Desenvolvido pela out of the blue games, Call of the Elder Gods é a sequência do jogo de Call of the Sea, um jogo de puzzle que homenageia as obras de H.P Lovecraft em sua história por vezes difícil de entender e com a presença de criaturas que eram além da compreensão humana. Call of the Elder Gods, como o próprio nome já sugere, segue essa ideia de ser um drama lovecraftiano sobre pessoas lidando com o luto.
Tivemos a honra de fazer uma preview do jogo mês passado e lá, comentei alguns problemas que tive com o Call of the sea e que acabaram sendo repetidos nas horas iniciais de Call of the Elder Gods, mas também estava ansioso para ver o desenrolar dessa trama que a cada novo capítulo estava melhorando.
A questão que fica é: Call of the Elder Gods consegue superar os defeitos relatados no preview e vira um jogo melhor do que Call of the Sea?
Muito mistério, pouco Lovecraft

Em Call of the Elder Gods acompanhamos a história de Evangeline, uma jovem estudante que procura respostas pelos seus sonhos malucos sobre um artefato alienígena e pela perda de memória sem nenhuma explicação plausível, e do Doutor Harry Drayton, um cientista que procura respostas sobre o objeto alienígena que afetou a vida dele e de entes queridos.
A partir dessa premissa, de investigar esse objeto alienígena misterioso, que a história do jogo se desenrola, esses dois personagens viajam para essa missão com apenas algumas informações e cabe a jornada revelar o resto. Porém, é um jogo inspirado nas obras de H.P Lovecraft, especialmente em todo o conceito de horror cósmico que ele tinha apresentado em obras como “Nas Montanhas da Loucura” e “O chamado de Cthulhu”.
E é nisso que o jogo acaba mostrando os seus defeitos, ele é fortemente inspirado em Lovecraft, personagens falam sobre essas forças extraterrestres desconhecidas e que são poderosas demais, porém pouco se aplica na forma como a narrativa trabalha: De uma forma geral, Call of the Elder Gods funciona como um jogo narrativo normal com algumas cenas de mistério onde essa força extraterrestre acaba se manifestando, em nenhum momento você sente que aquele ser é algo incompreensível para os humanos, tudo isso graças aos protagonistas que racionalizam cada evento da história de uma forma até que bem clara, deixando o jogador ciente do que está acontecendo.

Então nos apresentam esse cenário de mistério, esses artefatos e seres que na teoria são incompreensíveis aos humanos, mas explicam cada detalhe assim que podem, desvirtuando completamente dos conceitos introduzidos por Lovecraft, deixando a inspiração só no papel.
Fora isso, a história de Call of the Elder Gods é divertida, por vezes te faz lembrar indiana jones graças a uma atmosfera de aventura muito bem feita que são realçados com transições de viagens mostrando o mapa e os ambientes que nossos protagonistas exploram, especialmente as cavernas cheias de armadilhas.
Uma direção de arte estranha
Ok, se a história principal tem só pequenos toques de Lovecraft, a direção de arte do jogo acaba abandonando de vez as inspirações. Em Call of the Elder Gods parece que há um certo descuido quanto a coesão visual, por exemplo: Começamos o jogo em uma sequência de sonhos toda colorida e com a presença de dinossauros, porém a escolha de como essa sequência de sonhos é apresentada é bizarra, os dinossauros possuem um visual cartunesco demais e o cenário lembra algo saído dos filmes de Avatar, de James Cameron. É uma escolha estética que entra em conflito com a proposta lovecraftiana do jogo.

Nas partes dentro da mansão do Harry, temos elementos góticos espalhados pelo mapa que em um primeiro momento me fez pensar que o jogo seguiria por essa linha de visual: Lugares escuros com o uso de figuras tradicionalmente assustadoras para trazer essa tensão, esse elemento a mais além dos alienígenas. Mas é algo muito temporário e que logo é esquecido pelo resto da campanha, evidenciando uma certa falta de direção quanto ao estilo que se vai usar no jogo.
Em momentos mais avançados do jogo exploramos ruínas alienígenas que, infelizmente, pouco impressionam: Você sente que já passou pelo mesmo lugar em outros jogos, as escolhas de design para como os artefatos desses extraterrestres são apresentados e a própria escolha de transformar o jogo em algo cartunesco parece sem inspiração e frequentemente evidencia a limitação gráfica do jogo.
E a gameplay?

Assim como no jogo anterior, Call of the Elder Gods é um jogo focado em puzzle e nada mais. Passamos de níveis em níveis desvendando mistérios, abrindo portas secretas, descobrindo combinações de lugares trancados por bolinhas de árvore de natal nada sutis e até enchendo galões de água gigantes com uma gosma preta alienígena. E é assim que jogamos Call of the Elder Gods e é divertido pelos primeiros quatro capítulos, até começar a enjoar.
Outro fator que faz com que esse loop de gameplay se torne enjoativo são os cenários serem extremamente lineares e com muitas paredes invisíveis, tornando todos os momentos em que não estamos resolvendo puzzles em seções extremamente cansativas. Quando o jogador tenta explorar algo que fuja da rota principal, lá está uma parede invisível o barrando, algo que definitivamente não deveria existir a essa altura do campeonato, pelo menos não dessa forma.
O excesso de puzzles cansativos e as paredes invisíveis eram problemas que já tinha mencionado na preview e que, infelizmente, se repetem por todo o game, o que acaba afetando bastante a imersão durante o gameplay.
Vale a pena jogar Call of the Elder Gods?

Recomendar Call of the Elder Gods é um tanto quanto complicado, já que alguns fatores devem ser levado em conta. Se você faz parte do grupo de jogadores que gostou de Call of the Sea e/ou é um entusiastas de jogos focados em Puzzles, Call of the Elder Gods é uma boa pedida, apresentando ideias muito legais que valerão a experiência.
Por outro lado, se você faz parte do grupo de jogadores que não teve boas experiência com o game anterior. Call of the Sea se torna uma recomendação complicada, já que o game é fortemente prejudicado por uma gameplay cansativa e uma direção de arte que, por vezes, é pouco inspirada.
Essa review de Call of the Elder Gods foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Kwalee
O Review
Call of the Elder Gods
Call of the Elder Gods apresenta boas ideias e puzzles interessantes, porém, o game deixa um pouco a desejar e é fortemente prejudicado por uma gameplay cansativa e direção de arte por vezes sem inspiração, tirando muito do brilho e potencial do título.
PRÓS
- Boa quantidade de puzzles interessantes e bem produzidos
- Personagens principais intrigantes
CONTRAS
- Gameplay cansativa
- Direção de arte pouco inspirada
- Muitas paredes invisíveis que acabam quebrando a imersão






