Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land é o novo título da franquia Atelier, que inicia uma nova saga com novos protagonistas em um novo universo. A série teve início em 1997, e conta com mais de 10 sagas diferentes, com Envisioned virando a 11ª. Todos os jogos giram em torno do tema central da alquimia, com as protagonistas tendo um atelier onde elas fazem as suas criações.

Alquimista, mas sem FullMetal
Atelier Yumia acontece num mundo onde a alquimia é vista como tabu, e segue a protagonista titular, que é justamente uma alquimista e que procura por respostas após um evento que causou o desaparecimento de sua mãe. Ela se junta ao time de pesquisa de Aladiss, que tenta responder as perguntas sobre esse local misterioso, que já foi um grande império um dia.
A história progride de forma bem lenta, com Yumia primeiro juntando um grupo de amigos conforme vai completando alguns pedidos do líder do time de pesquisa. Atelier acaba focando mais na relação da protagonista com esses companheiros do que na narrativa em si, com muitas interações entre os personagens ao longo das quests.

Os personagens são todos carismáticos, desde Viktor, que começa um pouco fechado com Yumia e com um pé atrás por ele não gostar de alquimia, até Rutger, que facilmente deve virar o queridinho dessa saga. O design deles também é muito bom, com roupas bem marcantes, mas o único defeito fica em Nina, que tem os peitos no formato mais estranho que eu já vi na vida. Minha crítica nem é pelos seus seios serem grandes, é que o formato é muito esquisito e acaba frequentemente chamando a atenção.
Apesar de frequentemente a história ter um clima mais sombrio, sempre debatendo a questão da alquimia e a ética por trás de certos experimentos, os personagens passam por algumas situações entre si que são bem divertidas e acabam arrancando algumas risadas. O mal humor de Rutger geralmente é o causador desses momentos.

Porém, fora dos diálogos que exploram mais os personagens, e indo para os diálogos sobre o universo e a sua história é que Atelier Yumia acaba se colocando em uma posição um pouco delicada. O universo é até interessante, mas alguns elementos sofrem de uma repetição durante os diálogos que chegam a causar um cansaço extremo.
A questão da alquimia ser tabu é repetida à exaustão, parece que toda vez que chega um novo personagem o assunto precisa ser explorado de novo. Sim, a gente já entendeu, o Fulano tem um pé atrás com alquimia porque é tabu e alquimistas não são confiáveis, por favor, troca o disco. Mas isso não diminui o brilho do jogo, apenas que a questão da história não é o ponto principal de Atelier Yumia.
A alquimia permite uma grande variedade de gameplay
A gameplay, junto com o carisma dos personagens, é onde Atelier Yumia realmente brilha. Primeiro que você conta com várias seções diferentes: o combate, a exploração, a síntese e a parte de construção.

Começando pela exploração, o jogo conta com um mapa grande, mas realmente bem grande, que eu acho que foi até um exagero por parte dos desenvolvedores. Yumia até conta com uma moto que você desbloqueia ao longo da história, mas a velocidade dela não é tão superior quando comparada com a maior velocidade de corrida da protagonista.
O mapa é confuso, apesar de felizmente contar com um sistema de mostrar o caminho para a quest marcada por meio de um trajeto que brilha em dourado, você acaba ficando dependente desse recurso. A mobilidade de Yumia também não é grande coisa, permitindo que você consiga dar até três pulos contra a parede para chegar em locais mais altos, mas que muitas vezes não funciona.
A exploração é necessária para a obtenção de ingredientes para a síntese, e Atelier contém muitas side quests espalhadas pelo mapa que também ajudam com itens de qualidade para o sistema. Mas acaba sendo um pouco desmotivador fazer a imensa quantidade de conteúdo secundário em um mapa tão grande e de geografia tão confusa.

Sem contar que o jogo também é um pouco punitivo na questão de dano de queda. Inicialmente, não parece, já que boa parte do dano de você se jogar de locais altos acaba sendo abafado pelo Energy Core da protagonista. Mas ao mesmo tempo isso é um problema, porque Atelier Yumia conta com diversas áreas em que você precisa desse Energy Core o mais cheio possível, por causa dos locais invadidos com mana, e perder energia é desesperador.
Esses locais com mana são chamados de manabound areas, e é fácil de perceber quando você estiver dentro de uma área dessas, porque ela fica cheia de pontos brilhantes azuis, e a % do seu Energy Core começa a ser reduzida. São áreas nas quais você não quer arriscar perder energia à toa, e o sistema de dano por queda fica punitivo nesse caso.
Agora, para a parte de síntese, que é a parte principal do tema que tanto cerca Atelier: alquimia (mas você sabia que alquimia é tabu?). Inicialmente, a síntese pode ser um pouco confusa, porque você precisa escolher um núcleo, ingredientes, tudo isso para decidir o que é melhor para cada tipo de item que está sendo criado.

A depender do ingrediente, ele pode fornecer habilidades passivas que são melhores para um tipo de criação, por exemplo, ao criar uma espada do elemento fogo, alguns ingredientes terão a passiva de aumentar o dano de fogo dessa arma, outros ingredientes aumentarão a passiva de cura de itens de cura, e assim por diante.
À partir da sua segunda ou terceira síntese você já vai estar pegando o jeito da coisa, e além dessas sínteses maiores, Atelier Yumia também conta com um sistema de síntese de itens menores, que não precisam que você vá até o Atelier para isso. Itens como balas, bandagens, kits de conserto de baús ou escadas, tudo isso pode ser feito em qualquer lugar do mapa em que você esteja.

E do sistema de síntese, vamos para o sistema de construção. Basicamente, você também pode usar o sistema de síntese para fazer objetos para mobiliar o seu atelier e principal, e outras áreas do jogo que também podem ser usadas como base. O problema é que o atelier em si não é uma área chamativa ou aconchegante o suficiente para te motivar a fazer isso.
Mas para pessoas que gostam de construção e de decoração, é uma boa oportunidade de diversão, e conta com várias opções interessantes de customização.
E agora sobre o combate. De início, o tutorial te dá uma sensação de que eventualmente o combate de Atelier Yumia pode acabar sendo mais estratégico, mas talvez tenha sido pela minha própria culpa de jogar na dificuldade normal que eu não senti isso acontecer.
Apesar de ser um combate action, que permite com que você utilize a mesma skill uma certa quantidade de vezes seguidas, os seus personagens ainda estão presos a uma determinada área durante a luta, com duas possibilidades: combate distante ou combate próximo. Os inimigos contém um número de vezes que precisam receber um determinado tipo de ataque para que sofram stun.

Você pode se movimentar livremente para os lados dentro dessa área pré-determinada, tanto a de distância quanto a próxima, e também pode se esquivar dos ataques, que mostram uma área no chão quando são de dano em área. Quando um inimigo toma stun, você precisa utilizar uma arma que fica em outro menu do modo de combate, que seja de um elemento no qual ele tenha fraqueza.
Você também pode alternar entre os outros 2 personagens da sua party, mas em nenhum momento ao longo da gameplay eu acabei achando isso necessário. Inclusive, os únicos equipamentos que eu precisei dar upgrade também foram somente os de Yumia, e as armas de elementais.
No geral, o combate é divertido, mas acaba ficando repetitivo demais conforme você avança no jogo, que é bem longo. Então acabam virando horas e horas de você fazendo a mesma coisa, contra inimigos que não são muito diferentes entre si, não pedem uma grande estratégia, em várias lutas praticamente seguidas, pois os mapas são lotados de inimigos.

As belezas e sons de Aladiss
A modelagem dos personagens é muito boa, e suas animações são expressivas o suficiente durante os vários diálogos, ainda mais considerando o nível de orçamento de Atelier Yumia. Os cenários também são bem bonitos, mas eu gostaria de uma arte nos cenários que remetesse mais a um anime nas texturas utilizadas.
É mais uma preferência pessoal, mas por conta do vasto mapa, algumas texturas acabam tendo uma qualidade um pouco mais baixa por necessidade, principalmente em paredes e chão. Se o cenário tivesse uma aparência mais lisa, remetendo às texturas usadas nos personagens, esses problemas poderiam ser evitados com mais facilidade.

Os gráficos obviamente não são de tirar o fôlego, até porque o título, além de estar disponível em consoles da antiga geração, também está disponível para Nintendo Switch. Então é o seu típico gráfico de jogo de anime que faz muito bem o trabalho.
Mas a trilha sonora e o design de áudio é o grande destaque. Na verdade, as músicas frequentemente me lembram as de Final Fantasy XIII, principalmente as de batalha, e independente da opinião em relação à história ou gameplay de Final Fantasy XIII, é inegável que a trilha sonora é maravilhosa.

O som dos golpes e habilidades de cada personagem, dos inimigos, a dublagem, toda essa parte é feita com muito carinho em Atelier Yumia e não deixa a desejar em nenhum momento.
No geral, Atelier Yumia é um bom jogo da franquia, um bom RPG que vai agradar fãs do gênero, apesar de cometer alguns errinhos. Outro problema é que não está acessível em nosso idioma de forma alguma, nem mesmo a interface recebeu uma tradução para o português brasileiro, então é necessário que você tenha um bom inglês ou espanhol para aproveitar o título.

Essa review foi feita graças a uma chave enviada pela própria Koei Tecmo, muito obrigada!
O Review
Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land
Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land é um bom e agradável RPG que precisa ser jogado com calma, por ter um ritmo um pouco arrastado, mas traz personagens bem carismáticos e uma narrativa boa o suficiente para te distrair. O combate também é interessante, mas pode acabar ficando repetitivo lá pela metade do jogo.
PRÓS
- Personagens interessantes e carismáticos
- No geral, a história é boa
- Trilha sonora se destaca pela qualidade
CONTRAS
- Os diálogos podem ser um pouco repetitivos
- Gameplay fica repetitiva lá pela metade do jogo





