Estreia nesta semana nos cinemas Bailarina, o aguardado spin-off da franquia John Wick, que aprofunda o universo já estabelecido com uma nova protagonista e uma narrativa centrada em vingança, redenção e confronto. Com direção precisa e roteiro assinado por Shay Hatten — também responsável por John Wick 3 e John Wick 4, o longa apresenta Ana de Armas como Eve Macarro, uma personagem que nasce do trauma e se molda na violência, mas carrega um olhar próprio dentro desse mundo letal.
Vingança, dor e determinação: A jornada de Eve Macarro

Ambientado entre o terceiro e o quarto capítulos da saga original, Bailarina acompanha Eve desde a infância, quando testemunha o assassinato de seu pai por um grupo dissidente do código de conduta dos assassinos. Após o crime, ela é acolhida pela Ruska Roma, liderada pela diretora de uma academia de balé interpretada por Anjelica Huston. No local, que funciona como fachada para o treinamento de mercenários, Eve cresce imersa em disciplina, dor e técnica — o mesmo ambiente que moldou John Wick.
A narrativa dá uma guinada quando, anos depois, durante uma missão, Eve reconhece em um inimigo a mesma cicatriz que viu no pulso de um dos responsáveis pela morte de seu pai. A partir disso, sua trajetória ganha um novo propósito: identificar e confrontar o chanceler (Gabriel Byrne), figura central da facção que destruiu sua vida. Mas sua sede por justiça entra em conflito com os interesses da Ruska Roma, forçando Eve a decidir entre lealdade e vingança.
Um novo olhar sobre um mundo conhecido

Diferentemente do já lendário John Wick, apresentado desde o início como um assassino imbatível, Eve (Bailarina) encara o mundo real com insegurança, mesmo após anos de treinamento intenso. Essa diferença traz frescor à narrativa e humaniza a personagem, mostrando que habilidade técnica não elimina o medo, a dúvida e a fragilidade. Sua trajetória é marcada por desafios mais realistas, onde cada vitória exige esforço e inteligência emocional.
Essa abordagem permite que o espectador mergulhe com mais profundidade nas regras e conflitos internos desse universo, onde honra e traição caminham lado a lado, e onde sair vivo não é garantia nem mesmo para os mais preparados.
Ação coreografada com elegância e brutalidade

As cenas de ação, como é tradição na franquia, são um espetáculo à parte. A coreografia dos combates de Bailarina, repleta de precisão e estilo, eleva a tensão e entrega momentos de tirar o fôlego. A direção opta por planos longos e bem orquestrados, favorecendo a fisicalidade da atuação de Ana de Armas e mantendo o alto padrão visual que se tornou marca registrada da série.
É impossível não destacar o cuidado estético com cada sequência, em que luz, ritmo e movimento se combinam para criar batalhas que são tanto brutais quanto belamente executadas.
Com uma atuação intensa e cativante, Ana de Armas comprova ser uma escolha acertada para carregar o peso de um spin-off tão aguardado. Sua performance oscila com naturalidade entre vulnerabilidade e força, traduzindo com autenticidade a complexidade de Eve: uma mulher assombrada por memórias, moldada por treinamentos rígidos e guiada por um objetivo que pode custar sua alma.
A atriz entrega não apenas fisicalidade nos combates, mas também densidade emocional, criando uma personagem que convence e intriga.
O futuro está aberto para Bailarina
Bailarina se prova uma adição empolgante e convincente ao universo de John Wick. Com um roteiro envolvente, atuações sólidas e uma estética de ação sofisticada, o filme não só respeita o legado da franquia como também amplia suas possibilidades. Ao introduzir uma nova personagem forte e cheia de potencial, a produção abre portas para futuros desdobramentos, seja em uma sequência direta ou em novas interconexões com a linha narrativa principal.
Minha nota final para Bailarina é 8/10. Resta apenas uma pergunta no ar: quando veremos Eve Macarro novamente nas telas? Porque uma coisa é certa — esse universo acaba de ganhar uma combatente que tem tudo para se tornar indispensável.






