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Análise | Outlast 2

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Outlast 2 é o survival horror em primeira pessoa desenvolvido pela Red Barrels e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment que chegou nesta terça-feira (25) para PS4, Xbox One e PC. Com a promessa de ser um dos maiores títulos do gênero de 2017, será que o jogo conseguiu se elevar acima do hype?

Enredo

Em Outlast 2 o jogador assume o papel de Blake Langermann, um cinegrafista que juntamente com sua esposa, Lynn, vão para o deserto de Sonora investigar o assassinato de uma jovem conhecida como Jane Doe. Durante o trajeto, sofrem um acidente de helicóptero e o casal é separado. Blake encontra uma pequena cidade chamada Temple Gate, lar de um culto religioso extremista liderado por Knoth. Em meio à essa insanidade, Blake descobre que sua esposa foi raptada por Val, líder de um outro culto que está em conflito com o de Knoth.

A temática é ousada e é terreno muito fértil para um jogo de terror. É sem dúvida um alívio bem-vindo para série, retirando o jogador dos ambientes claustrofóbicos do hospital psiquiátrico. Mas, infelizmente, grande parte do potencial narrativo foi perdido. A história simplesmente não convence: é confusa e mal explorada. E para variar, os desenvolvedores tomaram o caminho preguiçoso de expor elementos fundamentais para o entendimento da narrativa em colecionáveis, o que entra em conflito com a jogabilidade do título. Além disso, alguns pontos do roteiro não são aceitáveis nem em jogos que requerem grande suspensão de descrença.

O final do jogo é pouco compreensível e manteve a qualidade fraca do enredo no geral. A história acaba sendo suficiente para comportar o jogo, mas passa longe de ser brilhante. Ao invés de surpreender o jogador com uma narrativa intrincada e bem elaborada se utilizando de elementos de world building para expor de forma intrínseca o passado do universo em que se desenvolve, Outlast 2 opta por tentar chocar com violência e brutalidade, o que enfraquece muito o título.

Jogabilidade

A sequência reciclou algumas mecânicas de seu antecessor: o jogador não possui armas ou formas de se defender e depende fortemente de utilizar elementos do cenário para se esconder dos inimigos. Lamentavelmente, Outlast 2 não agrega nada à essas mecânicas já conhecidas de seu público e as combina com elementos de level design que na verdade as estragam. Todos os atos são criados de maneira extremamente linear e não existem rotas alternativas ou maneiras diversas de se contornar um problema. Você deve seguir o scprit do jogo ou morrerá. Isso resulta em intermináveis sequências de fuga onde o jogador precisa morrer várias vezes até encontrar o caminho exato que os desenvolvedores querem que ele siga. A fórmula pode funcionar em jogos como Limbo ou Inside mas não aqui. As várias mortes e a repetição de longos trechos do jogo destroem a imersão e o pavor e tornam esses momentos (que são vários, principalmente na segunda metade do jogo) em partes maçantes e frustrantes. Sem falar que em um jogo construído em volta da tentativa e erro, esperava-se que os checkpoints fossem mais bem escolhidos, já que eles muitas vezes fazem com que você precise assistir as mesmas animações repetidas vezes, o que se torna muito chato muito rapidamente. Soma-se a isso o extremamente frustrante mecanismo de stamina que em alguns momentos parece que funciona mais no sentido de contribuir com os fatores negativos da jogabilidade do que com o realismo no título, ao tornar as cenas de perseguição em momentos ainda mais frustrantes.

Outro aspecto importantíssimo da jogabilidade é o fato de Blake usar uma câmera para gravar momentos importantes. A câmera também possui duas funções: visão noturna, que é extremamente útil e em alguns momentos é essencial; e microfone, que permite que você detecte inimigos através de paredes, por exemplo. Essa função, apesar de útil, acaba ficando em segundo plano. Apesar da conveniência daquela pequena cidade no meio do deserto possuir as mesmas baterias que a câmera de Blake precisa, e o fato de que essas mesmas baterias duram no máximo cinco minutos, a câmera é um elemento bem interessante do título, assim como foi com seu antecessor. É claro que a curtíssima duração da bateria está relacionada com questões de balanceamento de dificuldade, mas esse acaba sendo mais um na lista de itens que reduz a consistência interna do jogo. E também é mais um elemento que contraria a ideia de jogabilidade linear implementada pois achar as baterias da câmera implica em exploração e o jogo não parece incentivar isso com esse tipo de escolha.

Vale ressaltar que a linearidade cria inconsistências na mecânica do jogo. Algumas pequenas podem ser escaladas, outras não. Só podem ser escaladas aquelas que estiverem programadas de tal forma a permitir o caminho do jogador por onde os desenvolvedores planejaram. Em alguns casos, isso chega a ser extremo. Por exemplo, existem vários elementos no mapa como troncos e pedras que o jogador não consegue atravessar simplesmente porque não fazem parte da rota certa. Isso poderia sim passar desapercebido por muita gente, mas dada a ênfase do título em arcos de perseguição e nos problemas já mencionados, só serve para frustrar o jogador.

Infelizmente esse flerte constante com o frustrante acaba retirando o jogador da imersão que outros elementos conseguem criar tão bem e estragando o ritmo do jogo.

Gráficos

Outlast 2 é um jogo lindo. A Red Barrels, apesar de usar um motor gráfico antigo, conseguiu extrair dele todo seu potencial. Iluminação e névoa volumétrica bem realizadas marcam presença durante todo o jogo. Esses itens combinados são de extrema importância para a criação da atmosfera do jogo.

O pós-processamento também ganha destaque, principalmente com o uso da câmera. A escuridão artificial criada nos coloca em uma posição de desconforto e replica o momento emocional do personagem no jogador. Fator importantíssimo da atmosfera que cria a imersão. A câmera, quando usada, replica na tela o efeito de ruído estático, principalmente com a visão noturna ativada, além de se aproveitar do uso do efeito aberração cromática nos cantos da visão. Esse efeito cria uma espécie de redução de nitidez na imagem, mas de forma diferente do que encontramos com o desfoque gaussiano convencional. Assim, o jogo cria padrões visuais diferentes para quando o jogador usa a câmera e quando opta por não usá-la, o que basicamente implica em um feedback visual simples mas eficaz, que aumenta o realismo no título.

Texturas de baixa definição aparecem aqui e ali mas nada absurdo como em Resident Evil 7. Detalhes como utilização de dynamic clothing e reflexos bem trabalhos na água criam momentos marcantes no título. A maior decepção visual do jogo está em um dos seus elementos visuais mais importantes: o sangue. Nem as animações pouco polidas dos NPCs conseguem ser piores que isso. O sangue em vários momentos é pouco realista e tende para o feio. Como o jogo está o tempo todo trabalhando uma atmosfera de terror baseada na violência e no nojento, mais atenção à esse detalhe teria sido muito positivo para a consistência do próprio projeto.

Sonoplastia

A sonoplastia em Outlast 2 segue o padrão elevado dos gráficos e em alguns momentos até o supera. Com músicas que variam de percussões intensas em momentos de perseguição até músicas calmas mas extremamente tensas e de parar o coração, a trilha sonora do título merece destaque. A produção sonora amadureceu muito elementos que já se encontravam no antecessor do título. Com a utilização mais abrangente de algumas técnicas desenvolvidas pelo estúdio – como aqueles sons que parecem gritos que na verdade são gravados raspando um arco de violino em um prato de bateria – a atmosfera do jogo foi muito beneficiada com momentos de tensão absoluta que conseguem ser criados somente com campo auditivo. Essa variedade permite que o momento emocional do enredo seja amplificado e estendido até o jogador de maneira excelente.

Os efeitos sonoros costumam oferecer feedback auditivo suficiente em momentos de calmaria, mas em cenas de maior adrenalina muitas vezes são ofuscados pela trilha sonora. Como o jogo se passa em um ambiente praticamente bucólico, a adição de camadas de som adicionais no campo dos efeitos sonoros de ambiente poderia contribuir ainda mais com a imersão.

As dublagens são mistas: enquanto algumas são bem fracas, como as dos NPCs secundários cujo único propósito é te seguir e te matar, algumas outras são boas, como a de Knoth. Mas provavelmente o mais irritante a respeito delas é a pouca variedade nos diálogos que são colocados em loop e se tornam repetitivos rapidamente. Apesar de não possuir dublagem em português, o jogo conta com legendas para todas as falas principais.

Conclusão

No fim, Outlast 2 é uma mistura curiosa: possui coisas excelentes e muito ruins ao mesmo tempo. Infelizmente, a depreciação da jogabilidade e do ritmo do jogo não conseguem compensar a experiência que mesmo com belíssimos gráficos e com uma trilha sonora macabra, acaba sendo mais frustrante que divertida.

Publicado em 28 de abril de 2017 às 17:55h.
2017-04-28 17:55:27