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Análise | Vaporum

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Os RPGs de mesa são uma das criações mais espetaculares nos meios de entretenimento da cultura pop. Em meio a livros, papéis e um sistema de regras pré-estabelecidos para o cenário que se pretende explorar, a imaginação humana que parece não ter limites.

Um fato em comum a quase todos os cenários desse gênero, é a exploração de masmorras labirínticas, repletas de monstros, tesouros e desafios sem paralelo. E não muito tempo após o surgimento desse novo gênero de entretenimento, em meados dos anos 70, esses sistemas serviram como base fundamental para uma série de jogos eletrônicos que lançaram mão da mesma premissa, adaptando o sistema de exploração e progressão de personagem para os vídeo games.

Em meio a uma infinidade de jogos que se inspiraram em clássicos oriundos desse gênero, a desenvolvedora independente Fatbot Games desenvolveu o excelente Vaporum, um dungeon crawler em primeira pessoa com uma ambientação Cyberpunk impressionante, que em diversos níveis vai nos remeter a Bioshock. O jogo será distribuído pela Merge Games para Nintendo Switch e Playstation 4 no próximo dia 11 de abril.

O NÁUFRAGO

Depois de um acidente marítimo que te deixou a deriva em rochedos no mar aberto, você se depara com uma estrutura metálica gigante, que por algum motivo até então desconhecido, abre uma porta como se estivesse te convidando para tomar uma xícara de café. Esse plot simplista evolui ao longo do jogo, e conforme você segue explorando essa imensa torre de aço, vai encontrando as peças do quebra cabeça que compõem o enredo de Vaporum.

A história não é complexa, mas serve como um bom plano de fundo para a jogatina. Se desenvolve gradualmente conforme você encontra arquivos de áudio (com dublagem excelente) e diversas notas de texto em baús e armários decrépitos. Perdido no meio do oceano, sem memória, e isolado em uma gigante torre metálica onde tudo parece tentar arrancar a sua cabeça, você terá que descobrir que lugar é esse, e como diabos você foi parar lá.

LABIRINTOS DE AÇO

Em Vaporum o foco, definitivamente, não é a história. O game traz um sistema de gameplay clássico super viciante. Segundo os próprios desenvolvedores, profundamente inspirado em títulos old school como Dungeon Master e Legend of Grimrock.

A mecânica de jogo é simples, você poderá andar, interagir com objetos do cenário em um esquema tipo point-and-click, utilizar armas de fogo (rifles e pistolas), espadas, porrete, adagas (a variedade de armas é enorme). Além disso você encontrará algumas armaduras, luvas, botas e escudos que te oferecerão atributos específicos, essencialmente melhorando sua capacidade de defesa e uso de determinadas armas e habilidades.

Aqui o sistema de jogo consiste basicamente em explorar um ambiente labiríntico, repleto de armadilhas, puzzles e inimigos hostis que estarão posicionados em locais específicos do cenário, e quase nunca podem ser evitados. Conforme os destrói com facadas ou tiros, vai acumulando pontos de “habilidades” e coletando itens diversos.

O sistema de progressão é focado em seu traje (exoesqueleto) de modo que os pontos de habilidade servirão para aprimorar uma árvore de atributos IMENSA, em um sistema de progressão baseado no uso de Gadgets. Com melhorias que vão beneficiar os grupos específicos de armas brancas, pistolas e rifles, até elementos de seu exoesqueleto que aumentarão a resistência contra efeitos nocivos do cenário.

Os Gadgets são uma boa adição ao sistema de jogo, e você poderá usar até quatro deles ao longo da jogatina. Alguns realizam ataques diretos, efeitos de área, como choques paralisantes e outros buffs de ataque e defesa. O uso deles vai consumir energia do seu traje que será reposta com o tempo ou por intermédio do de itens específicos.

Os puzzles são um dos pontos altos do jogo. De maneira geral são bastante simples, e vão consistir em posicionar objetos em locais específicos, interagir com alavancas, botões e válvulas. Os mais desafiadores vão exigir que você faça ações em uma sequência rápida: gira uma manivela que remove um obstáculo, uma contagem de tempo se inicia, nesse curto intervalo você terá que interagir com outro elemento do cenário e dessa maneira conseguir ultrapassar o obstáculo.

De maneira geral a jogabilidade é bem polida, e os controles funcionam bem a maior parte do tempo. Você poderá optar por uma movimentação clássica, onde o personagem se move um “quadrado” por vez, ou continuamente. Mas nem tudo são flores, em alguns momentos, principalmente quando você estiver resolvendo os puzzles que exigem uma movimentação mais acelerada, mesmo com o recurso que pausa o tempo até o próximo movimento, os controles direcionais não responderão como deveriam. Além disso o dimensionamento dos textos (no Nintendo Switch) no modo portátil é minúsculo e de difícil leitura.

VALE A PENA JOGAR?

Vaporum é um excelente Dangeon Crawler, que consegue trazer todos os elementos clássicos, em um sistema de jogo modernizando na medida correta, com uma ambientação Cyberpunk que garante uma imersão visual incrível. Se você curte esse gênero de RPGs, esse é uma excelente pedida.

“Uma copia de Vaporum foi gentilmente cedida pela Merge Games”

Publicado em 9 de abril de 2019 às 21:51h.
2019-04-09 21:51:10