Manual Entrevista | Pablo ‘xrm’ Oliveira narrador de CS:GO

Esta é a primeira entrevista do Manual Entrevista, onde nós da Manual dos Games entrevistamos pessoas ligadas a game, jogos e e-sports. E o primeiro a ser entrevistado é Pablo ‘xrm’ Oliveira. Confere abaixo quem é esse cara que entende muito de games e principalmente do mundo de Counter Strike.

P: Por favor se apresente, fala um pouco sobre você, sua vida e o que faz hoje.

R: Meu nome é Pablo Oliveira, tenho 26 anos, moro em São Paulo/SP e hoje trabalho na Gamers Club como editor de vídeo, locutor, narrador e coordenador de conteúdos audiovisuais.


P: Como você começou sua saga nos jogos?

R: Eu sempre joguei videogame, desde criança tive vários consoles, Game Boys e também sempre joguei de tudo no Computador. Meu irmão mais velho sempre foi viciado em games, e é até hoje, e me incentivou bastante desde cedo.
Na minha época de colégio, lá pela 6ª, 7ª, e 8ª serie, quando tava rolando aquela febre de lan houses eu joguei muito CS 1.6 principalmente, ia quase todo dia pra lá, matava aula na lan house inclusive, rs. Na época chamava RUSH a que eu mais ia, que era do lado da minha escola na região da Chac. Sto. Antônio em São Paulo. Porém eu nunca levei a sério nenhum jogo, eu nem acompanhava o cenário competitivo de CS na época.


P: Quando você começou a jogar CS:GO? Qual seu ranking e tempo de jogo?

R: Depois da febre do 1.6, eu meio que dei uma parada no CS. Mas por ter sido um dos jogos que mais curti na vida, quando lançou o Condition Zero e o Source, eu comprei e joguei um pouco, mas não foi aquele vício de novo, e acabei parando. Quando lançou o CSGO, apesar de eu estar a muito tempo sem jogar CS, logo me interessei e baixei na hora. Fui até pesquisar aqui quando que eu comprei o jogo, e pra você ter uma ideia, o CSGO foi lançado dia 21 de Agosto de 2012, e eu já tinha ele no dia 4 de setembro, duas semanas depois. No começo não existiam servidores no Brasil né, então eu jogava o competitivo com uma media de 150 a 200 de ping nos servidores americanos. Na época eu era AK acho, quando lançaram os servidores no Brasil comecei a subir de nível, atualmente estou Supremo na minha conta, as vezes caio pra Águia, e subo de novo, mas nunca cheguei no Global, infelizmente, haha, mas o sonho continua! Rs. Mas apesar de bastante tempo gasto na minha vida jogando CS de todas as versões, eu nunca cheguei a ter um time, ou tentar competir e levar a sério. Na verdade, durante muito tempo eu jogava competitivo da Valve com meus amigos e eles falavam que eu tinha que ver os times profissionais, que tinha uns brasileiros bons e tal, e eu nem queria saber, só queria chegar da faculdade ou do trabalho e jogar um pouco pra relaxar, não valorizava o cenário competitivo.


P: Sobre narrar, quando e por que começou a se aventurar nesse mundo? Fale um pouco sobre sua carreira como narrador.

R: Aproveitando sua pergunta, pra continuar a história da última, rs, como disse não me interessava, e passei muitos anos sem saber nem sequer quem era o FalleN, e conhecia o cogu só por conta das historias que contavam, eu era realmente um alienado total do cenário competitivo. Porém, quando a KEYD começou a se destacar, isso no final de 2015, meus amigos me convenceram a assistir uma partida, e foi amor a primeira vista, haha, depois que assisti o primeiro jogo profissional de CS, e vi os brasileiros mandando bem e sendo campeões lá fora, comecei a viciar, e consumir cada vez mais conteúdo de CS. A verdade é que sempre fui fanático por esportes, desde futebol, tênis, lutas, MMA etc… E sempre acompanhei e consumi muito conteúdo de esportes.
Eu inclusive na época tinha acabado de me formar em Rádio e Televisão pela Belas Artes de São Paulo, e já na faculdade eu sempre gostei de apresentar programas, de TV ou rádio, e sempre gostei de fazer locuções para os trabalhos. Quando saí da faculdade inclusive fiz um curso de especialização em Locução pela Rádioficina, que era mais voltado pra locução de rádio, e eu cheguei a tentar ser narrador de futebol, de jiu jitsu e também de MMA. Porém eu notava a dificuldade de sequer conseguir um emprego como produtor em uma rádio esportiva porque a concorrência era muito grande, e eu não tinha feito estágio durante a faculdade, o que me deixava muito atrás dos outros.
Eu até cheguei a participar de uma web radio amadora, chamada Esquadrao Esportes durante um tempo, narrando partidas de futebol de forma TOTALMENTE amadora, hahaha, vou até colocar aqui um link da primeira partida que fiz, comecei já narrando um jogo da Champions entre Real e Juventus, e lembro que na época bateram 1.200 pessoas assistindo esse meu jogo de estreia hahaha, eu não tinha nenhuma experiência, nunca tinha nem sequer narrado uma partida pra brincar. Segue aqui o gol do Cristiano Ronaldo que narrei. Gosto de pensar que hoje em dia com a experiência que ganhei no CS, narraria muito melhor, mas é legal ter essas coisas guardadas pra ver a nossa evolução também. A jogada do gol começa nos 3 minutos do áudio:

Mas falando agora sobre o CS, como falei, comecei a acompanhar o cenário de CS assiduamente. Eu lembro de assistir a MAX5 Invitational, ver o Bida, Bczz, Pink lá na transmissão, e pensar, poxa, bem que eu poderia estar ali do lado deles, rs. E eu, por estar muito infeliz no meu trabalho na época, e sem muitas perspectivas sobre meu futuro, já estava com vontade de começar algum projeto relacionado a Youtube, ou qualquer coisa paralela, relacionada a esportes ou CS, tentei até começar um canal de Jiu Jistu com meu mestre, mas ainda não pensando em narrar. Quando a LG foi campeã do primeiro Major, eu me lembro de estar na Academia correndo na esteira, e do nada veio a ideia de criar um canal falando sobre notícias do CS, começando pelo recente título da LG. Quando cheguei em casa na hora já gravei editei um piloto, uma ideia na verdade, criei o 1º logo da CSTV, e levei no dia seguinte pro trabalho e mostrei esse vídeo pro meu amigo do trampo, o Dudu, que pela minha influencia estava começando a acompanhar o CS:

Na hora, ele olhou pra mim e falou, “Mano, to dentro, bora tocar esse projeto”. E ai começou a historia da CSTV, criamos o canal no Youtube e fomos fazendo vídeos de notícias, e melhorando cada vez mais o formato. Com o tempo, quisemos colocar mais conteúdos no canal além de notícias, e entrei em contato com o Bida pra pedir permissão para usar as VODS do canal dele e criar vídeos de Melhores Momentos dos jogos. Foi aí que o jogo virou, o Bida viu o nosso canal, gostou do conteúdo, e entrou em contato para fazer uma parceria entre a CSTV e a Gamers Club. Começamos a criar conteúdos em parceria, e postar no canal da GC, com esse contato, assim que tive a primeira reunião por Team Speak com o Bida, perguntei sobre a possibilidade de uma oportunidade como narrador. Na hora ele me abriu as portas, pediu pra enviar uma DEMO pra ele analisar, e me colocou em contato com o qeP, que também me ajudou demais a começar essa carreira, e aí o resto foi só alegria, comecei narrando uma TBOW da GC ao lado do gio, depois fiz alguns jogos da Liga Amadora, e de repente já estava narrando Liga Pro. Rapidamente começaram a surgir oportunidades em eventos presenciais, o meu primeiro foi a Intel Gaming Challenge na MAX5, depois teve a Comic Com também, e aí começaram a aparecer oportunidades de TV, na Copa Brasil, ESL e agora na ELEAGUE. A verdade é que tudo aconteceu muito mais rápido do que eu imaginava. Gosto de pensar que eu entrei no momento certo, tive essa sorte, mas também tive a competência de fazer bem feito.

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P: Qual o momento mais emocionante que você narrou?

R: Quando penso em um lance, o primeiro que me vem à cabeça foi o ACE Clutch com 1hp do VINI na Copa Brasil. Não só por ser um lance absurdo, mas porque foi na minha estreia na Copa Brasil e na TV. E o mais importante, esse vídeo percorreu o mundo, lembro de ver no twitter jogadores como FalleN e GeT RiGhT compartilhando o lance, e vários outros jogadores comentando, e principalmente assistindo o lance com a minha narração, isso foi muito absurdo pra mim, mesmo sabendo que a maioria nem estava entendendo o que eu falava, hahahaha.

Outros momentos importantes pra mim foram a primeira vez que narrei a SK, que também foi a primeira vez que narrei com o Bida e o Sav. E também a final da Copa Brasil, onde tive a honra de narrar ao lado do FalleN, o que pra mim também foi um momento muito marcante que nunca vou esquecer.


P: O que você acha dos e-sports no Brasil, precisamos evoluir muito? Ou já estamos em um nível elevado?

R: Acho que essa pergunta pode ser entendida de duas formas, o nível de jogo, que ai eu só vou conseguir comentar do CS, que realmente ainda é abaixo do nível internacional, mas que temos muitos jogadores indo pra fora mostrando que tem sim qualidade pra se equiparar as melhores equipes dos EUA, só precisam realmente de oportunidade para jogar contra as melhores equipes, afinal, você só evolui jogando contra pessoas melhores.
E também podemos entender pelo lado de estrutura e organização dos eventos. Eu não acompanho muito o LOL, por exemplo, mas sei que em termos de estrutura e visibilidade aqui no BR já é comparável com alguns esportes tradicionais e até supera alguns em número de audiência e investimentos. Porém o CS ainda não está nesse nível, apesar de que nesse ultimo ano demos uma melhorada enorme, e de que a perspectiva do futuro é muito boa.
O que falta no CS aqui no Brasil é o fanatismo dos torcedores, de ter um time, e acompanhar o cenário como torcedor realmente. Precisamos de ídolos e fãs. Também temos alguns campeonatos na TV, mas são muitos o que confunde demais o espectador, que não sabe direito qual campeonato é qual, que time esta jogando o que. O bom do LOL nesse sentido é que existe apenas um campeonato o que facilita para o publico entender e acompanhar.


P: Quem você acha ser o melhor jogador de CS hoje?

R: Pra mim individualmente o melhor ainda é o coldzera, porém o mais importante é o FalleN, a diferença que ele faz no time é absurda, ele não é só um capitão e um excelente jogador, mas é um grande líder, e sem um líder nenhum time em nenhum esporte chega muito longe.


P: Quais dicas você dá para os jogadores que querem chegar ao nível de jogadores profissionais e se tornar um jogador?

R: A dica é jogar bastante, assistir os campeonatos, treinar muito e se dedicar. Entender que um time não se faz só de talento individual, mas também de relações interpessoais, de saber conviver e às vezes abaixar a cabeça e ser humilde em horas que parece muito difícil fazer isso.
O caminho pra quem esta começando é fazer aulas da Games Academy e disputar as Ligas da Gamers Club. Pra quem não sabe, a Gamers Club além das ligas mensais, que são a Amadora, Principal e PRO, também tem campeonatos diários de 4as, 6as e domingos, que são muito bons para começar a treinar com sua equipe.


P: Os e-sports estão em alta e cada vez evoluindo mais, eles podem chegar a um patamar elevado e alcançar, ou chegar pelo menos perto, de esportes que temos hoje como os maiores como futebol, vôlei, futebol americano, etc? Levando em consideração que os principais canais de esportes estão tendo programas e transmissões voltadas ao mundo dos games. Além das competições e prêmios altos.

R: Como falei o LOL hoje em dia no Brasil já está gigantesco, até melhor que alguns esportes como Basquete e Vôlei eu imagino. E o futuro é sim muito promissor, imagino que em alguns anos no Brasil o CS também vai crescer demais. Lá fora temos eventos gigantescos de vários esportes eletrônicos, acho que não tem como não esperar que os e-Sports alcancem sim o nível dos esportes tradicionais, inclusive fazendo parte das Olimpíadas.


P: Sobre o que o presidente do comitê olímpico falou, que os games violentos não terão vez nas Olímpiadas, o que você acha? Concorda ou discorda? (Link da notícia caso não tenha visto: https://goo.gl/SCcsMd)

R: Eu acho que é tudo questão de tempo, só deles estarem pensando em colocar qualquer jogo eletrônico nas olimpíadas já é um avanço incrível. Com o tempo o preconceito vai diminuindo e as pessoas vão entendendo melhor os jogos. Acho que é questão de tempo para serem aceitos, afinal de contas, já temos esportes olímpicos como tiro esportivo que já são de certa maneira parecidos com o CS, rs.


CONCLUSÃO:
Agradeço demais a oportunidade e interesse por essa entrevista, foi a primeira que fiz algo do tipo. Posso não ter a melhor historia de vida, mas espero poder servir de exemplo pra algumas pessoas que se sentem perdidas na vida como eu me sentia, busquei muito o meu espaço, eu não sabia o que eu queria, mas sabia que queria trabalhar com esportes. Não deu certo com futebol nem com lutas, mas fui atrás do CS, comecei a fazer um projeto que não parecia tão promissor no início, mas com muita dedicação persisti, e depois de mais de um ano trabalhando de graça, hoje posso dizer que vivo e trabalho apenas com eSports, e tenho muito a agradecer a muitas pessoas que me ajudaram no começo da carreira, principalmente Dudu, Bida, qeP, bczz e o Fly, meu patrão que acreditou e confiou em mim.


Obrigado por esta entrevista, xrm. Caso alguém não tenha ele nas redes sociais, é só seguir os links do Facebook e do Twitter dele.

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