Crítica | O Mal que nos Habita é um terror nada convencional, e isso é muito bom!

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O Mal que nos habita não tem nenhum jump scare, mas consegue ser mais aterrorizante que qualquer filme de terror lançado recentemente

O Mal que nos Habita é um filme argentino, que mostra que muitas vezes o medo vem do real e não do sobrenatural, e que nossa mente pode criar medos que “nos tiram do eixo”.

O filme é um exemplo perfeito de que muitas vezes o simples é muito mais eficaz do que uma obra extremamente lotada de dinheiro e uma super produção, que apenas uma boa direção e um roteiro bem escrito e que sabe onde quer chegar, podem criar uma obra muito boa.

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A verdade é assustadora

O filme tem uma duração de aproximadamente 1 hora e 30 minutos, tempo esse que é aproveitado de forma excepcional, pois do inicio ao fim é evento atrás de evento, mantendo o ritmo frenético do filme, tirando assim toda a possibilidade de “barrigas” no decorrer do filme.

A história acompanha 2 irmãos que moram em uma fazenda isolada, somente com poucos habitantes nas redondezas, até que logo no inicio do filme ouvem disparos perto de suas terras, e ao irem averiguar veem que um homem foi brutalmente assassinado a caminho da casa de onde ele havia recebido um chamado para acabar com uma pessoa “possuída”.

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Confesso que nesse ponto, achei que o filme seguiria o convencional de filme de possessão, entretanto é aqui que o filme começa a brilhar, pois os personagens aqui agem exatamente como imaginamos que qualquer pessoa agiria nessa situação, querendo se livrar desse “possuído” de uma vez por todas, para acabar com esse mal. É então que é introduzido um dos conceitos que mostra que a história do filme foi pensado nos mínimos detalhes, pois aqui é dito que pessoas possuídas não podem ser mortas por armas de fogo, caso ocorra o mal se libertará e trará ruina a região.

A partir desse ponto o filme cria um cenário intimista e angustiante, para descobrirmos como os personagens iram acabar com esse mal, antes que ele acabe com o corpo possuído e libere o verdadeiro mal que vive dentro desse possuído.

Qualquer coisa que eu diga além disso pode atrapalhar sua real experiência ao assistir, e tenho que dizer, essa jornada com certeza irá te fazer ficar aterrorizado com seu desfecho.

Um ponto que torna esse filme ainda melhor é que tudo nele é “cru” e não por amadorismo e sim uma escolha estética e de trazer uma sensação verdadeira do que os personagens estão sentindo.

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O mal está a espreita

A proposta do filme é mostrar que muitas vezes o medo pode nos paralisar, somente com a possibilidade dele ser real ou não, pois aqui durante o filme inteiro não sabemos o que é a ameaça, só sabemos que os protagonistas tem que achar um jeito de se livrar dele o mais rápido possível, isso tudo enquanto vemos os desdobramentos dos acontecimentos da presença desse “possuído”, para somente no final vemos o que e como essa entidade verdadeiramente é.

A verdade é que o filme não se preocupa em te assustar com elementos visuais e sim psicologicamente, o que é muito pior do que um monstro na tela como em invocação do mal ou outros filmes nesse estilo. Então, ao acabar o filme você certamente sairá do cinema e ficará alguns bons minutos pensando no que você acabou de ver, no bom sentido.

E tudo isso é ampliado com o fato do diretor fazer tudo de forma crua e visceral e ao mesmo tempo intimista que faz com que o expectador se senta parte dessa pequena aldeia que está enfrentando o maior mal que eles já presenciaram. Existe uma cena aqui envolvendo um machado que, realmente mostrou porque o filme é uma obra-prima do horror, mostrando tanto o esmero do diretor, quanto a proposta de chocar o público e realmente trazer uma atmosfera aterrorizante.

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Conclusão

O Mal que nos habita nos mostra que muitas vezes menos é mais, pois o filme consegue com pouco orçamento, ser um dos melhores filmes de terror lançados nos últimos anos com folga, trazendo um clima intimista que com o passar do filme vai aterrorizando o espectador, sem precisar apelar para sustos forçados ou monstros deformados na tela, e exemplifica como o horror pode estar na realidade, seja em crenças ou no imaginário das pessoas. O filme estreia em todos os cinemas do Brasil em 1 de Fevereiro.

O Mal que nos Habita

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