A dominância do mercado mobile no Brasil pode estar com os dias contados, já que o sonho do PC Gamer está cada vez mais se tornando uma realidade para uma parte dos jogadores brasileiros. Após anos de liderança quase absoluta dos jogos para celulares por aqui, a preferência dos jogadores da Geração Z por jogos para consoles e principalmente, PC, tem aos poucos virado a chave no mercado brasileiro, segundo dados da PGB (Pesquisa Games Brasil).
Segundo o estudo desenvolvido pela SX Group e Go Gamers em parceria com Blend New Research e ESPM e publicado hoje (9), a Geração Z tem entrado de cabeça no mercado de jogos, trocando o celular pelos monitores ou televisões.
Jogadores de PC Gamer e consoles chegam a 45% do mercado, segundo PGB

Segundo o levantando de 2026 da PGB, o mercado de jogos mobile continua sendo a principal plataforma de jogos no mercado brasileiro, porém, demonstrou uma queda de 2025 para 2026. A pesquisa apontou para uma migração de jogadores para os consoles e principalmente para o PC, com o PC Gamer se tornando a nova preferência da Geração Z.
Do total de entrevistados pela pesquisa, 75,3% declararam consumir jogos digitais, uma queda de 7,5% em relação ao ano passado. Dentre eles, 86,7% dos respondentes têm os jogos digitais como uma das suas principais formas de entretenimento, e 80,7% consideram como a principal.
“Depois do pico identificado na pesquisa de 2025, o recuo no número de pessoas que declaram jogar videogames aponta para uma normalização do consumo”, afirma Guilherme Camargo, CEO do SX Group e coordenador da pós-graduação em Negócios para Jogos Digitais – Game Business na ESPM. “Parte desse movimento pode ser explicada pelo fato de que, no ano anterior, a ausência de regulamentação levou à percepção de jogos de sorte como jogos digitais. Com a regulamentação ao longo de 2025, esse entendimento se tornou mais claro, reduzindo essa sobreposição e delimitando melhor o mercado, com empresas autorizadas, exigências fiscais, regras de operação e restrições mais claras ao consumidor.”
Dentro os respondentes que afirmaram consumir jogos digitais, 44,1% tem o celular como plataforma principal, enquanto os usuários de PC atingiram 21,1% das respostas, enquanto os consoles chegam a 24%.
De acordo com Carlos Silva, CEO da Go Gamers (idealizadora da PGB), o panorama recente indica uma maturação do consumo de jogos mobile, após um período de forte expansão. “Os dados mostram que o consumo de jogos em PC apresenta tendência de crescimento, o que aponta para um movimento de maior envolvimento e engajamento com os jogos digitais. Esse comportamento está associado a sessões mais longas, repertórios mais especializados e a um público com maior disposição para investir em hardware e jogos”, afirma.

Um fato interessante descoberto pela pesquisa é que o público está se renovando, com a Geração Z (16 a 29 anos) se tornando o principal público consumidor de jogos digitais, totalizando 36,5% do público, deixando os Millenials (entre 30 e 44 anos) pra trás, representando 33,7% do público. As mulheres seguem como a maioria do público consumidor, com 52,8%, e 54,9% dos jogadores se identificam como classe média (B2, C1 e C2).
“O crescimento do PC gamer acompanha diretamente a expansão da Gen Z dentro do universo de jogos digitais, consolidando um perfil mais jovem, altamente conectado à identidade gamer e ao consumo de eSports. Diferente de outras plataformas, o PC se posiciona como um ambiente de maior aprofundamento, onde esses jogadores encontram competitividade, personalização e pertencimento — elementos centrais para essa geração. Esse comportamento reforça uma relação mais ativa e engajada com os jogos, marcada por maior tempo de sessão, repertório mais especializado e proximidade com comunidades e cenários competitivos”, conclui Carlos Silva.
Com o crescimento do mercado de jogos para consoles e PC, os jogadores também tem demonstrado preocupação com a utilização de recursos de IA no desenvolvimento dos jogos. Segundo a pesquisa, 45,7% se preocupam com a perda de empregos e a precarização do processo criativo na indústria de games, 39,6% mencionam o uso indevido de obras de outros artistas e criadores (violação de direitos autorais) como ponto de receio, e 38,4% citam que têm medo de que jogos feitos por IA façam com que a qualidade deles caia e isso gere uma onda de games “sem alma”.
Apesar disso, 39,3% afirma que compraria um jogo mesmo sabendo que boa parte da arte, dublagem e textos foram feitos com IA (40,9% diz que talvez consumiria esse tipo de jogo). “Mapeamos, nesta parte da pesquisa, que o público não avalia o uso de Inteligência Artificial em jogos de uma forma agnóstica, de ser a favor ou contra. O que acontece na prática é uma ponderação mais complexa, avaliando se o uso da IA foi feito de forma ética, se isso fez com que profissionais da área fossem substituídos pela tecnologia ou se eles ainda são a força predominante na confecção de jogos e se o uso dela fez com que a qualidade dos jogos caísse ou não”, explica Mauro Berimbau.

A preocupação com a preservação de jogos antigos também se tornou uma constante entre os jogadores, já que com a ascensão dos jogos em mídia digital, a possibilidade de que jogos simplesmente se tornem completamente inacessíveis começa a se tornar um medo real para parte dos jogadores. Segundo os dados da PGB, 34,5% dos respondentes disseram que se preocupam um pouco com a possibilidade de perderem o acesso, no futuro, aos jogos digitais que compraram nos últimos anos. 26,8% dizem “não se preocupar nem um pouco” com essa questão, e 22% afirmam que “se preocupam muito” com a possibilidade de não ter mais acesso aos seus games por falta de uma edição física.
“Aqui, vemos que a propriedade digital entra no radar do consumidor como tema de valor e segurança, e que há um receio palpável de que, se algo der errado no futuro, os jogos que eles consomem agora se perderão num limbo e não serão mais recuperados, até mesmo para preservação da história dos games”, diz Mauro Berimbau, consultor da Go Gamers e professor da ESPM. “Com isso, podemos ver que, para este público, o valor não está apenas no ato de jogar aqui e agora, e sim numa garantia de que eles poderão revisitar essas experiências a qualquer momento”.

Ainda segundo o estudo, 62,6% do público tem o hábito de revisitar jogos antigos ou clássicos para jogar sozinho, e 55,1% afirma que consome jogos mais velhos para curtir com amigos, indicando que a nostalgia é uma forma de consumo ativa e relevante na comunidade gamer. A pesquisa também mapeou que os três fatores principais para que alguém considerasse comprar novamente um game que já jogou são: preço baixo ou promoção (44%), remakes e remasters com gráficos e desempenho melhores (36,3%) e compatibilidade com plataformas atuais (23,8%).
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Com o crescimento do mercado de consoles e PC no Brasil, é esperado que cada vez mais publishers cheguem oficialmente ao mercado brasileiro, oferecendo jogos com localização e suporte em português, como tem se tornando tendência nos últimos anos.
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