Conforme a indústria dos videogames cresceu, e novos jogos de todos os gêneros surgiram, um deles se sobressaiu, especialmente entre os estúdios independentes: os chamados cozy games, que trocam os combates frenéticos e narrativas complexas por algo mais confortável, leve e íntimo com os jogadores, e como mais um projeto que abraça essa filosofia, Capy Castaway é mais uma aposta dentro do estilo, mas com seu charme próprio.
Desenvolvido pela Kitten Cup Studio com publicação pela Blue Sky Games, Capy Castaway esteve disponível para testes durante o evento da BGS 2025, no qual podemos testar em primeira mão um gostinho do que será o projeto final, e ao fim do teste, também entrevistamos Sam Quino, responsável pelo marketing de Capy Castaway e que nos forneceu mais detalhes sobre o jogo e também sobre os desafios da desenvolvedora canadense.
Capy Castaway é uma aposta diferente no mundo dos jogos cozy

Com um Steam Deck devidamente instalado no estande da empresa, pude experimentar o game de forma cooperativa(junto com meu amigo Gui Marques, redator da Central Xbox), e com uma premissa bastante simples, fui apresentado e cativado pelo mundo de Capy Castaway rapidamente.
Controlando uma simpática capivarinha, o objetivo principal da demonstração constava em explorar o mundo e conversar com os diversos NPCs, além de catar pequenos itens do chão e carregá-los por aí, além de claro, contar com a colaboração de Corvi, um corvo que é controlado pelo segundo player, e que também ajuda Capy podendo carregar itens e até mesmo a própria capivara em suas garras.

O objetivo principal do game era simples: precisávamos achar 5 ingredientes para fazer uma sopa, e todos eles estavam bem escondidos pelo cenário, requerindo uma boa dose de exploração e atenção ao cenário para obter todos os itens necessários e fazer uma sopa deliciosa para agradar o grande Ganso exigente.
Em sua meia hora de duração, conseguimos terminar o desafio(fomos a segunda dupla a conseguir!) e perceber mais detalhes sobre o game, que embora numa demonstração simples, teve êxito em mostrar sua proposta e até mesmo esconder detalhes interessantes sobre aquele mundo, dando ainda mais vontade de conhecer mais sobre Capy Castaway.

Mas claro, isso não foi tudo, e após terminarmos a demonstração, pude conversar com Sam sobre os desafios do título e da pequena desenvolvedora Kitten Cup:
Manual: A primeira coisa que percebi sobre o jogo foi que o protagonista é um símbolo cultural bastante relevante aqui no Brasil e na América do Sul. Eu gostaria de saber se a decisão do animal representado foi intencional nesse aspecto, ou se há outras razões que motivaram a escolha pela capivara.
Sam: Nós sabemos que capivaras são um símbolo muito forte no Brasil, mas além disso, o animal já se tornou um marco internacional – eu amo capivaras também –, e a inspiração da capivara vem principalmente de um conceito da nossa incrível diretora criativa, e a fofura delas é um dos motivos pelo qual ela foi escolhida. Além disso, trazer Capy Castaway para o Brasil foi uma decisão muito fácil e que nós insistimos muito nisso, porque sabemos o quão importante e marcantes elas são para a comunidade brasileira.
Manual: Ao jogar a demonstração, o jogo me lembrou de A Short Hike, um jogo ‘cozy’ que também tem uma proposta simples e aconchegante, e teve uma proposta semelhante à Capy Castaway, também sendo um jogo bastante curto, mas eu acho que Capy Castaway tem mais a oferecer para além dessa experiência que tivemos aqui, certo?
Sam: Então, na verdade, nós chamamos essa versão de “demo da sopa”, que é uma versão condensada do que teremos no projeto final, e é interessante que você mencionou A Short Hike, porque Mike Sparling, que trabalhou na trilha sonora de A Short Hike, também é o responsável pela trilha sonora de Capy Castaway. E sim, há muito mais sobre o jogo do que o que trouxemos aqui, com mais formas de interagir com o cenário e de explorar o mundo que construímos. Eu não sei se você viu o nosso trailer de Capy Castaway mais cedo, mas a aventura do game em torno de Capy e Corvi tentando achar o rumo para voltar para casa ainda nos mostrará diversos puzzles, novos amigos para se fazer na jornada, e até mesmo mudanças na história conforme decisões tomadas pelo jogador.
Manual: Tem algo sobre o tom do jogo que é bastante leve, mas há pequenos pedaços narrativos que parecem mais complexos e com mais impacto, como a parte que menciona uma grande enchente que assolou o mundo. Esse tipo de história e de profundidade para a narrativa também irá ser mais desenvolvido no projeto final?
Sam: Sim, eu amo o aspecto narrativo do jogo, dessa forma mais leve e aconchegante, a qual pode ressoar com muitas pessoas diferentes, seja uma criança, uma família, um ‘cozy gamer‘, e diversos outros tipos de jogadores que podem se identificar com a mensagem, falando sobre amizade, lar, e um mundo que está sempre mudando. Além disso, também terá temas profundos como identidade, pertencimento e outros fatores que contrastam com a simplicidade.
Manual: Ao jogar o jogo, percebi que a demo está toda em inglês, e embora tivemos algumas brincadeiras com o francês durante a demonstração, mas o estúdio está planejando localizar Capy Castaway para o português brasileiro?
Sam: Sim, definitivamente! Não conseguimos localizar a tempo a demonstração para o evento, mas com certeza estaremos trabalhando na localização completa para o português para abarcar também os gamers brasileiros.
Manual: E sobre os prazos, há alguma expectativa de prazo de lançamento para Capy Castaway?
Sam: Nós estamos esperando que o jogo possa ficar pronto pela metade do ano que vem, aproximadamente em Junho ou Julho, estamos trabalhando o mais rápido possível para cumprir essa meta.
Manual: E em relação a lançar para outras plataformas, já temos alguma confirmação para além do PC?
Sam: Por enquanto estará disponível na Steam e no Steam Deck, e ainda não consigo confirmar outras plataformas, mas a pretensão é de que consigamos lançar para o máximo de consoles possível, e assim que possível, iremos informar mais sobre esses detalhes.
Manual: Após o lançamento de Capy Castaway, já há alguns planos de suporte mais profundo para o título, para além de correções de bugs, ou o conteúdo pretendido será apenas aquele disponível no lançamento?
Sam: Ainda não sabemos ainda, porque estamos focados em deixar o jogo no melhor estado possível antes de lançar, mas como queremos que quanto mais pessoas tenham acesso e gostem do projeto, esses planos não estão descartados e qualquer novidade a respeito será informada.

Manual: Falando um pouco menos sobre o jogo e mais sobre a desenvolvedora (Kitten Cup Studios), esse é o primeiro jogo do estúdio?
Sam: Então, a Kitten Cup Studios está baseada em Toronto, no Canadá, e é um estúdio pequeno, mas muito talentoso, eu amo trabalhar com eles! E esse é o nosso segundo jogo, na verdade, e o primeiro se chama Pekoe, que é um jogo sobre fazer chá para gatos(risos). Então sim, está no nosso DNA trabalhar com jogos aconchegantes e fofos com muita paixão e carinho, e isso dá pra perceber olhando para Capy Castaway.
Manual: Qual seria o maior desafio em relação ao desenvolvimento de Capy Castaway, e quais as expectativas da desenvolvedora em relação ao lançamento do game?
Sam: Eu acho que o maior desafio enfrentado, que é praticamente o mesmo de todo estúdio independente, é conseguir conciliar tudo que queremos fazer e colocar no jogo dentro do prazo interno que tivemos, mas em geral, o desenvolvimento está sendo bastante fluido e prazeroso, e o estúdio está confiante no trabalho desempenhado até aqui, e esperamos que esse seja um grande sucesso entre os jogos indie!

Agradecemos a Theogames e a Blue Sky Games pelo convite! Capy Castaway está sendo desenvolvido para PC e já está disponível para ser adicionado na lista de desejos da Steam!






