Desenvolvido e publicado pela Ubisoft, Anno 117: Pax Romana é o novo game de gerenciamento de cidades em tempo-real da franquia Anno, que desde 1998 figura entre os mais influentes títulos do gênero.
Anno 117 é o oitavo título da franquia Anno, conhecida por combinar gerenciamento de recursos, estratégia e construção de cidades. Cada jogo da série recebe um número que representa o ano histórico em que se passa e, no caso de Anno 117, a ambientação é a Roma Antiga, durante o auge da Pax Romana. Neste review de Anno 117: Pax Romana, analisamos as mecânicas de jogo, o modo campanha, os gráficos e o desempenho técnico. Todas as informações são apresentadas de forma a evitar spoilers, garantindo uma leitura informativa e segura para quem ainda pretende experimentar o título.
Modo campanha
Anno 117: Pax Romana é um jogo de gerenciamento de recursos e estratégia que mantém o DNA clássico da franquia Anno: o prazer de construir, planejar e equilibrar uma cidade viva. Um dos maiores atrativos da série sempre foi seu aspecto city-building, que continua firme neste novo capítulo.
Para quem experimenta Anno pela primeira vez, principalmente no modo sandbox, o jogo pode parecer extremamente desafiador a primeira vista, e bem, de fato, ele realmente é. Logo nos primeiros minutos, problemas econômicos e de logística já se tornam uma constante, exigindo que o jogador tome decisões de gerenciamento de recursos, e em Anno 117: Pax Romana, isso não é diferente.
Porém, pensando em ajudar novos jogadores, o game traz um modo campanha muito bem estruturado, que ensina passo a passo todas as mecânicas e sistemas de produção.
O modo campanha de Anno 117: Pax Romana apresenta uma história leve e curiosa, dividida em dois atos, ambientada na Roma Antiga. O jogador pode escolher entre duas perspectivas: Marcus ou Marcia, cada um com sua própria narrativa e desafios.

No menu principal, ao iniciar uma nova partida, é possível ler uma breve descrição de cada personagem. Por exemplo, ao escolher Marcia, acompanhamos uma trama que envolve um casamento misterioso e a busca por seu marido desaparecido.
Escolhas, diplomacia e consequências
Durante a campanha, o jogo oferece diálogos com múltiplas escolhas, que influenciam diretamente o rumo da história. No Ato II, por exemplo, surge um inimigo específico, e o jogador pode optar entre enfrentá-lo militarmente ou resolver os conflitos por diplomacia. Em uma dessas missões, uma decisão crucial muda o resultado do confronto final, dando um toque narrativo simples, mas eficiente.
As cenas de diálogo apresentam animações básicas, com os personagens sobre um fundo ilustrado. Mesmo assim, as conversas mantêm o ritmo e ajudam na imersão, especialmente quando envolvem escolhas com impacto real na trama.

Apesar de a história ser simples, é a jogabilidade que realmente prende o jogador. Assim como em outros títulos da série, Anno 117: Pax Romana mantém a fórmula que os fãs já conhecem: gestão detalhada, crescimento urbano orgânico e aquele prazer de ver sua cidade prosperar.
Quem já domina as mecânicas, que mudam pouco de um jogo para outro, ou para quem está chegando na franquia por Pax Romana, encontrará no modo sandbox o espaço perfeito para explorar livremente.
Anno 117: Ludere arte, regere cura.
A jogabilidade de Anno 117: Pax Romana está claramente superior ao seu antecessor, Anno 1800, sem sombra de dúvidas. Embora o novo título não traga grandes revoluções, ele refina e aprimora com excelência tudo o que já funcionava bem na franquia. Entre as principais novidades, destacam-se os sistemas de religiões e de romanização, que adicionam camadas estratégicas profundas à experiência. Além disso, a inclusão de uma árvore de pesquisa extensa e complexa amplia significativamente as possibilidades de progresso e personalização dentro do jogo.
O resultado é uma jogabilidade mais rica, equilibrada e envolvente, que mantém a essência clássica de Anno, mas com uma sensação de evolução e maturidade digna da Roma Antiga.
Anno 117: Pax Romana apresenta uma interface de usuário muito mais intuitiva e bem organizada em comparação ao seu antecessor, Anno 1800. Agora é mais fácil localizar os ícones de construção, acompanhar a quantidade de recursos disponíveis, visualizar os recursos que podem ser produzidos em cada ilha e controlar o tempo de jogo.
No título anterior, Anno 1800, o controle de tempo e pausa ficava no canto superior direito da tela, enquanto os recursos e suas quantidades apareciam na parte central superior. Já as informações sobre o que podia ser produzido eram exibidas no canto superior esquerdo, logo acima do mapa.
Em Anno 117: Pax Romana, tudo foi reorganizado de forma mais lógica e limpa. Os recursos agora ficam no centro da tela, abaixo dos ícones que representam a população da ilha. O controle de tempo e o mapa foram realocados para áreas mais acessíveis, enquanto os recursos produzíveis aparecem no canto esquerdo, dentro de um painel circular moderno.
O resultado é um HUD mais clean, funcional e agradável, permitindo que o jogador encontre rapidamente tudo o que precisa sem comprometer a imersão.
Ao iniciar uma partida de Anno 117: Pax Romana, começamos com um porto básico, ponto central para criar rotas comerciais e dar início à construção da cidade.

Uma das primeiras diferenças notáveis em relação a Anno 1800 é que, agora, as estradas custam recursos, um detalhe simples, mas que adiciona profundidade estratégica à gestão inicial. No jogo anterior, as estradas podiam ser construídas livremente, sem impacto econômico.
O progresso começa com a instalação de um lenhador e, em seguida, uma serraria, responsáveis pela produção de madeira. É essencial construir também um armazém próximo, caso contrário, o trabalho é interrompido por falta de espaço para estocar os recursos.
Em seguida, iniciamos o povoamento. Cada residência possui custos de construção e deve ser posicionada de forma equilibrada: próxima ao local de trabalho dos cidadãos, mas também dentro do alcance dos serviços públicos. Esse posicionamento inteligente é crucial para manter a produtividade e o bem-estar da população.

Cada nível (tier) de residência exige necessidades culturais e materiais, como roupas, calçados, alimentos, bebidas e entretenimento. Para atender a cada uma delas, é preciso montar cadeias produtivas completas.
Por exemplo, para fornecer aveia, é necessário construir uma fazenda de aveia, que alimenta diretamente a produção do item desejado. À medida que essas necessidades são atendidas, novos recursos e edifícios são desbloqueados, ampliando o ciclo de crescimento da cidade.
Atender às necessidades do povo é o verdadeiro coração da jogabilidade. Quando os cidadãos estão satisfeitos, a mão de obra se torna mais eficiente, a felicidade aumenta e o status da cidade sobe, gerando maior renda e prosperidade.
Um destaque importante em relação ao título anterior é a melhoria na resposta das necessidades dos habitantes. Agora, a satisfação aumenta muito mais rapidamente quando as residências estão dentro do raio de alcance dos serviços exigidos. No jogo anterior, essas barras demoravam mais para encher e apresentavam oscilações frequentes.
O resultado é uma experiência mais fluida, recompensadora e estratégica, consolidando Anno 117: Pax Romana como um dos títulos mais equilibrados e bem ajustados da franquia.
Religião
Uma das adições interessantes em Anno 117: Pax Romana é o sistema de religião, que permite ao jogador escolher um deus para ser o patrono do seu povo. Essa escolha não é apenas simbólica, ela influencia diretamente a jogabilidade, oferecendo bônus passivos exclusivos conforme a divindade selecionada.

Por exemplo, ao escolher Marte, deus da guerra, o jogador recebe bônus na produção de bens militares, aumento de moral e redução na demanda por mão de obra, diminuindo a quantidade de Pernaltas necessária para determinadas tarefas. Já Netuno, deus dos mares, concede melhorias navais, como maior velocidade dos navios, aumento na durabilidade das embarcações e redução nos custos de manutenção.
Além dessas divindades, outros deuses estão disponíveis, cada um com seus próprios benefícios. Alguns podem ser desbloqueados por meio da árvore de pesquisa, incentivando o jogador a explorar e experimentar diferentes abordagens estratégicas. Esse novo sistema adiciona uma camada extra de personalização e profundidade, permitindo que cada cidade tenha sua própria identidade cultural e religiosa.
Árvore de pesquisa
Em Anno 117: Pax Romana, uma das maiores novidades é a enorme árvore de pesquisa, dividida em três categorias principais: econômica, cívica e militar. Cabe ao jogador definir sua prioridade estratégica e escolher cuidadosamente quais tecnologias desenvolver primeiro.

De modo geral, as pesquisas levam bastante tempo para serem concluídas, e algumas podem ultrapassar uma hora real, o que pode se tornar cansativo em longas sessões. O lado positivo é que o jogador pode acelerar o tempo do jogo, reduzindo a espera, ainda que o processo continue demorado, já que há uma quantidade imensa de melhorias a desbloquear. Seria interessante, talvez, um ajuste no tempo de pesquisa em futuras atualizações.
Um ponto muito positivo é que cada pesquisa concede uma vantagem concreta, seja um bônus passivo ou uma melhoria direta na cidade. Diferente de Anno 1800, onde certas funcionalidades eram desbloqueadas com o progresso natural da cidade, em Pax Romana muitas dessas opções, como estradas pavimentadas, por exemplo, agora dependem de avanços na árvore de pesquisa.
Essa nova mecânica traz mais profundidade e imersão, tornando o progresso da cidade mais recompensador e estratégico. Além disso, nem tudo se resume a clicar e esperar: algumas pesquisas exigem um certo nível de prestígio, o que incentiva o jogador a embelezar e aprimorar sua cidade.
O prestígio pode ser aumentado através da construção de decorações, como estátuas e áreas arborizadas ou pela criação de serviços públicos, como mercados, teatros e bares. Isso estimula tanto quem busca eficiência estratégica quanto quem valoriza a estética urbana, equilibrando mecânicas de gestão e design de forma brilhante.
Romanização
Um dos aspectos mais interessantes de Anno 117: Pax Romana é o sistema de romanização. No Ato II, após sermos exilados, o jogo nos leva à misteriosa região celta de Albion. Lá, o primeiro nível da população é composto pelos Pernaltas, habitantes de aparência e cultura tipicamente celta.

À medida que atendemos a todas as necessidades desse povo, o jogo apresenta uma decisão importante: manter a essência celta, com foco em recursos naturais e uma vida mais simples, ou seguir o caminho dos Romano-Celtas, voltado para economia, comércio e pesquisa.
Durante o processo de romanização, as diferenças ficam bem marcantes.
- Ao optar pelos Celtas, os próximos tiers da população passam a incluir Ferreiros e Edis.
- Já ao escolher os Romano-Celtas, os níveis seguintes trazem Mercatores (mercadores) e Nobres, representando uma sociedade mais avançada e urbanizada.
Inicialmente, decidi investir no lado celta, e o progresso foi sólido e gratificante. Contudo, em determinado ponto, me vi obrigado a adotar elementos Romano-Celtas para desbloquear novas construções e suprir as necessidades dos Edis, o tier mais alto entre os Celtas.
Essa mecânica de romanização aprofundou a imersão e a identidade da cidade, tornando cada decisão realmente significativa. É um sistema que reforça a liberdade criativa do jogador, permitindo escolher o rumo cultural e econômico da sua civilização dentro do Império Romano.
Gráficos, Performance e Sonoplastia
Anno 117: Pax Romana me surpreendeu de forma extremamente positiva, apresentando algo que eu nunca imaginei ver em jogos desse gênero: Ray Tracing com uma boa performance!
Embora outros títulos do gênero já contem com excelentes sistemas de iluminação global, nenhum deles utiliza Ray Tracing verdadeiro para isso. Já Anno 117 faz uso completo da tecnologia tanto na iluminação global quanto nos reflexos, uma adição que eleva significativamente o realismo visual.

O jogo permite configurar o Ray Tracing de diferentes maneiras: é possível desativá-lo totalmente ou escolher entre apenas iluminação global ou iluminação + reflexos. O resultado é impressionante, a luz natural dá muito mais vida às cidades e aos ambientes, tornando cada cena mais vibrante e imersiva.
Os reflexos, por sua vez, aparecem de forma sutil e equilibrada, principalmente em riachos, poças d’água e superfícies molhadas. Não é o uso mais avançado do Ray Tracing, mas cumpre muito bem o papel de enriquecer o visual sem sobrecarregar o desempenho. Além disso, o jogo também faz uso de nuvens volumétricas, que adicionam profundidade e um toque cinematográfico à paisagem.
Comparado ao já belíssimo Anno 1800, Anno 117: Pax Romana representa um salto gráfico notável, combinando texturas mais detalhadas, iluminação realista e sombras mais naturais.
Em termos de desempenho, o jogo se mostrou muito estável durante os testes, sem quedas perceptíveis de FPS. No entanto, é importante destacar que Anno 117 é um título tecnicamente exigente, especialmente por causa do uso do Ray Tracing e da complexidade dos cenários.
Segundo as configurações recomendadas pela Ubisoft, para jogar em 1080p a 30 FPS com qualidade alta, é preciso pelo menos um Intel i5-9600K ou AMD Ryzen 5 3600, além de uma RTX 2070 ou RX 6600 XT. Portanto, é um jogo que exige um PC intermediário para cima para rodar com fluidez e qualidade visual máxima.
No quesito áudio, Anno 117 também não decepciona. A ambientação sonora é riquíssima, com efeitos ambientais, vozes e trilha musical perfeitamente ajustados ao clima da Roma Antiga. As músicas ajudam na imersão e se encaixam naturalmente nos momentos de calmaria e tensão durante a expansão das cidades.
É um trabalho de sonoplastia muito bem feito, digno de uma superprodução da Ubisoft Mainz, que consegue unir imersão, elegância e realismo histórico em cada detalhe sonoro.
Um Avanço na Franquia?
Sem sombra de dúvida, Anno 117: Pax Romana representa um grande avanço em relação ao seu antecessor, Anno 1800. Um dos principais pontos de evolução está no modo campanha, que agora conta com um tutorial muito mais claro e acessível, resolvendo uma das maiores críticas feitas aos jogos anteriores da franquia.

Claro, o jogo não é perfeito. Alguns aspectos ainda poderiam ser melhor ajustados, principalmente o tempo de espera nas pesquisas, que às vezes se torna exaustivo e quebra um pouco o ritmo da progressão. Ainda assim, o novo sistema de romanização, as melhorias na interface, e o salto gráfico proporcionado pelo Ray Tracing fazem de Anno 117 uma das experiências de city-building mais completas e imersivas da atualidade.
No fim, Anno 117: Pax Romana é uma verdadeira celebração da estratégia e da construção de impérios. Ele mantém o DNA da franquia, mas com inovações gráficas, mecânicas refinadas e uma ambientação histórica de tirar o fôlego, provando que a série continua evoluindo e encantando veteranos e novos jogadores.
Esse review de Anno 117: Pax Romana foi produzido através de uma cópia do game para PC, gentilmente cedida pela Ubisoft
O Review
Anno 117: Pax Romana
Com grandes avanços em relação ao seu antecessor, Anno 117: Pax Romana faz uso de tecnologia de Ray tracing para uma iluminação global e reflexos para deixar a ambientação linda e imersiva, com jogabilidade refinada e adição de mecânicas que acrescentam uma profundidade a jogabilidade. Mas como nem tudo é perfeito, o tempo de conclusão de cada pesquisa é longa, podendo gerar uma certa exaustão devido ao tempo e enorme quantidade de pontos a serem desbloqueados, mas ainda assim oferecendo grande recompensas ao jogador.
PRÓS
- Gráficos vislumbrantes;
- Uma boa campanha para conhecer as mecânicas;
- Boa sonoplastia;
- Excelente jogabilidade;
CONTRAS
- Progressão lenta demais;






