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Manual Entrevista | Desenvolvedores de Forgotton Anne!

O excelente Forgotton Anne, jogo plataforma em 2D com foco na narrativa desenvolvido pela ThroughLine Games, disponível para PC, Ps4 e Xbox, revelou-se um sucesso entre a crítica e os jogadores. Proporcionando uma experiência única de jogo, na qual acompanhamos a excelente história de Anne em sua busca pela verdade na fantástica Forgotten Land, lar dos objetos esquecidos e/ou descartados.

Com o objetivo de saber mais a respeito do processo de produção e desenvolvimento de Forgotton Anne, o diretor criativo, Alfred Nguyen e o Líder de Programação da ThroughLine Games, Michael Godlowski-Maryniak foram entrevistados pela Manual dos Games.

Confira nossa entrevista abaixo, e não fique de fora, leia nossa review de Forgotton Anne e experimente esse excelente indie, seguramente é um jogo que você não deve deixar passar batido.

MDG: Forgotton Anne é um jogo único, a animação é excelente, a sensação de estar fazendo parte de um desenho animado é uma constante durante o jogo. E é incrível como a transição entre as conversações e cutscenes ocorrem de maneira fluida, em alguns momentos mal percebemos que voltamos ao controle do jogo. Quais foram as maiores dificuldades durante a criação de Forgotton Anne e como vocês conseguiram equilibrar tão bem essas transições durante o jogo?

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: uma das coisas que nos permitirão criar transições tão fluidas é devido ao fato de que utilizamos o mesmo estilo de arte, desenhado a mão, tanto para as cutscenes quanto para os gráficos do jogo. Contudo, o desafio de manter esta sensação de fluidez é timing. Nós precisamos ter certeza de que os frames da cutscene e do gameplay foram trocados nos momentos exatos, de modo que a passe uma sensação de naturalidade para o jogador, mantendo a constante sensação cinematográfica. Mesmo ao se movimentar no cenário, o jogador vai perceber que os movimentos de Anne são muito naturais. Ela toca os elementos do ambiente e aplica peso quando se move por cima de obstáculos. Isso é obtido, novamente, por uma transição de frames e encaixe da posição dela com o timing correto. O resultado disso é que temos um gameplay onde é difícil diferenciar as cutscenes animadas dos momentos de gameplay, e nós estamos muito felizes que as pessoas estejam tendo essa experiência.

Review | Forgotton Anne

MDG: O Mercado Brasileiro é vem crescendo em relevância no cenário mundial, as vendas por aqui são expressivas e crescer ano após ano. Porque Forgotton Anne não possui se quer legendas em português?

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: Devido ao tempo e recursos financeiros disponíveis para a produção do jogo. Para nós, como desenvolvedores independentes produzindo nosso primeiro jogo com um cronograma de produção apertado, tivemos limitações com relação a quantidades de linguagens que conseguiríamos localizá-lo.

ALFRED NGUYEN: Pedimos desculpas por isso. Planejamos adicionar muitos idiomas, porem simplesmente não tivemos os recursos necessários para implementar todo eles até o lançamento. Mas garantimos que em uma futura atualização vamos adicionar legendas em Português e vocês serão os primeiros a saber!

 

MDG: Qual a Engine utilizada para o desenvolvimento do jogo e porque optou por usa-la?

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: Forgotton Anne foi desenvolvido em Unity. Essa escolha foi bem alinhada, visto que Alfred e eu temos experiência com essa engine e conhecemos o potencial dela logo de início. A Unity é flexível e intuitiva, e foi rápido para nós começarmos a desenvolver por intermédio dela, e relativamente simples para os novos membros do time se adaptarem. Usar a Unity também nos permitiu lançar o jogo em tantas para tantas plataformas diferentes ao mesmo tempo, visto que a portabilidade foi uma coisa que conseguimos executar com nossa própria equipe. Além disso, existe uma excelente comunidade trabalhando com a Unity, isso garantiu que pudéssemos alcançar todo o tipo de ajuda necessária a respeito da engine.

MDG: Como surgiu a ideia de desenvolver o jogo?

ALFRED NGUYEN: começando a ThroughLine Games com Forgotton Anne, eu queria que nosso primeiro título pavimentasse nosso caminho, mostrando como nós fazemos as coisas aqui, e isso significa que somente fazendo jogos que tenham personalidade própria.

Como diretor eu passei um longo tempo refletindo a cerca de temas que eu me interessasse antes de decidir a característica de Forgotton Lands e da jornada de Anne.
Tem a ver com o crescimento e a formação da identidade por meio das escolhas que se fazem, e a constante tentação de recorrer a velhos hábitos e ensinamentos que foram impressos em você.

O processo criativo envolvendo todos os membros da equipe também foi um foco fundamental, aproveitando cada um dos nossos pontos fortes e diversidade de fundo, a fim de criar um mundo rico para o jogador explorar.

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: Todos nós aqui no estúdio temos uma paixão por criar jogos que são movidos por histórias significativas. A ThroughLine Games está focada em jogos guiados por histórias e a Forgotton Anne, como nosso primeiro jogo, tornou-se um projeto de paixão no qual isso é expresso.

 

MDG: A trilha sonora desse jogo é impressionando, você pode falar um pouco sobre ela?

ALFRED NGUYEN: Obrigado, eu estou muito feliz por ouvir isso! Uma das primeiras pessoas que trouxemos para o projeto foi Peter Due, nosso compositor, que eu conheço desde os meus dias de escola de cinema, e antes de termos qualquer gameplay, nós trabalhamos juntos em diferentes temas musicais que pudessem contar a história de Anne.

O primeiro tema que foi composto foi “o tema de Anne” em 2014 e, em muitos aspectos, ajudou a definir o tom do projeto. Durante o desenvolvimento, identificamos os temas chave que Peter transformaria em temas musicais que se desenvolvem e se entrelaçam enquanto o jogo avança. Queríamos que a partitura fosse memorável, da mesma forma que você poderia cantar melodias de filmes clássicos e JRPGs mais antigos. Uma das primeiras fontes de inspiração sobre as quais discutimos muito foi a partitura de O Labirinto do Falno, de Del Toro, que tem esse belo tema de canção de ninar que formou a espinha dorsal da partitura.

Mais tarde, durante o desenvolvimento, entramos em colaboração com a Filarmônica de Copenhague, que permitiu que cerca de 40 minutos da partitura fossem gravados com uma orquestra sinfônica completa, o que foi incrível. Para finalizar, convidamos o aclamado cantor e compositor Randi Laubek para escrever e cantar a música tema que não poderíamos ter melhor.

MDG: Forgotton Anne é um dos jogos mais bonitos que já tivemos a oportunidade de ver e jogar, como foi o processo criativo, a criação dos personagens e de Forgotton Land?

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: Muito obrigado! Como estamos nos concentrando na história, foi a história que foi o fator determinante. O processo foi muito interativo. Nós conversamos muito sobre os personagens e a mitologia, já que tudo precisava se encaixar muito bem. Ao passo em que mudanças ocorridas na história e no universo, foram se originando novas idéias para protótipos que tivemos que testar. Foi muito mais uma conversação entre a jogabilidade e a história, em que ambos precisavam apoiar um ao outro.

ALFRED NGUYEN: Acho que um dos maiores desafios surgiu da nossa ambição de ter uma estreita sinergia entre gameplay e storytelling e, como Michael diz, exigiu um diálogo constante entre todos da equipe, já que tudo o que os designers de jogos pensavam teria um impacto sobre o departamento de tecnologia, arte e história, e vice-versa. Nós realmente tentamos evitar seções de “enchimento” ou ter um gameplay separado do contexto da história. Isso não foi fácil, e nós estamos realmente contentes por vocês terem gostado. Começamos descrevendo completamente o ritmo da história do jogo antes da produção, e fizemos muitos protótipos para testar a mecânica do jogo.

Quando o nosso lead game designer, Valdemar Schultz Andreasen, se juntou à equipe, a colaboração com o principal escritor Morten Brunbjerg e nosso diretor de arte, Anders Hald, foi fundamental na elaboração dos cenários. Quanto aos forgotlings”, o nosso “forgotling specialist”, Alex Kramerov, foi encarregado de conceber a grande maioria deles, enquanto a nossa principal animadora, Debbie Ekberg, desempenhou um papel espetacular, criando a expressão de Anne como uma personagem com ambos os lados vulneráveis ​​e duros. Foi necessário um tremendo esforço de equipe para criar o jogo e nos tornamos uma pequena família no estúdio.

MDG: E por fim, com o sucesso de críticas alcançados por Forgotton Anne, os olhos do mundo Gamer estão voltados para a “Throughline Games“, e estamos ansiosos por novidades, quais os planos para o futuro?

MICHAEL GODLOWSKI-MARYNIAK: De fato é muito empolgante! Antes de qualquer coisa nós queremos fazer com que Forgotton Anne seja acessível ao máximo de jogadores possível. Isso inclui levar o jogo a mais plataformas além de localiza-lo em outros idiomas. Dito isto, nós já temos conceitos para projetos futuros e estamos ansiosos para compartilhar mais informações a respeito deles quando chegar a hora!

ALFRED NGUYEN:  Além dos críticos, queremos capturar os corações dos jogadores em todos os lugares. Apesar de Forgotten Anne ser um jogo “indie”, muitos recursos foram colocados em jogo, então precisamos manter os jogadores conscientes de sua existência.  Forgotten Anne não será “esquecido” tão cedo. Então, se você leu isso e gostou do jogo, por favor nos ajude a espalhar a palavra. Obrigado!

Ao jogar Forgotton Anne, temos a sensação de estar controlando os eventos de um desenho animado, um filme com algumas horas de duração no qual podemos interferir diretamente, e o jogo nos proporciona essa mecânica de jogabilidade de forma incrivelmente fluida e divertida. Os preços estão bastante acessíveis e seguramente esse game vale seu dinheiro, na PSN pode ser comprado por R$ 61,50, na Steam por R$37,99 e para Xbox One por U$19,99.

 

Publicado em 7 de junho de 2018 às 14:01h.
2018-06-07 14:01:48

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