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Hora da Verdade | Mulheres nos jogos, por que ainda tanto preconceito? Como que é no Brasil e no mundo

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A Hora da Verdade é uma nova série de matérias onde discutiremos problemas e assuntos polêmicos envolvendo o mundo dos jogos. E a primeira matéria é sobre o preconceito e assédio que as mulheres sofrem nos jogos. Colocamos aqui diversos fatos e depoimentos de mulheres que jogam e sofreram/sofrem com esse problema.


O mundo dos games hoje é gigante, abrange pessoas de todas as idades, classes sociais e gênero. Diversos estudos mostram o quanto cada um de nós joga, independentemente do jogo ou plataforma, todos somos gamers. Ter um console ou PC não é algo difícil hoje em dia, todos temos acesso.

Um estudo recente feito pela PGB, revela que a maioria das mulheres são gamers, levando em consideração todos os consoles e plataformas. Elas crescem cada vez mais no mercado, confira abaixo:

A crescente participação do público feminino na comunidade gamer já pode ser notada na Brasil Game Show (BGS), a maior feira de jogos eletrônicos da América Latina. “Na última edição, 28% do público eram mulheres”, calcula Marcelo Tavares, fundador e CEO da BGS.

Até pouco tempo atrás, elas só iam ao evento para fazer companhia aos maridos, filhos e amigos. Hoje, testam novos títulos, disputam torneios virtuais, etc.

Precisamos entender que não há jogos para homens ou jogos para mulheres. Há ótimos jogos que podem e devem ser apreciados por jogadores de ambos os sexos, sem preconceito ou discriminação

Com o crescimento das mulheres nos jogos a cada ano, qual seria o problema? Cada dia mais e mais pessoas que jogam surgem. Estamos em 2018, somos evoluídos, não temos problemas no mundo dos jogos tudo é perfeito: crescemos a cada dia, mais e mais jogos são lançados, então, o que ainda está errado?

As mulheres e as meninas que jogam videogames enfrentam muitos problemas: protagonistas feministas unidimensionais, assédio sexual por jogadores masculinos e uma ladainha de critérios estranhamente específicos – e impossíveis de cumprir – de que garotas gamer “reais” deveriam ser.

Um levantamento de 2012 revela que 63% das 874 jogadoras entrevistadas pelo blog PriceCharting já sofreram assédio em jogos online. Em alguns casos, as jogadoras são obrigadas a ouvir comentários machistas do tipo “Volta pra cozinha, volta!”, “Já terminou de lavar a louça?” ou, então, “Pega uma cerveja pra mim”. Em outros, são vítimas de propostas indecentes e cantadas ofensivas.

Por causa do assédio, muitas optaram por dar um tempo dos jogos. Outras tomam uma decisão mais drástica: mudar de hobby. Outras medidas são um pouco menos drásticas, mas mesmo assim não deveriam acontecer como usar “nickname” masculino para evitar assédio e outros problemas.

Um teste feito recentemente mostrou como mulheres gamers sofrem abuso. O #MyGameMyName foi feito pela ONG Wonder Women Tech, onde ela convidou jogadores e youtubers homens para usarem nicknames femininos em partidas online.

A experiência contou com a participação de Davy Jones jogando Overwatch, os representantes do Pipocando jogando CS:GOFe Batista também jogando CS:GO, entre outros. Alguns deles, inclusive, convidaram mulheres próximas para comentarem durante o jogo.

Bom, como você pode ver no vídeo, o uso de nicks femininos pelos youtubers e convidados do experimento fazem com que jogadores usem palavras de baixo calão e o uso de frases e mensagens com finalidade de assediar o jogador(a).

Depoimentos

Em uma entrevista feita para a Manual dos Games, a youtuber e streamer Alice Gobbi nos contou sobre o que é ser uma garota gamer e o preconceito que ela sofreu e ainda sofre.

Hoje eu não me incomodo mais até porque tenho uma presença muito boa e respeitosa hoje em dia, foram anos de muita luta pra conquistar meu espaço e respeito. Claro que, pelo menos uma vez por dia, alguém faz um comentário do tipo “vai jogar no site da barbie”, “você ta mais pra canal de maquiagem” e até assédios que chegam a assustar, mas eu sempre fiz questão de colocar esse povo no seu devido lugar e mostrar para o que eu vim. Querer me diminuir por ser mulher ou pela minha aparência não é uma boa ideia, minha língua é bem afiada e dificilmente levo desaforo pra casa

Ela também falou sobre o que ela faz para lidar com o assédio durante sua jogatina e ela é curta e direta. “Sinceramente? Eu ignoro, realmente não me afeta mais”.

Além de Youtbers e Streamers mulheres, conversamos com as que somente jogam por diversão ou hobby, sem fazer nem vídeos nem lives. Uma delas, Daiane, conta que “Não posso falar no voip, pois os “homens”, vulgo crianças imbecis, começam a falar merda. Muitas vezes coisas bem pesadas.” Para lidar com estes problemas ela conta que “uma vez eu ficava bem chateada mesmo, mas hoje em dia nem dou bola mais”.

Falamos também com a jogadora Gabrielli que nos conta tudo que já passou:

Eu jogo todos os dias, e já tentei em diversos horários pra descobrir qual seria o mais adequado (onde haveria menos preconceito) mas não cheguei à conclusão nenhuma.. pois isso existe em todas as idades no jogo, portanto, em todos os horários. Não existe um dia em que eu não seja xingada.São de baixo calão mesmo, são pesadas.

Se eu jogo normal, passando a call pro time, etc, muitos não aceitam que uma mulher esteja “liderando” os homens/meninos do time.. e ficam bravos, começam a xingar e por aí vai.

Se eu jogo brava porque eles não estão colaborando, vish! Sai de perto. Caso eu ouse “reclamar” alguma coisa, eles falam: “Ah você reclama demais, sai daqui, vai lavar a louça”

Mas todos estes depoimentos e fatos ocorreram no nosso país. E fora daqui? Em outros países será que acontece a mesma coisa? Entrevistamo streamers e youtubers de outros países para ver se a mesma coisa que acontece aqui acontece lá também.

Umas delas é a Streamer Fangetta, que nos conta como que é la fora.

Eu nunca conheci outra garota jogando videogames que não recebeu assédio. É uma espécie de parte do negócio se você é uma mulher e quer jogar videogames e o assédio pode ser evitado por não usar bate-papo por voz nos jogos multiplayer que você joga ou com nomes de usuários não femininos. Eu falo sobre isso nas streams e com outras garotas que encontro muitas vezes, sobre o assédio e a melhor maneira de lutar contra isso não é reagir. Reagir a isso sempre piora. Não está certo, é horrível que as mulheres nos jogos enfrentem isso, mas não vejo isso desaparecer, sempre que a comunidade de videogames pareça alguns passos atrás em termos de sociedades e direitos e igualdade. Conheço muitas mulheres jogando Overwatch que nunca usam seu microfone ou entre comunidades por medo de assédio. Não há como lutar ou punir esse assédio em videogames. Aprendi muito cedo a ser uma mulher jogando videogames que você precisa ser dura ou ficar com jogos off-line onde você não estará interagindo com outros jogadores, e isso é tão errado, que nós devemos ter que mudar para evitar isso. Como uma flâmula no Twitch, coloquei-me lá para receber muito mais assédio do que uma garota média que joga videogames, tendo meu rosto, personalidade e carreira anexados a um site onde as pessoas que querem assediar mulheres são apenas um nome de usuário, e isso pode ser assustador e mentalmente cansativo. Eu queria que isso parasse, eu queria que termos como “garota gamer” parassem de existir. Quando os meninos jogam videogames, eles são “jogadores”, quando as meninas jogam videogames, somos “meninas gamer”. Termos simples assim nos separam da igualdade. Por que todos nós não podemos ser gamers sem nosso gênero ligado ao termo.

A pouco tempo o Facebook lançou uma campanha chamada Women in Gaming, onde a própria empresa fala sobre as mulheres nos jogos. A campanha visa promover a diversidade na indústria de videogames e encorajar mais mulheres a entrar no campo dos jogos.

Resumindo

Com tudo isso, como e por que ainda acontece o assédio e o preconceito contra as mulheres? Espero que cada um  que está lendo isso tenha noção de como isso afeta negativamente as pessoas. Eu, como redator da matéria, realmente não consigo compreender o por que ainda existem pessoas com tanto preconceito.

Toda esta matéria tem o intuito de mostrar o preconceito e o assédio que as mulheres sofrem, por apenas fazerem o que gostam.  Precisamos a cada dia lutar contra isso e divulgar cada vez mais campanhas como a Women in Gaming e a MyGameMyName que ajudam contra o preconceito e auxiliam as mulheres a enfrentar tudo isso e continuarem no mundo dos jogos, fazendo com que mais e mais mulheres possam jogar sem sofrer.

Este texto teve ajuda de várias pessoas que deram seus depoimentos e mostraram o que sofrem no dia-a-dia então muito obrigado a todas que me ajudaram.

Publicado em 8 de março de 2019 às 07:00h.
2019-03-08 07:00:11