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Análise | Days Gone

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Após seu primeiro anúncio na E3 de 2016 e muitos atrasos depois, Days Gone o mais novo exclusivo para Playstation chegou até nós no último dia 26 do mês passado. E meus amigos, foi um dos lançamentos (exclusivos) mais conturbados dos últimos anos. As primeiras versões que chegaram a mídia especializada para análise, possuíam tantos problemas, que de imediato uma hype tóxica passou a girar em torno de Days Gone, e com alguma razão.

A despeito de toda a hype negativa criada em torno do novo exclusivo para Playstation 4, nós da Manual dos Games resolvemos aguardar os lançamentos das inevitáveis atualizações que corrigiriam os problemas maiores antes de trazer nossa análise. Após os problemas mais graves terem sido corrigidos ou amenizados, o que ficou da nossa jogatina de Days Gone é de que se trata de um excelente jogo, que definitivamente merece a sua atenção.

Venham comigo, vamos ver o que Days Gone tem a nos oferecer.

RACCOON CITY 2.0

A história de Days Gone não é nada original, poderíamos aqui resumi-la muito precisamente com uma fusão entre os seriados Sons of Anarchy, The Walking Dead e algumas pitadas de Resident Evil. Porém essa falta de originalidade não é um problema propriamente dito, nós adoramos mundos pós apocalípticos infestados por zumbis superorganizações misteriosas.

Pois então, a história de Days Gone tem início nos primeiros dias de uma catástrofe causada por um vírus que começou a assolar o território norte americano. Uma grande porção da humanidade começa a ficar incontrolavelmente violenta, em meio a esse caos, Deacon, sua esposa Sarah e seu amigo Boozer tentam desesperadamente escapar da cidade.

Porém, em meio a essa tentativa de fuga, Sara é esfaqueada e gravemente ferida, e é quando Deacon e Boozer encontram um helicóptero de resgate da NERO (National Emergency Response Organization), contudo o helicóptero está lotado com outros feridos e Deacon acaba ficando com Boozer, com o objetivo de se reunir com sua esposa em algum momento no futuro.

É claro que o plano de Deacon não dá certo, e dois anos após o colapso da civilização, você terá que guiar o protagonista em busca de respostas ao longo de uma jornada de sobrevivência em meio a um ambiente repleto de hordas de frenéticos (zumbis) e gangues extremamente violentas.

KILL THEM ALL

Days Gone se trata de um jogo de ação e aventura com elementos de RPG e sobrevivência. Você vai acompanhar essa jornada na pele de Deacon, um motoqueiro barra pesada que aprendeu a sobreviver nesse mundo infestado por frenéticos. Mas como diria Jack o Estripador, vamos por partes.

Controlando Deacon você poderá andar, correr, saltar e passar por baixo de alguns obstáculos predeterminados, realizar uma esquiva lateral, além de nas situações de combate, utilizar armas de fogo (pistolas, rifles, crossbow e metralhadoras) e uma arma branca (taco de baseball, pedaços de madeira, facões e facas).

A quantidade de armas de fogo é minúscula, porém conforme avança no jogo será possível fazer alguns upgrades nas armas com acessórios improvisados, melhorando a eficiência no uso além de acrescentando algumas funcionalidades. No que diz respeito às armas brancas (minhas prediletas) aqui sim você vai poder improvisar bastante, criando gambiarras como: tacos de baseball com pregos nas pontas além de outras maluquices sanguinárias.

O sistema de combate é excelente: além de poder eliminar frenéticos e humanos em modo steath, em uma mecânica idêntica ao que temos em Tomb Raider, vamos enfrentar hordas de zumbis que vão te atacar em um grupo rudimentarmente organizado, e é aqui que o jogo brilha. Essas hordas são insanas, acompanhadas por uma trilha sonora excelente, você vai suar frio sempre que der de cara com uma delas. A única maneira eficiente de eliminá-las por completo é utilizando elementos do cenário para criar armadilhas que os eliminem ao mesmo tempo.

O comportamento dos “frenéticos” é muito interessante, embora pudesse ter sido melhor aproveitado caso a inteligência artificial mais bem polida, o mesmo vale para os inimigos humanos. No caso dos frenéticos, eles são sempre meio burros, cegos e surdos, você vai conseguir eliminar boa parte deles no modo stealth, eles são ligados no modo Kill, e sempre que detectam a sua presença saem em disparada atrás da sua cabeça.

Já os humanos, que também possuem inteligência artificial bem limitada,  vão te atacar com armas de fogo ou de corpo a corpo de maneira melhor coordenada, se protegendo em paredes e outros elementos do cenário, o tempo inteiro tentando te flanquear, porém, assim como os “frenéticos” são meio cegos e surdos.

O sistema de progressão de Deacon é bom, e você poderá melhorar atributos relacionado ao combate a distância, corpo a corpo, além de sobrevivência. Em uma árvore de habilidades pequena, mas que vai adicionar muita coisa interessante ao gameplay.

E por falar no game play, a estrutura das missões é bastante usual, e não traz nada que já não tenhamos visto antes. Você terá diversas missões principais, secundárias, além de eventos aleatórios que aparecerão no mapa conforme você o explora. As missões principais envolvem a busca de Deacon pela sua esposa, além do seu relacionamento com Boozer e as comunidades organizadas que surgiram após o colapso da civilização.

No que diz respeito as missões secundárias, elas serão sempre muito repetitivas e consistirão basicamente em limpar zonas infestadas por frenéticos (que desbloquearão viagens rápidas entre determinados trechos do mapa) além de invadir estabelecimentos abandonados da NERO e resgatar NPCs aleatórios.

As comunidades organizadas são parte fundamental do jogo, embora Deacon e Boozer não façam parte de nenhuma delas e vivam às margens das mesmas. Fazendo alguns serviços e utilizando lojas e oficinas localizadas por lá. A cada missão realizada, ou pessoa resgatada que você enviar para uma das comunidades, aumentará seu prestígio. O que vai ser fundamental para te dar acesso a melhorias para a sua moto, além de acesso a outros itens e armas.

E por falar na motocicleta de Deacon, é sem dúvida mais um dos pontos altos do jogo. A física relacionada a ela, quase sempre funciona bem, e as opções de melhoria e customização são super variadas.

Mas como diria o poeta, nem tudo são flores! A hype negativa relacionada aos momentos iniciais do lançamento de Days Gone são justificadas. Mesmo após diversas atualizações de correção, o jogo ainda está recheado de bugs irritantes, mas que agora, diferente dos dias após o lançamento, não serão um impedimento para o seu avanço no jogo.

Durante a exploração do cenário você vai se deparar com alguns frenéticos bugadões, que ignoram completamente a sua presença, mesmo que você passe bem na frente deles. Ao explorar o jogo com a moto, caso você saía da estrada e acabe caindo em algum córrego ou algo do tipo, não raro vai ficar impossibilitado de retirar a moto do local, isso aconteceu comigo duas vezes, e em todas elas tive que reiniciar o jogo.

Os controles sempre vão funcionar muito bem durante as situações de combate e exploração. Outro fator que não é um bug em si, mas é igualmente irritante e quebra imersão que a excelente ambientação do jogo consegue imprimir, está relacionado às missões principais da história. Sempre que você vai iniciar alguma missão da campanha, terá que se deslocar até um determinado ponto do mapa, quando estiver próximo a esse ponto o jogo vai entrar em uma tela de loading e você vai ser transportado pra o ponto inicial da missão que pode ser exatamente onde você estacionou sua moto ou a vários metros do lugar.

VALE A PENA JOGAR?

No frigir dos ovos, Days Gone nos entrega uma experiência de jogo incrivelmente imersiva, com gráficos e trilha sonoras excepcionais (mesmo no Playstation 4 comum). O gameplay proposto, a despeito de trazer estruturas de missões que podem se tornar repetitivas, ainda assim é bastante divertido e vão te manter no clima do jogo por dezenas de horas. Explorar o riquíssimo cenário do jogo, a moto ou a pé é muito bom.

Days Gone precisaria de mais polimento antes de ser lançado, agora os desenvolvedores estão correndo contra o tempo para consertar o que for possível. A despeito de todas as atualizações já lançadas, alguns bugs e problemas persistem, mas nenhum deles vai ser um impedimento definitivo para o seu avanço na campanha, e muito provavelmente novos patchs de correção continuarão tornando a jogabilidade ainda mais estável.

Muitas atualizações depois, e uma considerável queda no preço após o lançamento, pode ser o momento ideal para comprar a sua cópia de Days Gone, ou até mesmo esperar mais algumas semanas, quando seguramente o preço vai continuar caindo ainda mais.

Uma cópia de Days Gone foi gentilmente cedida pela Sony Brasil

Publicado em 20 de maio de 2019 às 16:42h.
2019-05-20 16:42:30