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Análise | Fade to Silence

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Anunciado durante o The Game Awards em 2017, Fade to Silence é um jogo de sobrevivência ambientado em um mundo pós apocalíptico, marcado por uma Terra assolada por um clima glacial. Desenvolvido pela alemã Black Florest Games, foi distribuído pela THQ Nordic para Playstantion 4, PC e Xbox One, e lançado no último dia 30 de abril.

Ainda em 2017, uma versão alfa foi disponibilizada para alguns criadores de conteúdo, e o que pudemos ver ali era realmente promissor, e prometia trazer toda uma nova identidade e estilo de abordagem para os jogos de sobrevivência, que por vezes caem em um ciclo de repetição unicamente atrativo para os aficionados pelo gênero.

Agora que finalmente temos o lançamento definitivo, vamos descobrir se Fade to Silence entregou o que prometeu.

UM MUNDO GELADO

Em Fade to Silence assumimos o papel de Ash, um homem atormentado por fantasmas pessoais que acaba sendo obrigado a liderar um grupo de pessoas que encontra ao longo de uma jornada de sobrevivência dura e cruel. Logo nos primeiros instantes, o protagonista é aparentemente trazido de volta à vida, e amaldiçoado a repetir um ciclo constante de trabalho duro onde até mesmo o descanso da morte lhe é negado.

A premissa para o enredo do jogo é bem rasa, porém cumpre sua função e dá um norte para que a nossa imaginação preencha os diversos vazios que o enredo parece, propositalmente, deixar em aberto, e isso até certo ponto funciona bem. O mundo criado para o jogo é intrigante, e conforme as horas passam, você acaba criando diversas teorias a cerca dos acontecimentos que podem ter culminado com aquela tragédia gelada.

UM CICLO INFINITO

Logo após sermos ressuscitados pela “entidade demoníaca” (aparentemente responsável pela nossa “maldição” e vai te seguir com frases de efeito chatas e com uma voz irritante ao longo de TODO o gameplay). Somos rapidamente introduzidos a um dos pontos mais problemáticos do jogo, o sistema de combate.

Pois então, em uma tentativa de emular o esquema de combate dos souls like games, o personagem tem uma animação quase que impecável, podendo realizar um movimento de ataque rápido e um pesado, além de esquivas laterais e ataques a distância com um arco e flecha. Durante as lutas você pode ainda fixar a câmera nos inimigos, e é aí que os seus problemas vão começar.

Os inimigos, cuja variedade não chega a impressionar, possuem movimentos artificiais e incompreensivelmente mecânicos, além de porcamente animados. E após fixar a câmera em qualquer um deles, o que em teoria deveria facilitar a ação, acaba travando a movimentação do protagonista de uma maneira inexplicável, e seus movimentos acabam se tornando tão limitados quando o dos inimigos. Rapidamente você vai se pegar evitando as situações de combate e concentrando as horas de jogo na exploração.

A despeito do sistema de combate horrível, Fade to Silence é um jogo de sobrevivência, e acredito que isso não vai pesar muito negativamente na sua experiência de gameplay, que vai consistir quase que completamente na exploração de um mundo aberto enorme, além da coleta infinita de recursos para a manutenção do seu acampamento e a sobrevivência dos seus protegidos.

Se em 2017 o jogo nos passou a impressão de que traria uma nova perspectiva para os jogos de sobrevivência, sinto informar que ele passa bem longe disso. Não fosse a ambientação espetacular, com um mundo pós apocalíptico gelado, onde o sistema de clima dinâmico que é capaz de tornar tudo ainda mais interessante e desafiador, poderíamos afirmar categoricamente que é mais um jogo genérico, com uma roupagem ligeiramente diferenciada.

O gameplay é quase que completamente igual a todos os demais  desse gênero, e vai consistir basicamente na coleta de recursos diversos ao longo do cenário (raízes, madeira, sucata etc), com os quais você vai, além de poder cozinhar alimentos e construir itens básicos para a sobrevivência (espadas, machados, arco e flechas, tochas, fogueiras), projetar construções que tornarão a vida dos seus protegidos mais confortável.

Você terá duas opões de jogo, uma mais casual, outra mais punitiva, com a possibilidade de jogar em co-op online, e ao longo de todo o gameplay você vai acabar sofrendo bastante com problemas de renderização e algumas quedas de frame rate (Playstation 4), porém nada impeditivo no seu avanço. De maneira geral todos os controles funcionam bem, e os poucos bugs relacionados ao mundo aberto são tranquilamente esquecíveis.

GELADO E INTRIGANTE

O mundo criado é seguramente o ponto alto de jogo. Toda a ambientação é incrível, rica em detalhes e com gráficos excelentes. O sistema dinâmico de clima vai te jogar em diversas situações desafiadores, a exemplo de pesadas tempestades de neve que derrubam a temperatura à patamares inimagináveis, e te obrigam a andar com neve até a cintura e correr para a fogueira mais próxima.

Além disso, a dublagem do protagonista e NPCs, e os efeitos sonoros são razoavelmente competentes, porém sempre atrapalhados pelas linhas de fala da “entidade demoníaca”, que sempre jogam um balde de água fria nos momentos de maior imersão propiciados pelo ambiente desolado e inóspito proposto pelo game.

VALE A PENA JOGAR?

Fade to Silence sofre com problemas de renderização e ocasionais quedas de frame rate, bem como de um sistema de combate que beira o ridículo. A despeito disso, traz um mundo aberto incrivelmente imersivo com uma enorme diversidade de áreas para exploração, com uma jogabilidade viciante e excelentes gráficos.

É uma boa pedida para os fãs de jogos de sobrevivência que estão à procura de um game que possa proporcionar dezenas de horas de diversão. Se não é aficionado pelo gênero, talvez esse não seja o mais indicado para você.

“Uma copia de Fade to Silence foi gentilmente cedida pela THQ Nordic GmbH

Publicado em 22 de maio de 2019 às 23:55h.
2019-05-22 23:55:53