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Análise | Bastion

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Bastion é um RPG indie de ação vencedor de diversos prêmios que foi desenvolvido pelo pequeno estúdio Supergiant Games e distribuído pela Warner Bros. Interactive Entertainment. O jogo conta com suporte para diversas plataformas como Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4, Windows, Linux, iOS,  Mac e Google Chrome. Sim, amigos, dá pra jogar até pelo navegador.

História

O jogo gira em volta de um personagem conhecido como “the Kid” ou “a Criança” em português, que acordou um dia e descobriu que seu mundo, Caelondia, foi destruído por um evento conhecido apenas como Calamidade. O foco da história é a jornada de “the Kid” nos poucos pedaços que restaram do mundo, em busca de peças para consertar um abrigo chamado Bastion, que seria uma espécie de último refúgio para seu povo.

A campanha prossegue em um sistema de fases convencional e a história é contada conforme o jogador avança nelas. Quem conta a história é um narrador chamado Rucks, que conta detalhes das personagens e do mundo de Caelondia enquanto o jogador vai atravessando os variados cenários do título. Se você for um jogador mais curioso, pode encontrar detalhes extras sobre a história em algumas fases especiais, desbloqueadas com o avançar da narrativa.

O enredo do jogo é um de seus pontos principais e os desenvolvedores sabem disso. Por esse motivo, desde o começo o jogo é extremamente linear, já que o estúdio precisa ter certeza que a história será contada sempre da mesma forma, e sempre da maneira correta. Buscando quebrar a linearidade imposta pela forma como a narrativa é exposta ao jogador, Bastion conta com um sistema de narração dinâmica, onde pequenas ações do jogador são narradas em tempo real. E pode acreditar, a história parece mais viva e a sensação é que você está percorrendo as páginas de um livro. Como o jogador está vivendo a história a todo tempo, sua intensidade e profundidade criam uma conexão com o jogador que é rara de ser encontrada. A linearidade fica de lado e o enredo brilha. É possível que a narração traga um lado negativo: em prol da exposição da história, e devido ao excelente trabalho do dublador, o jogador pode se sentir distante do protagonista que controla e muito mais próximo do próprio narrador.

Conforme você avança no jogo, vai encontrar alguns objetos antigos que foram perdidos durante os últimos momentos caóticos do povo de Caelondia. Eles são conhecidos como Mementos e servem como pistas sobre o passado das personagens e sobre os fatos que desencadearam a Calamidade. Uma alternativa comum para não sobrecarregar o jogador com detalhes da história, permitindo que jogadores exploradores sejam recompensados em seus esforços e, ao mesmo tempo, expandindo o universo do jogo sem atrapalhar o desenrolar do próprio jogo.

A velocidade da narrativa somada novamente ao excelente trabalho de dublagem transferem ao jogador os sentimentos propostos pelo título de maneira impecável. Então apesar de profunda e aparentemente complexa, a história é muito bem desenrolada e apresentada ao jogador no decorrer de sua aventura.

 

Jogabilidade

Em termos de jogabilidade, Bastion possui alguns elementos discretos de RPG misturados com ação e exploração. Entre eles, permite melhorar e modificar seu personagem de várias maneiras. O melhor de tudo é que esses aprimoramentos podem ser mudados a qualquer momento. Dessa forma você pode testar todas as armas e suas variações para ver qual estilo de combate mais te agrada. Essa flexibilidade é bem vinda e mesmo que o jogo te obrigue a testar todas as armas disponíveis, na maioria das vezes existe a possibilidade de, durante a própria duração da fase, trocar de arma. Então apesar dessa forçada de barra, os desenvolvedores respeitam o estilo de cada jogador dando a possibilidade de simplesmente trocar de arma se aquela obtida em tal fase da campanha não for do seu gosto.

Outro aspecto que fornece ao jogador a sensação de completude, são os pontos de experiência obtidos no combate que servem para aumentar seu nível. Soma-se a isso os Fragmentos do Mundo Antigo e outros recursos encontrados durante a campanha que podem ser combinados para aprimorar as várias armas. Dessa forma o jogador é apresentado durante toda a extensão da história à novas formas de melhorar o personagem e está constantemente sendo evoluído.

O combate em Bastion é o elemento central da jogabilidade que permite o avanço das fases. Apesar de simples, ele pode ser desafiador. O jogador pode escolher duas armas de seu arsenal e também uma habilidade especial. Existem mais de dez armas diferentes e outro tanto de habilidades especiais, que criam um leque bem amplo de possibilidades considerando-se o tamanho do jogo.

 

Pequena cidadela chamada Bastion.
Pequena cidadela chamada Bastion.

Além das armas e das várias habilidades, o jogador tem um escudo que pode ser usado para se defender ou refletir ataques. Também possui a capacidade de se esquivar fazendo uma cambalhota, bem útil para situações com vários inimigos, que ocorrem com frequência já que em Bastion, packs de inimigos são uma constante durante o jogo todo. Além da vida do personagem, o combate apresenta dois recursos adicionais que são limitados e por isso devem ser bem administrados que são os Health Tonics, que recuperam o HP do personagem, e os Black Tonics, que permite usar habilidades especiais. A dificuldade do título não é das maiores e esses recursos são espalhados pelos mapas com bastante generosidade.

Existem também algumas fases especiais chamadas de Proving Grounds onde o você pode testar suas habilidades com cada arma realizando desafios para conseguir materiais e habilidades especiais novas. Todos esses elementos juntos fazem com que você se sinta incentivado a testar as várias opções do jogo e isso acaba mudando a jogabilidade das batalhas. Como Bastion não apresenta um grande fator de replay, essa é uma forma criativa e funcional de cativar o jogador por mais algumas horas.

Se o combate começar a se tornar maçante e repetitivo, é possível que o jogador aumente sua dificuldade. O título apresenta um sistema de dificuldade variável que é consistente internamente com a narrativa do jogo (uma maneira bem legal de manter a ambientação da história e garantir a imersão que esse tipo de título necessita tanto) e permite que o jogador decida como quer seguir em frente. Escolhas de game design simples, que não saem muito do arroz com feijão, mas que foram extremamente bem aplicadas e conseguem ampliar a experiência do usuário de maneira muito positiva.

 

Gráficos

Bastion não tem gráficos extravagantes mas é uma obra de arte. A pretensão do jogo não é em momento algum trazer o fotorrealismo. A ideia, na verdade, é completamente oposta em termos visuais: Bastion tenta se destacar como um óbvio ambiente fantástico. A história deixa isso muito claro e a direção de arte do jogo não poderia seguir um caminho diferente. O ambiente do jogo é completamente desenhado à mão e com uma paleta de cores bem rica e diversificada. Apesar de 2D, o campo de visão amplo da câmera isométrica dá uma sensação de profundidade e cria uma dinâmica de movimento interessante.

 

The Kid se aventurando nos restos de Caelondia.
The Kid se aventurando nos restos destruídos de Caelondia.

Mesmo em um cenário de saturação alta de cores, o feedback visual das batalhas é passado de maneira simples mas satisfatório. O tom da história também está em perfeita harmonia com o visual exposto ao jogador. Durante a história diversos locais são visitados e cada um deles têm sua personalidade visual própria, com elementos gráficos diferentes e uma temática sempre bem definida.

Além do visual incrível, o gráfico do jogo ainda surpreende com uma característica muito interessante: o mapa vai sendo construído conforme o personagem caminha pela fase. A ação de andar que cria o mapa. Isso imprime no jogador uma sensação fortíssima de causalidade, de que ele está impactando diretamente no mundo e sem sombra de dúvidas aumenta a imersão brilhantemente. Assim, a ligação jogador-enredo é reforçada de uma forma sutil intensa.

 

Sonoplastia

Os efeitos sonoros, em geral, não são o carro-chefe do jogo. Eles não são ruins mas entregam exatamente o mínimo que esperamos. Objetos sendo destruídos, armas disparando, projéteis sendo refletidos, elixires sendo coletados etc. O feedback auditivo das ações do personagem estão sempre lá para ampliar a responsividade do jogo. Não poderíamos esperar um leque grande de sons e variações para estes já que o título sequer tem tamanho para comportar esse tipo de recurso. Mas a fidelidade dos sons é boa o suficiente para jamais impactar de forma negativa sobre o jogador.

 

 

A música do jogo é um dos pontos onde Bastion mais se destaca. É comum que em muitos jogos a trilha sonora fique apagada, em segundo plano. Mas não é isso que acontece aqui. Do começo ao fim do jogo músicas de alta qualidade podem ser ouvidas acompanhando as aventuras de the Kid. As mais de vinte faixas misturam estilos diversos e combinam com os vários momentos da história. Com influências que variam do country até a música eletrônica, a trilha sonora do jogo é tão bem trabalhada que vai te querer fazer ouvir de novo. Pouco provável que você consiga fechar Bastion sem sentir um arrepio quando começam os incríveis vocais usados.

Bastion tem uma dublagem de primeira que foi muito aclamada pela crítica. A excelente qualidade da dublagem vai fazer com que você ache as mais de três mil linhas de diálogo de Rucks pouco e ainda queira mais. E por causa do mecanismo de narração dinâmica, a experiência é ainda melhor. Com a qualidade que a dublagem de Rucks tem, é uma pena que ele seja praticamente o único a falar na história; um pouco de variedade seria muito bem-vinda. Mas como aquilo que está no game é muito bom, a gente deixa passar.

 

Conclusão

Bastion é um excelente jogo que, apesar de apresentar uma campanha curta e não apresentar modo multiplayer, os novos modos de jogo liberados após o fim da campanha, as diferentes combinações de armas e todas as variações de dificuldade com certeza garantirão a você muitas horas de diversão. Bastion é, sem dúvida, um jogo que vale o investimento.

 

E aí, galera vocês já jogaram Bastion? Conte aqui pra nós o que acharam do jogo ou se ficaram com vontade de jogar!

Publicado em 19 de abril de 2017 às 19:18h.
2017-04-19 19:18:30

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