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Crítica | The Last Kingdom (Netflix)

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Lançado em meados de 2015 para a Netflix, The Last Kingdom é uma adaptação para a TV de “As Crônicas Saxônicas”, obra literária do prolífico escritor britânico Bernard Cornwell, que já conta com 10 livros publicados. Cornwell é apaixonado pela história do seu país, além de ser um dos escritores mais importantes da atualidade, já publicou mais de 40 livros traduzidos em mais de 150 idiomas, que são verdadeiros best-sellers onde quer que passem. No Brasil, seus livros foram publicados pela Editora Record em coleções lindíssimas, e o seriado da Netflix já segue para a sua 4° temporada.

Em As Crônicas Saxônicas, o autor assume a grandiosa missão de narrar com precisão histórica, a sangrenta jornada de consolidação da Inglaterra. Em medos do século IX, aquele pequeno pedaço de terra fértil que conhecemos hoje como Inglaterra, era habitado por diversos reinos rivais e independentes, que viviam em guerra entre si, como se isso já não fosse o suficiente, eram constantemente invadidos por Vikings famintos por fortuna e terras aráveis.

Em meio a esse caos, vamos acompanhar a história do rei Alfredo, O Grande (849 – 899) idealizador do que viria a ser a Inglaterra (conjunto de reinos cristãos de língua inglesa), e do seu mais valoroso guerreiro Uhtred de Bebbanburg. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uhtred foi capturado e adotado por um dinamarquês, Ragnar Ragnarson, e nas gélidas planícies do norte, aprendeu a viver e lutar como um viking. No entanto, seu destino está inexoravelmente ligado a Alfred, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses e entre cristãos e pagãos.

Sou Uhtred, filho de Uhtred e esta é a história de uma rixa de sangue. É a história de como tomarei do meu inimigo o que a lei diz que é meu. E é a história de uma mulher e de seu pai, um rei. Ele era meu rei, e tudo o que tenho devo a ele. A comida que como, o castelo onde vivo, e as espadas dos meus homens, tudo veio de Alfredo, meu rei, que me odiava.

Como leitor assíduo de tudo o que sai das mãos de Bernard Cornwell, inicialmente recebi com estranheza a notícia da adaptação de As Crônicas Saxônicas para a TV via Netflix, principalmente quando o ator escolhido para interpretar Uhtred não correspondia em ABSOLUTAMENTE nada com a aparência selvagem descrita por Cornwell nos livros. A impressão que tive, e continuo tendo, é de que ele se encaixaria melhor no papel de um dos padres da história. De modo que demorei bastante para dar uma chance à primeira temporada do seriado.

E senhores, quando finalmente deixei a birra de lado, e resolvi assistir aos primeiros episódios da primeira temporada: que surpresa agradável! Apesar de Uhtred não possuir a aparência ou o porte físico de um guerreiro viking endurecido em batalha, conforme descrito por Bernard Cornwell, o estranhamento é “parcialmente” aplacado pela excelente atuação de Alexander Dreymon. Além das incríveis atuações de David Dawson que interpreta o Rei Alfredo e dos Senhores da guerra Vikings, Ubba, por Rune Temte e Guthrum, interpretado por Thomas W. Gabrielsson, todo o elenco entrega personagens convincentes e carismáticos.

A série começou a ser filmada no final de 2014 e é produzida pela Carnival Films para a BBC Two e BBC América. As locações das filmagens foram realizadas na Hungria e no Reino Unido, com cenários naturais que compõem uma ambientação espetacular. As cidades e vilarejos são fiéis às descrições de época, assim como as presentes nos livros de Bernard Cornwell, onde as grandes construções são formadas basicamente por antigos salões e palácios romanos remendados com madeira e palha, rodeado por casas miseráveis feitas de madeira, compondo um cenário convincente e, até onde se sabe, verossímil.

A trilha sonora é competente, e consegue dar o realismo necessário para garantir uma boa dose de imersão nos momentos necessários. Mas o destaque mesmo fica com a fotografia, com tomadas longas capazes transmitir com primor a atmosfera e a linguagem imaginada em As Crônicas Saxônicas. Ela brilha especialmente nos momentos de ação, quando durante os combates você se depara com tomadas amplas mostrando os dois exércitos se aproximando em amplas paredes de escudo, que alternam rapidamente para tomadas curtas com foco no rosto amedrontado dos guerreiros prestes a derramar o primeiro sangue.

A primeira temporada adapta essencialmente a história contida no primeiro livro de As Crônicas Saxônicas, O Último Reino, onde vamos acompanhar os acontecimentos que levam um guerreiro pagão a jurar lealdade a Alfredo, e sob seu comando nos momentos iniciais do reinado, a se envolver em encarniçados jogos de poder e liderar sangrentas batalhas para manter o Reino de Wessex livre do domínio Viking. As demais temporadas mantêm o excelente ritmo estabelecido pela primeira, e conseguem entregar uma excelente adaptação, que embora menos detalhadas que nos livros, continua sendo bastante convincente e, até certo ponto fiel a sua fonte de origem.

Se você assistiu ao seriado da History Channel, Vikings, aqui está a sua oportunidade de acompanhar o mesmo período histórico, dessa vez pela ótica dos guerreiros e reis que viriam a consolidar a criação da Inglaterra e afastar (ou assimilar) a ameaça Viking de uma vez por todas. Recomendo demais a leitura dos livros que compões a série, sendo que, até o momento dez livros já foram lançados, e mais estão por vir. Além de poder acompanhar com maiores detalhes os acontecimentos e batalhas históricas que marcaram o século IX, no final de todos os livros o autor traz todas as referências históricas que usou como base para a elaboração do romance.

Publicado em 12 de fevereiro de 2019 às 23:02h.
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