Uma das coisas que mais amo nos videogames é a possibilidade de viver coisas que nunca conseguiria viver na vida real, tomar decisões e interpretar personagens que nunca imaginei que conseguiria entrar na mente e de fato tomar decisões por eles, algo que nem mesmo o cinema consegue. No caso que vou falar hoje, Darwin’s Paradox!, eles te colocam para jogar com um animal marinho em uma missão exótica, tudo isso em cenários familiares, porém transformados por elementos extraterrestres.
Desenvolvido e publicado pela Konami, Darwin’s Paradox! é um jogo de plataforma que mistura puzzles de cenários com elementos de furtividade. Aqui, controlamos um dos seres mais inteligentes da natureza: um polvo! A criatura utiliza todas as suas habilidades naturais para infiltrar fábricas, cantos perigosos do mar e… bases alienígenas? Tudo com um humor cheio de referências à cultura pop e que por vezes beira ao humor ácido. Um jogo que mistura uma jogabilidade simples com ideias bem interessantes para os subgêneros que explora.
A dúvida que fica é: Darwin’s Paradox! consegue entreter pelas suas quase 8 horas de duração? Vamos responder essa e outras questões nessa análise do Manual dos Games!
Bonito, bem composto e engraçado

Após ser abduzido junto com o seu amigo, que também é um polvo, Darwin se encontra perdido no meio de um lixão, sem memórias do que aconteceu após a abdução, sem lembrar as habilidades de polvo, tendo apenas as lembranças de seu colega de infância que acabou ficando com os alienígenas. Sem tempo a perder, Darwin logo inicia a missão de resgate do amigo e para entender o que aconteceu com eles durante essa experiência.
Uma coisa que Darwin’s Paradox! brilha logo de cara é sua direção cinematográfica, mesmo tendo poucas cutscenes, todas que tem são muito bem compostas com enquadramentos bem feitos que realçam o contraste entre o nosso protagonista e o mundo que o cerca. Darwin, por ser um molusco, é pequeno e colorido e anda por lugares gigantescos, com estruturas opressivas. É interessante como isso é utilizado para criar visuais incríveis, especialmente quando há o uso da sombra de lugares maiores do que Darwin, como é um exemplo da fábrica.
Outro ponto bastante positivo de Darwin’s Paradox! é o seu senso de humor, desde a primeira cutscene somos apresentados a um mundo cheio de ironias, com comentários sobre a pesca predatória e a forma como esses animais são tratados pelo ser humano. Ironia essa que fica mais potencializada com a entrada dos alienígenas que, no contexto da história do jogo, servem como analogias ao quão dessensibilizado e automatizado o sistema de trabalho funciona. O jogo apresenta tudo isso sem se perder nas críticas, muito pelo contrário na verdade: aqui é engraçado e muito bem implementado na história desse pequeno molusco.

A parte que me deixou um pouco confuso foi justamente a questão das memórias de Darwin terem sido apagadas. Começamos o jogo com um breve tutorial das habilidades que o nosso pequeno molusco consegue usar e, após a abdução, simplesmente acordamos sem elas. Sem uma explicação clara, o jogador só compreende a situação de verdade quando vai tentar resolver algum puzzle com a habilidade que foi apresentada no tutorial e que não existe mais.
Só quando essas habilidades são reapresentadas em um momento futuro do jogo, com o jogador tendo que refazer o tutorial, compreendemos o que aconteceu com Darwin. Entendo que é uma forma de demonstrar a memória perdida do nosso protagonista, uma forma de mostrar flashbacks da relação entre Darwin e o seu colega, mas a parte inicial pareceu estranha por isso.
No geral, Darwin Paradox apresenta uma história muito divertida, rápida e que consegue ser engraçada mesmo sem diálogo nenhum. A questão da memória perdida é confusa, mas nada que comprometa a experiência geral.
Jogo de plataforma 2D bem feito!

Se na história o jogo diverte ao te fazer jogar com algo inusitado (um polvo), na gameplay o jogo acaba entregando o básico dos jogos de plataforma 2D. Na verdade, é até engraçado como Darwin Paradox brinca bastante com os ambientes mega detalhados, cheios de profundidade, mas que no fim são inacessíveis visto que o nosso personagem só consegue andar para frente, para trás, cima e baixo.
O importante é que em nenhum momento o jogo parece limitado por ser 2D. Cada fase é feita de uma forma com que o jogador consiga compreender o porquê de estarmos passando de uma ponta da tela para a outra. Levando isso em conta, os puzzles são elaborados de uma forma com que o jogador precise prestar atenção nos detalhes que estão postos na tela, nos sons e nas movimentações dos NPCs que compõem os planos e, principalmente, nas habilidades que o personagem tem disponível no momento.

Fiquei surpreso com a variedade de objetivos que conseguiram inventar para o jogo, fazendo com que cada trecho tenha um estilo de puzzle diferente do anterior. Até mesmo os puzzles que são parecidos entre si, como é o caso das partes de passar escondido por um grupo grande de inimigos, toda vez que aparecem em um nível têm um grau de dificuldade maior e acabam exigindo mais dos jogadores.
A única ressalva sobre isso é a falta de respiro entre puzzles de plataforma em algumas fases de Darwin’s Paradox!, como acontece na parte em que precisamos nos locomover por canos e engrenagens da fábrica de alimentos, que acaba durando bem mais do que precisava, por exemplo. Há sequências em que o jogador vai engatando de um puzzle no outro, sem um tempo de respiro por um bom período, tornando a experiência um tanto quanto frustrante e demorada. Depois que terminei uma dessas sequências, me questionei para quem essas fases foram feitas, pois não são tranquilas para jogadores casuais e nem difíceis demais para jogadores de plataforma, elas só são longas demais.
Um polvo furtivo

Vale pontuar novamente o quão bem feitas as composições de cenários são em Darwin’s Paradox. Por exemplo, há uma sequência dentro de uma fábrica de alimentos onde o jogador precisa chegar a um caldeirão para destruir o sistema de aquecimento da fábrica, e a câmera dá uma leve inclinada para mostrar ao jogador o objetivo. Nesse mesmo plano, conseguimos ter uma breve ideia de como superar esse puzzle e, ao mesmo tempo, das consequências que um erro de timing poderia ocasionar ao Darwin. Nesse mesmo plano, há tantos outros elementos ao redor que facilmente poderiam se tornar incômodos para o jogador e aqui não são: são detalhes que engrandecem a cena e tornam essa fábrica ainda mais verossímil.
Essas ótimas composições de fases, além de serem grandes pontos positivos para o visual da obra, são importantíssimas para as sequências de furtividade de Darwin’s Paradox. Sim, você não leu errado: Darwin’s Paradox tem várias sequências furtivas e esse é o seu diferencial em relação a outros jogos 2D. Aqui, você controla Darwin, um polvo destemido que utiliza as suas habilidades naturais, como a de trocar a coloração da pele e a possibilidade de soltar tinta, como ferramentas de furtividade.

É de se elogiar a criatividade do jogo em tornar aspectos reais dos polvos, como o lançamento de tinta, elementos de gameplay. Nunca imaginei que em algum dia iria precisar jogar um jato de tinta preta para conseguir me locomover escondido de uma câmera de segurança alienígena. Ou grudar no teto de um escritório cheio de minions extraterrestres e precisar trocar a coloração da pele para se esconder no ambiente. Também nunca imaginei jogar um jogo 2D onde a furtividade fosse tão exigida e celebrada, ao ponto de o jogador logo entender por que a Konami fez questão de homenagear Metal Gear com aquele trailer especial, a adição do som clássico de quando é descoberto por um inimigo e uma skin especial do Snake para Darwin.
Vale a pena jogar Darwin’s Paradox?

Darwin’s Paradox! é um jogo de plataforma que faz o básico bem feito. Mesmo com alguns problemas de pacing, ele apresenta um personagem principal exótico, alguns alienígenas atrapalhados e missões de furtividade divertidas.
Esse é um daqueles jogos que você vai dar play e só vai querer largar o controle quando os créditos finais estiverem rodando. O tempo de duração gira em torno de umas 7 horas, há conteúdos desbloqueáveis e um número saudável de coletáveis (20 no total), sendo uma ótima pedida para fãs de jogos de plataforma, furtividade e, claro, de polvos.
O Review
Darwin's Paradox!
Darwin Paradox é um jogo de plataforma que faz o básico bem feito. Mesmo com alguns problemas de pacing, ele apresenta um personagem principal exótico, alguns alienígenas atrapalhados e missões de furtividade divertidas.
PRÓS
- História divertida e, por muitas vezes, engraçada.
- Algumas sequências de furtividade criativas
- Protagonista badass (meesmo sendo um polvo)
- Depois de dar play é difícil de largar
CONTRAS
- Problema de pacing em algumas sequências chaves do jogo
- Decisões confusas para a história principal






