A ressurgência do gênero survival horror vem trazendo bons frutos para o mundo dos games, e embora não pareça, 2026 está cheio de joias raras prontas para serem descobertas. Além dos grandes Resident Evil Requiem e Fatal Frame II Remake, os jogos independentes também tem sua parcela de esforço nesse aspecto, e a Blumhouse Games, derivada da grande produtora de filmes de terror Blumhouse Productions, apresenta Crisol: Theater of Idols, uma das grandes apostas no gênero, mesmo com orçamento longe dos grandes AAA.

Com lançamento revelado para 10 de Fevereiro nas plataformas Xbox Series, PS5 e PC, Crisol: Theater of Idols promete misturar o gameplay frenético de um bom FPS com uma pegada de terror altamente autoral e cheia de temáticas perturbadoras e incômodas, e é nesse contexto que fomos gentilmente convidados pela debutante Vermila Studios a jogar uma prévia do título, e aqui você confere todas as nossas impressões do game, mas já adianto que é difícil ele não chamar a sua atenção.
Uma proposta diferente para o gênero survivor horror em primeira pessoa
Antes de tudo, é bom deixar claro que jogos de survival horror com perspectiva em primeira pessoa não são novidade, e títulos que vão desde Resident Evil 7 até Amnesia: The Dark Descent provam isso, mas em Crisol, a pegada é um pouco diferente, pois a tensão aqui não é traduzida diretamente no ritmo lento, cadenciado e sutil que é comum ver no gênero, e sim uma gameplay altamente focada no tiroteio, mas que não deixa a peteca cair no quesito terror.

Se jogos de terror buscam deixar o jogador tenso na calmaria e no silêncio, Crisol grita, e muito. Nos momentos de combate, o jogo brilha em lhe deixar apreensivo, com inimigos sedentos por sangue que não largam mão do jogador, além de um perseguidor no melhor estilo Nemesis e armadilhas espalhadas pelo cenário que farão de tudo pra te derrotar, e é tudo isso que me deixou muito aflito nessa 1 hora de jogatina, o que é um fator muito bem-vindo para o gênero.
Outro aspecto bastante diferente de Crisol é a forma como ele balanceia a munição do jogador com a saúde. Em jogos do tipo, é comum que geralmente se acumulem curas ou balas, e isso tende a deixar a sobrevivência um pouco mais fácil, mas aqui, uma coisa está inteiramente ligada a outra, afinal, suas armas utilizam sangue como projéteis, e a cada recarga do pente, é a sua barra de vida que vai diminuir.


Tensão completa em Crisol: Theater of Idols
Essa dinâmica, embora ainda não vista em sua totalidade, deixou a dinâmica bem interessante, pois a tensão nunca saiu do jogo: a cada tiro perdido, é como se uma parte da sua vida se fosse, e a cada golpe levado, menos balas estarão a sua disposição, então tudo deve ser milimetricamente calculado, ou suas chances de sobrevivência serão cada vez menores.
Apesar de falar muito da gameplay, caso tenha visto as screenshots, outra coisa fica muito clara aos jogadores: a atmosfera e temática de Crisol são diferentes de tudo já visto. O estúdio espanhol usou e abusou da estética e simbolismos do Catolicismo, e se você conhece Blasphemous, sabe como essas duas coisas combinam muito bem(embora a Vermila tenha nos garantido em conversa que não houve inspiração direta no famoso metroidvania), e a pegada religiosa aumenta ainda mais o clima de terror e aflição.


Como jogamos uma parte bastante adiantada do game, não pudemos ter algo maior do que um relance em relação a narrativa, mas se ela for do mesmo nível que os outros aspectos avaliados, estamos muito bem! E não há o que se preocupar com a barreira de linguagem, afinal, além de oferecer opções de voz no idioma espanhol e inglês, todos os textos serão inteiramente localizados em português brasileiro.
Desafiador, mas sem esquecer da acessibilidade
Vale dizer, e como vocês podem esperar, Crisol é desafiador. Mesmo “me virando” em jogar FPS no mouse e teclado(caso prefira, o jogo tem 100% de suporte a joystick, mesmo no PC), eu morri uma boa parcela de vezes, pois os inimigos não lhe dão folga alguma, e além do gatilho rápido, é bom saber se localizar, movimentar, e saber a hora de recarregar e trocar de arma. Mas se for muito pra você, a Vermila garantiu que teremos níveis de dificuldade fáceis e difíceis, além da opção de customizar completamente diferentes aspectos da dificuldade, ao gosto do jogador.

O que mais me deixou curioso em Crisol: Theater of Idols, é se o game terá capacidade de manter o ritmo do terror e esse aspecto de opressão do início ao fim, e definitivamente já estou aguardando ansiosamente pelo lançamento do título em sua forma completa no dia 10 de Fevereiro, e ao que tudo indica, esse será um grande mês para os fãs de survival horrors de grande e baixo orçamento.






