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Análise | Shadow of The Tomb Raider

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Desde o primeiro jogo da trilogia (Tomb Raider, 2013) acompanhamos a evolução da lendária exploradora de tumbas Lara Croft, apresentada inicialmente como uma mulher jovem e insegura, aprendendo a custo de duras penas, suor e sangue, a lidar com os acontecimentos fantásticos em que sempre parece estar envolvida, até finalmente se transformar em uma mulher forte e endurecida, capaz das façanhas mais espetaculares. Durante a jornada de amadurecimento físico e mental que a transformariam em uma verdadeira lenda viva, Lara aprendeu a sobreviver por conta própria nos ambientes mais hostis, adquirindo as habilidades necessárias para tal pouco a pouco.

Em Shadow of The Tomb Raider presenciamos o momento final da transformação de Lara. Apesar de ainda sofrer pelas consequências de suas ações, a jovem insegura ficou para trás, aqui vamos nos aventurar ao lado de uma verdadeira predadora, capaz de perseguir sua presa sem ser notada, atacando e desaparecendo nas sombras, deixando apenas um rastro de sangue, medo e confusão que arrepiarão até o último fio de cabelo dos que ousarem atravessar seu caminho.

A Crystal Dynamics e Eidos Montréal, desenvolvedores do jogo, afirmaram que Shadow of The Tomb Raider é o momento de definição de Lara Croft, e para honrar seu legado e história de origem, criaram um mundo “inesperado”, com um mapa 3 vezes maior que o de Rise of The Tomb Raider, além de puzzles mais desafiadores e mortais que antes. Se Shadow of The Tomb Raider faz justiça ao legado de Lara Croft e mantém o excelente nível alcançado pelos dois primeiros jogos da trilogia é o que vamos conferir.  Venha comigo!

A SOMBRA DA EXPLORADORA

Além de acompanharmos Lara pelos ambientes mais extremos e mortais que ela já teve que enfrentar, ao longo de Shadow of The Tomb Raider vamos testemunhar uma das histórias mais complexas e empolgantes da franquia. Desafiando uma infinidade de inimigos impiedosos, e até mesmo as próprias forças da natureza, Lara vai ter que lutar contra seus pesadelos em uma jornada de autoconhecimento e descobertas que vão moldar seu caráter de maneira definitiva.

Um ano após os eventos de Rise of Tomb Raider, Lara e seu amigo Jonah, viajam pela América Latina para desmantelar os planos da Trindade, uma ordem militar com milhares de anos de existência, que coletam relíquias antigas e encobrem acontecimentos sobrenaturais do grande público, cometendo uma infinidade de atrocidades com o objetivo de controlar a humanidade e reconstruir o mundo como novos líderes. Em meio a suas viagens, a protagonista rouba um artefato de uma tumba com o objetivo de impedir que a Trindade o tenha, mas isso desencadeia uma série de eventos apocalípticos que causam a destruição de cidades inteiras e consequentemente, a morte de milhares de inocentes. Abalada pela culpa, ela vai encarar os erros que cometeu embarcando em uma trajetória de amadurecimento emocional e reparação.

Todos acontecimentos convergem para a misteriosa cidade de Paititi, uma comunidade Inca escondida no meio da floresta amazônica do Peru. Ao longo da trama que mistura mito e realidade, Lara deve impedir que o apocalipse maia destrua o mundo, desbaratando os planos da famigerada Trindade.

A ASCENSÃO DO JAGUAR

O que já era bom ficou ainda melhor, maior e muito mais épico! As evoluções gráficas e a mecânica em relação os games anteriores é notável. Muito pouco da dinâmica de jogo mudou, mas agora tudo funciona à perfeição: os momentos de combate e exploração são tão imersivos e os controles respondem tão bem, que desligar o console para fazer qualquer outra coisa parece ser errado.

O sistema de combate oferecido no último game da trilogia de origem da mulher mais badass da cultura pop, traz novas possibilidades de abordagem que tornam toda a experiência ainda mais interessante e desafiadora. Diferentemente dos anteriores, aqui, mesmo após ser descoberta pelos inimigos, você vai poder se esgueirar pelas sombras e reiniciar seus ataques furtivos, como uma verdadeira predadora. Com exceção de apenas dois momentos de confronto, é possível resolver todas as batalhas com sua faca improvisada e arco e flecha sem ser detectada pelo inimigo, mas se você não tiver paciência para esse tipo de preciosismo, pode sacar suas armas de fogo e decidir as pendengas da exploradora na base da bala.

Como nos jogos anteriores, teremos acesso a uma limitada quantidade de armas, que serão conseguidas a duras penas. Inicialmente, utilizamos uma faca improvisada, além do icônico arco e flecha e, conforme avançamos no gameplay, encontraremos ao menos uma pistola, um fuzil e uma escopeta. As armas possuem um esquema de progressão próprio, e poderemos aprimorá-las com itens específicos encontrados nas fases. A estrela de todo esse arsenal é, sem a menor sombra de dúvidas, o arco e flecha, que dita o tom de boa parte dos momentos de ação. Teremos acesso a uma boa variedade de flechas com características únicas, que podem ser desde “extra silenciosas”, dificultando que o inimigo te localize após um ataque, até “flechas envenenadas” que os levam a um frenesi de loucura suicida. 

Apesar dessa limitação proposital imposta pelos desenvolvedores, o pequeno arsenal permitirá abordar as situações de combate de maneiras criativas e únicas que, muito possivelmente, mudarão de jogador para jogador, já que além das ações em solo, Lara poderá subir furtivamente em árvores e paredões para atacar seus inimigos do alto. Os momentos de ação furtiva estão espetaculares, e vão além de tudo o que vimos nos jogos anteriores da trilogia! Agora ela pode cobrir seu corpo de lama, dificultando a detecção dos inimigos, além de utilizar diversos itens improvisados do cenário a seu favor, como garrafas de cachaça, latas velhas e garrafões de gasolina, que após alguns ajustes maldosos, podem virar destrutivos coquetéis molotov e até mesmo granadas de fragmentação, que espalharão o caos entre os soldados da Trindade.

De todos os momentos de ação do jogo, os que agradam e prenderam minha atenção foram os de exploração. Os cenários em meio a floresta amazônica são impressionantemente reais e vívidos, e as técnicas de rapel de Lara foram feitas com tanto esmero, que vão fazer você saltar da poltrona a cada salto arriscado da heroína. Os controles são precisos e funcionam sempre muito bem, o que torna a exploração ainda mais satisfatória, e vai depender unicamente de você atravessar aquele desfiladeiro ou escalar aquele paredão. Além dos momentos de rapel, vamos ter uma série de situações para explorar ambientes subaquáticos, e prepare seu coração, todos eles são incrivelmente imersivos e angustiantes, não raramente você vai se pegar prendendo a respiração até chegar a superfície.

Os característicos puzzles que marcaram a franquia continuam presentes, e agora são mais grandiosos e desafiadores do que nunca. Pode acreditar, nenhum deles tem uma solução simples e trivial, você vai precisar raciocinar, e quebrar a cabeça de verdade até descobrir como resolvê-los e seguir adiante, especialmente quando estiver explorando umas das 9 tumbas do desafio espalhadas pelo mapa. Não se engane, até mesmo acessar algumas delas vai exigir muito do jogador, e os desafios mais complexos e difíceis vão estar associados a elas. Após resolver o mistério que cada uma delas oferece, você será justamente recompensado com a conquista de alguma habilidade única ou item especial.

E por falar em habilidades, o sistema de progressão é muito interessante. Vamos ter acesso a uma árvore de Skills que são centradas em três estilos de jogo, cada uma delas com 20 possibilidades de upgrade. São as Habilidades de Guerreira, que beneficiam os momentos de combate e o manuseio de armas, Habilidades de Exploradora, vão beneficiam a coleta de itens, crafting e os momentos de stelth e, as Habilidades de Buscadora, que serão focados na exploração e percepção do mundo. Ao longo do gameplay, Lara vai encontrar diversos monumentos ancestrais, e caso você possua o conhecimento necessário para decifrá-los, novas habilidades únicas serão conquistadas.

Conforme avançamos no jogo, teremos acesso a algumas cidades e vilas que servirão como verdadeiros hubs, onde poderemos vender e comprar itens, armas e roupas diversas, além de conseguir missões secundárias e descobrir novos pontos de interesse para explorar ao conversar com os habitantes locais. Dentre estas vilas e cidades, uma das coisas mais impressionantes do jogo é a cidade escondida e Paititi, que representará um papel central na história, e é tão grandiosa que vai conseguir impressionar até os jogadores mais exigentes.

Shadow of The Tomb Raider traz uma experiência de jogo singular e verdadeiramente épica, os controles são extremamente precisos e todos os momentos de ação são tão impressionantes que as horas vão passar sem que você perceba. O único ponto negativo relacionado aos combates é quando a I.A. dos inimigos é questionável, a despeito disso, mesmo após finalizar o jogo e explorar as 9 tumbas, acabei iniciando uma nova campanha no NG+ para repetir tudo novamente!

WELCOME TO THE JUNGLE!

Sem sombra de dúvidas é um dos jogos mais deslumbrantes do ano. Shadow of The Tomb Raider é um verdadeiro deleite para os olhos, visto que todos os aspectos gráficos são incrivelmente reais e bem detalhados. As expressões faciais são fascinantes, é possível perceber os sentimentos das personagens principais ao longo do gameplay, e a física aplicada aos cabelos de Lara é um dos elementos gráficos mais impressionantes e realistas. A movimentação das personagens é tão natural e fluida que, em conjunto com o posicionamento da câmera, parece até que estamos assistindo a um filme.

Os cenários em meio à floresta amazônica são a cereja do bolo, o mundo criado para a última aventura da trilogia de origem de Lara Croft é absolutamente arrebatador. Junte isso a uma trilha sonora grandiosa que varia conforme as situações transcorrem, e você terá um dos jogos mais bem ambientadas e imersivos de todos os tempos.

Com relação á dublagem para português do Brasil, não me entenda mal, é excelente que o jogo seja localizado para o público brasileiro, mas algum cuidado deve ser tomado com a escolha das vozes. A dublagem dos personagens centrais para a história é excelente, mas boa parte dos NPCs possui uma voz ridícula, não é raro encontrar velhinhos fumando um cigarro de palha gigante com voz de criança, além de personagens que não passam emoção alguma ao descrever as situações mais escabrosas. Em diversos momentos do jogo isso conseguiu quebrar minha imersão, tornando tudo menos real e aceitável. Fica aqui meu conselho, jogue com a dublagem em inglês e legendas em português do Brasil para alcançar o máximo de envolvimento possível.

CONCLUSÕES

Shadow of The Tomb Raider oferece a experiência definitiva dos jogos de aventura e exploração de tumbas, com um mundo riquíssimo, construído com precisão história exemplar, uma reprodução única da floresta amazônica peruana, aliados a uma jogabilidade precisa, com momentos de ação e exploração impecáveis, é seguramente o melhor game que tive a oportunidade de jogar esse ano e um forte candidato a jogo do ano.

Com mais de 15h de gameplay na campanha principal, a promessa de um modo multiplayer online e ainda mais conteúdo disponibilizado via DLC, Shadow of The Tomb Raider é uma escolha segura para todos os amantes de ação e aventura, eu posso te garantir vale cada centavo cobrado!

“Uma copia de Shadow of the Tomb Raider foi gentilmente cedida à Manual dos Games para análise pela Square-Enix

Publicado em 10 de setembro de 2018 às 10:00h.
2018-09-10 10:00:24