A IO Interactive assumir a franquia 007 no mundo dos games era algo sonhado pelos fãs do agente desde o lançamento de Hitman (2016), já que a desenvolvedora parecia entender como ninguém como fazer um bom game de espionagem graças ao seu trabalho fenomenal na nova fase do Agente 47, o que rendeu uma trilogia que até hoje é considerada como um dos ápices do gênero.
Para a felicidade dos fãs, a IO anunciou em 2020 que havia adquirido os direitos da franquia para os videogames, anunciado o Project 007, que anos mais tarde seria anunciado formalmente como 007 First Light. A proposta era simples: trazer um novo James Bond para o mundo dos games, utilizando toda a experiência adquirida com a trilogia Hitman para criar o jogo definitivo do agente, explorando lados do personagem que Hollywood deixou passar batido por décadas.
6 anos depois, finalmente temos o lançamento de 007 First Light, um game que chega com a responsabilidade de iniciar uma nova era da franquia nos games e apresentar o personagem criado por Ian Fleming para uma nova geração de fãs. Como um grande fã da obra de Ian Fleming e principalmente dos filmes de Pierce Brosnan como James Bond, a ideia de trazer uma versão totalmente nova e moderna do personagem para os games era algo que chamava e muito minha atenção, apesar de me deixar um pouco com o pé atrás em relação a como seria a personalidade do Bond de Patrick Gibson.
Tive a oportunidade de jogar o game em antecipado durante os últimos dias, e após finalmente ter tido as respostas para todas as duvidas que pairavam as mentes dos fãs nos últimos meses, chegou a hora de compartilhar as minhas impressões sobre esse primeiro capítulo de uma nova era de James Bond nos games!
007 First Light é um tiro certeiro para o futuro de James Bond nos videogames

007 First Light nos introduz a uma nova era da espionagem, onde os espiões não são mais necessários graças aos avanços da inteligência artificial para uso militar e de agências de inteligência. É nesse ambiente “hostil” a espionagem que a IO Interactive nos apresenta a sua versão de James Bond, um jovem cadete da marinha britânica interpretado por Patrick Gibson.
Pela primeira vez na franquia veremos James Bond antes de se juntar ao MI6, com o personagem nos sendo apresentado apenas como um soldado em um helicóptero da marinha, indo rumo a uma base britânica para dar continuidade ao seu treinamento. O que nenhum soldado naquele helicóptero esperava, no entanto, era que a base havia sido tomada por um grupo terrorista, que explodiu o helicóptero em pleno ar, com Bond sendo o único sobrevivente.
Com o MI6 tomando as rédeas da situação, o jovem Bond se torna os olhos da agência de inteligência em campo, resgatando os reféns e chamando a atenção de M, que resolveu convidar Bond para participar do treinamento para o novo programa de agentes 00, que estava sendo reativado anos após ter sido descontinuado.

007 First Light traz um pedaço da história que nunca foi abordado por Hollywood, e honestamente, nem mesmo pelos romances de Ian Fleming, que citavam brevemente as origens do personagem e sua admissão no MI6, sendo uma folha em branco que a IO Interactive aproveitou para preencher. Aqui acompanharemos a jornada de Bond indo desde o seu treinamento junto a outros 6 recrutas até alcançar o tão sonhado status de agente 00, em um mundo que simplesmente não necessita mais dos 00 graças a implementação da IA THEIA, que serve como um grande cérebro alá Minority Report, que tem mantido o Reino Unido seguro de ataques terroristas na última década.
Mas é claro que a trajetória não seria nada fácil, principalmente após 009, um antigo agente renegado da MI6, retornar depois de anos escondido, colocando Bond no centro de uma nova conspiração que promete mudar para sempre o destino do MI6 e toda a segurança do Reino Unido.
Name is Bond, James Bond

Umas das grandes preocupações que eu e boa parte dos fãs possuíamos com o James Bond da IO Interactive seria a forma que a desenvolvedora traria o personagem para a era moderna, algo que foi extremamente debatido pelos desenvolvedores em entrevistas. Felizmente, essas preocupações de que poderiam alterar demais as características de Bond sumiram logo nas primeiras horas de gameplay.
Bond continua sendo o charmoso, piadista e womanizer de sempre, sendo uma mistura perfeita de tudo o que vimos do personagem nos cinemas com sua personalidade nos romances de Ian Fleming. Ao invés de um Bond inabalável e que exala aquela aura de “o escolhido da rainha”, aqui temos um Bond muito mais pé no chão, que comete erros esperados de um principiante ao ser levado pelas suas emoções ou pelo seu ego, algo que os fãs mais puristas sentiam falta nas adaptações de Hollywood.
Ouso dizer que a IO Interactive conseguiu encontrar o equilíbrio perfeito para o personagem, fundindo de maneira perfeita as várias facetas do personagem ao longo do anos em um só pacote, algo que a MGM tem batido a cabeça para conseguir nos últimos 60 anos sem sucesso.
Mas é claro, uma boa adaptação de 007 não se faz só com um bom James Bond, e a IO Interactive sabia muito bem disso. O roteiro segue de forma quase impecável do início ao fim, repleto de personagens carismáticos e com seus próprios objetivos bem definidos no roteiro, que ajudam Bond a avançar a história ao mesmo tempo que vão ganhando a confiança (ou ódio mortal) do jogador.

Não é exagero nenhum dizer que a IO Interactive realmente entende o personagem e o universo criado por Ian Fleming como ninguém, trazendo um novo James Bond que esbanja carisma a cada minuto em tela, rodeado com personagens de suportes igualmente bem escritos como Moneypenny, Q, M e alguns dos vilões que com certeza entrarão no top de melhores vilões de toda a franquia de muitos fãs por aí.
Como um fã que cresceu assistindo filmes de 007 e que até teve um certo contato com o material original, é realmente MUITO difícil não colocar o James Bond de Patrick Gibson como umas das melhores versões de personagens, se tornando o meu favorito ao rolar dos créditos (desculpa Brosnan).
007 First Light infelizmente não conta com dublagem em português, mas o trabalho de localização para menus e legendas é extremamente satisfatório, com uma boa localização para os termos e principalmente para as piadas de Bond, que são típicas do humor britânico e extremamente difíceis de serem adaptadas para o português
Uma nova era da espionagem
Um bom jogo de 007 não se faz apenas com uma boa história, e felizmente, a IO Interactive colocou em prática todos os anos de experiência com a franquia Hitman para desenvolver o MELHOR gameplay de toda a franquia 007. Esqueça os jogos de 007 em que apenas andamos para a frente, atiramos, eventualmente usamos algum gadget, repita o ciclo.

O loop de gameplay de 007 First Light é dividido em duas experiências distintas que irão se intercalar durante as missões, que agrada com MUITO sucesso tanto quem procura apenas um bom jogo de ação com muito tiroteio como quem procura um jogo nos moldes de Hitman, intercalando entre seções de espionagem pura com muitas explosões e a bala comendo solta.
Primeiramente precisamos falar sobre as seções de espionagem, que é onde a IO Interactive de fato brilha ao apresentar um level design extremamente rico, que com certeza vai colocar um sorriso que pode ser visto até de costas em cada fã de James Bond.
Boa parte dessas missões de infiltração funcionarão da seguinte forma: o game te colocará em um local extremamente aberto e repleto de NPCs vivendo suas vidas, e te dará o objetivo de chegar ao local X. Como você irá fazer isso? Bem, você é o espião, essa parte é com você!

007 First Light herda alguns dos sistemas de disfarce de Hitman, mas ao invés de Bond trocar de roupa e tentar se passar por membros da equipe ou outros funcionários, o agente da MI6 terá que usar todo o seu charme e PRINCIPALMENTE seus gadgets para alcançar seus objetivos. Encontrou uma barreira de segurança que está exigindo uma credencial ou um convite para entrar? Explore o local e procure por oportunidades para conseguir um convite, ou uma credencial de imprensa, ouça conversas entre a segurança e decida qual a melhor (ou mais fácil) abordagem. Ou apenas cegue os seguranças com o laser de seu relógio e passe de fininho.
Todas as seções de infiltração escondem uma série de maneiras diferentes para resolver a mesma situação, permitindo que o jogador expresse sua criatividade e de fato se sinta como um espião da MI6, seja blefando para sair de uma enrascada, criando distrações para atrair guardas no meio do caminho ou utilizando suas lentes Q para roubar em um jogo de copos.


Mas é claro que utilizar do charme de Bond só irá leva-lo até um certo ponto, e eventualmente algumas explosões serão necessárias. É nesse momento que a IO Interactive me surpreendeu de maneira extremamente positiva ao entregar um dos sistemas de combate mais dinâmicos e completos que eu já vi em um jogo de ação com 007 First Light.
Tendo a sua disposição um arsenal que vai desde pistolas, metralhadoras e rifles de assalto até snipers de longe distância e precisão, 007 First Light brinca muito bem com o fato de que apesar de Bond ter licença para matar, botar uma bala na cabeça de seus inimigos é completamente desnecessário, chegando ao ponto de ser simplesmente impossível de sacar uma arma sem que os inimigos não tenham demonstrado intenção de matar primeiro, já que, como dito anteriormente, Bond ainda não possui o status de 00, podendo matar apenas em legítima defesa.
Para isso, 007 First Light traz um sistema de combate extremamente focado em desarmar seus inimigos sempre que possível, trazendo diversas opções para abates não letais. Podemos arremessar objetos, sair correndo e dar um empurrão em um inimigo e finalizá-lo com sua própria arma após desarma-lo, atirar em suas mãos para que o mesmo derrube sua arma, atirar em suas pernas e finalizá-lo de forma não letal ou até mesmo simplesmente arremessar nossa arma equipada no inimigo em casos que estejamos com pouca munição no pente.


Tudo isso funciona em perfeita sincronia com nossos gadgets, que também podem ser utilizados durante os combates, trazendo um leque quase infinito de possibilidades para que o jogador explore a melhor forma de avançar por um lcal repleto de inimigos armados até os dentes.
Para aproveitar todo esse sistema de combate rico, 007 First Light também traz o Simulador Tático, um modo de jogo que reutiliza os mapas da campanha para criar novas situações de combate com modificadores únicos, sendo o local perfeito para praticar ou exibir suas habilidades através dos rankings globais de cada uma das missões do modo.

O modo também receberá novos conteúdos após o seu lançamento, com novas missões exclusivas chegando periodicamente ao game, funcionando de maneira similar aos Contratos de Hitman.
Um espetáculo de som e imagem
Outra grande preocupação era a respeito da performance do game, já que os trailers iniciais apresentavam quedas de FPS gritantes em cenas de ação, sendo um dos motivos pelo adiamento do game. Felizmente, o adiamento para o dia 27 de março realmente fez uma grande diferença, já que ao menos no PS5 Pro, 007 First Light não apresentou problemas de performance.
O game também é um verdadeiro espetáculo visual, com texturas extremamente bem trabalhadas e um sistema de iluminação de cair o queixo, extraindo cada gota do poder de processamento do PS5 Pro.

O mesmo pode ser dito de toda a sonoplastia, com efeitos sonoros de primeira e trilhas que misturam os clássicos temas da franquia 007 com novas faixas originais, ajudando a imergir o jogador na fantasia de estar na pele de James Bond.
O James Bond definitivo para os videogames
007 First Light provou em definitivo o porquê a IO Interactive era a única desenvolvedora capaz de entregar uma aventura a altura de todo o legado da obra de Ian Fleming, trazendo umas das melhores versões de James Bond dos últimos anos e sem dúvidas o melhor jogo de toda a história da franquia. Ao rolar dos créditos, o ceticismo inicial que eu tinha com o game deu lugar a uma imensa alegria por ver uma obra que tanto amo ser tão bem representada nos videogames, me fazendo contar os dias para rever Patrick Gibson no papel de Bond em uma nova missão.
Até lá, continuarei brincando no TacSim e rezando para que alguém da Amazon MGM jogue 007 First Light e capte algumas ideias para a nova fase de James Bond no cinema.
Essa review de 007 First Light foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela IO Interactive. Game jogado no PS5 Pro.
O Review
007 First Light
007 First Light cumpre a promessa de ser o jogo definitivo de James Bond ao trazer uma nova versão do personagem que esbanja carisma a cada segundo em tela, um excelente roteiro com personagens de apoio que ajudam com o avançar da história, e um level design extremamente criativo que usa e abusa dos sistemas de stealth e de combate que fazem com que o jogador realmente se sinta na pele de um espião da MI6.
PRÓS
- Patrick Gibson como James Bond é simplesmente incrível
- Excelente roteiro que mescla o james Bond de Hollywood com os romances de Ian Fleming
- Sistemas de gameplay levam os jogos de espionagem para outro nível
- Combate extremamente dinâmico e responsivo
CONTRAS
- Ausência de modo foto






