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Crítica | Capitã Marvel

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Em Vingadores: Ultimato, metade da humanidade espera por ajuda, e nós esperamos pela continuação do universo MCU. Com o tempo cronometrado, a Marvel entregou a peça final do quebra-cabeças: Carol Danvers, a Capitã Marvel. Embora pensemos que o filme seja apenas mais uma parte do universo cinematográfico, é necessário compreender o pesado legado nas costas, que não só deve introduzir, mas garantir que a nova integrante ganhe o respeito e carinho do público. É importante, é difícil e pode parecer que chegou um pouco tarde, mas foi entregue da maneira certa.

O enredo começa lento, parecendo mais um tedioso rito para mostrar a origem de apenas outro herói. No entanto, o ritmo muda rapidamente. Quando tudo parece caminhar devagar o suficiente, o roteiro de Geneva Robertson-Dworet, Boden e Fleck crava os pés no chão e te surpreende, rompendo o teto de uma das falidas locadoras do século passado. A história repentinamente muda seu próprio território, o que nos era agraciado apenas em flashbacks, toma conta no presente da linha temporal.

O enredo escala de uma maneira magnífica. Em momentos, somos presenteados com o sentimento de uma história estilo Top Gun ou até mesmo Ace Combat. Obviamente, a comparação parece ir longe, mas é simplesmente incrível que um filme cheio de superpoderes e alienígenas possa trazer a simplicidade de um drama. É impossível deixar de citar as explosões, poderes, acrobacias e cenas de luta. Contudo, Capitã Marvel é mais do que isso. A história corteja com o discurso feminista de uma maneira sutil e valorosa, unindo-se à jornada de uma heroína que, embora superpoderosa, é primeiramente humana.

Brie Larson faz o papel de Capitã Marvel com elegância, mas o desenlace carinhoso que ganhamos pela Carol Denvers, a pessoa atrás do uniforme, é certamente garantido com a ajuda do carisma de Samuel L. Jackson e Lashana Lynch. Embora a trama aborde mais o autoconhecimento, a origem e as relações humanizadas de Denvers, é inegável: Jude LawAnnette Bening Ben Mendelsohn completaram o elenco perfeitamente, preenchendo as lacunas com o devido didatismo roteirizado pelo trio e dirigido pelos dois também roteiristas Boden e Fleck.

A produção traz um elenco excelente, um roteiro decente que ainda segue a previsível estrutura dos outros filmes de origem da Marvel. Um alívio cômico abusado, desfechos levemente previsíveis e bem retraído, sem ousadias ou novidades. Todavia, graças ao bom emprego da originalidade na adaptação de uma história importante dos quadrinhos para a atualidade, o longa não chega perto de ser minimamente cansativo.

Em alguns momentos o filme rouba um pouco a identidade de Guardiões da Galáxia, apresentando clássicos do Nirvana, Garbage e outros em cenas seletas. No entanto, as inserções, apesar de bem feitas, não são de grande relevância como entregues no longa de James Gunn.

O grande problema, por assim dizer, fica nos efeitos visuais. Por um lado é irrefutável que o rejuvenescimento de Samuel L. Jackson ficou perfeito. Por outro, a computação gráfica traz uma leve estranheza em alguns momentos. Independentemente disso, o filme não fica carente de ação fluída e primorosa nas telonas.

Capitã Marvel está bem longe de ser uma novidade nos filmes de origem da Marvel. Pode parecer, mas não é totalmente ruim. A receita do estúdio para introduzir heróis e heroínas é boa e foi bem aplicada, imprimindo uma generosa dose de originalidade. A produção não só insere a poderosíssima heroína, mas traz a moralidade e o discurso de determinação e resiliência para todos, enfatizando a trajetória de uma mulher. Uma história decente, capaz de aumentar ainda mais o carinho pelos heróis, não só por seus poderes, mas pela pessoa dentro daquele uniforme. O filme, apesar de seguir o mesmo rumo ordinário da Marvel, é honesto, respeitoso e cumpre seu objetivo: trazer uma heroína com um potencial incrível e vontade inabalável que mostrará seu valor no decisivo Ultimato.

Publicado em 8 de março de 2019 às 10:05h.
2019-03-08 10:05:10