Patapon certamente é uma das séries mais peculiares da Sony. Produzida pelo estúdio Pyramid e pela icônica Japan Studio, responsável por clássicos como Shadow of the Colossus, Gravity Rush e Astro’s Playroom, a série envolve pequenas bolinhas que andam conforme o ritmo do tambor, em uma mistura de estratégia, jogo musical e até alguns elementos de RPG.

Apesar de ser um game outrora exclusivo para PSP, recebendo até um port para o PS4, a nova versão dos primeiros Patapon é desenvolvida e publicada pela Bandai Namco, estando disponível não só para o PS5, mas também para PC e o Nintendo Switch. Então, confira conosco a análise de Patapon 1 + 2 Replay!
Uma aventura tribal está prestes a começar
Como dito, estes são 2 jogos que misturam ritmo e estratégia de uma forma bastante diferente do comum, e nelas acompanhamos a história dos Patapon, uma tribo de bichinhos tribais bastante fofos, que são obcecados por achar Earthend, um local mítico no qual um objeto sagrado repousa, e nesta aventura, tomamos o papel do Patapon mestre, um deus que comanda as criaturinhas através de um tambor(ou seja, seus controles).

Em jogabilidade, o título é relativamente simples. O jogo se passa em “fases”, e ao entrar em uma delas, um toque se mantém na tela, como se fosse um metrônomo, e os comandos são dados aos Patapons na forma de 4 toques. Por exemplo, ← ← ← → faz os bichinhos andarem para frente, → → ← → faz eles atacarem, entre mais comandos que são desbloqueados de forma gradual.
Dessa forma, é essencial saber a hora de usar cada comando, seja para avançar, lutar, defender ou até mesmo recuar dos inimigos, e grande parte da estratégia está aqui, dando respostas de acordo com a forma que os inimigos agem, e grande parte da gameplay consiste nisso.

Missões e jogabilidade muito diversas mesmo numa fórmula bem “regrada”
As expedições, por sinal, também têm sua diversidade necessária, com missões para caçar animais em troca de recursos, combater tribos rivais e até mesmo grandes lutas de chefes contra grandes feras e guerreiros, inclusive oferecendo a opção de rejogar algumas missões para obter mais materiais e enfrentar desafios com dificuldade maior, aumentando a vida útil.
Claro, não só nisso consistem os títulos, e o primeiro game da coleção já mostra muito de suas variedades, e com muitos “aspectos de RPG” dentro de um game que já mistura gêneros diferentes, com uma abordagem bastante original. Em meio às missões, nós acessamos um “hub” no qual os Patapons repousam, e lá temos acesso à diversas opções que melhoram e diversificam as formas como combatemos os inimigos.

Entre elas, temos a Árvore da Vida, que gera mais Patapons para a luta, com diferentes classes, como os Tatepon, que usam machados e escudos, os Yaripon, que atacam à distância com arcos e flechas, ou Kibapon, que montam em cavalos e avançam rapidamente contra as tropas inimigas, ideais para confrontar tropas inimigas.
Patapons de todos os tipos e estilos
Além disso, a própria Árvore também oferece os Rarepon, que são bichinhos coloridos que tem propriedades especiais e são mais fortes que os comuns, ao custo de materiais mais raros e mais ka-ching(o dinheiro do game), que podem ser obtidos rejogando missões ou com outros minigames que o jogo oferece conforme a progressão avança.

Por exemplo, resgatamos alguns Patapons que plantam, mineram rochas e até mesmo preparam comidas, e nesse contexto, oferecem pequenos minijogos, como citado, que também usam do ritmo para nos fornecer materiais como minérios, plantas e até mesmo o uso de sopas que dão um bônus para as tropas de Patapons.
Não obstante, Patapon também possui um sistema de equipamentos, como capacetes, escudos e as diferentes armas que cada classe usa, que também são obtidos como espólio dos oponentes ou nos minigames, e aí também temos itens com diferentes propriedades e efeitos, adicionando ainda mais uma camada de variedade e estratégia para o game.

Nem tudo é perfeito, e algumas coisas tropeçam no caminho
Mas e como funciona a execução de toda essa salada de conceitos? Para quem já está acostumado com jogos de ritmo e tem um raciocínio relativamente rápido, Patapon progride de forma simples e fluida, e é um jogo relativamente tranquilo de se pegar o jeito, já que o ritmo de batidas é praticamente fixo e é fácil de se acostumar e entrar na vibe do game naturalmente.
No entanto, é um pouco difícil de se acostumar especialmente em missões mais robustas como as de bosses ou de tomar fortalezas inimigas, já que seus oponentes não necessariamente são coordenados por ritmo como os Patapons, e é comum acontecer de ser atacado enquanto está “tocando o tambor” e fica à mercê dos inimigos, mas ainda assim, com o preparo correto, ainda é possível derrotar os inimigos com relativa facilidade.

A coleção, por sinal, oferece 3 opções de dificuldade, e a dificuldade “Fácil”, considerada a padrão, consiste em um desafio relativamente simples, e o timing das batidas é mais leniente, enquanto a “Normal” já é mais estrita, e evidencia um problema complicado nesse pacote, contendo um input lag considerável, o que é um dos problemas técnicos mais notáveis da coleção, infelizmente, embora possa ser corrigido em breve.
Patapon 2 não perde o embalo do primeiro game
Baseando-se nesse cerne, Patapon 2, a sequência do título original, que também está inclusa nesse pacote, replica todo o conteúdo de jogabilidade do primeiro game, mas claro, não se limita à isso, e contém ainda mais adições e diversificações para o game. E claro, assim como nos títulos do PSP, aqui há a possibilidade de transferir o save do primeiro título e manter seu ka-ching e seus materiais.

O sistema de criar Patapons e Rarepons foi completamente reformulado na sequência, e aqui, você cria o Patapon comum em todos os casos, e a partir do combatente comum, você pode evoluir para diferentes Rarepons em uma árvore de evolução, solucionando um problema do primeiro título, já que antes precisávamos escolher entre um ou outro, limitando as escolhas do jogador.
Além disso, cada guerreiro tem um nível, que podem ser upados ao custo de mais ka-ching e materiais, reforçando ainda mais a necessidade de grind para mais recursos.
Um grande herói entre as tropas
Um dos grandes diferenciais, porém, é o Heropon. E quem é ele? É um grande herói caído que lidera suas tropas, com ataques diferenciados e muito potentes, além do Heropon conter uma classe específica que pode ser mudada conforme mais itens são obtidos, que aparecem, além dos espólios comuns de tropas inimigas e animais de caça, também aparecem em uma nova modalidade de Patapon 2: os Paragates.
O Paragate é uma função que pode ser desbloqueada após derrotar algum chefe durante a campanha, que oferece a possibilidade de enfrentar novamente o boss, mas de outra forma. Ao invés das tropas comuns, você deve juntar o seu Heropon com outros 3 Heropons e entrar na batalha novamente, e esta, dessa vez, está repleta de seus próprios minigames de ritmo.

O Paragate, a nova mecânica de lutas da sequência, era no PSP completamente focada no multiplayer, já que os outros 3 Heropons que acompanhavam a batalha vinham de outros jogadores, mas essa funcionalidade se perdeu no remaster exceto pela versão de Nintendo Switch, e como estou no PC, aqui o jogo oferece Heropons fixos e pré-combinados que ajudam da mesma forma, mas perde um pouco da proximidade conectiva do multiplayer.
Uma coisa que não envelheceu tão bem, especialmente nas versões de PS5 e PC, é que o jogo acaba requerindo bastante farm de materiais e recursos, e a rejogabilidade de missões é quase um pré-requisito para progredir na história, o que faz sentido no PSP, e até mesmo no Switch, já que aborda uma proposta de rápida jogabilidade separada entre partidas de pouca duração, o que é ideal para um portátil, mas nos dispositivos “de mesa”, isso não é transferido da mesma forma, e acaba se tornando enfadonho perto do fim.

Narrativa que surpreende
Em história, os jogos são surpreendentemente bons. Eu realmente não esperava grande coisa de bichinhos monocromáticos em um jogo mais focado nos ritmos e uma jogabilidade simples, mas narrativamente, o jogo surpreende positivamente.
Claro, não diria que é revolucionária nem quebra de padrões, mas os Patapons são bem carismáticos e a história é repleta de reviravoltas e desenvolvimento, até mesmo nos Zigotons, a tribo que é inimiga mortal dos nossos protagonistas.

Além disso, o sacerdote Mesen e até mesmo os generais inimigos tem participação ativa na história, e claro o “Mestre Patapon”, vulgo o jogador, também age como um personagem integral na história, já que ele é o deus que lidera a tribo em busca de Earthend.
A sequência dá prosseguimento direto ao fim do primeiro game, e novamente, o desenvolvimento e participação dos personagens é simplesmente super carismático, mesmo que não seja 100% presente e aconteça apenas em eventos chave do título, mas claro, definitivamente é uma boa adição, e é executada de maneira que prende a atenção de quem joga.
Visual e sons absolutamente únicos e que superam o teste do tempo

Em visuais, os games deixam bem claro seu estilo em qualquer arte ou screenshot dos títulos, com um estilo monocromático que combina muito bem com os cenários em tons vibrantes e coloridos, e claro, além de charmoso, enfatiza bastante o contraste de cada elemento na tela, algo ideal para telas pequenas como o portátil no qual as obras nasceram, e isso ainda é algo bem único desse game, com um estilo que até hoje é único e altamente reconhecível para quem conhece o título.
O som, claro, deve ser um dos pontos altos de qualquer game com foco musical, e aqui, ele está em bom tom. Além dos efeitinhos especiais e das “falas” bastante carismáticas no melhor estilo The Sims, a música, mesmo repetitiva(afinal, são vários e vários confrontos e missões que vão ser jogados diversas vezes), ele ainda não enjoa, com uma batida bastante energizante e com melodias muito carismáticas.

Patapon 1 + 2 Replay é um pacote de nostalgia e de originalidade
No mais, essa coleção é realmente muito satisfatória, e representa mais uma vez que a Bandai, em parceria com a Sony, atualizaram, modernizaram e deixaram mais acessível mais um título “esquecido” pela Sony, tal qual como aconteceu em Freedom Wars, do PS Vita, e por mais que Patapon 1+2 Replay não seja perfeito, é sem dúvida uma bela adição para a biblioteca do PC e do Switch, com um clássico imemorável do PSP e da Japan Studio.

Por fim, Patapon 1+2 se mostra um grande título, e misturando os gêneros de ritmo e estratégia, revelou uma identidade bastante original e que segue irretocada até hoje, sendo um marco único dos games e que se segurou muito bem no “teste do tempo”, sendo um ótimo jogo até hoje, com ares fortes daqueles jogos indie dos mais carismáticos e atemporais.
O Review
Patapon 1+2 Replay
Patapon 1 + 2 Replay relembra e resgata um clássico esquecido do PSP e, mesmo mantendo a ideia sem muitos retoques, ainda é um pacote que vale a pena devido à originalidade, fluidez e diversão dos games, que certamente superaram muito bem o teste do tempo.
PRÓS
- Gameplay divertida e simplificada
- Opções altamente diversas de equipamentos e classes
- História é divertida e surpreendentemente desenvolvida
- Música é vibrante e viciante, que casa e engaja muito com a jogabilidade
- Visuais charmosos e super icônicos
CONTRAS
- Jogo não possui localização em português brasileiro
- Missões mais avançadas requerem muito grind
- Paragate não tem funções online no PS5 e no PC
- Input lag considerável em dificuldades mais robustas, devido ao timing mais exigente






