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Análise | Kingdom Hearts III

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Kingdom Hearts é o fruto da longeva e improvável parceria entre a Disney e Square Enix e já conta com aproximadamente 12 títulos lançados para diversas plataformas desde 2002. Se você vive em outro planeta e nunca ouviu falar em Kingdom Hearts, trata-se de um RPG de ação e aventura, que traz um crossover entre vários dos icônicos personagens da Disney, Pixar e Final Fantasy. A maioria dos jogos foi bem recebida pelo público, e ao longo de mais de uma década conquistaram uma legião de fãs apaixonados, vendendo mais de 25 milhões de cópias.

Após o lançamento de Kingdom Hearts II em 2006, apenas spinoffs para portáteis e pacotes de compilação foram lançados. Para a alegria dos fãs a espera acabou no último dia 29 de janeiro, quando a sequência da série veio à tona com o ambicioso Kingdom Hearts III, e ele chega com a difícil missão de amarrar mais de 17 anos de histórias de maneira convincente.

Vamos nos aventurar pelo incrível Kingdom Hearts III, e ver o que a Disney e a Square Enix têm para nos oferecer.

BALAIO DE GATO

Kingdom Heartes III começa imediatamente após os eventos de Dream Drop Distance, quando Sora, o protagonista do jogo, perdeu a maioria dos seus poderes após quase cair no controle de Xehanort. Acompanhado pelo Pato Donald e o Pateta, ele procura consultar Hércules em busca de uma maneira de recuperar suas forças, e lá se envolve em uma trama arquitetada por Hades que intenta conquistar o Olimpo.

Enquanto estão ajudando Hércules a acabar com os planos de Hades, eles têm um encontro com Malévola e Pete, que estão viajando pelos mundos em busca de uma misteriosa caixa preta. Enquanto isso, Riku e Mickey exploram o Dark Word em busca de Aqua, porém perdem o rastro dela e a keyblade de Riku é destruída e eles são obrigados a recuar.

Ambos os grupos reagrupam-se na Mysterious Tower e enquanto Riku e Mickey vão fazer uma visita a Kairi e Lea, que estão treinando para se tornar Keyblade Masters, Sora e os outros descobrem que o coração de Sora ainda está conectado com Roxas o que implica que ele ainda está vivo em algum lugar, e começa a procurar por ele.

Após mais de 12 títulos publicados, a série acabou desenvolvendo uma storyline complexa, e bastante confusa, o que começou com a história de um menino viajando pelos mundos da Disney em uma missão para encontrar seus amigos, acabou se transformando em uma trama extremamente complicada, com viagens no tempo, clones e uma série de outros elementos malucos que a cada título lançado, adicionava ainda mais fatores complicadores ao enredo (qualquer semelhança com Final Fantasy não é mera coincidência).

De fato, para entender o que se passa em Kingdom Hearts III você precisa ter jogado, ou conhecer a história de boa parte dos títulos lançados, no mínimo Kingdom Hearts e Kingdom Hearts II, além de Chain of Memories, Birth by Sleep, 358/2 Day, Re: Coded e Dream Drop Distance. Pois é, apenas os fãs mais hardcores da série vão conseguir entrar de cabeça em Kingdom Hearts III, mas isso não é um grande obstáculo, se você buscar no youtube vai encontrar vários vídeos com a história da franquia resumida. E pasmem, apesar de toda essa bagunça, mesmo que não seja um fã hardcore da série, após algumas horas de confusão e estranhamento com relação ao desenvolvimento da história, as coisas vão gradualmente ficando melhor amarradas e mais claras, até o momento em que a imersão na história é completa e você vai estar se divertindo a valer ao lado das queridíssimas personagens.

KINGDOM HEARTS!

Em Kingdom Hearts III boa parte dos mundos (muitos mundos) baseados nas propriedades intelectuais da Disney vão estar presentes, além de um mundo próprio do jogo. Vamos nos aventurar pelos mundos de Hércules, Toy Story, Monstros S.A, Piratas do Caribe etc.

Em cada um desses mundos, Sora e seus amigos terão algum problema para resolver, além de encontrar as pistas que moverão a campanha principal do jogo, e é incrível como isso funciona bem. É impressionante ainda sentir o cuidado dedicada aos mínimos detalhes em todos esses mundos, além de possuírem level design e aspectos visuais únicos, quando comparados aos demais, cada um deles funciona como uma unidade própria e independente, com variações até mesmo nas mecânicas de combate e exploração.

De maneira geral, Sora pode andar, correr, saltar, correr vertical e lateralmente em determinadas paredes, além atacar com sua Keyblade, usar uma série de magias e itens durante o combate por intermédio de atalhos rápidos no controle. Pode realizar incríveis combos pirotécnicos com seus companheiros de equipe após acumular a quantidade de energia necessária, e esses combos e ataques especiais são fantásticos.

O ponto forte do jogo, de longe, é o sistema de combate, o que à primeira vista pode parecer simplista e superficial, traz consigo uma dinâmica superdivertida, cheia de variações e possibilidades, e o segredo disso está diretamente relacionado às Keyblades, você não entendeu errado, é no plural mesmo. Ao final da resolução do problema central de cada um dos mundos visitados por Sora, vamos receber uma nova keyblade, e cada uma delas traz consigo uma dinâmica de combate especifica, além de combos e ataques especiais únicos.

Além de poder equipar os personagens com itens e armas diversas, o sistema de progressão é excelente, e como em todo bom RPG você vai aprender uma série de habilidades e ataques mágicos que poderão ser utilizadas em estratégias de combate predefinidas para cada um dos membros da sua equipe.

O deslocamento entre os mundos se dá por intermédio de uma navezinha de lego, que poder ser editada com peças compradas em uma loja administrada pelo Tico e Teco, ou com itens descobertos ao longo da exploração dos mundo, o sistema de edição é genial, e você vai ter a liberdade de construir sua nave como quiser (eu fiz a Enterprise). E aqui, o jogo também vai nos apresentar a uma dinâmica completamente diferente, as coisas vão funcionar quase que como um jogo paralelo, onde a sua nave é a estrela principal do cenário.

Ao se deslocar entre os mundos, você vai encontrar uma série de obstáculos e inimigos que vão tentar retardar o seu avanço, e vão haver diversos tesouros espalhados para serem coletados. Quando chegar ao mundo que está buscando, não raro vai ser atacado por um robô gigante e precisará acabar com ele na base da bala em uma batalha que lembra os clássicos shot’em up com rolagem vertical só após derrotá-lo vai poder aterrissar no planeta liberando a viagem rápida entre ele e os mundos já explorados.

De maneira geral, Kingdom Hearts III é muito parecido com seus antecessores, porém tudo nele é muito, MUITO mais over-the-top, mesmo os combates mais simples podem se transformar em um verdadeiro espetáculo visual que parece não fazer sentido dada a situação. Alguns ataques especiais envolvem navios pirata, trens, xícaras de bate-bate, e até mesmo uma carruagem puxada pelo Pegasus e por ai vai, é como se você misturasse uma sistema de combate de Final Fantasy com uma apresentação do Cirque du Solei.

Apesar da confusão visual que isso pode causar, principalmente quando você acaba usando esses ataques especiais em locais apertados, é MUITO divertido, visualmente agradável e nunca se torna um incômodo ou cansativo ao longo do game play.

UM UNIVERSO FANTÁSTICO

Os gráficos do jogo são incrivelmente imersivos, o cuidado dedicado pelos desenvolvedores aqui é exemplar. Cada um dos vários mundos da Disney possui características únicas, e fiéis aos filmes que acompanhamos nas telonas. E quando chegamos em cada um deles, Sora, Pateta e o Pato Donald sofrem alterações nas suas características visuais, se adaptando ao mundo que estão visitando. De longe o mais impressionante para mim foi Piratas do Caribe, onde a palheta de cores e os aspectos visuais são bastante realistas.

Como era de se esperar, a trilha sonora é incrível, as músicas são invariavelmente fantásticas o ponto negativo aqui é que não temos uma dublagem em português do Brasil, seria sensacional ouvir as vozes originais dos personagens que povoaram nossa infância.

VALE A PENA JOGAR?

Kingdom Heart III é de longe o jogo mais ambicioso da franquia, e essa ambição chega a ser um incômodo em diversos momentos ao longo do game play, onde as coisas parecem ser exageradas demais. Mas o sistema de combate com as possibilidades adicionadas pelas diversas keyblades que conquistamos ao longo da história, aliados aos incríveis mundos da Disney são surpreendentemente divertidas e tornam esse jogo único.

Mesmo com uma história que se desenvolve aos trancos e barrancos, e vai exigir algumas horas para que você consiga entender o que diabos está acontecendo, Kingdom Heart III oferece uma experiência de jogo fantástica e incrivelmente divertida, que vale muito a pena.

Uma copia de Kingdom Hearts III foi gentilmente cedida à Manual dos Games pela Square Enix.

Publicado em 3 de fevereiro de 2019 às 01:31h.
2019-02-03 01:31:35

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