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Análise | Call of Cthulhu

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Call of Cthulhu é um jogo de terror e suspense, com elementos de investigação e RPG, desenvolvido pela Cyanide SA e publicado pela Focus Home Interactive. Foi inspirado em um dos contos mais emblemáticos escritos pelo lendário H. P. Lovecraft, pai do terror cósmico, onde o mau viria de dimensões paralelas e ancestrais, incompreensíveis para a mente humana.

Lançado no Halloween de 2018, vamos conferir agora se esta é uma boa pedida para os amantes de terror.

A LOUCURA QUE VEIO DO MAR

Veterano da primeira Grande Guerra Mundial, o detetive Pierce vê aos poucos sua carreira entrar em declínio, quando um curioso caso cai nas suas mãos. Um pai desesperado tenta restaurar a hora da sua filha, Sara Hawkins, habilidosa pintora acusada de ter provocado o incêndio que a matou juntamente com sua família.

A única pista é uma pintura perturbadora que ela deixou para o pai, na etiqueta da remessa, o endereço de um galpão nas docas da ilha de Darkwater. Intrigado, Pierce aceita o caso e parte em direção à ilha, onde descobre que o que deveria ser mais serviço trivial, trará desdobramentos sinistros, em uma jornada que o envolverá irremediavelmente a um mau incompreensível para a mente humana.

No que tange estes vastos poderes ou seres é possível conceber uma sobrevivência… a sobrevivência de um período infinitamente remoto, em que a consciência talvez se manifestasse através de linhas e formas desaparecidas há muito tempo ante a maré crescente da humanidade… formas das quais apenas a poesia e a lenda guardam lembranças fugazes, chamando-as de deuses, monstros, criaturas míticas de todos os tipos e espécies…

Algernon Blackwood

NA CASA EM R’LYEH CTHULHU, MORTO, AGUARDA SONHANDO

No que diz respeito ao game play, teremos um jogo investigativo com elementos de RPG. Após aceitar a o caso Hawkins, o detetive Price segue para Darkwater e o jogo de fato tem início. Chegando lá você se depara com uma investigação inicialmente tradicional, terá que falar com os moradores da ilha em busca de pistas sobre a família, e conforme vai coletando essas pistas esparsamente distribuídas, a história segue aumentando em intensidade e coisas estranhas começaram a acontecer ao seu redor.

O jogo traz mecânicas bastantes interessantes que casam bem com todo o clima investigativo proposto. Ao ter acesso a certas áreas, Price pode entrar em uma espécie de transe investigativo, onde poderá reconstituir os acontecimentos daquela região com base na observação de determinadas pistas, após identificar todos os elementos chave capazes de recompor a cena, o fato nos é revelado.

Também nos depararemos com diversos puzzles, que podem ser resolvidos com a investigação e coleta de elementos do cenário. Variam em dificuldade, e de maneira geral não são nada triviais, em alguns momentos vão exigir máxima atenção do jogador para serem resolvidos.

Durante diálogos com os diversos NPC’s teremos uma série de opções de respostas, que vão afetar diretamente como aquele personagem vai interagir com você, porém parece não ter nenhuma consequência ao longo da história, que traz apenas duas opções de final. Nos últimos capítulos de Call of Cthulhu teremos momentos estranhíssimos, onde podemos presenciar situações vivenciadas por outras pessoas, onde poderemos controla-las e tomar conhecimento de outros acontecimentos. Aqui as coisas não variam muito em relação ao estilo de jogabilidade, esse artifício funciona como um tapa buracos para o desfecho da história.

Os elementos de RPG ficam por conta de um sistema de progressão bastante interessante, conforme seguimos investigando as cenas dos fatos acontecidos, conversando com NPC’s e resolvendo puzzles, ganharemos pontos de personagem que poderão ser distribuídos em até cinco atributos da arvore de habilidades (Visão, Eloquência, Força, Psicologia e Investigação), a maneira como você distribuirá esses pontos afetarão diretamente sua capacidade de interação com o jogo. Além desses atributos teremos duas características especiais, medicina e ocultismo, que só são upados conforme descobrimos livros específicos ou desvendamos alguns acontecimentos.

Call of Cthulhu segue um ritmo lento, com exceção dos momentos de stealth, onde a inteligência artificial dos NPC’s parece funcionar de maneira bastante atabalhoada, toda a jogabilidade funciona a contento e cumpre o papel proposto.

O HORROR NO BARRO

Os gráficos de Call of Cthulhu são horríveis, extremamente datados para a atual geração de consoles, porem isso é compensado pelo excelente level design, que cumpre seu papel, de modo que todos os ambientes do jogo passam o clima exato que a história precisa. No que diz respeito a trilha sonora, ela é presente e cumpre sua função, mantendo a atmosfera opressiva e amedrontadora o tempo inteiro. E se você for jogar com fones de ouvido, prepare seu coração.

CONCLUSÕES

Com uma ambientação impressionante, e um sistema de investigação satisfatório, em Call of Cthulhu nunca saberemos se estamos viajando nos delírios do detetive Pierce ou de fato investigando o caso da família Hawkins, é um jogo capaz de meter medo em qualquer um. Altamente recomendado para os fãs de jogos de terror!

Publicado em 31 de outubro de 2018 às 00:04h.
2018-10-31 00:04:16

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