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Análise | Marvel’s Avengers

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Marvel's Avengers

Marvel’s Avengers é um dos maiores jogos do ano. Desenvolvido pela experiente Crystal Dynamics e publicado pela Square Enix, o game chegou no começo de Setembro prometendo entregar a experiência definitiva dos Vingadores. Contudo, o título se esbarra em uma crise de identidade severa, péssimas decisões de design e o mais agravante de tudo: problemas técnicos gravíssimos. Surpreendentemente, mesmo com todos os problemas, o jogo consegue ser divertido e ainda pode melhorar bastante. Confira abaixo minha análise completa!

A melhor parte de Marvel’s Avengers

Apesar de ser um jogo como serviço, o título apresenta uma campanha cinematográfica que, sem dúvidas, é a melhor parte dele. Com um grande protagonismo da não tão conhecida Kamala Khan, acabamos com a responsabilidade de reunir os Vingadores após o trágico Dia A. Com os heróis em descrédito por parte da população, cabe a Kamala resgatar a esperança nos heróis e parar uma nova e poderosa ameaça: o insano Modok.

Como mencionei acima, a campanha é recheada de momentos cinematográficos que lembram bastante os filmes, e, consequentemente, passam a sensação de estar controlando um Vingador. Contudo, em muitos momentos fica bem nítido que tudo é scriptado e que quase não existe liberdade. Em suma, é como se a campanha foi totalmente projetada para servir como um pequeno tutorial do jogo. Pequeno por conta da curta duração da história: ela leva em torno de 7 a 10 horas para ser concluída. Felizmente novas missões de Multiplayer são desbloqueadas, contando o destino de personagens secundários como a cientista Mônica.

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Infelizmente alguns momentos da campanha perdem o brilho graças a enxurrada de problemas técnicos presentes no jogo. Inclusive na seção final. Em alguns trechos o FPS cai para menos que 10, gerando travamentos/congelamentos insuportáveis na tela. Outros problemas menores, mas que incomodam, são erros na dublagem e a ausência de sincronia labial em algumas cenas. A sensação que eu tive ao terminar a campanha é a de que o estúdio apressou o desenvolvimento do jogo e ainda o lançou incompleto.

Recheado de Conteúdo

Jogos como Serviço precisam ser suportados por uma dose generosa de conteúdo, caso contrário, o título entra em fracasso rapidamente. Felizmente, Marvel’s Avengers possui uma quantidade excelente de atividades que prolongam a duração do título. Temos diferentes tipos de missões com objetivos diferentes. Algumas pedem para eliminarmos alvos de valor, outras para desativarmos reatores e algumas missões de facções nos colocam num embate épico contra chefes poderosos.

Infelizmente, a quantidade não foi acompanhada da qualidade e variedade. As missões e localizações se repetem em exaustão, tornando a experiência um enorme repeteco que acaba totalmente com a vontade de jogar. Somado a isso, temos inimigos que se transformam em esponjas de danos e uma jogabilidade divertida, mas ao mesmo tempo bagunçada, que se resume a esmagar botões e tentar manter controle do que está acontecendo na tela.

Em suma, no seu estado atual, o conteúdo endgame de Marvel’s Avengers só deve empolgar os fãs mais ferrenhos dos heróis. Fora isso, ele não apresenta muitos atrativos e mais afasta do que atrai. A situação piora quando unimos isso ao nosso próximo tópico, a triste progressão dos personagens.

A Progressão, um dos Vilões do Jogo

Quer acabar com um GaaS rapidamente? Crie um sistema de loot ruim. Infelizmente, este é o caso do game dos Avengers. Cada personagem possui dois niveis diferentes: o nível de herói, alterado ao ganhar experiência, e o nível de poder, incrementado com equipamentos. Um dos grandes defeitos do título é o seu sistema de loot. Ele não é tão recompensador como vimos em Destiny 2 e Diablo 3. Você entra nas missões, abre baús e esmaga botões para pegar um item de raridade baixa e aumentar 1 ou 2 de poder. O escalamento dos equipamentos acontece mediante o seu nível de poder total na hora que o item foi obtido, logo, você se torna refém da repetição e do famoso grind.

Existem formas de acelerar a progressão do seu personagem. Você pode melhorar o item ao usar recursos ou gastar Fragmentos para comprar equipamentos no Mercador Comum ou no de Facção. O problema é que os recursos usados para melhorar os itens são compartilhados com cada personagem e você obtém esses recursos em uma frequência baixíssima. Caso você opte por melhorar Thor por exemplo, na hora de melhorar Hulk, se prepare para um processo altamente tedioso, afinal, os recursos são escassos e você dificilmente vai conseguir acelerar a progressão de outro personagem.

O grind é comum em títulos deste formato, no entanto, eles costumam valer a pena e trazer diversão. Aqui, é um longo processo tedioso que infelizmente não vale nem um pouco a pena. O título não inova e nem tampouco melhora o processo presente em outros títulos que citei acima. Isto pode ser justificado pela inexperiência do estúdio em jogos deste formato. O X da questão é que problemas como esse são estruturais e dão mais trabalho para serem resolvidos.

A economia de Marvel’s Avengers

Surprendeentemente, cada personagem do jogo possui um passe de batalha próprio. Ao concluir desafios, você conquista pontos e vai desbloqueando os escalões do passe. O problema é que o processo demora bastante e acaba impulsionando a compra do mesmo. Mas aí temos outro problema, sim, o jogo é cheio deles. Boa parte dos cosméticos do jogo são reciclados, ou seja, basicamente se trata da mesma skin, só que com uma pintura diferente. Sem grandes níveis de detalhes, o chato processo de chegar ao nível 40 do Passe com certeza não vale a pena.

Também é possível obter skins com o uso de créditos que são conquistados jogando. No entanto, uma skin lendária custa 7 mil créditos. Com quase 20h de jogo eu tinha metade dessa quantia.. Felizmente a economia do jogo é fácil de ser ajustada e atualmente ela não incomoda tanto. Tudo que é vendido é puramente cosmético, logo, não causa um impacto substancial na jogatina.

Conclusão

Pra resumir, Marvel’s Avengers tinha que ficar no mínimo mais um ano em desenvolvimento. A campanha do jogo funciona bem, no entanto, todo o resto desmorona rapidamente. Cheio de problemas técnicos que causam um grande impacto negativo na experiência, o game ainda sofre com um conteúdo endgame extremamente sem sal, o que é um grande defeito para um jogo como serviço. A recomendação que fica é a de aguardar alguns meses até que os problemas sejam sanados e, esperamos, que conteúdos mais atrativos sejam adicionados a obra!

 

 


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Publicado em 9 de setembro de 2020 às 16:33h.
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