Desenvolvido pela Out of the Blue Games, Call of the Elder Gods chega no próximo dia 12 de maio com a proposta de entregar um mistério lovecraftiano cheio de puzzles e momentos alucinantes que vão fazer o jogador questionar o que é real ou não, duvidar de todos os personagens apresentados e, obviamente, temer o desconhecido.
Além disso, o jogo serve como uma sequência do primeiro jogo da desenvolvedora, Call of the Sea. Jogo esse que também apresentava elementos Lovecraftianos, mas que acabava pecando bastante na variedade de gameplay e puzzles por vezes pouco interessantes. Call of the Elder Gods vem para consertar alguns erros do Call of the Sea e entregar uma experiência declaradamente inspirada nos textos de H.P Lovecraft.
Estive jogando uma versão de preview de Call of the Elder Gods nos últimos dias, que conta com os 3 primeiros capítulo do game, o que me permitiu ter uma pequena ideia do que esperar para o jogo final em seu lançamento oficial.
Uma história Lovecraftiana

Para começar, preciso deixar claro que tenho opiniões mistas sobre o jogo anterior da desenvolvedora de Call of the Elder Gods, Call of the Sea. Quando lançado em 2020, confesso que acabei não gostando tanto dos puzzles simples e o loop de gameplay que pouco cativaram e que acabaram tirando o brilho de uma história até bem legal que estava se desenrolando, mas que também não era nada de tão marcante. Mesmo assim, era notável que Call of the Sea brilhava quando trazia suas referências Lovecraftianas ainda mais a tona, referenciando clássicos como O Chamado de Cthulhu e Nas Montanhas da Loucura. E é justamente esses mesmos elementos que brilham nestes primeiros três capítulos de Call of the Elder Gods.
Após uma série de sonhos lúcidos onde Evangeline se via encontrando um artefato alienígena antigo e um apagão de memória capaz de fazer com que ela esquecesse o que aconteceu com as pessoas que ama, o destino faz com que a nossa protagonista entre em uma jornada pelas ruínas de uma antiga civilização junto com um dos seus professores de pesquisa, o Doutor Harry Drayton.


A premissa inicial é simples e a forma como o horror cósmico vai sendo adicionado a trama é interessante: no prólogo, eu havia estranhado o excesso de cor e a direção de arte escolhida para fazer os momentos de sonhos de Evangeline, parecia tudo muito infantil e inofensivo, principalmente como o dinossauro que encontramos logo de cara nessa sequência. Ao sermos transportados para uma sessão de terapia do Harry, os elementos esquisitos começam a aparecer de verdade, com personagens de intenções questionáveis e gosmas extraterrestres aparecendo.
Quanto mais avançava, mais elementos estranhos eram apresentados, coisas como grandes áreas com arquiteturas alienígenas submersas e ainda mais gosmas pretas aparecendo do nada durante as cutscenes. A história em si conseguia se desprender do seu início o tanto quanto desinteressante, tudo graças ao uso bem esperto de uma narradora que fala diretamente com o jogador, brincando e gerando dúvidas sobre os eventos apresentados até o fim do capítulo 3.
Durante esses três primeiros capítulos, o prologo acaba se destacando negativamente por não apresentar direito a vibe do jogo e por ser esteticamente muito pobre. Quanto mais progredia, mais interessante a história ia ficando, porém… a gameplay ia respectivamente decaindo em qualidade.
Gameplay

Fiquei surpreso ao começar Call of the Elder Gods e ser questionado se já havia jogado Call of the Sea, já que apesar desses três capítulos que tive acesso não tenham nada ligado a Call of the sea, sinto que talvez a relação desses dois jogos se tornam bem maiores no decorrer da história. Por enquanto, pude notar que as únicas relações estão na estrutura de cada capítulo: Você anda por pequenos espaços exploráveis, resolve puzzles e desvenda novos pedaços desse imenso quebra-cabeça.
Não sei quantos capítulos Call of the Elder Gods terá em sua versão final, mas essa estrutura já estava começando a mostrar um pouco de cansaço, especialmente quando notamos que todos os levels são estruturados para, no máximo, 3 puzzles por mapa, afetando diretamente a imersão. O uso excessivo de paredes invisíveis também já estava começando a ser um problema, pois limita ainda mais uma gameplay que já é limitada, condicionando o jogador a apenas resolver os puzzles e seguir em linha reta.

Pelo lado bom, os puzzles presentes nesses primeiros capítulos são bem bons. Especialmente o que envolve limpar galões de águas dessa gosma alienígena misteriosa, fazendo o jogador ter que raciocinar e montar a melhor estratégia para fazer a mudança de água.
O que esperar de Call of the Elder Gods?
Pelo o que pude jogar, Call of the Elder Gods promete ser um bom jogo para limpar o paladar de grandes lançamentos, com uma história intrigante e cheia de referências aos clássicos de H.P Lovecraft e puzzles bem feitos. Porém, me preocupa um pouco a falta de variedade entre as missões e a enorme quantidade de puzzles, que por vezes podem ferir diretamente a imersão no mistério que deveríamos resolver e na qualidade da conclusão dessa história.
Baseado na minha experiência com os 3 primeiro capítulos de Call of the Elder Gods, diria que é um game que vale a pena ficar de olho, apesar dos deslizes abordados nesse preview. A recomendação é reforçada principalmente para os amantes das obras de Lovecraft, principalmente pelo desenvolvimento de sua história, que mostrou ter um grande potencial nos 3 capítulos iniciais.
Agradecemos a Kwalee e a Masamune pelo acesso antecipado aos 3 primeiros capítlos de Call of the Elde Gods






