Onimusha é uma das séries da Capcom que, apesar do seu impacto inicial, acabou sendo ofuscada ao longo dos anos por suas “séries-irmãs” mais populares, como Devil May Cry, Resident Evil e Monster Hunter. Enquanto essas franquias cresceram e conquistaram ainda mais espaço no mercado, Onimusha foi se tornando cada vez mais nichada e, para muitos, até mesmo esquecida.
Para aqueles que não são familiarizados, Onimusha (que pode ser traduzido livremente como “Guerreiro Oni”) é uma série de jogos de ação e aventura que se encaixa em um gênero narrativo peculiar: a ficção histórica. Isso significa que o jogo utiliza eventos e personagens reais para contar uma história totalmente fictícia, geralmente com elementos sobrenaturais. Outras franquias, como Metal Gear e Assassin’s Creed, também fazem amplo uso desse estilo narrativo.
Mas afinal, do que se trata Onimusha? Lançado originalmente em 25 de janeiro de 2001, o primeiro jogo da série deu início a uma trama que, ao longo dos anos, foi evoluindo com novas ambientações e protagonistas. A história gira em torno de guerreiros que utilizam o poder dos Oni (palavra que pode ser traduzida como demônio ou ogro) para enfrentar os Genma, criaturas demoníacas distintas dos Oni.
Com o recente anúncio de Onimusha: Way of the Sword, previsto para 2026, este é o momento perfeito para revisitar a franquia e relembrar cada um dos títulos principais, desconsiderando spin-offs (como o jogo de luta) e versões para celular e navegador.
Onimusha: Warlords (2001)

O ano de 2001 foi, sem dúvida, um dos mais marcantes na história dos videogames. Nesse período, tivemos o lançamento de títulos icônicos como Sonic Adventure 2, Max Payne, GTA 3, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty e Final Fantasy X, apenas para citar alguns. Ao longo do ano, diversos outros jogos foram sendo lançados e conquistando legiões de fãs. No Hall da Fama da Famitsu, um título estreante se destacou: Onimusha, que recebeu 35 de 40 pontos na avaliação da revista.
Ambientado durante o período Sengoku, o jogo acompanha a jornada do samurai Samanosuke Akechi, que luta contra as forças de Nobunaga Oda, um Daimyo — título dado a grandes senhores feudais do Japão. Durante uma batalha, Nobunaga é morto em combate, e Samanosuke parte em uma missão para resgatar a princesa Yuki, que foi sequestrada por misteriosas criaturas chamadas Genma. Curiosamente, os soldados de Nobunaga estão entre os atacantes, o que levanta suspeitas. Logo no início da história, é revelado que Nobunaga vendeu sua alma aos Genma em troca de ser ressuscitado e usar seu exército demoníaco para conquistar o Japão.
No entanto, Samanosuke percebe que os Genma são praticamente imortais, pois retornam dos mortos poucos instantes após serem derrotados. Para enfrentar essa ameaça, ele recebe dos Oni uma poderosa manopla capaz de absorver as almas dos Genma, tornando-se, assim, capaz de lutar contra eles e prosseguir em sua missão de salvar a princesa Yuki.
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Em termos de jogabilidade, Onimusha bebe bastante da fonte de Resident Evil, utilizando câmeras fixas, resolução de puzzles e até mesmo os famosos tank controls. No entanto, ao contrário de Resident Evil, que prioriza o terror e a sensação de sobrevivência, Onimusha abraça completamente o gênero de ação, proporcionando um combate rápido e dinâmico (para os padrões da época), com Samanosuke utilizando diversas armas brancas para enfrentar os Genma.
O sucesso de Onimusha foi estrondoso, tornando-se o primeiro título de PlayStation 2 a vender 1 milhão de unidades. O jogo foi amplamente elogiado pela crítica e conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo. Em 2002, uma versão aprimorada chamada Genma Onimusha foi lançada para Xbox. Posteriormente, em janeiro de 2019, Onimusha recebeu uma versão remasterizada para Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC, permitindo que uma nova geração de jogadores tivesse acesso a esse clássico diretamente em suas plataformas favoritas.
Onimusha 2: Samurai’s Destiny (2002)

Em 7 de março de 2002, pouco mais de um ano após o lançamento do primeiro título, Onimusha 2 chegou ao mercado japonês. Desta vez, o protagonista é Jubei Yagyu, uma figura histórica amplamente presente em diversos romances do Japão feudal. A história do jogo gira em torno de uma jornada de vingança, na qual Jubei enfrenta um exército demoníaco liderado por Nobunaga Oda, responsável pelo massacre de seu clã no passado. Durante sua jornada, Jubei descobre sua herança Oni, um poder místico que lhe permite exterminar os Genma, dando-lhe uma chance real de concluir sua missão.
Embora Onimusha 2 mantenha muitos dos elementos do jogo original, incluindo os famosos tank controls e a forte influência de Resident Evil com seus puzzles, ele trouxe algumas inovações. Uma das principais novidades foi a introdução de múltiplos personagens jogáveis, além de Jubei, que podem ser controlados em determinados momentos da história. As ações do jogador ao longo da campanha determinam quais desses personagens irão, de fato, ajudá-lo em sua jornada.
Para aprimorar o combate e reduzir o “esmaga-botão” do primeiro jogo, Onimusha 2 introduziu a mecânica dos ataques “Issen”, que permitem eliminar qualquer inimigo com um único golpe, desde que o jogador aperte o botão no momento exato. Além disso, em determinadas situações, é possível executar múltiplos ataques Issen em sequência, especialmente quando cercado por inimigos. Diferente de Devil May Cry, outra franquia da Capcom que ganhava força na época, Onimusha manteve um combate mais lento e estratégico, focado em timing e contra-ataques.
Outra grande novidade foi o sistema de transformação em Onimusha, um estado especial que lembra o Devil Trigger de Devil May Cry ou o Rage of Sparta de God of War. Durante essa transformação, Jubei se torna invencível e seus ataques ficam extremamente poderosos. No entanto, essa habilidade só pode ser ativada quando ele absorve uma rara Orbe Roxa, o que adiciona um elemento estratégico ao seu uso.
No Japão, Onimusha 2 foi um enorme sucesso comercial, tornando-se o terceiro jogo mais vendido do ano. Ele também recebeu excelentes avaliações da crítica, conquistando 36 de 40 pontos na Famitsu e vendendo 1,9 milhão de unidades em todo o mundo.
Recentemente, a Capcom anunciou um Remaster de Onimusha 2 para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One, com lançamento previsto para 2025, preparando o terreno para a chegada de Onimusha: Way of the Sword.
Onimusha 3: Demon Siege (2004)

Onimusha 3 trouxe mudanças significativas para a franquia. Como as vendas de Onimusha 2 haviam sido relativamente baixas na Europa, a Capcom decidiu expandir o apelo da série para o público ocidental. Para isso, além de trazer de volta Samanosuke Akechi, protagonista do primeiro jogo, a empresa introduziu um novo personagem não japonês, algo inédito na franquia.
A história do jogo apresenta Samanosuke, que segue em sua jornada para destruir seu maior inimigo, Nobunaga Oda, enquanto enfrenta os Genma. No entanto, de forma misteriosa, ele é transportado no tempo e espaço, trocando de lugar com Jacques Blanc, um francês do século XXI que, por razões desconhecidas, também possui a capacidade de exterminar os Genma. Dessa forma, ambos devem se adaptar aos seus novos ambientes – passado e futuro – enquanto enfrentam o exército demoníaco que ameaça suas respectivas eras.
Uma das principais inovações de Onimusha 3 foi a transição para cenários renderizados em tempo real, abandonando os backgrounds pré-renderizados dos jogos anteriores. Apesar de manter a câmera fixa, o jogo eliminou os tank controls, trazendo uma jogabilidade mais fluida e moderna. Além disso, a mecânica alternava constantemente entre os protagonistas: enquanto Samanosuke explorava a França do futuro, Jacques lutava no Japão feudal. Ambos utilizavam manoplas Oni para enfrentar seus inimigos, podiam receber armas elementais e ativar o poderoso modo Onimusha, introduzido no segundo jogo.
Uma mecânica especialmente interessante era a capacidade de alterar o futuro através de ações no passado. Por exemplo, se Samanosuke encontrasse uma porta trancada no futuro, Jacques poderia resolver um enigma no passado para destrancá-la. No entanto, ações no futuro não afetavam o passado, o que limitava a interatividade, mas ainda assim era um conceito inovador. Uma mecânica semelhante viria a ser utilizada anos depois em Resident Evil: Revelations 2, na campanha de Claire e Barry.
Outro elemento notável foi a introdução de Ako, uma personagem que facilitava a troca de itens entre Jacques e Samanosuke. O motivo dessa habilidade? Bem, deixarei para que o jogador descubra enquanto explora a história.
Onimusha 3 foi altamente elogiado pela crítica, recebendo notas altíssimas, além de vender 1,8 milhão de unidades mundialmente.
Onimusha: Dawn of Dreams (2006)

Em 2006, foi lançado Onimusha: Dawn of Dreams, o quarto título da franquia. Diferente dos jogos anteriores, que formavam a chamada “trilogia Nobunaga”, este título se passava décadas após os eventos de Onimusha 3, trazendo uma nova ameaça ao Japão. Embora Samanosuke e Jacques tenham conseguido exterminar Nobunaga Oda, seu general mais leal, Hideyoshi Toyotomi, tomou seu lugar e unificou o país utilizando um exército de Genma – algo que nem o próprio Nobunaga havia conseguido. Assim, o novo protagonista, Soki, embarca em uma jornada para derrotar Toyotomi, unindo-se a diversos aliados para atingir esse objetivo.
Com Dawn of Dreams, a franquia passou por grandes mudanças na jogabilidade. O sistema de combate foi aprimorado, trazendo mais variedade de ataques e combos, além de funcionar em um esquema de fases, algo inédito na série. Agora, o jogador poderia revisitar fases concluídas para desbloquear novas habilidades. Pela primeira vez, Onimusha também permitia o controle da câmera, abandonando de vez as câmeras fixas dos jogos anteriores. Além disso, Soki contava com companheiros controlados por IA, que lutavam ao seu lado e podiam obedecer ordens, tornando o combate mais dinâmico.
O jogo surgiu, em parte, por pressão dos fãs, que desejavam mais títulos da franquia após o encerramento da história de Nobunaga. Assim, Dawn of Dreams atuou como uma espécie de soft reboot, apresentando uma nova história, protagonista e mecânicas reformuladas. Na época, algumas comparações foram feitas com Resident Evil 4, que também mudava drasticamente em relação aos seus antecessores. Sobre isso, Keiji Inafune, produtor da série, comentou que Resident Evil estava se reinventando como um jogo de ação, enquanto Onimusha apenas refinava esse aspecto.
Apesar de ser altamente elogiado pela crítica, Onimusha: Dawn of Dreams vendeu muito menos que seu antecessor, com aproximadamente 325 mil cópias registradas até hoje. O desempenho comercial abaixo do esperado levou a Capcom a perder o interesse na franquia, resultando em um hiato de 20 anos até o anúncio de Onimusha: Way of the Sword.
Onimusha: Way of the Sword (2026)

Anunciado em 13 de dezembro de 2024, a franquia Onimusha foi oficialmente revivida pela Capcom com um trailer cinematográfico, embora sem revelar muitos detalhes para os fãs. Após isso, o jogo permaneceu envolto em mistério por dois meses, até que, em 4 de fevereiro de 2025, durante a Capcom Showcase, novas informações finalmente foram divulgadas.
No evento, a Capcom confirmou que Onimusha passará por uma reformulação completa, visando se adequar aos padrões dos jogos modernos e oferecendo um sistema de combate dinâmico e refinado. O foco da equipe está na fluidez dos golpes de espada, no uso estratégico da Manopla Oni, além de construção profunda de personagens, inimigos imponentes e visuais impressionantes. A ambientação também será um dos destaques, com Quioto como o cenário principal.
Assim como em Onimusha 2, a Capcom decidiu apostar novamente em um protagonista histórico. Dessa vez, o escolhido foi Miyamoto Musashi, uma das maiores lendas samurais do Japão feudal, famoso por sua habilidade em batalha e por derrotar inúmeros adversários sem dificuldades. Em Onimusha: Way of the Sword, Musashi se verá envolvido no conflito entre os Genma e a Manopla Oni, e precisará dominar esse poder para sobreviver e salvar Quioto das ameaças sobrenaturais.
Onimusha: Way of the Sword tem lançamento previsto para 2026, embora ainda sem uma data específica confirmada.






