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Análise | The Messenger (PS4)

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Lançado em meados de agosto de 2018 para PC, via Steam e Nintendo Switch, The Messenger foi um enorme sucesso, conquistando excelentes avaliações tanto dos críticos, quanto de público. No último dia 19 de março, um port foi lançado para Playstation 4. Não tive a oportunidade de joga-lo em seu primeiro lançamento, de modo que após o anuncio da sua chegada para os Ps4, estava decidido a por as mãos nesse game e descobrir por se a hype que girava ao redor de The Messenger era real, e após finaliza-lo, posso afirmar com propriedade, é um game INCRÍVEL.

Desenvolvido pelo estúdio canadense, Sabotage Studio e distribuído pela Devolver Digital, The Messeger é um jogo de ação e aventura em plataforma (2D), que nas horas iniciais funcionará como um side scroller linear completamente inspirado em Ninja Gaiden e Shinobi (Mega Drive) e ao longo do gameplay vai gradualmente se transformando em um metroidvania.

Venham comigo, vamos ouvir o Mensageiro!

O HERÓI DO OCIDENTE

Em um vilarejo localizado em uma ilha isolada, os últimos sobreviventes da raça humana treinam seus filhos nas artes ninja, todas as suas esperanças para o futuro residem em uma lenda ancestral, que prevê a chegada e a ascensão de um mau supremo que pode ser o fim de tudo, porém ainda há esperança. A chegada desse mal demoníaco seria antecedida pelo surgimento de um Herói, que vindo do oceano ocidental traria a chave para a sobrevivência do que restou da raça humana.

Em meio aos treinamentos diários, uma horda de demônios ataca o vilarejo ninja e é então que o suposto Herói Ocidental aparece, e da um pergaminho a um dos ninjas sobreviventes, incitando-o a entrega-lo no topo de uma montanha. E é aí que a sua jornada começa.

É com uma premissa aparentemente simples, que remete aos jogos que marcaram época e lhe serviram de inspiração que The Messenger da inicio ao gameplay, mas logo nas primeiras horas você vai perceber que a história aqui é ligeiramente mais complexa do que se imagina, e em uma série de diálogos hilários e quebras da quarta parede (onde o jogo interage diretamente com o jogador), você vai passar por reviravoltas narrativas excelentes.

O TOPO DA MONTANHA É LOGO ALI

Incorporando o Ninja mensageiro você pode andar, correr, saltar, atacar lateralmente com uma espada e atirar projéteis e, logo no início do gameplay seremos introduzidos aos movimentos básicos, onde vamos aprender o essencial “bater e saltar”, onde após realizar um ataque no ar, pode-se realizar um segundo pulo. Conforme avança no gameplay novas habilidades serão gradualmente inseridas ao arsenal, e você terá acesso a um planador, permitido saltar por grandes distâncias, usar um ataque vertical quando planando, além de poder se movimentar verticalmente nas paredes e utilizar um gancho ninja para alcançar determinados pontos do cenário.

O level design é extremamente criativo, e cruel, DESGRAÇADAMENTE CRUEL. Para avançar no jogo você vai ter que superar uma série de desafios impostos pelo cenário, além de enfrentar uma infinidade de inimigos posicionados estrategicamente para dificultar a sua vida. De modo que dominar a mecânica dos movimentos, que quase sempre deverão ser usados em uma sequência precisa e com um time exato, é fundamental.

Seu mensageiro terá uma barra de vida no topo, similar à que tínhamos em Shinobi, e você poderá ser atingido por inimigos um certo número de vezes antes de morrer. Conforme os derrota e quebra “lanternas” espalhadas no cenário, acumulará cristais com os quais poderá comprar melhorias em uma arvore de progressão de personagem com um vendedor enigmático (doido de pedra!) que possui lojas espalhadas em diversos pontos do jogo.

Acreditem, a morte vai ser sua companheira constante em The Messenger. E logo após a primeira, você vai ser introduzido a um demônio fanfarrão que tem como missão te trazer de volta a vida em troca de uma certa quantidade de cristais. A cada morte (e serão muitas) esse demônio dos infernos vai te encher o saco com piadinhas sem vergonha questionando suas habilidades como jogador, o sacana é um verdadeiro bullying!

Ao longo de aproximadamente 12h de campanha, vamos nos deparar com uma variedade de inimigos que não chega a impressionar, na verdade a variação entre eles é mínima, alguns vão atirar projeteis de longo alcance e outros se movimentarão lateralmente em determinado ponto de cenário. E isso vai ser mais do que o suficiente para dificultar sua vida, em alguns momentos parece ser impossível avançar sem sofrer algum dano. Além disso, eles possuem um sistema de renascimento superexagerado, de certo modo inconsistente. Sempre estarão posicionados em lugares específicos do cenário, e se eles saiam da tela por 1 segundo e você, por algum motivo voltar ali, eles reaparecerão imediatamente.

Além dos inimigos espalhados nos cenários enfrentaremos diversos chefes de fase, e as batalhas serão sempre muito divertidas e incrivelmente desafiadoras. Em sistemas de combate bastante criativos você precisará se adaptar ao longo das lutas atacando e se defendendo nos momentos exatos.

Com citado anteriormente, tudo aqui é inspirado em clássicos da geração de 8 bits e de 16 bits, e em determinado ponto do jogo, você vai passar por um dos momentos mais sensacionais que o título tem para oferecer. Não satisfeito em homenagear só uma geração de games, The Messenger insere em sua narrativa um elemento que te transporta para o futuro, e além de saltar no tempo, você verá todos os gráficos e a trilha sonora serem modificados de 8 bits para 16 bits, e isso ocorre de maneira ÉPICA. E após encontrar um mapa, poderá alternar entre estes mundos em uma das mecânicas gráficas mais impressionantes que já experimentei em um jogo, e além dessa alternância entre mundos ser embasada na narrativa, vai trazer novos elementos de exploração à sua gameplay.

VALE A PENA JOGAR?

The Messenger traz um gameplay sólido, com controles precisos e mecânicas de jogo extremamente desafiadoras e divertidas. Com gráficos pixializados em 8 e 16 bits, além de uma trilha sonora excelente, o sentimento de nostalgia vai ser uma constante para os jogadores mais velhos, e ainda assim sentiremos o tempo inteiro que estamos experimentando algo moderno e atual, que com sutileza consegue homenagear títulos clássicos sem deixar de ter identidade própria. A sensação de por as mãos em um título dessa magnitude é indescritível, The Messenger nos proporciona uma experiência de jogo soberba, e sem sombras de duvidas é um título obrigatória para a sua coleção.

Uma copia de The Messenger foi gentilmente cedida à Manual dos Games pela Devolver Digital

Publicado em 20 de março de 2019 às 11:12h.
2019-03-20 11:12:51