Hell Clock era um título que estava no meu radar desde o festival de demonstração da Steam. Eu o havia experimentado e gostado bastante, mas estava longe de imaginar que conseguiria fazer a review desse jogo. Contudo, a Manual dos Games recebeu uma cópia para produção de review e pude mergulhar de cabeça nessa experiência, que com certeza é uma das surpresas mais interessantes de 2025. Vem comigo que eu te conto tudo nesta review.
Uma aula de história sobre o Nordeste
Hell Clock, além de ser um título brasileiro, se aprofunda na história de uma das regiões mais importantes do Brasil e que, por coincidência, é o meu lar: o Nordeste. Além disso, o jogo escolhe um período histórico muito interessante, situado na época da Guerra de Canudos, como base para sua narrativa. Mas afinal, o que foi a Guerra de Canudos? Esse foi um conflito armado ocorrido no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897 (sim, faz muito tempo), entre o Exército Brasileiro e Antônio Conselheiro, líder de um movimento religioso e social no povoado de Canudos.
Após a Proclamação da República, em 1889, o Brasil enfrentava diversas crises, principalmente no interior nordestino. Nesse contexto, surge Antônio Conselheiro, que estabeleceu uma comunidade em Canudos para ajudar a população local. O conflito começou quando essa comunidade cresceu rapidamente e passou a ser vista como uma ameaça. O governo, então, decidiu erradicar o povoado, o que deu início à guerra. Hell Clock retrata esse período histórico com a adição de elementos demoníacos inspirados em Diablo.

No meio desse caos, assumimos o papel de Pajéu, um guerreiro que conquistou sua liberdade em confrontos contra o Exército Brasileiro. Contudo, forças malignas sequestram seu mentor, Antônio Conselheiro, e cabe a nós descer até os confins do inferno para resgatá-lo em diversas runs.

A história é excelente, tanto pela ambientação quanto pela narrativa, contada por meio de diálogos e cenas bem escritas, com linguagem fiel aos dialetos da época. Embora possa soar confusa no início, a compreensão melhora com o tempo. Tudo é legendado e dublado com forte ênfase no sotaque nordestino, o que aprofunda ainda mais a imersão. Nesse aspecto, a entrega de Hell Clock é impressionante.
Diablo da Bahia
Como se a história não bastasse, a jogabilidade também é extremamente afiada e divertida. Hell Clock mistura a jogabilidade de Diablo, um ARPG com câmera isométrica, com elementos de roguelike. E que combinação genial!

Em cada tentativa de salvar Antônio Conselheiro, descemos ao inferno para enfrentar hordas de inimigos e chefes variados. Utilizamos duas pistolas com diferentes tipos de tiro para destruir tudo à frente. À medida que a situação se torna mais mística e demoníaca, a gama de habilidades se expande com dashes, facas, explosões flamejantes e muito mais, compondo o kit do Pajéu.
Outro elemento central é o relógio. Estamos presos em um tipo de loop temporal e precisamos descer até o andar mais profundo o mais rápido possível. Por isso, é fundamental escolher as melhores melhorias para montar um kit rápido e eficiente.

No começo, o tempo limite de cada run me incomodou. Mas, conforme você monta seu conjunto de itens e habilidades, fica mais rápido e forte. Além disso, durante as batalhas contra chefes, o tempo é congelado, permitindo uma abordagem mais cautelosa. No geral, a jogabilidade é divertida, ágil e muito satisfatória.
Sistemas de progressão
Antes de começar uma run em Hell Clock, selecionamos cinco habilidades que compõem nosso kit. Entre elas estão dashes, tiros concentrados, rajadas de balas, lâminas protetoras e muitas outras. A escolha do kit é importante e deve ser combinada com a seleção das relíquias.

As relíquias funcionam como itens com efeitos variados, como aumento de dano crítico, velocidade de ataque, mais vida, entre outros. Com o kit pronto, partimos para a run. À medida que eliminamos os inimigos, ganhamos experiência e, consequentemente, níveis. A cada nível, podemos escolher uma bênção para aprimorar nossas habilidades, como obter um dash duplo ou aumentar a distância dos ataques. Essas escolhas são cruciais para garantir o sucesso.

Com nosso kit e bênçãos definidos, avançamos pelo inferno enfrentando diversas hordas de inimigos até chegar a um chefe. Ao derrotá-lo, seguimos para a próxima área, com ambientações variadas como desertos, cavernas e outros cenários. Caso o tempo acabe ou sejamos derrotados, retornamos ao início. No entanto, mantemos as novas relíquias conquistadas e moedas para adquirir habilidades e criar uma nova build para a próxima tentativa. É um loop divertido, dinâmico e equilibrado entre estratégia e sorte, o que garante o ritmo ideal para esse tipo de jogo que é Hell Clock.
Aspectos técnicos e artísticos
Na parte técnica, Hell Clock entrega um jogo com gráficos em 3D mas com ambientes simples, então particulamente não tive nenhum problema com o jogo no PC e nem no meu steam deck, tudo funcionou maravilhosamente bem e sem nenhum tipo de bug, desde os mais simples até os que comprometem a experiência, nenhum deles apareceu durante o tempo que joguei.

Apesar da simplificidade gráfica, o jogo brilha e muito na sua direção de arte que opta por um estilo de arte shellshading que dá vida ao mundo, inimigos e personage de maneira muito únic e bonita, os ambientes e inimigos são variados o suficiente e as animações de habilidade são excelentes, tudo é muito claro enquanto jogamos.
A Trilha sonora de Hell Clock também é bem memoravel eu diria, o som ambiente da primeira area ficou meio que grudadao na minha cabeça de tantas vezes que passei ppor lá, mas ainda sim, existem músicas muito boas que tocam enquanto jogamos, as que chamam a atenção são principalmente as contra os chefes.
Hell Clock, vale a pena jogar?
Hell Clock vale muito a pena, acho que não restam dúvidas do quão incrível foi essa experiência para mim, tanto pela história, que aborda a região onde vivo, quanto pela jogabilidade, que utiliza Diablo como base para se desenvolver em algo próprio e único. Os elementos de roguelike são suficientemente envolventes para manter você preso entre uma run e outra. De fato, é um dos melhores jogos que tive o prazer de jogar neste ano, sendo uma recomendação fácil para quem deseja tanto conhecer o gênero roguelike quanto apreciar um excelente título brasileiro.
O Review
Hell Clock
Hell Clock é, sem dúvidas, uma das maiores surpresas de 2025. Desenvolvido por um time brasileiro e ambientado no Nordeste, o jogo entrega uma narrativa cativante com jogabilidade refinada e sistemas de progressão bem construídos. Tudo isso resulta em uma experiência divertida, desafiadora e extremamente original.
PRÓS
- Jogabilidade ágil e divertida
- História interessante
- ótimos elementos de roguelike






