A Atlus, empresa responsável por RPGs de grande nome atualmente, como Persona e Shin Megami Tensei, já foi mais nichada, com títulos que entregavam uma vibe bem diferente em consoles de outras gerações, e embora atualmente seu valor de produção e qualidade geral sejam ridiculamente maiores do que em outras épocas, ainda há uma parcela de gamers e de desenvolvedores que sente falta daqueles tempos.
Demonschool, jogo que foi anunciado em 2022, e após alguns adiamentos, está para lançar amanhã, não esconde suas inspirações. Com uma pegada tática que lembra clássicos como Ogre Battle e os próprios Persona antigos, o game busca não só prestar uma homenagem mas também se sustentar como um título inovador e único dentro deste nicho.

Cozinhado pelo estúdio Necrosoft Games, Demonschool lançou no dia 19 de Novembro para PC, PlayStation, Xbox Series e Switch, e graças à uma chave fornecida gentilmente pela publicadora, você pode conferir a nossa análise desse RPG que promete cativar os fãs “raíz” do gênero!
Bem-vindos à Ilha Hemsk
Demonschool começa sem muitos rodeios, e logo de cara já vemos Faye, nossa protagonista, em um barco rumo à Ilha Hemsk, para estudar, fazer amigos e… caçar demônios. De acordo com a protagonista, há uma profecia que será cumprida nos anos 2000, na qual demônios invadirão a Terra, e cabe a ela impedir essa ameaça, seja sozinha ou acompanhada.

Mas felizmente ela não estará sozinha nessa jornada, contando com a fotógrafa Namako, que acaba sendo juntada a contragosto para a caçada de demônios, e logo de início já nos deparamos com o combate tático do jogo, que é a peça vital que irá encaminhar toda a história e os embates demoníacos.
Como todo bom RPG tático, a ação em Demonschool tem como palco um grid, de tamanho 9×7, e é nele que nossos personagens e os inimigos estão inseridos, e tudo se desenrola em dois estágios: a fase de planejamento, na qual escolhemos os comandos e vemos os resultados esperados na hora, assim como podemos voltar as ações a cada momento, até que os Pontos de Ação se esgotem.

Combate tático diferenciadíssimo
Após a fase de planejamento estar completa, é a ação que toma lugar. Ao ver os movimentos desenrolarem, seus personagens se movem, atacam e usam suas habilidades, e logo após, a vez dos inimigos atacarem inicia, se movendo e igualmente dando dano à Faye e seus amigos. Mas claro, não é tão simples assim, e Demonschool usa um sistema bastante criativo.
Ao invés de se mover livremente, seus personagens andam em direções e distâncias fixas, e o ataque funciona da mesma forma, bastando que algum inimigo esteja na frente de seu caminho. Faye e Destin, por exemplo, batem nos monstros e movem eles um quadrado para trás, enquanto Namako, ao encostar em um deles, troca de lugar com o inimigo, enquanto Knute cura os aliados que passam por seu caminho.

Isso parece limitante, mas na verdade é o grande trunfo de Demonschool enquanto um RPG tático. As movimentações são essenciais pra moldar suas estratégias, e todas as habilidades que evoluem com os personagens giram em torno disso, e apesar de parecer lento, definitivamente é um loop de gameplay bastante importante e bacana pra fazer com que o jogo tenha fluência.
Outros aspectos têm seus próprios charmes
Além de melhorias e evoluções no combate, que é bastante presente no jogo, há o aspecto social que é bastante importante, afinal Faye está vivendo uma vida universitária, por melhor que não pareça. Mas, embora claramente inspirado em Persona, o jogo foge um pouco da regra e não impõe as restrições de tempo que sua inspiração fazia, e o jogo é relativamente livre(dentro de cada dia, claro) pra que você possa escolher atividades sem sacrificar seu progresso geral no game.

Entre atividades corriqueiras como jogar uma moeda numa fonte, fazer sidequests ou só criar laços com seus colegas, o repertório de atividades em Demonschool é vasto, especialmente se comparado com o tamanho do game, que é mais curto em relação à suas maiores referências, o que dá um dinamismo para o jogo e alivia um pouco os combates que se tornam cada vez mais frequentes no decorrer da história.
Por falar em história, a de Demonschool é altamente singular. Pode não ser a coisa mais incrível do mundo, mas tem um charme inegável, e isso é evidente nos primeiros minutos, com a introdução da nossa protagonista Faye. Certamente não é o primeiro RPG com protagonista feminina, mas essa mulher é completamente maluca e obcecada por demônios e brigas de rua, além de apresentar uma hiperatividade fora do comum, deixando tudo divertido demais.

Demonschool é um CAPS a céu aberto
Além de Faye, com sua personalidade fora do comum a ponto de assustar e afastar seus colegas, Namako, Delsin, e até o professor Vincent são todos peculiares, e até Namako, sendo a mais normal da trupe, consegue seus momentos de brilho e loucura, adicionando ainda mais charme pra história, e sendo claro: a Ilha Hemsk é lugar de doido.
O desenvolvimento do enredo, com personagens tão peculiares, também mantém o ritmo: o mistério acerca de demônios é breve, e mesmo com uma tentativa de suspense, tudo é bem claro e fácil de se entender, separando a grande história com muitas ramificações pra tarefas bestas e até algumas reviravoltas, e embora não seja o ponto alto de Demonschool, ainda possui seu charme próprio.

Nos aspectos mais artísticos da obra, Demonschool também não deixa a bola cair. O aspecto visual é altamente chamativo, com uma pixel art de qualidade que também mistura outros estilos de arte no cenário, nos personagens e até mesmo durante as lutas, e tudo é muito cheio de detalhe, e até mesmo os menus e as telas de passagem de tempo/dia tem um charme próprio.
Visual e trilha não deixam a bola cair
Desde o design dos personagens até as telas de batalha, que mesmo com foco nos grids, ainda possuem cenários belíssimos, tudo é muito bem feito e pincelado, e a mistura de estilos com o aspecto sombrio e ocultista casa bem demais com a atmosfera que Demonschool quer transmitir, e claro, vale um destaque especial para os chefes que igualmente tem conceitos muito belos os acompanhando.

No âmbito de sonoridade, e em especial a trilha sonora, é um show à parte. Não espere orquestras épicas, tampouco as trilhas mais animadas e com beat rápido de Persona. Em Demonschool, tudo isso é substituído por um som eletrônico bastante ambiente, sombrio e especialmente gótico, com tons de dark wave e subgêneros similares.
No geral, a trilha sonora é um aspecto muito relevante e engrandecedor pro jogo, mesmo que os efeitos especiais sejam apenas básicos, mas claro, é importante ressaltar que não é o tipo de música padrão que se ouve em um JRPG, e nesse aspecto, Demonschool está mais preocupado em adicionar à vibe do jogo do que em tentar agradar aos fãs do gênero já acostumados com o ritmo esperado do game.

Um RPG tático familiar, mas também diferenciado
Apesar da história e da quantidade de texto que são parte essencial do entendimento de Demonschool, infelizmente o jogo não conta com localização para o português brasileiro, o que é uma verdadeira lástima, mas caso você seja fluente no idioma, ou até esteja buscando adentrar mais no idioma, vale muito a pena conferir essa obra.
Por fim, Demonschool sabe ser uma obra que homenageia grandes clássicos, mas consegue se desvencilhar da mera homenagem e construir uma obra a parte, cheia de personalidade e com suas próprias singularidades e que, arrisco dizer, consegue até avançar no padrão de qualidade de RPGs táticos.

Claro, é um jogo que respeita seu escopo e suas limitações, e apesar de não ser perfeito, especialmente em caráter da narrativa, ainda constrói um jogo cheio de carisma e com um ritmo compacto o suficiente pra ser aproveitado sem grandes responsabilidades em relação ao seu tempo, e definitivamente é uma boa pedida para os fãs de temáticas ocultistas, personagens esquisitos e combates com forte fator tático.
O Review
Demonschool
Demonschool não é só uma homenagem à JRPGs de jogos táticos de gerações passadas, e sim um trabalho repleto de charme, personalidade e loucuras realmente únicas. Com um visual muito lindo, trilha sonora fora do comum no gênero e jogabilidade que é criativa e divertida na mesma medida, é um verdadeiro convite para veteranos e novatos ao gênero e interessados na temática representada.
PRÓS
- Jogabilidade tática é criativa e consegue engajar
- Faye e seus colegas são malucos e cheios de personalidade, longe dos padrões do gênero
- Visuais ricos, bonitos e que não se limitam à um estilo artístico
- Trilha sonora bela e agradável, mesmo que muito longe do esperado por fãs de JRPGs.
- Estrutura de tempo que respeita seu tempo e é bem leniente com os prazos e possibilidades
CONTRAS
- Narrativa é boa, mas não espere nada grandioso
- Falta de localização para o português brasileiro
- Combate diferenciado pode exigir um pouco de insistência do jogador






