Adaptar um filme para um jogo tende a ser uma missão difícil, pois muito se perde na transição entre mídias. Jogos, por serem mais longos e serem forçados a gamificar elementos que no cinema são mais simples, costumam falhar no excesso e perder o feeling que o filme pretende passar, o que era uma experiência fechada de um criador, vira algo dependente do engajamento dos jogadores. Mas, é óbvio, tudo depende da obra que vai ser adaptada…
Em 2023, a Ubisoft teve a honra de adaptar um dos universos mais ricos do entretenimento como um todo, uma franquia de filmes que revolucionou o cinema e levou milhões de pessoas para o cinema, se tornando uma franquia multibilionária. Ubisoft, com jogos como Far Cry no seu catálogo, parecia mais do que ideal para fazer essa missão. Pandora é um mundo rico em lore e que poderia facilmente ser adequado aos padrões que a empresa traz para os seus mundo abertos. E foi exatamente o que aconteceu: Frontiers of Pandora foi lançado e logo foi apelidado de “Far Cry em Pandora”. Mas mais do que isso, Avatar: Frontiers of Pandora lançou com a premissa de ser um projeto que ainda seria desenvolvido por muito mais tempo, sempre acompanhando os lançamentos dos filmes.

Durante 2024 a ubisoft lançou as primeiras DLC’s de Frontiers of Pandora, duas expansões que não mudaram tanto o jogo mas que entregaram bons conteúdos para quem gostaria de revisitar Pandora, com novas áreas e sequências de combate divertidas essas DLC’s foram importantes para manter os fãs de Avatar entretidos em 2024, ano em que o terceiro filme ainda estava em pós-produção.
Em 2025, embalado com o lançamento do terceiro filme, Avatar: Fogo e Cinzas, ubisoft lança a maior atualização que o jogo já teve desde o lançamento: Uma atualização com a adição do tão desejado Modo em Terceira Pessoa, New Game Plus e a Expansão “From the Ashes” que adiciona elementos do terceiro filme no mundo de Avatar: Frontiers of Pandora.
Nessa review vou comentar sobre o modo terceira pessoa, a expansão Avatar: Fronties of Pandora – From The Ashes e o estado atual do jogo. Vem com a gente!
Agora em Terceira Pessoa!

Antes de falarmos da nova expansão é preciso comentar a atualização que trouxe o modo terceira pessoa, modo esse importantíssimo para Avatar: From The Ashes, visto que muda completamente como vemos Pandora. Se antes tudo parecia mais imersivo e por vezes ameaçador pela forma como o planeta se apresentava na nossa frente… Hoje, com a atualização, parece mais fácil de se orientar e de controlar o nosso personagem, facilitando bastante as sequências de combate da expansão.
Pandora é um planeta lindo, cheio de plantas exóticas, árvores enormes e animais diferentes. Em primeira pessoa, a dimensão das coisas te espanta, enquanto a interação do teu personagem com as plantas, a forma como cozinhamos e recolhemos as frutas ou até mesmo como interagimos com os animais que encontramos pelo mapa te fazem entender como esse mundo funciona, tornando a experiência ainda mais imersiva e próxima do jogador, você vive e respira Pandora enquanto joga Frontiers of Pandora em primeira pessoa – o que foi uma grande surpresa pra mim na época do lançamento. Avatar: Frontiers of Pandora é de longe o jogo mais imersivo que a Ubisoft já fez desde Far Cry 2.

Por outro lado, muita gente não gosta ou até mesmo tem problemas causados pela câmera em Primeira Pessoa. Na época do lançamento, o pedido dos fãs por um modo em Terceira Pessoa era alto e bastante vocal. Após 2 anos desde o lançamento, a Ubisoft finalmente atendeu o pedido da camera em terceira pessoa e, para minha surpresa, não é que essa transição de primeira para terceira pessoa deu certo? Mesmo perdendo uma parte considerável do fator imersão, Ubisoft soube entregar uma experiência diferente e igualmente boa para quem optar por essa visão.
As alterações chegaram até mesmo no combate, com adaptações necessárias para fazer cada tiro ter o seu próprio impacto. A exploração, mesmo sem aquela dimensão espantadora que o modo em Primeira pessoa causa, segue sendo bem trabalhada com animações bem feitas de colheita de itens, uma movimentação gostosa (principalmente com o super salto que o nosso Na’vi consegue dar) e com a forma como nosso personagem parece grande comparado aos humanos da RDA, mas pequeno em relação ao planeta.
Esses elementos conseguem diferenciar os Na’vi de outros personagens de jogos em terceira pessoa. A dimensão que Pandora tem, mesmo em terceira pessoa, te fazem ficar deslumbrado com as paisagens que exploramos, o que é perfeito para um jogo de Avatar. É um trabalho impecável de adaptação de primeira para terceira pessoa.
A Expansão!

Ok, falamos da atualização que trouxe o modo em terceira pessoa para o jogo, agora podemos falar da Expansão “From The Ashes”. Uma expansão que não só expande a lore interna do jogo como adiciona detalhes interessantes para os fãs dos filmes, a adição mais notável nesse quesito é um tempo de tela maior para o clã Mangkwan (tribo das cinzas) e os Comerciantes do Vento.
Em Avatar: From The Ashes controlamos So’lek, um guerreiro navi que nos vendia equipamentos durante a campanha principal, após 1 ano dos acontecimentos do jogo base. Na trama, O nosso Sarentu, o personagem que criamos para o jogo principal e as primeiras duas dlcs, deixa de ser um personagem principal e vira um NPC que precisamos salvar das garras dos Mangkwan e da RDA que, como é possível ver no terceiro filme, estão trabalhando juntos graças a união entre Quaritch e Varang (rainha da tribo das cinzas). Não só os Sarentu como uma série de Comerciantes do Vento acabam sendo atacados pelos Mangkwan, restando para So’lek a missão de resgatar os sobreviventes, e vingar os mortos.
Interagir com o personagem que criamos no jogo base é uma ideia muito interessante, ver ele interagindo com o mundo sem o nosso controle te faz se sentir como um pai admirando um filho que já cresceu. Também é um twist interessante e uma ótima forma para fazer com que o jogador, que já passou horas e horas controlando o Sarentu, engaje com a trama logo de cara.

Para melhorar, So’lek é um ótimo personagem principal, um guerreiro navi que demonstra ter muita experiência de guerra e muito carisma – é incrível ver como ele transiciona entre momentos leves e felizes para a raiva em momentos chaves da história, em nenhum momento ele soa descaracterizado, sendo por vezes até mais interessante do que o personagem principal. Também é bom ver a Ubisoft voltando a escrever personagens principais maneiros como So’lek que, por mais que ele siga a trope de lobo solitário com experiência, demonstra muitas camadas.
E sobre a história em si, há poucos segredos, você começa já sabendo mais ou menos como essa história vai terminar. Mas por ser uma experiência mais curta e condensada, não cansa em nenhum momento, principalmente com a adição de combates contra outros navi’s, que são mais desafiadores que os humanos e robôs da RDA, e lutas contra chefes. Vale destacar como os vilões navi são bem implementados aqui, Wukula e seus fiéis escudeiros são extremamente ameaçadores e tem momentos muito badass, fazendo jus aos melhores momentos de ação dos filmes. Já a RDA… Os personagens humanos seguem sendo extremamente caricatos e vergonhosos em vários momentos, se era a intenção do roteirista escrever humanos tão cringes, diria que ele conseguiu com maestria.

Em resumo, a história é simples mas eficaz para a proposta da Expansão, ela te diverte durante as 10 horas de campanha e te dá um pano de fundo para continuar explorando Pandora. So’lek e o Sarentu são incríveis, principalmente nas sequências iniciais onde vemos os dois interagindo, onde conhecemos o lado mais alegre de So’lek. Wukula e os Mangkwan são vilões ameaçadores e visualmente impressionantes ao ponto de me fazer imaginar como seria a interação entre Wukula e Varang (vilã do terceiro filme) nas telonas.
Para um jogo de obra licenciada, essa sensação de que personagens do jogo seriam incríveis nos filmes é bastante positiva e enriquecedora para o universo de Avatar de James Cameron.
Jogabilidade mais frenética

Sobre a gameplay, é notável a mudança de foco de um jogo de exploração, caça e vislumbre dos cenários que o jogo base tinha, para algo mais focado na ação e combate, tornando a experiência da expansão mais frenética, o que faz completo sentido visto que controlamos So’lek, um veterano de guerra que conhece quase todas as armas de pandora e que está em busca de salvar seus amigos e a sua própria espécie.
So’lek tem uma árvore de habilidades completamente nova, cheia de manobras doidas com os Ikran e formas diferentes de utilizar as armas navi e armas da RDA. A maior diferença nesse sentido é que não precisamos mais achar os pontos de habilidade pelo mapa, com aquelas flores rosas que a gente interagia no jogo principal, agora ganhamos pontos de habilidades do jeito tradicional: ganhando experiência. É uma mudança que demonstra o foco do jogo, como dito acima, em ser mais frenético e focado na ação, tirando um pouco a urgência de ter que ir explorar o mapa para achar os pontos de habilidade.

Já o sistema de nível continua o mesmo, você precisa de equipamentos melhores e mais aprimorados para subir de nível. Na expansão, você ganha muito equipamento bom apenas seguindo as missões principais ou limpando bases da RDA, fora que requer menos recursos para aprimorar armaduras que você já possui, tornando tudo mais prático e sem o grind presente no jogo base.
Para fechar a parte da gameplay, os novos inimigos são muito divertidos de lutar. Os Mangkwan são altos, magros, fortes e mais velozes que os humanos que enfrentamos durante a campanha principal, o que cria um novo tipo de desafio para os jogadores pois é muito fácil morrer para um deles. Fora as lutas contra chefes que são desafiantes e cinematográficas, do jeito que Avatar tem que ser.
Visuais Impressionantes!

Se tem algo que Avatar: Frontiers of Pandora sempre fez muito bem desde o seu lançamento era na apresentação visual: Pandora era viva, colorida e com detalhes impressionantes que mostravam que Eywa caminhava pelas planícies do jogo, com folhas se recolhendo ao toque do jogador, insetos brilhantes voando a procura de um lugar para se esconder e os brilhos emitidos por quase todos os elementos de pandora – de pequenos buracos no chão ao corpo do nosso personagem.
Na expansão não é muito diferente, agora trocamos as cores vibrantes do jogo base por uma atmosfera mais hostil, com muitas árvores queimadas, fogo por todo lado e muitas cinzas. Se no jogo base a maior parte do cenário era lindo com exceção das bases da RDA, agora é basicamente tudo destruído com exceção de alguns pontos do mapa que vão te impressionar e lembrar como Pandora era antes desse ataque da RDA.
É um contraste legal pois diferencia a expansão do jogo base, ao mesmo tempo que entrega visuais diferentes e impressionantes. A única coisa que se mantém idêntica ao do jogo principal são os gráficos que, para um mundo aberto, ainda é um das melhores dessa geração, o que já era de se esperar de um jogo de Avatar.
Vale A Pena jogar Avatar: Frontiers of Pandora – From The Ashes?

Sim, a expansão “From The Ashes” entrega uma experiência melhor e mais aprimorada do jogo base com um personagem principal interessante e sequências de combate muito divertidas. O modo em terceira pessoa é tão bem utilizado aqui que te faz questionar porque a ubisoft não colocou essa opção desde o lançamento, fora os visuais do Planeta Pandora que seguem impressionantes.
Outro ponto é que por mais que não seja preciso assistir o filme antes de jogar essa expansão, vale a pena ir conferir Avatar: Fogo e Cinzas tanto por ser um ótimo filme, quanto para ver como alguns elementos ganham ainda mais contexto na DLC – como os Mangkwan e os Comerciantes do Vento.
O Review
AVATAR FROM THE ASHES
Com mais ação e um personagem principal maneiro, a expansão “From The Ashes” entrega uma experiência melhor e mais aprimorada do jogo base que vai agradar tanto os fãs do jogo base, quanto os fãs dos filmes.
PRÓS
- So'lek é um ótimo protagonista
- Jogabilidade em Terceira Pessoa impressionante
- História curta mas muito eficaz
- Visuais soberbos (mesmo com tudo em chamas)
CONTRAS
- Alguns Bugs
- Personagens humanos são vergonhosos





