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Análise | Sekiro: Shadows Die Twice

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A Hype era real! Depois de ser revelado na The Game Awards em 2017, Sekiro: Shadows Die Twice, desenvolvido pela From Software sob a liderança de Hidetaka Miyazaki, foi distribuído pela Activision para PC, Playstation 4 e Xbox no último dia 22 de março.

E senhores, o que prometia ser o sucessor espiritual de Dark Souls, pegou os jogadores mais antigos da série desprevenidos, mesmo com a clara assinatura dos jogos Souls inexoravelmente associados à nova produção, Sekiro: Shadows Die Twice é uma fera completamente diferente, e chegou trazendo um novo frescor a idolatrada fórmula estabelecida em 2011 com uma personalidade ímpar.

Sekiro: Shadows Die Twice é caracterizado por uma jogabilidade complexa e um nível de dificuldade que beira as fronteiras do sadomasoquismo. Vamos juntos nos aventurar por um Japão feudal assolado por disputas de poder e batalhas sanguinárias, ao lado do lobo de um braço só!

A HERANÇA DO DRAGÃO

As primeiras grandes mudanças em relação à franquia Souls começam no enredo do jogo, dessa vez ao invés de criarmos nosso protagonista por intermédio da seleção de uma série de classes com atributos diferentes, em Sekiro: Shadows Die Twice vamos iniciar o jogo com um protagonista predeterminado, que interage diretamente (conversa) com os NPCs em uma história que, embora tenha diversos desdobramentos, tem motivações e objetivos sempre muito claros, muito diferente dos enigmáticos enredos de Dark Souls que até hoje são motivo para especulação e elaboração de teorias diversas.

O jogo é ambientado em uma época conturbada do Japão, no século 16 durante o período Sengoku, que foi marcado por guerras devastadores e constantes disputas por poder, inclusive alguns pontos da história são reinterpretações de fatos acontecidos durante esse período sangrento.

No final da Era Sengoku, após uma sangrenta batalha, um órfão é encontrado por um shinobi errante, que o treina nos caminhos do Código de Ferro e passa a chamá-lo de Órfão Seju. Vinte anos depois, após assumir o poder através de sangrentas batalhas, o Clã Ashina em franca decadência busca uma maneira de perpetuar sua existência.

Buscando encontrar uma maneira de evitar a queda do seu Clã, o samurai Isshin Genichiro captura o herdeiro Divino Kuro, com a esperança de usar sua “Herança do Dragão” para criar um exército imortal. Seju, o filho da Coruja agora é um shinobi pleno e guarda-costas pessoal do herdeiro divino, ao tentar deter Genichiro é derrotado e seu braço esquerdo é brutamente cortado.

Você vai se aventurar como Seju, que foi abandonado semimorto em um poço, logo após seu senhor ser capturado. Após esse incidente você acordará em meio a um misterioso santuário, e descobrirá que seu braço foi substituído por uma prótese por um misterioso escultor, que passa a te chamar de Sekiro “o lobo de um braço só”. Movido por uma lealdade implacável, você deverá acompanhar a jornada de Sekiro, que vai até as últimas consequências para resgatar seu senhor.

O CÓDIGO DE FERRO

Sekiro: Shadows Die Twice é um RPG de ação e aventura com elementos de stealth e uma câmera posicionada em terceira pessoa, similar ao observado em todos os jogos da franquia souls. Controlando Sekiro, você poderá andar, correr, saltar, realizar um salto duplo em paredes, além de um ataque rápido e um ataque concentrado. Porém o coração do sistema de jogo reside na prótese implantada no braço do Lobo.

Com essa prótese você poderá lançar um gancho que te permite se movimentar verticalmente no cenário, além de utilizar uma série de ferramentas anexas que trarão novas possibilidades de ataque e defesa, além de movimentação. Você descobrirá os anexos da prótese em locais aleatórios do cenário e ao derrotar chefões e sub-chefes. Cada uma delas funcionará de maneira muito peculiar, com o potencial de modificar completamente seu estilo de abordagem, tanto na exploração, quantos nos momentos de combate.

Os anexos da prótese têm uma árvore de melhorias que podem ser realizados no “santuário central” com o mestre escultor em troca de moedas do jogo e itens específicos. A árvore de progressão delas é vasta, e suas melhorias vão adicionando ainda mais possibilidades ao seu estilo de jogo.

Apesar da inevitável comparação com os jogos Souls like produzidos pelo mestre louva deus Hidetaka Miazaky, Sekiro: Shadows Die Twice é um animal de outra espécie, que mesmo carregando aquela identidade no seu DNA, possui uma personalidade única e vibrante. A movimentação do protagonista é bem mais rápida, os movimentos são mais fluidos e precisos e a possibilidade de explorar os cenários tanto horizontal, quanto verticalmente vão imprimir uma dinâmica de exploração muito mais profunda e prazerosa.

Porém, o ponto mais distintivo entre as duas franquias reside no sistema de combate, que aqui posso afirmar com propriedade, é absolutamente fantástico. Diferentemente da maioria dos jogos, o combate não consiste unicamente em causar dano ao inimigo, e sim em abalar sua postura de luta, até que seja possível realizar um “golpe fatal”.

Apesar de poder realizar uma série de ataques auxiliares com as ferramentas da prótese, a protagonista da ação será sua espada. Com ela você poderá repelir ataques inimigos causando dando a postura dos mesmo (marcada por uma barra laranja), minando sua resistência até que eles cedam a seu ataque final. Acreditem quando eu digo que essa não vai ser uma tarefa simples, tudo vai depender única e exclusivamente da sua habilidade enquanto jogador, e você precisará dominar com precisão o momento para repelir os ataques adversários.

E por falar nos inimigos, vamos ter uma variedade excelente deles ao longo do gameplay. Todos eles, sem exceção, são capazes de te matar com poucos golpes. E possuem ataques que não podem ser repelidos ou defendidos. Mas aqui o jogo brilha mesmo é nas batalhas super épicas contra os mini chefes e chefes de fase. Todos eles são incríveis, e vão testar as suas habilidades ao MÁXIMO.

Sekiro: Shadows Die Twice é extremamente punitivo, e quando lutando contra os chefões, o mínimo erro vai ser penalizado com uma morte horrenda. E você vai morrer, vai morrer MUITO. Nenhum dos chefões vai ser derrotado com facilidade, e você precisará enfrentá-lo inúmeras vezes até conseguir mapear todos os movimentos do bastardo e conseguir aquela luta perfeita que terminara com a morte do desgraçento. Sério, alguns dos chefões vão te fazer sofrer por horas!Porém, em um jogo tão punitivo e desafiador, uma sombra pode morrer duas vezes. Você foi abençoado pelo Herdeiro do Dragão com um poder que te permite ressuscitar imediatamente após uma morte, te dando uma chance a mais “durante” as batalhas. Mas não imagine que isso vai facilitar a sua vida, esse recurso deve ser utilizado com parcimônia, e a cada vez que você “ressuscita” uma praga se espalha pelo mundo adoecendo boa parte dos NPCs do jogo, o que pode afetar diretamente o desfecho da sua jornada.

A árvore de progressão de personagem é complexa. Além de poder aprimorar seus atributos físicos (postura e vitalidade) ao “coletar contas de oração”, e seu poder te ataque ao recuperar a “memória de chefes derrotados”, poderá upar ao menos 5 ramos de habilidade ativas e passivas: Artes Shinobi, Artes Prostéticas, Artes Ashina e Técnicas de Ninjutsu, que devem ser utilizadas conforme seu estilo de jogo.O gameplay, com era de se esperar da From Software, é muito bem polido e todos os controles funcionam a perfeição, tanto nos momentos de exploração quando nos de combate. E a experiência de jogo proporcionada por Sekiro: Shadows Die Twice é incrivelmente imersiva e satisfatória. Os únicos pontos negativos são algumas quedas de frame-rate que não chegam realmente a incomodar e em situações de combate. Caso você esteja com a câmera fixa no inimigo, e fique preso em algum canto do cenário, é praticamente morte certa, a câmera fica louca e você acaba perdendo momentaneamente o controle do seu personagem, isso é extremamente frustrantes durante a luta contra chefes de fase.

 

O PERÍODO SENGOKU

A ambientação gráfica de Sekiro: Shadows Die Twice é de encher os olhos. Tudo é incrivelmente grandioso e rico em detalhes, todos os ambientes do jogo são sensacionais, com um level design impecável, repleto de possibilidades de exploração que, aliados a uma trilha sonora de “época” soberba, ditarão o clima do gameplay, compondo uma verdadeira obra de arte.

VALE A PENA JOGAR?

Sekiro: Shadows Die Twice definitivamente não é para todos os jogadores: se você jogou algum dos jogos da franquia Dark Souls e gostou do que viu lá, esse jogo é obrigatório, e aqui você enfrentará um desafio ainda maior. O nível de dificuldade é elevadíssimo, e em alguns momentos mesmo para mim, um veterano com centenas de horas e 5 platinas nos jogos idealizados por Hidetaka Miyazaki, parece ser injusta e desproporcional.

Ainda assim, o game é capaz de proporcionar uma experiência de jogo única, com um sistema de combate bem polido e incrivelmente complexo, uma ambientação gráfica sem paralelos, chefões épicos, e agora com uma história bem desenvolvida que te motiva a ver o que vai acontecer em seguida, é sem sombra de dúvidas um título que merece a atenção de todos os gamers.

Não se intimide pelo nível de dificuldade do jogo, e se desafie nessa jornada épica ao lado do Lobo de um braço só, eu te garanto, você não vai se arrepender.

“Uma copia de Sekiro: Shadows Die Twice foi gentilmente cedida à Manual dos Games pela Activision

Publicado em 30 de março de 2019 às 19:30h.
2019-03-30 19:30:15