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Análise | GRIS

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Anunciado em meados de 2018, GRIS deixou a comunidade gamer em alvoroço, com um trailer que apresentava uma animação impressionante, além de um conceito de arte soberbo, desenhado com tanto cuidado, que mais parecia se tratar de uma animação para os cinemas. Desenvolvido pela Nomada studio, e distribuído para Nintendo Switch e PC pela Devolver Digital, GRIS é um jogo de plataforma e aventura com puzzles e elementos de metroidvânia absolutamente indispensável para todos os jogadores que buscam, além de um gameplay sólido e bem polido, uma experiência visual única e inesquecível.

GRIS foi lançado em dezembro de 2018, e já é um sucesso absoluto, com mais de 300 mil cópias vendidas. E após finalizá-lo depois de aproximadamente 3h de jogatina, consigo entender a magnitude do sucesso alcançado por esse título.

Vamos juntos conferir o que torna GRIS um dos jogos de plataforma mais sensacionais já lançados.

A COR QUE CAIU DO CÉU

Vamos acompanhar a jornada de uma garota chamada Gris, que acorda na palma da mão de uma estátua de mulher em ruínas. Ela tenta cantar, mas nenhuma voz sai da sua boca, e a estátua desmorona em pedaços, lançando a garota em um mundo sem cores, triste e vazio. Após a queda, Gris continua explorando esse mundo cinza, aparentemente hostil, até que descobre estruturas arruinadas que são alimentadas por pequenos pontos de luz que lembram estrelas, e após coletar várias destas, formarão-se constelações que a guiarão em direção ao desconhecido.

O enredo de GRIS se desenvolve por intermédio de uma narrativa gráfica singular, sem caixa de texto ou diálogos e, como uma obra de arte, é aberto a interpretações inteiramente subjetivas, de maneira que cada jogador vai acabar criando sua própria versão para a história do jogo. Sua jornada vai ser marcada por uma série de desafios e obstáculos que parecem ser um reflexo de seus demônios pessoais, e ao longo do gameplay caso se permita entrar de cabeça no mundo de Gris, acabará espelhando seus próprios desafios e medos pessoais nessa jornada de autoconhecimento e aceitação.

O CAMINHO DAS ESTRELAS

GRIS traz um sistema de jogo simples, porém eficiente, divertido e que funciona a perfeição. Aqui vamos nos aventurar ao longo ao longo de cinco capítulos recheados de puzzles e desafios que precisam ser desvendados para seguir adiante. O objetivo é quase sempre coletar estrelas espalhadas no cenário, que formarão pontes e constelações no céu, desbloqueando algumas habilidades específicas para a personagem, e principalmente, colorindo seu mundo conforme ela gradualmente passa a conhecer e aceitar a si própria.

Conforme o mundo ganha cores, novos elementos são adicionados ao cenário, até que se torne completamente vivo. A cada cor adicionada, novas possibilidades de exploração surgem de maneira impressionantemente criativa e coerente, mantendo o gameplay sempre no mais elevado nível. Desde tempestades de areia vermelha e vento que ameaçam te lançar pelos ares, árvores verdejantes com raízes profundas que permitem acesso a áreas antes inalcançáveis, até mesmo chuvas torrenciais e lagoas de água cristalina que te possibilitarão explorar zonas profundas no interior da Terra.

Todo os elementos adicionados com a “descoberta” das novas cores que rejuvenescem o mundo de Gris têm um propósito, além de estético que serve para adensar a narrativa gráfica, prático para o gameplay.

A protagonista é capaz de andar, correr, saltar e conforme avança nos capítulos do jogo, novas habilidades são desbloqueadas e ela vai aprender um salto duplo que a permitirá planar por alguns segundos no ar, além de assumir a forma de um bloco sólido, que lhe dará mais peso e resistência ao vento. Através dessas habilidades você deverá interagir com os elementos do cenário em um avanço predominantemente linear, com o objetivo de acessar áreas novas, resolver puzzles e descobrir as estrelas que formarão as constelações que guiarão seu caminho.

E por falar nos puzzles e desafios de exploração, eles não apresentarão grande complexidade, e você deve ser capaz de entender sua mecânica de funcionamento rapidamente. A despeito dessa simplicidade, eles nunca parecerão cansativos e/ou repetitivos ao longo das aproximadamente 3h de campanha.

AQUARELA

O conceito de arte e a trilha sonora desse jogo são definitivamente seu ponto forte. Com cenários minuciosamente desenhados com um traço fino, e sutil, colorido como em uma aquarela, a riqueza de detalhes e as cores de Gris fazem cada novo cenário parecerem uma obra de arte, uma pintura que você poderia emoldurar e pendurar em uma exposição de arte. Além disso, a animação de todos os elementos do jogo é impressionante, e tão fluida que mais parece tratar-se de um filme animado. Junte tudo isso a uma trilha sonora sempre presente, que reforça a todo o momento as emoções sentidas pela personagem, e mantém o gameplay no mais elevado nível de imersão.

VALE A PENA JOGAR?

Com seu conceito de arte e animações incríveis, aliados a uma gameplay sólida e bem polida, Gris é um dos jogos mais marcantes que já tive a oportunidade de jogar. As suas aproximadamente 3h de duração podem parecer pouco, mas dada a densidade do gameplay, o time acaba sendo perfeito, e dias após finalizá-lo, ele continuará como uma boa lembrança na sua cabeça. Definitivamente é um jogo obrigatório para todos os gamers que procuram algo a mais em seus momentos de jogatina.

“Uma cópia de GRIS foi gentilmente cedida à Manual dos Games pela Devolver Digital

Publicado em 13 de março de 2019 às 23:44h.
2019-03-13 23:44:57