba sendo relevante, levando em conta que todo lugar imprime uma história. Áreas seguras realmente trazem um ar de “esse canto é realmente nosso” e os covis transpiram horrores da loucura e decadência.

Isso sem mencionar que a intuitividade dos mapas é muito bem pensada. É fácil reconhecer locais para onde precisa ir. O trajeto é delineado com cuidado, porém mesmo assim os desenvolvedores resolveram olhar para o jogador como uma criança, que precisa ter sua mão segurada com diálogos quando demora alguns segundos para descobrir o que fazer.

E por falar em caminho, Borderlands têm um sério problema com a solidão. A atmosfera faz isso propositalmente, mas sabemos que tudo em excesso pode ser ruim. Aqui, parece que esse excesso é um acidente se repetiu.

A vastidão dos planetas é positiva, mas vem acompanhada de um terrível fardo: espaços vazios e falta de presença. O mundo de Borderlands é denso, mas não parece tão vivo. Percorrer longas distâncias até seus objetivos, essencialmente no singleplayer, é monótono e sozinho. Algo que chega a ser desagradável e te faz questionar a vividez daquele mundo, quando não há ninguém tanto NPCs quanto jogadores por perto.

Multiplayer é a melhor opção

Mais uma vez, parece que Borderlands só pode ser inteiramente apreciado no multiplayer. Apesar jogável sozinho, parece que os desafios e a diversão é pensada com até três amigos ao seu lado. E até mesmo se quiser jogar com estranhos online; a nova possibilidade de loot justo e adequção de dificuldade para novos jogadores tornou a experiência mais amigável que competitivamente tóxica.

A realidade é que Borderlands 3 guarda sua fatia generosa de diversão para o online. Principalmente quando cosméticos, o ato de reviver e algumas missões são melhores quando experienciadas coletivamente.

Conclusão

Depois dessa grande espera, Borderlands retorna com mais um título. O maior jogo da franquia, que chegou tarde e perdeu o barco de ascensão de games do gênero, mas ainda consegue competir como um dos melhores  do estilo. Seguindo a mesma receita de bolo, Borderlands 3 traz um repertório gigante de armas, novos planetas, habilidades, universo expandido e uma coleção de momentos para se divertir com os amigos ou até sozinho.

As novidades o tornaram ainda mais divertido, sim. Não obstante, também provaram que as inovações foram rasas o suficiente para tornar o título apenas mais um, numa franquia onde o apelo nostálgico parece gritar mais do que a vontade de evoluir. Um prato cheio para os fãs, mas um copo meio vazio para quem esperava algo novo.

A cópia de Borderlands® 3 foi gentilmente cedida para análise pela 2K.

Publicado em 19 de setembro de 2019 às 09:49h.
2019-09-19 09:49:04