Desenvolvido pela Ancient Corp e distribuído pela Limited Run Games, EARTHION é um jogo de Mega Drive lançado em 2025. Tipo, literalmente! Um jogo feito para o Mega Drive, com todas as suas limitações e encantos, incluindo uma trilha sonora composta pela lenda Yuzo Koshiro (Streets of Rage). Lançado em 2025, o jogo foi emulado para PC e agora chega aos consoles atuais.
Ao bater os olhos em EARTHION, você logo percebe as principais referências do jogo. É como se tivessem colocado a Samus, de Metroid, em uma das naves da franquia Thunder Force, para lutar contra criaturas de Biometal, tudo isso enquanto o jogo te bombardeia com efeitos sonoros altíssimos, cores vibrantes e uma proporção de tela reduzida. É tudo muito nostálgico e te faz lembrar de épocas mais simples dos videogames, dos grandes títulos que pavimentaram a indústria como a conhecemos hoje. A pergunta que fica é: EARTHION tem o suficiente para ir além das suas referências? Vamos descobrir!

Contextualizando as “Navinhas“
Em EARTHION, a humanidade abandona a Terra e passa a viver em Marte. No entanto, logo recebemos o alerta de uma invasão alienígena em nosso planeta de origem. É então que a cientista Asura Takanashi, a bordo da estilosíssima nave YK-IIA, retorna à Terra para combater essa ameaça. E é essa a história que acompanhamos durante as oito fases do jogo, de forma direta e objetiva.
EARTHION não tenta contar uma história complexa ou cinematográfica. Ele entrega o contexto necessário para que o tiroteio comece. Aqui, os cenários dizem mais do que qualquer cutscene. Na primeira fase, ainda no espaço, lutamos para reentrar na atmosfera terrestre desviando de destroços. Na segunda, batalhamos nos céus da Terra contra a segunda linha de defesa alienígena, exigindo atenção ao direcionamento da nave e ao poder das armas. Já na terceira, descemos ainda mais e enfrentamos inimigos cada vez mais fortes, tanto nas hordas quanto nos próprios cenários. Tudo sem cutscenes, apenas com ambientação e design de inimigos, o jogo consegue comunicar a progressão da protagonista.
A cada fase, o jogo apresenta um novo cenário, com biomas e inimigos distintos. E, conforme avança, a dificuldade escala progressivamente, a ponto de te fazer suar em armadilhas colocadas pelos desenvolvedores. Uma, em especial, obriga o jogador a enfrentar uma quantidade cavalar de inimigos vindo de todos os lados logo após ser perseguido por um chefe. É tenso, frenético e divertido.

Atira, Desvia e Aprimora!
A dificuldade de EARTHION é fiel aos jogos de Mega Drive: bastante punitiva na primeira tentativa, mas facilmente dominável quando se aprendem as rotas e as melhores armas para cada fase. Um exemplo é o já mencionado raio laser, excelente em estágios com muitos inimigos nos cantos da tela ou contra chefes com ponto fraco único.
O jogo oferece cerca de oito tipos diferentes de armas: de raios laser que atravessam a tela até um lançador de bombas (ideal para inimigos escondidos) e uma pequena esfera que dispara em todas as direções. É evidente que os desenvolvedores quiseram dar espaço para cada uma brilhar. No entanto, logo se nota que algumas são visivelmente superiores às outras, mais poderosas e também mais estilosas.

Inicialmente, o jogador pode equipar uma arma principal e uma secundária. Ambas podem ser energizadas com baterias deixadas por inimigos derrotados. Essas mesmas baterias também recarregam a barra de escudo (que funciona como vida no jogo). Energizadas, as armas causam dano massivo, sendo essenciais nas lutas contra chefes e para exterminar ondas de inimigos, esse sistema é eficiente porque cria uma certa tensão no jogador para sempre estar observando o nível de energia da arma e a barra de escudo, tudo isso enquanto o tiroteio rola.
Para os veteranos e fãs de Mega Drive, outro facilitador é o sistema de senhas. Ele permite que o jogador carregue melhorias obtidas em uma run para a próxima, como mais slots de armas, vidas extras ou aumento na barra de energia e escudo. Caso o jogador perca, pode recuperar todo o progresso usando a senha fornecida após o game over. É um sistema muito útil que, se bem explorado, pode até quebrar o jogo.
Outro ponto positivo de EARTHION é sua duração. Apesar de desafiador e de colocar o jogador em situações intensas, o jogo sabe exatamente quando uma fase precisa terminar, quando inserir um miniboss e quando aliviar a pressão. Em tempos de jogos massivos, é revigorante ver um título que respeita seu tempo e aposta na própria qualidade para te manter jogando.

Mas é um Roguelike?
Apesar das descrições anteriores, EARTHION não é um roguelike. Sim, há runs. Sim, você carrega upgrades de uma para outra. Mas trata-se, essencialmente, de um jogo com fases fixas, sistema de pontuação, um modo desafio e até a opção de nomear sua última tentativa. Jogo também conta com um sistema de ranking, onde você compara a sua pontuação com npcs. Não é um sistema super detalhado, mas adiciona uma camada divertida à experiência, sempre tem um NPC safado para pontuar mais do que você.

Entre Pixels e a Nostalgia
O visual colorido e pixelado, preso a uma pequena tela central emoldurada como uma antiga TV de tubo, dá um charme retrô ao jogo. Os efeitos sonoros das naves e tiros, somados à trilha sonora do gênio Yuzo Koshiro, evocam os grandes clássicos do Mega Drive. E o melhor: uma run completa leva, no máximo, 45 minutos! tempo ideal para matar a saudade da era de ouro dos videogames.
Contudo, ao rolar os créditos, fica uma sensação de que o jogo se resume a um apanhado de referências, algo derivativo. Por mais divertido que seja, EARTHION por vezes parece se esconder atrás da nostalgia.

Vale a Pena jogar EARTHION?
EARTHION é uma ode aos jogos de Mega Drive, aos fliperamas e à própria história dos videogames. Emula com perfeição o estilo dos clássicos que moldaram a indústria entregando uma experiência que vai te fazer lembrar os velhos tempos.
Seu ponto fraco está justamente em se apoiar demais nas referências, ao ponto de se tornar esquecível após algumas sessões. Mas isso já era esperado, considerando a proposta de recriar um jogo com a alma da era 16-bit, cujos títulos ainda vivem na memória de boa parte dos gamers.
Além disso, por mais competentes que sejam, os designs de EARTHION seguem os clichês de jogos de invasão alienígena. A trilha sonora, ainda que excelentes, mostra Yuzo Koshiro jogando seguro, apostando em um estilo retrô que, embora eficaz, não se destaca como suas composições mais memoráveis.
Mesmo assim, EARTHION te conquista com seu visual vibrante e pixelado, com o charme da moldura que se parece com as TV’s de tubo. Os efeitos sonoros, somados à música, te prendem do início ao fim dessa pequena, porém rejogável, jornada. E se por um lado EARTHION se apega demais às suas influências ao ponto de ser engolido por elas, por outro é impressionante ver o esforço e a paixão de seus desenvolvedores em criar uma experiência de Mega drive autêntica que, sim, vale o seu tempo!
Essa review de Earthion foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Limited Run Games
O Review
Earthion
Earthion é uma ode aos jogos de Mega Drive, aos fliperamas e à própria história dos videogames. Emula com perfeição o estilo dos clássicos que moldaram a indústria entregando uma experiência que vai te fazer lembrar os velhos tempos.
PRÓS
- Pura diversão
- Visual charmoso em 16bits
- Trilha sonora de Yuzo Koshiro
- Progressão de dificuldade
- Fator replay, as fases tem a duração perfeita para novas jogatinas
CONTRAS
- Balanceamento das armas, desenvolvedor claramente tem uma arma favorita aqui!
- Se apega demais as referência ao ponto de ser esquecível






