A onda de adaptações de videogames para o cinema continua forte e Exit 8 chega nesta semana como um dos exemplos mais interessantes dessa tendência. Baseado em um jogo que ganhou destaque em 2023, o filme aposta menos em ação e mais em tensão psicológica, criando uma experiência que prende pela atmosfera e pela forma como envolve o espectador.
Logo de início, acompanhamos um homem que recebe uma notícia que muda tudo, ele vai ser pai. Ainda impactado, ele já está dentro de uma estação de metrô quando decide sair do local. O que parecia uma ação simples rapidamente se transforma em algo estranho, indicando que aquele ambiente guarda muito mais do que aparenta.
Um loop que prende do começo ao fim

O protagonista logo percebe que está preso em um ciclo estranho. Não importa o quanto ande, ele sempre retorna ao mesmo ponto, atravessando os mesmos corredores e cruzando com quadros, portas e uma pessoa que caminha em sentido contrário sem dizer absolutamente nada. Esses elementos repetidos, com pequenas mudanças, criam um desconforto constante que sustenta a tensão do filme.
A dinâmica gira em torno de regras simples, mas muito eficazes. Ele precisa identificar anomalias no cenário. Se encontrar algo fora do lugar, deve voltar. Se não houver nada, pode seguir em frente. Parece fácil, mas o filme transforma isso em um verdadeiro jogo mental e eu me peguei várias vezes tentando identificar os detalhes junto com ele.
Esse envolvimento direto é o que mais me chamou atenção. Em vários momentos, tive a sensação de estar participando daquilo, como se o filme estivesse me testando também. É aquele tipo de experiência que funciona justamente por ser simples na ideia e muito bem executada.
Direção e escolhas que aumentam a imersão de Exit 8

Outro ponto que gostei bastante foi o uso da câmera do Exit 8. Em alguns momentos, o filme adota a perspectiva em primeira pessoa, algo que remete diretamente aos videogames. Isso não só aproxima o espectador do protagonista, como também aumenta o desconforto em certas cenas.
Exit 8 também brinca o tempo todo com a dúvida entre o que é real e o que é uma anomalia. E isso funciona muito bem, porque nunca entrega respostas fáceis. Essa incerteza constante mantém a atenção e reforça o clima de tensão.
A trilha sonora merece destaque. Ela entra nos momentos certos e ajuda a construir a atmosfera sem parecer forçada. É o tipo de trilha que você sente mais do que percebe, o que, para mim, é sempre um bom sinal.
Vale a pena assistir Exit 8?
Exit 8 consegue algo que nem toda adaptação de videogame alcança, respeitar a essência do jogo e, ao mesmo tempo, funcionar como filme. É uma experiência diferente, mais focada em sensação do que em explicações e isso pode não agradar todo mundo, mas comigo funcionou muito bem.
Quando terminei o filme, saí com a sensação de que este é um dos filmes que mais se aproximam da experiência de jogar videogame transportada para a tela. A forma como ele envolve o espectador e transforma cada detalhe em parte do desafio faz toda a diferença.
Minha avaliação final é 9/10. Para quem gosta de suspense psicológico e experiências mais imersivas, é uma escolha certeira nesta semana.






