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Crítica | Toy Story 4

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Um encerramento arrebatador que beira a perfeição e é capaz de emocionar! Esse foi o final de Toy Story 3. Ali, a franquia poderia ter sido finalizada e marcada como uma história quase perfeita. E, assim como Andy o fez, transmitida para que outras crianças possam se deliciar com essa narrativa à prova do tempo. Contudo, somos agraciados com um trailer da continuação e repetimos a mesma pergunta: “por quê?“. Felizmente, a resposta é clara: a Pixar sabe o que está fazendo.

Toy Story sempre foi uma lição de vida com um simbolismo sútil e fácil de ser digerido por indivíduos de todas as idades. As pessoas mudam, as crianças crescem, mas o amor continua, ultrapassa as barreiras do tempo, pode e será transmitido. Se você cresceu assistindo a franquia, que lançou filmes com um grande espaço de tempo, provavelmente se identificou com Andy no final do terceiro filme. Lá, dissemos adeus aos nossos amigos para sempre.


Esse foi um fator poderoso para que a nova trama, com uma nova criança, tivesse sido recebida com medo e uma dúvida se essa obra realmente deveria ser tocada. Apesar do prolongamento e da chance de dar errado, o longa consegue trazer todas as emoções diferentes e gostosas que sentimos nos filmes anteriores, mantendo a excelência e o carinho que só Toy Story consegue trazer.

O roteiro de John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich e Pete Docter traz uma semelhança ao primeiro filme. O xerife da cidade, Woody, já não é mais o favorito. Mais uma vez, ele se incomoda, mas não é a mesma coisa. Apesar de uma premissa já vista, a narrativa não segue o mesmo caminho. Assistir a aceitação do nosso adorado protagonista em ser deixado de lado, na verdade, mostra como ela foi tão bem adaptada, respeitando os traços do aprendizado do Cowboy no decorrer dos anos. O egoísmo de querer ser o brinquedo favorito foi inteligentemente trocado por um sentimento altruísta e nobre. Esse respeito com a evolução dos personagens torna Toy Story 4 muito mais adorável de ser visto quando o espectador acompanhou a jornada desde o início.


A fórmula nostálgica é poderosa, mas também abre alas para grandes alterações, sem perder a essência que a Pixar sempre traz. A química entre Woody e o novo brinquedinho, Garfinho, é hilariante. A mudança de Betty apresenta uma personagem totalmente original que deixa de ser um simples interesse romântico do protagonista e se torna uma carismática líder. Novos brinquedos são apresentados e os personagens sempre presentes nos predecessores são poupados para momentos-chave.

A dublagem é com certeza um dos pontos mais bonitos do filme. Em português, a voz insubstituível de Guilherme Briggs toma conta de Buzz Lightyer, ao lado de Marco Ribeiro, que faz com primor a voz de Woody. Para competir com a química dos americanos Keegan-Michael Key e Jordan Peele, Antonio Tabet e Marco Luque dão voz ao Patinho e Coelhinho — e fazem um excelente trabalho, diga-se de passagem.


Apesar de todas as qualidades, a conclusão, no entanto, tenta trazer a sensação de finalização e despedida, como seu antecessor, mas o encerramento corteja menos com um final definitivo. Essa escolha de deixar portas-abertas, mesmo que minimamente, traz uma inconsistência aceitável, mas torna o fim menos impactante.

Toy Story é, de longe, uma obra-prima e o quarto filme respeita isso. Aliás, muito além, ele supera o ceticismo e prova, com primor, que podemos continuar ao lado dos nossos velhos amigos. Como animação, Toy Story 4 pede que você acompanhe a história desde o início, para assim dormir tranquilo sabendo que ainda existe talento e carinho de sobra para continuar histórias incríveis, emocionantes e simbólicas como essa. Uma continuação digna que é mais do que suficiente para provar o valor de sua existência e mostrar que nossos amigos ainda estão aqui.

Publicado em 26 de junho de 2019 às 13:09h.
2019-06-26 13:09:06