Crítica | Pobres Criaturas é uma jornada de autodescobrimento e construção de personagem

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Pobres Criaturas é comandado por Yorgos Lanthimos e tem Emma Stone como a protagonista do longa

O cinema tem diversas formas de expressão dentro dele, não atoa é chamado de sétima arte, pois ao mesmo tempo que é possível ver um filme simples e raso como os de super-heróis, na outra ponta temos um filme complexo, cheio de nuances e planejado para ser uma obra que impacta, isso tudo dentro de uma sala de cinema. E aqui em Pobres Criaturas vemos um exemplo, de como o cinema pode servir para contar história profundas e construídas como uma narrativa de descobrimento e evolução.

Agora contando um pouco sobre o enredo do filme: Pobres Criaturas é um filme ambientado na Era Vitoriana que narra a jornada de Bella Baxter, uma criação macabra do cientista Dr. Godwin Baxter. Interpretada por Emma Stone, Bella possui o corpo de uma mulher adulta, mas a consciência de uma criança. Ao longo do filme, ela embarca em uma jornada de autodescoberta, explorando o mundo ao seu redor e enfrentando tanto momentos de diversão quanto de angústia.

Bella viaja, dança, faz amizades e descobre a beleza do mundo, mas também testemunha a injustiça e a crueldade que o acompanha. Mesmo diante dos desafios e da exploração por parte de pessoas mal intencionadas, Bella lentamente amadurece e conquista sua própria vida, em uma jornada marcada por coragem e autenticidade. O filme ressalta a importância dessa jornada, destacando os horrores e as dificuldades enfrentadas por Bella, mas também celebrando sua determinação em crescer e se afirmar no mundo.

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A verdadeira sociedade

A jornada de Bella em Pobres Criaturas é magnifica, cheia de altos e baixos, e muito bem construída pelo diretor Yorgos Lanthimos, na qual vemos a personagem em primeira vista reclusa a mansão do Dr. Baxter, totalmente isolada do convívio com a sociedade, justamente por medo da reação das pessoas ao contato com Bella. E que depois de alguns acontecimentos, é chamada por Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo) a sair e explorar o mundo.

E claro que no decorrer dessa jornada Bella conhece as verdadeiras intenções de Duncan e também como é “o mundo lá fora”, com isso, passando por diversas experiência, algumas “carnais” e outras ” intelectuais” Bella passa a se autodescobrir e o que ela realmente quer ser.

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Um ponto a se ressaltar em Pobres Criaturas é a construção e o roteiro bem amarado, pois a jornada, embora tenha muitos elementos surrealistas, é de fácil compreensão (algo difícil de se ver em filmes mais complexos), dividida em atos por cidades que Bella passa. Outro ponto importante a se ter atenção é justamente a construção de personagem durante o filme, na qual é nítido nos mínimos detalhes a evolução de Bella, e isso graças a magestral atuação de Emma Stone, que consegue passar cada emoção com um simples olhar mais emocionado ou alegre.

Uma aula de construção de personagem

Os personagens de Pobres Criaturas, dando ênfase ao trio principal formado por Mark Ruffalo como Duncan Wedderburn, Willem Dafoe como Dr. Godwin Baxter e claro Emma Stone como Bella Baxter, é simplesmente o ponto alto do filme, mantendo o expectador preso ao enredo do começo ao fim, para saber o destino de cada personagem.

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Aqui temos 3 personagens com nuances únicas, e com estilos totalmente diferentes, e que para o enredo final do filme torna ele sensacional. Começando com Duncan temos um homem rico na casa dos 50 anos, que faz o típico “garanhão”, achando que pode ter tudo e todos, mas que com o passar do filme acaba mudando (de uma forma não tão boa).

já o Dr. Baxter tem um passado trágico, no qual seu pai fazia experimentos nele em prol da ciência, o que o tornou um “monstro”, e aqui, através da interpretação magnifica de Willem Dafoe vemos que o personagem tem vários traumas do passado, mesmo que eles não sejam ditos, o que torna isso mais incrível e mostra uma entrega completa do ator, e além disso vemos como ele, mesmo com o seu passado tenta ser melhor e curar as pessoas, mesmo que use de métodos não convencionais para isso e alguns deles até mesmo questionáveis, colocando a ciência sempre em primeiro plano, e apesar disso vemos que ao longo do filme ele vai desenvolvendo um amor paterno por Bella, se preocupando com ela.

E por fim Bella Baxter, o ponto central do filme, e aqui Emma Stone brilha no papel da personagem, não atoa é uma das favoritas para ganhar o Oscar de melhor atriz, carregando uma atuação na qual o espectador consegue saber a emoção da personagem apenas com um olhar ou um gesto, e até mesmo a linguagem corporal é impressionante, um exemplo é: no inicio vemos Bella andando desengonçadamente como uma verdadeira criança ao dar seus primeiros passos, e mais para o meio do filme vemos eles andando de forma até á desfilar, o que mostra uma evolução da personagem. E isso mostra como a entrega de Emma á personagem foi algo poucas vezes vista no cinema.

Critica Pobres Criaturas e uma jornada de autodescobrimento e construcao de personagem

Conclusão

Pobres Criaturas traz o cinema na sua melhor essência, sem se apegar a “maneirismos” e a enredos clichês, com uma história que pode não agradar a todos, mas que certamente tem uma identidade forte e bem presente, o que torna o filme por si só muito bom. Em uma era de filmes que tem desfechos óbvios e atuações simples, acompanhar um filme complexo e com atuações dignas de Oscar é um refresco aos olhos.

Portanto, Pobres Criaturas é indicado a todos os amantes de cinema, e que gostam de ir ao cinema ou sentar no sofá e se sentir imerso no mundo proposto pelo diretor e acompanhar uma boa história e com ótimas atuações. O filme chega aos cinemas no dia 1 de Fevereiro.

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