A franquia Borderlands foi uma das grandes responsáveis por popularizar os jogos do gênero ”loot and shooters”, se tornando referência quando o assunto é prender os jogadores por horas e horas em em uma busca infinita por equipamentos melhores. Desde então, a Gearbox, desenvolvedora por trás da franquia, tem se desafiado a fazer de Borderlands uma franquia mais ambiciosa a cada novo lançamento, e com Borderlands 4 não foi diferente.
Com ambições de ser o maior game de toda a franquia, o quarto game da série chegou para PS5, Xbox Series X|S e PC no último dia 12 de setembro, dando início a uma nova era de Vault Hunters. Mas teria a Gearbox cumprido as suas promessas? Seria Border 4 realmente o game mais divertido de toda a franquia? A resposta para essas e mais pergunta serão finalmente respondidas em minha análise completa de Borderlands 4!
Borderlands 4 e a arte de transformar caos em pura diversão

Borderlands 4 leva o caos espacial para bem além de Pandora, deixando claro desde o início que o novo game é, de fato, o início de uma nova era para a franquia. Boas-vindas a Kairos, um planetóide isolado que esconde uma das lendárias Arcas, uma espécie de portal interdimensional que esconde tesouros inimagináveis que tem servido como o grande motivador para que mercenários de todos os cantos da galáxia desbravem o universo, passando a serem conhecidos como Vault Hunters.
Naturalmente, a notícia que Kairos possui uma Arca se espalha pela galáxia, fazendo com que um grupo de 4 Vault Hunters chegue ao planeta em busca do tesouro. O que eles não esperavam, no entanto, é que Kairos é completamente dominada por um grupo conhecido como Ordem, que sob a liderança de um tirano chamado apenas de ‘Senhor do Tempo, controla todo o planeta com mãos de ferro.
Após causarem um pequeno caos no planeta, os 4 Vault Hunters são capturados pela Ordem, sendo levados até uma fortaleza prisional no coração do planeta. Auxiliados por um membro da resistência local contra a Ordem, o grupo consegue fugir e passam a integrar a Resistência Rubra, um grupo de rebeldes formado por Claptrap e.. é, apenas Claptrap.
Como líder da resistência, o robô mais tagarela e sem noção da galáxia encarrega o grupo de mercenários a recrutar o máximo de aliados possíveis para destronar o Senhor do Tempo, e claro, encontrar a Arca.
Novo planeta, novos problemas

Borderlands 4 segue o mesmo molde dos jogos anteriores no que diz respeito a sua narrativa, dando mais atenção a construção de mundo e desenvolvimento dos personagens do que ao andamento da história em si, não se desenvolvendo muito além de sua premissa, servindo mais como um pano de fundo para todo o caos desenfreado.
O novo grupo de Vault Hunters vem acompanhando com uma grande quantidade de novos personagens com carisma e personalidade únicas, trazendo de volta o tom humorístico do primeiro e segundo game que ficou um pouco de lado em Border 3. além de Pandora além de claro, trazer alguns velhos conhecidos de volta como Claptrap, Zane de Borderlands 3 e a musa de Pandora, Moxxi.

Apesar da história rasa, o carisma dos personagens são o suficiente para te manter interessado nos diálogos, que além de desenvolver melhor suas personalidades, proporcionam boas risadas pela quantidade absurda de piadas que em boa parte são realmente bem engraçadas, mantendo o humor pastelão característico da série, passando o recardo que a Gearbox de fato levou a sério as críticas em relação ao roteiro de Borderlands 3.
De maneira geral, a história de Borderlands 4 cumpre muito bem o seu papel de ser um excelente pano de fundo para todo o caos que acontece em tela, sem tentar dar um passo maior que a própria perna nesse aspecto, o que honestamente, foi o melhor caminho a se seguir.
Tiro, porrada, bomba e mais tiros!
Desde o anúncio de Borderlands 4, a Gearbox prometia que o game teria a melhor jogabilidade de toda a franquia, permitindo que até mesmo os jogadores que fossem se aventurar sozinhos por Kairos pudessem se divertir, e felizmente, essa promessa foi cumprida com maestria! Todos os elementos característicos do gunplay da franquia foram refinados, trazendo um enorme foco na movimentação dos jogadores, com a introdução de algumas novidades como a possibilidade de planar e executar dashs de maneira muito mais fácil.

Além das novidades na movimentação, o sistema de habilidades dos personagens também sofreu um grande upgrade em relação aos jogos anteriores, trazendo uma árvore de habilidades mais robusta para cada um dos 4 personagens. Cada um dos 4 Vault Hunters possui uma árvore de habilidades exclusiva, possuindo 3 ramificações.
Cada ramificação possui habilidades ativas e passivas exclusivas, permitindo que o jogador monte a sua build de acordo com o seu estilo de jogo. Podemos misturar diferentes habilidades das ramificações, o que possibilita a criação de verdadeiras máquinas de matar no endgame.

O sistema de loot de Borderlands 4 também teve grandes melhorias em relação aos games anteriores, trazendo uma quantidade massiva de equipamentos e armas dos mais variados tipos. Divididas em 4 categorias de raridade, temos acesso a pistolas, fuzis, escopetas, SMGs, rifles de assalto, rifles de atiradores, rifles de assalto que possuem um modo escopeta, escopetas que possuem um modo lança-chamas, rifles de atirador que disparam mini mísseis ao invés de balas convencionais, pistolas com munição explosiva… Bom, deu pra ter uma ideia da combinação absurda de tiros alternativos e efeitos que as armas de Border 4 podem ter né?
Todo o gameplay do game é pensado única e exclusivamente na diversão, sem rodeios, é nítida que a intenção da Gearbox era dar a sensação de poder aos jogadores desde o início da campanha até a centésima hora de jogo, e esse objetivo foi alcançado e com muitas sobras, principalmente se você estiver jogando com os amigos no modo cooperativo em split-screen ou online.
Endgame
Borderlands 4 apostou no formato de mundo-aberto para criar o parque de diversões caótico perfeito, trazendo uma série de atividades e missões secundárias que servem tanto para expandir o universo do game como para agregar ao grind.
A grande sacada de Border 4 para o endgame é a possibilidade de enfrentar novamente qualquer chefe do jogo com modificadores, sem a necessidade de fazer as famosas ”gambiarras” como fechar o jogo para forçar o respawn do chefe. Basta interagir com a máquina e lá estará o chefe novinho em folha, apenas esperando para ser trucidado mais uma vez.
Aproveitando o sistema de mundo-aberto, Borderlands 4 também trouxe uma nova categoria de chefes espalhados pelo mundo. Chamados de World Bosses, esses chefes podem nascer de maneira aleatória no mapa, dropando itens exclusivos e extremamente raros, tornando o seu farm um dos principais conteúdos endgame de Border 4.

Além dos chefes, o mapa de Border 4 também possui uma serie de atividades como limpar casas-seguras que estão dominadas por Retalhadores ou pela Ordem, encontrar pichações com o símbolo das Arcas e até mesmo encontrar outras Arcas perdidas por Kairos, e claro, sempre recompensando o jogador com o loot a cada desafio vencido, mesmo que nem sempre esse loto valha a pena o esforço.
E é aqui que a minha primeira grande ressalva a Borderlands 4 da as caras, já que apenas até o momento, o endgame de Borderlands 4 é resumido a isso: repetir missões. A ausência de chefes de raid no lançamento tornou a busca pela build perfeita uma busca um tanto quanto sem sentido, já que não há um proposito em ficar mais forte no final das contas.
Claro, existe uma parcela de jogadores que aprecia o ato de ficar mais forte apenas pela dopamina ao ver um chefe ser derretido em segundos, mas para os jogadores que segue a linha do ”ficar mais forte para enfrentar inimigos mais fortes”, Border 4 ainda deve um bocado.
A Gearbox planeja trazer várias atualizações pagas e gratuitas e para Borderlands 4, e não há duvidas de que esse seja um problema que com certeza não existirá daqui alguns meses, mas NO MOMENTO em que essa review está indo ao ar, o endgame de Borderlands 4 pode ser um motivo de grande frustração para boa parte dos jogadores.
Caoticamente imperfeito
Infelizmente o endgame não é o único problema de Borderlands 4, já que o game também sofre um pouco no que diz respeito a sua performance. Sim, a situação de Borderlands 4 nos consoles não chega nem perto dos problemas que o game possui (ou possuía) no pc,
No PS5, o game acaba sofrendo um pouco para manter os 60 FPS em áreas com muitos inimigos na tela, tornando algumas lutas contra chefes menos fluídas do que o ideal, mesmo no modo performance, o que acaba prejudicando um pouco a experiência no geral. O game também possuía um sério problema de memory leak nos consoles, o que me obrigava a fechar o jogo a cada 2 horas de gameplay, mas ao que tudo indica, o último patch lançado no último dia 26 de setembro eliminou quase que por completo esse problema.

A trilha-sonora também é esquecível em sua maior parte, com poucas faixas (pra não dizer nenhuma) que sejam realmente empolgantes. Não que Borderlands 3 ou 2 sejam exemplos de trilha-sonoras fenomenais, mas digamos que eu não abria o aplicativo do Spotify enquanto jogava Borderlands 3, e acho que isso diz muita coisa. Já quanto aos efeitos sonoros das armas e do ambiente, a história é totalmente oposta, fazendo com que o jogador realmente sinta o feeling das armas apenas pelo som, agregando positivamente a imersão nesse universo caótico.
Caos na medida certa

Borderlands 4 é uma evolução natural de todo o trabalho da Gearbox com a franquia ao longo dos anos, sendo de longe o game mais divertido já feito pela desenvolvedora. Desde o refinamento feito nas mecânicas de gameplay até as habilidades dos 4 personagens disponíveis no lançamento, tudo parece ter sido feito tendo a diversão como o único objetivo.
Apesar dos seus problemas com o endgame, Border 4 é um game obrigatório para qualquer fã da franquia, reunindo tudo o que deu certo na franquia até agora e minimizando o que deu errado para trazer a experiência definitiva de Borderlands.
Essa review de Borderlands 4 foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela 2K.
O Review
Borderlands 4
Borderlands 4 aposta em mecânicas de gameplay refinadas, personagens extremamente carismáticos e muito mais caos para se tornar o game mais divertido de toda a franquia, entregando uma experiência sólida para qualquer fã de jogos baseados em loot, sendo uma excelente porta de entrada para o gênero e a franquia Borderlands.
PRÓS
- Mecânicas de gameplay refinadas
- Personagens extremamente carismáticos compensam a fraca narrativa
- Sistema de habilidades e loot tornam o loop de gameplay extremamente viciante
CONTRAS
- Performance deixa a desejar
- Endgame carece um pouco de conteúdo






