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Análise | Immortal: Unchained

Desenvolvido pela Toadman Interactive, estúdio independente com base na Suécia, e lançado no último dia 07 de setembro, Immortal Unchained chega com uma proposta interessante, e que pode surpreender os aficionados pelos Souls Like Games. Trata-se do primeiro RPG de ação e aventura em terceira pessoa que se utiliza da dinâmica de jogo disseminada por Dark Souls desde 2011, onde ao invés de ter um combate baseado em espadas e machados, a ação será focada em armas de fogo dos mais variados tipos que se possa imaginar. Usando armas brancas como elementos secundários no combate e com uma ambientação Sci-Fi futurista, exploraremos mundos diferentes e devastados por guerras intergalácticas.

Os desenvolvedores prometeram entregar uma experiência de jogo com um sistema de combate tático e acelerado, que combina tiroteios implacáveis com ataques de corpo-a-corpo brutais, tudo isso associado ao mais elevado nível de dificuldade que os jogadores mais hardcores do mundo dos games esperam. Enquanto fã incondicional e entusiasta desse gênero de RPG, acompanhei com grande expectativa o lançamento de Immortal: Unchained, e agora vamos descobrir juntos se a Toadman Interactive consegue entregar o gameplay visceral e impiedoso que nós tanto esperamos.

NO HORIZONTE DE EVENTOS

Immortal: Unchained traz uma narrativa de ficção cientifica com uma ótima premissa, que funciona bem e consegue embasar os eventos que se desenrolam no jogo. Nele, o universo está entrando em colapso e é o fim anunciado por uma profecia ancestral. Você é uma arma suprema, aprisionada há milênios por aqueles que temiam seu potencial, porém com a destruição eminente de tudo que existe, é libertado em uma última tentativa desesperada para deter o apocalipse que espreita no horizonte.

Partindo do Núcleo, o último refúgio seguro do cosmos, sua missão é se aventurar pelos mundos e encontrar a fonte de corrupção que é a causa do apocalipse. Você é o único capaz de restaurar a ordem das coisas, e se falhar, o universo estará fadado a mergulhar na escuridão eterna. Em sua jornada, não espere misericórdia ou qualquer tipo de ajuda, aqueles que não estão tentando matá-lo, tentarão usá-lo para promover sua própria agenda.

Afie sua espada e assegure-se de que suas armas estão carregadas e prontas para o combate!

ARMADO ATÉ OS DENTES

Immortal: Unchained é um jogo indie dos mais ambiciosos, e se destaca principalmente pela originalidade em relação aos últimos RPGs de ação que se inspiraram na mecânica de combate e exploração de Dark Souls. A proposta de um sistema combate centrado em armas de fogo, onde as icônicas espadas e machados são um elemento acessório é realmente interessante. Mas nem tudo são flores, teremos uma série de desafios para finalizar o jogo, e nenhum deles está relacionado ao nível de dificuldade do gameplay em si. A versão para PS4 (onde realizamos nossa análise) apresenta tantos bugs, travamentos, quedas de frame rate e problemas de jogabilidade que passar as primeiras horas de jogo vai ser um desafio extremo até mesmo para os jogadores mais persistentes. Porém, vale ressaltar, estamos falando de um jogo indie, com orçamento limitado e desenvolvido por uma pequena equipe (quando comparado a jogos mainstream), de modo que algumas concessões devem ser feitas.

Após a introdução da história, seguimos direto para a criação do nosso “prisioneiro”, com um sistema de escolhas excelente, que vai trazer além da opção de gênero: masculino ou feminino, a opção de uma entre as 7 classes disponíveis: Tracker, Vandal, Raider, Wanderer, Marksman e Mercenary. Cada uma dessas classes: Finesse, Perception, Strength, Agility, Toughness, Endurance, Expertise, Insight, tem características específicas e a combinação desses atributos favorecem o uso de determinados tipos de armamento que vão ditar o seu estilo de combate durante o gameplay. A customização da personagem é interessante, com um visual ultramoderno e agressivo, que não fica para trás dos mais imaginativos filmes de ficção cientifica, poderemos escolher desde a cor da pele e o tipo de cabelo do personagem, até padrões insanos de tatuagem que recobrem todo o corpo.

A dinâmica proposta pela Toadman Interactive é completamente inspirada em Dark Souls: iniciaremos o jogo em um santuário central, o Núcleo, ele funcionará como um hub que nos conecta aos demais planetas onde seremos enviados pelo “monolito” (referência direta a Odisséia no Espaço, clássico de escrito por Arthur C. Clarck) para recuperar três misteriosos orbs capazes de trazer o equilibro de volta ao Cosmos. Partindo daí, seguiremos para cada um dos três mundos principais com o objetivo de restaurar a estabilidade do universo.

Inicialmente, teremos acesso a uma pistola e a arma básica característica da “classe” escolhida, que pode ser desde uma escopeta para combate de curta distância, até um rifle de longo alcance. Ao longo do game play vamos encontrar armas de combate corpo-a-corpo: espadas duplas, adagas, machados, maças e martelos, além de um arsenal gigante de armas de fogo que serão dropadas após eliminar inimigos, ou encontradas em baús. A variedade de armas é realmente impressionante, e cada uma delas tem características únicas que exigem a atenção do jogador e vão afetar diretamente o gameplay: capacidade de munição, dano, alcance dentre outros fatores.

A “idéia” proposta para o sistema de combate é excelente, você terá uma barra de vida, energia para realizar ataques especiais característicos de cada arma, além de uma barra de estamina que limitará seus momentos de corrida, esquiva e ataque corporal. Absolutamente todos os inimigos oferecem um desafio real, e vão exigir uma estratégia de abordagem cuidadosa. Aqui podermos, inicialmente, alternar entre duas armas de fogo e uma arma branca, e conforme nosso personagem evolui, entre até 4 armas de fogo. Seremos confrontados por uma infinidade de undeads e robôs armados até os dentes, e não se deixe enganar, a despeito da sua experiência com os Souls Like Games, você vai morrer, e muito! As batalhas contra os chefes de fase não são especialmente difíceis, mas são bastante criativas e divertidas.

Os inimigos são extremamente traiçoeiros e as armas que eles usam parece não possuir limite de alcance, não raro você vai tomar um balaço pelas costas que vai consumir mais de ¼ da sua vida e não vai ter ideia de onde o tiro veio. Alguns deles se escondem atrás de escudos de energia que bloqueiam parcialmente seus tiros exigindo uma eminente aproximação para eliminá-los, prepare to die! O nível de dificuldade em todo o jogo é realmente estimulante e motivador.

Immortal: Unchained é extremamente punitivo, qualquer deslize ou movimento mal calculado ao enfrentar inimigos e até mesmo explorar o cenário vai ser punido com a morte.Por falar nos cenários, você vai se deparar com uma serie de armadilhas, desde plantas carnívoras até armadilhas mecânicas que elevam ainda mais o nível de dificuldade da exploração e confronto com os inimigos, elas sempre são facilmente identificadas, mas não jeito, vez ou outra você será pego e trucidado. Após morrer, deixará todas as suas “bits” no local e reiniciará o jogo a partir do último “Obelisco” desbloqueado, tendo que refazer o caminho e enfrentar todos os inimigos para recuperar as bits, caso morra durante o trajeto, perde tudo, paciência, começa novamente.

O sistema de progressão é confuso e nada justo, o upgrade do personagem exige uma quantidade exagerada de “bits”, igualmente às almas de Dark Souls, é utilizado tanto para aprimorar suas armas quanto para upar, e a distribuição dos pontos nos 8 atributos disponíveis não traz benefícios claros, sendo que o jogador é forçado a upar em função das armas que pretende utilizar. Ao longo do jogo vamos encontrar alguns “armor shrines” onde coletaremos itens que servirão como armaduras, aumentando desde atributos de defesa, até a quantidade de poções de life e medpack, disponíveis.

Todos esses elementos do jogo são sensacionais, e poderiam impressionar e agradar a todos aficionados pelos jogos inspirados em Dark Souls. Poderiam, se toda a mecânica funcionasse bem, o que não acontece. Os controles não respondem bem durante o gameplay, ao travar a câmera nos inimigos quando se encurta a distância(o que muitas vezes é fundamental para eliminá-lo com maior eficiência) sua personagem se posiciona de maneira estranha e em diversos momentos perderemos o controle da ação, o que vai resultar inevitavelmente em morte. Em aproximadamente 20h de campanha no Ps4, o jogo travou nas telas de loading e em erros de tela azul ao menos 6 vezes, exigindo reinicialização e consequentemente a perda parcial do progresso.

MUNDOS DESPEDAÇADOS

O level design e os conceitos de arte para os três principais mundosdos jogos são excelentes. Mas os problemas gráficos são tão marcantes ao longo do gameplay (PS4), que toda a imaginação e criatividade dos desenvolvedores fica em segundo plano. Com exceção do personagem principal, que possui animações excelentes, todos os gráficos do jogo são datados e muito mal polidos, as animações do cenário são extremamente bugadas, e em determinados trechos levam até 45 segundos para renderizar, isso sem falar nas ocasionais quedas de frame rate e travamentos nas telas de menu e de loading. Embora isso seja desagradável e atrapalhe alguns trechos do gameplay, não é um impedimento definitivo para seu avanço no jogo, que por sinal tem uma excelente trilha sonora, que em alguns momentos apresenta algumas distorções de som estranhas, mas que são facilmente relevadas.

CONCLUSÕES

A impressão que temos ao jogar Immortal: Unchained é que temos um jogo inacabado, que precisaria de muito mais polimento antes de ser lançado. Mas a despeito de todos esses problemas de jogabilidade, a ideia proposta pelos desenvolvedores é realmente impressionante. Mesmo sofrendo mais do que seria necessário, a vontade de continuar jogando e jogando e jogando até dominar todos os desafios impostos, tanto pelos inimigos, quanto por esses problemas de mecânica associados ao gameplay, continua na minha mente.A satisfação de conseguir avançar em trechos especialmente espinhosos, e derrotar chefões de fase extremamente apelões é impagável, e isso na minha opinião, é o indispensável em um Souls Like Game.

Immortal: Unchained é um game de nicho, indicado para os jogadores mais hardcores e aficionados pelos jogos inspirados em Dark Souls. Se você já se aventurou por The Surge, Lordsof The Fallen, Bloodborne e é claro, os jogos da franquia Souls, seguramente vai ter bons momentos de diversão aqui.

Publicado em 11 de setembro de 2018 às 17:25h.
2018-09-11 17:25:26

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