Se eu ganhasse 1 real para cada simulador diferentão publicado pela Saber Interactive, só esse ano eu teria 2 reais, o que não é muito mas é engraçado que aconteceu duas vezes esse ano. Após o lançamento de Docked , a Saber Interactive traz Bus Bound para PS5, Xbox Series X|S e PC, um jogo cujo objetivo é te fazer viver a vida de um motorista de ônibus.
Bus Bound chega com a premissa de realizar o sonho de todo proletariado que já teve que pegar ônibus estando atrasado, naquele momento que o motorista acaba decidindo ir na velocidade mais lenta possível, parando em cada parada e te fazendo passar por um estresse ainda maior ao ficar espremido dentro desse mesmo ônibus. Ok, talvez tenha sido algo específico demais, mas é exatamente essa a ideia: Um simulador de ônibus que me deixasse virar o melhor motorista de ônibus da cidade, com as melhores rotas que respeitam o tempo e bem estar do passageiro.
Mas a pergunta que fica é: Bus Bound consegue ser um bom simulador de ônibus e um jogo divertido?
O que fazemos em Bus Bound?

Em Bus Bound controlamos um motorista de ônibus no seu primeiro dia de trabalho em uma cidade nova, com um único objetivo em mente: fazer o máximo de rotas perfeitas possíveis para aumentar o nível de confiança dos passageiros, desbloqueando assim novos ônibus que vão facilitar a nossa jornada como motorista.
Ao contrário de Docked, o outro simulador da Saber Interactive, não há uma preocupação em te apresentar personagens escritos para te fazer viver essa experiência. Bus Bound assume uma abordagem 100% imersiva onde o jogador apenas escolhe o nome que vai ser chamado durante os diálogos, sem precisar personalizar ou criar um personagem. O seu foco é inteiramente nos ônibus, nas rotas e, o mais importante, no bem estar dos passageiros, e isso é ótimo para simuladores desse estilo.
É extremamente válido quando simuladores não se apegam a questões de história, focando inteiramente na profissão ou tarefa que será simulada. Em Bus Bound, não há nenhuma marca de personagem visível, em Terceira pessoa vemos apenas o ônibus sendo pilotado por ninguém e quando mudamos para primeira pessoa vemos apenas o painel do ônibus com as informações que precisamos para uma boa pilotagem. Inclusive, há um grande incentivo em se jogar em primeira pessoa pois é a melhor forma de visualizar algumas emboscadas que o trânsito da cidade pode ocasionar, tornando essa experiência a mais imersiva possível.
Um sistema de progressão cansativo

A progressão de Bus Bound é inteiramente focada nos pontos de ônibus, onde precisamos ganhar a confiança máxima dos moradores que utilizam cada um dos pontos de ônibus da cidade. A aumentar nossa confiança, desbloqueamos novas melhorias e customizações, além de aumentar a quantidade de pontos pontos obtidas naquela determinada estação, fazendo o jogador sempre considerar esses pontos de ônibus já conquistados em todas as rotas possíveis.
No papel é uma ideia legal, porém a execução deixa muito a desejar: em poucas voltas eu já havia conquistado mais de 5 pontos de ônibus, todos com pouco esforço. A ausência de mais rotas especiais e menos parecidas com fetch quests pouco inspiradas poderiam ser o fator que tornasse o loop de gameplay um pouco mais interessante, mas infelizmente, confesso que o loop se tornou um tanto quanto cansativo muito rápido.
Foi através desse cansaço que larguei por algumas horas o modo de viagens e fui me aventurar no modo livre, onde pude só dirigir meu ônibus personalizado em paz, sem me preocupar com rotas ou objetivos.
Se a intenção era criar objetivos para o jogo ser algo além de um simulador, como essas tarefas para conquistar pontos de ônibus para desbloquear melhorias, sinto que o jogo poderia oferecer uma maior variedade de atividades durante essas rotas para evitar o cansaço causado pelas checklists, o que incrementaria o loop de gameplay.
Jogabilidade

Em questão de jogabilidade, Bus Bound utiliza um esquema de controles já clássico de praticamente todos os jogos que possuem veículos: Você acelera e avança com R2, da ré com L2, usa os analógicos para controlar a direção do veículo e a posição da câmera, incluiondo a possibilidade de trocar de perspectiva com apenas um botão.
Mas claro, Bus Bound se trata de um simulador, e dirigir um ônibus não é tão simples quanto um sedan, sendo possível sentir o peso e a dificuldade de serem controlados por conta de seu tamanho. Cada virada precisa ser pensada com antecedência e sempre levando em consideração o espaço que vai ser preciso para um movimento seguro, tanto para todos que estão dentro do ônibus quanto outros veículos que estão pelo trânsito.
Outra diferença marcante é a necessidade de dar seta de direção durante as rotas, fazendo com que o jogador sinalize para os veículos que vem atrás de que vai fazer algum movimento, desde trocar de faixa a estacionar em um ponto de ônibus. É um sistema muito interessante, já que o trânsito reage a esses sinais, com os carros reduzindo a velocidade ou parando quando damos sinal e fazemos um movimento, facilitando muito o trânsito.

Em caso de dia chuvoso, precisamos ativar os limpadores de para-brisa para clarear a visão e permitir uma direção mais segura. E nem adianta tentar colocar em terceira pessoa para não interagir com essa mecânica, o jogo faz questionar de deixar a vista embaçada até mesmo em terceira pessoa.
É um conjunto de mecânicas legais e que culminam em um jogo que te deixa fazer um roleplay de motorista de ônibus bem bacana por algumas horas, até seus reais problemas começarem a dar as caras.
Problemas que afetam a imersão

Bus Bound tem um sistema de lei de trânsito bem fiel ao que temos no mundo real, recompensando com mais pontos com os passageiros se as seguirmos a risca. Caso você dirija mal, você recebe menos pontos e, para ser bem honesto, é algo que quebra o pouco a imersão: Teve momentos em que simplesmente dirigi igual um doido, batendo e atropelando pessoas pela rua, e por só parar no ponto final dentro do espaço delimitado recebi muitos pontos com os passageiros, mesmo com eles reclamando a viagem inteira da forma que estava dirigindo.
Ou seja, as reações dos NPC’s são mais faladas do que de fato aplicadas na jogabilidade, já que a punição por dirigir mal foi apenas alguns pontos a menos, e que rapidamente foram recuperados na viagem seguinte. Para um simulador isso é um defeito um tanto quanto grave, já que acaba afetando diretamente a forma como eu via essas reações dos npcs durante as corridas, me fazendo simplesmente parar de ligar para as reclamações deles ao longo do tempo.

Nessa mesma linha de falar de problemas que afetam a imersão do jogo, há vários bugs visuais que estragam o uso de mecânicas importantes, como o excesso de pop-in de carros nos retrovisores, o que me fez deixar de realizar determinados movimentos porque não vi um carro se aproximando e esse mesmo carro só desapareceu da pista do nada. Assim como os vários problemas de renderização que afetam tanto os retrovisores, que ficam todo pixelados, além de também afetar a visualização da pista como um todo.
Enfim, são uma série de pequenas coisas que acabam se acumulando e afetando bastante a imersão de Bus Bound, o que é um tanto quanto triste, já que a jogabilidade e o sistema de leis de trânsito possuem um imenso potencial.
Vale a pena jogar Bus Bound?

Apesar de tentar trazer algumas coisas novas, Bus Bound acaba se perdendo em pequenos deslizes que afetam bastante a simulação do jogo, principalmente esses problemas visuais chatos e um sistema de reação de NPC’s que pouco afeta a jogabilidade de fato, tornando difícil a recomendação do game (nomento). Claro, problemas podem (e provavelmente serão) corrigidos com o lançamento de atualizações,
No geral, diria que Bus Bound é um bom simulador de ônibus por algumas horas, com uma vasta variedade de ônibus personalizáveis e um sistema de criação de rotas bacana, porém acaba tropeçando em uma progressão pouco interessante que enjoa rapidamente e muitos bugs visuais que afetam bastante a imersão.
O Review
Bus Bound
Bus Bound é um bom simulador de ônibus no que diz respeito a suas mecânicas de direção imersivas e na variedade de ônibus disponíveis, contando também com um bom sistema de criação de rotas. Porém, acaba tropeçando em um sistema de progressão pouco interessante e um loop de gameplay um tanto quanto cansativo.
PRÓS
- Mecânicas de direção imersivas
- Boa variedade de ônibus disponíveis
- Sistema de customização de ônibus
CONTRAS
- Loop de gameplay pode se tornar enjoativo em poucas horas
- Sistema de punição por mal direção precisa de melhorias
- Problemas técnicos afetam a imersão






