Se eu ganhasse uma moeda para cada jogo indie com potencial enorme de te fazer largar todos os outros jogos para ficar imerso em um loop viciante e visualmente satisfatório, misturando jogos tradicionais com subgêneros queridinhos do momento… eu teria duas moedas, o que não é muito, mas é estranho que tenha acontecido nos últimos dois anos. Uma dessas moedas foi por Balatro, jogo que misturava poker com roguelite num combo viciante que até mesmo quem não entendia nada sobre Poker, entrava no vício. E outra moeda seria por Ball x Pit, jogo que me fez ficar apaixonado por games de novo.
Desenvolvido por Kenny Sun e Amigos e publicado pela Devolver Digital, Ball x Pit é um jogo estranho cuja premissa é misturar pinball, roguelite, jogos de construção e gerenciamento de cidades e uma pitada de RPG. Também é um jogo cheio de bolas, de todos os tipos e elementos. Bolas que se fundem e que são capazes de destruir alienígenas, bolas capazes de encher a tua tela com efeitos impressionantes. Ball x Pit também é um imenso perigo pro teu backlog e tempo livre, além de te lembrar o porquê você ama videogames.
Sobre o que é Ball x Pit?

Se você assim como eu também ficou confuso com a premissa do que exatamente seria um pinball roguelite, vai ficar ainda mais surpreso ao descobrir que Ball x Pit também é um jogo sobre um grupo de guerreiros que tem como principal objetivo impedir o fim da Nova Bolalônia (sim, esse é o nome da cidade em que o jogo se passa), que está sendo atacada por uma força cósmica extraterrestre que junta um grupo de criaturas em um buraco no meio da cidade.
Nesse buraco há mortos-vivos, dragões de gelo, animais peçonhentos em um deserto e até mesmo ANJOS. Sem muito apego a lógicas do mundo real, Ball x Pit entrega um universo onde a cada nível um bioma novo é apresentado para, única e exclusivamente, fazer o jogador se entreter, como o único objetivo de ser um ótimo videogame e nada mais. E isso é ótimo.
Nossa missão como jogador é cuidar da nossa pequena cidade, evoluir a cada jornada para finalmente poder descer nos níveis mais profundos do buraco e fazer com que a Nova Bolalonia se expanda. E como fazemos isso, você deve estar se perguntando? Atirando bolas nos inimigos, oras!
Um ótimo começo

Ball x Pit começa simples com um personagem padrão, um nível desbloqueado e um pequeno terreno com nenhuma estrutura para ser construída, apenas espaço para plantar trigo e árvores (onde podemos extrair madeira). Começamos literalmente quando tudo era só mato e a partir daí, de run em run, construíremos a nossa cidade ideal.
O personagem inicial tem apenas uma bola que causa sangramento nos inimigos e um tiro reto sem nenhum efeito especial, com ele somos inseridos as mecânicas do jogo de forma direta. Ball x Pit pouco explica suas mecânicas na primeira run, mas faz um ótimo trabalho em dar pistas visuais para o jogador possa descobrir por conta própria a sua maneira de jogar, recompensando a criatividade do jogador ao testar coisas novas de uma maneira muito orgânica.
Bolas de fogo, gelo, ar, veneno, luz, trevas, vampiros… Ball x Pit irá aos poucos introduzir um enorme leque de bolas que podem ser evoluídas e combinadas para virarem bolas ainda mais fortes. Algumas das combinações são capazes de acabar com fileiras inteiras de inimigos e, ao fazer isso, proporcionar um prazer visual que só viciados em Balatro poderiam entender: É impressionante ver as partículas e os números gigantescos aparecendo na tela, trazendo instantaneamente aquela sensação única de realização por ter criado uma build tão quebrada.
Combinar, evoluir e demolir!

O sistema de progressão de Ball x Pit é muito intuitivo, nos permitindo escolher uma melhoria ou uma nova bola para usar em combate ao subir de nível, cabendo ao jogador decidir entre a melhor opção para sua build. Cada bola e melhoria podem ser aprimoradas até 3 níveis e, ao chegar no nível máximo, podem ser combinadas pelo reator de fusão para criar uma nova bola e até mesmo aprimoramentos ainda mais fortes.
Há dois tipos de combinações e fusões: A combinação pode ser feita entre quaisquer bolas no nível máximo, sendo excelente para deixar uma bola ainda mais forte e liberar espaço para novas bolas, como por exemplo juntar a bola que solta laser por uma fileira inteira com a bola de veneno, atribuindo envenenamento ao laser. É muito divertido brincar com as mecânicas de combinações porque as possibilidades são praticamente infinitas, sendo preciso apenas evoluir as bolas que você quer juntar até o nível máximo e esperar os inimigos droparem reatores de fusão.

Já a Evolução, o jogador precisa subir as bolas ao nível máximo e saber as combinações certas para criar bolas específicas. As evoluções também são bem intuitivas, como juntar uma bola de ferro com fogo para formar uma bomba e, depois de upar a bomba e a bola de veneno ao máximo, transformar a bomba em uma bomba atômica capaz de causar muito dano em área.
Todas as esferas são capazes de evoluir para uma versão ainda mais poderosa, tornando o sistema muito divertido de ser explorado ao testar quais evoluções são possíveis de serem feitas com as bolas que temos à disposição.
É nessa brincadeira de criar Evoluções que o jogador consegue formar as esferas mais poderosas do jogo, capazes de acabar com bosses em questões de segundos. Sim, estou falando de vocês, Satanás e Nosferatu.
Novas personagens, novas mecânicas

Depois de terminar o que pode ser considerado o tutorial, você terá acesso ao seu primeiro novo personagem e, é aí que a brincadeira que já estava boa, sobe de nível!
Cada personagem traz um estilo novo para o jogo, indo desde personagens que atiram muito mais bolas do que os outros em troca de velocidade até duplas de personagens que se unem para atirar juntos, deixando a tela um caos de bolinhas para todo lado. Alguns desses personagens são tão absurdos (e geniais) que eu obviamente não citarei aqui pois não quero estragar a sua experiência com spoilers, mas acredite, eles vão realmente te tirar umas boas risadas além de mudarem drasticamente o gameplay.
Para impedir que o jogador fique preso a só um personagem muito forte, o jogo impõe que para desbloquear os próximos níveis é preciso zerar as fases com outros personagens mais de uma vez. Por exemplo, se você terminou a primeira fase com o cavaleiro inicial, você ganha uma peça para o elevador que te leva pro próximo nível. Para desbloquear o segundo nível é preciso de duas peças dessas, logo o jogador precisa rejogar a primeira fase com outro personagem.

Eu confesso que inicialmente torci um pouco o nariz para essa mecânica, pois parecia um jeito malandro de aumentar o tempo do jogo, mas em futuras runs vi o quanto isso era necessário para o jogador progredir e interagir com todos os sistemas do jogo de forma plena, já que se você prestar atenção nos diagramas/construções que o jogo te disponibiliza, esse “problema” pode ser facilmente contornado.
Um City Builder?

Vale reforçar o ótimo aspecto city builder do jogo, já que é construindo novos itens para a nossa cidade que desbloqueamos as melhorias permanentes para as nossas futuras runs e liberamos novos personagens.
A princípio o jogo te dá um espaço pequeno para começar a montar a cidade, o que nos obriga a conseguir recursos durante as runs para aumentar o espaço. Meu medo ao ver esse aspecto do jogo era de que fosse diminuir a ótima experiência que estava tendo durante as runs com um sistema de grind lento, mas felizmente, esse não é o caso. Ball x Pit impressiona ao não tornar essa parte do game arrastada e burocrática, permitindo que o jogador “quebre” o jogo com construções que dão muitos materiais para expandir a cidade muito rapidamente.
Durante as minhas quase 30 horas de jogo, senti que Ball x Pit fez uma ótima gestão para que o jogador em nenhum momento se sinta pressionado a grindar, pois as colheitas e drops durante as fases são tão fartos, que parece injusto comparado as recompensas que são desbloqueadas no processo.
Sim, vale muito a Pena jogar Ball x Pit.

Primeiro Ball x Pit me impressionou pelo seu visual carismático, com seus personagens de rosto redondinhos e com cara de mal, animações de especiais vibrantes que te deixam vidrados durante a gameplay e uma trilha sonora convidativa que te deixam com vontade de continuar jogando por horas e horas.
Depois, Ball x Pit me fisgou pela jogabilidade intuitiva e viciante, com combinações absurdas de maneiras e um sistema de fusão impressionante que torna cada uma run, uma experiência única. Há muitas possibilidades na gameplay desse jogo e a cada item desbloqueado, mais apaixonado por Ball x Pit eu ia ficando.
Por fim, Ball x Pit é um jogo apaixonante, viciante e louco da cabeça! É um daqueles jogos que te lembram o porquê videogames são tão apaixonantes. Chegar a ser lindo ver essa mistura de subgêneros e ideias de games passados combinados em uma nessa roupagem carismática, de forma primorosa por Kenny Sun e seus amigos.
A única contra indicação de Ball x Pit é para você que tem um backlog de jogos muito grande, pois acredita, esse jogo VAI roubar todo o teu tempo livre. E sabe a melhor parte disso? Você vai amar. Talvez os jogos seus acumulados, nem tanto, mas você vai!
Esse review de Ball x Pit foi produzido através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Devolver Digital
O Review
BALL X PIT
Ball x Pit é um jogo apaixonante, viciante e louco da cabeça! É um daqueles jogos que te lembra porque videogame são tão apaixonantes, é lindo ver essa mistura de subgêneros e ideias de games passados combinados aqui, nessa roupagem carismática, de forma primorosa por Kenny Son e seus amigos. Não recomendo se você tem um backlog muito grande, pois esse jogo vai roubar todo o teu tempo livre.
PRÓS
- Visual incrível
- Gameplay viciante
- Sistema de combinação e evolução divertido e intuitivo
- Personagens que mudam a gameplay completamente
CONTRAS
- Vai roubar todo teu tempo livre






