Futebol é uma paixão que está presente na infância de muitos no mundo inteiro, e Despelote, idealizado por Julián Cordero, é um jogo semi-biográfico, com uma aventura altamente nostálgica sobre a magia do futebol. Despelote lançou em 1 de Maio para PC, PS5 e Xbox, com uma versão para Switch prevista para lançar em breve, então vem conosco conferir a análise desse game!

Despelote é um jogo bastante carismático e autoral
De início, Despelote é um jogo que busca resgatar a infância do seu criador, Julián, no ano de 2001, em plenas Eliminatórias da Copa do Mundo, nas quais o Equador inteiro torcia para que o país enfim conseguisse a consagrada classificação no maior evento de Futebol do mundo.
Claro, o game se baseia em uma realidade que pode ser bastante específica para o povo equatoriano, mas na grande realidade, a grande magia do jogo é perceber como o futebol e esse clima de torcida é quase universal, e em um país como o Brasil, eu sinto que me identifiquei bastante com os momentos retratados aqui mesmo não sendo o maior fã do esporte, afinal a torcida e a empolgação da Copa é um sentimento praticamente inexplicável e que fez parte da infância de muitos aqui.

A história é bastante cativante, se valendo da simplicidade
Cada capítulo de Despelote se baseia em uma das 5 partidas que o Equador precisava vencer para se classificar, e esse “molde” no qual a história se desenrola é bastante interessante de acompanhar. A narrativa acompanha a infância de Julián na escola, brincando com os colegas e aprontando, tomando até bronca da mãe por chegar tarde em casa, o que obviamente faz parte do crescimento de muitos, especialmente numa época onde o celular e a tecnologia não haviam tomado conta da infância.
Julián, sendo o personagem jogável, não expressa muito além daquilo que o jogador faz, mas os personagens ao seu redor são bastante cativantes mesmo sendo simples, e seus pais, irmãos, e até o professor e os colegas são bastante identificáveis a qualquer um, e até mesmo os figurantes e pessoas aleatórias passando pela rua têm seu charme.

O jogo também não fica só na narrativa, com uma jogabilidade bastante diferente
Mesmo que o jogo seja altamente narrativo e focado em contar uma história, Despelote tem mecânicas de gameplay para além de andar e explorar, e claro, focadas no futebol. Elas ocorrem em momentos cadenciados, seja jogando um videogame de futebol bastante rudimentar e com um toque retro, ou com uma bola real, o jogo é relativamente simples nesse quesito e você só chuta e domina a bola nos pés.
Com uma mecânica interessante na qual o analógico direito(ou a visão controlada pelo mouse) para se chutar a bola, junto à perspectiva em primeira pessoa, é um jeito mais imersivo e diferente de se emular o futebol em um jogo, embora os controles sejam um pouco frustrantes e difíceis de dominar, mas claro, isso está longe de impedir seu progresso e serve mais como um jeito de interagir com o mundo do que qualquer outra coisa.

Visual de aquecer o coração
Embora tenhamos citado vários aspectos diferentes de Despelote, o principal e o mais chamativo é o seu visual. Com um estilo pontilhista pra simular o mundo 3D no qual o jogo se passa com uma paleta de cores bastante gritante, o estilo de arte é incrível.
Além de ser muito belo, o estilo claramente evoca a nostalgia, da mesma forma que memórias do passado tem pouca nitidez e são revividas quase que como um sonho pra nós, o visual entrega a mesma sensação, além dos NPCs e objetos do mundo terem um estilo cartoon como se fosse um desenho infantil, que também contrasta com o mundo pontilhado.

Sons que também remetem a infância e a cultura do Equador
No âmbito sonoro, o jogo também entrega muito, com musicas tradicionais que são ouvidas a todo canto no Equador, além de um excelente trabalho de dublagem em espanhol, seja um personagem relevante ou um aleatório das ruas falando sobre a própria vida, é muito bacana acompanhar cada diálogo, e não foram poucas as vezes que eu simplesmente parei para ouvir e apreciar a paisagem que estava ao redor.
A atmosfera definitivamente é a parte mais chamativa do jogo, e cada detalhe é extremamente bacana de se acompanhar, com uma história que se desenrola em meio ao futebol e é possível até mesmo acompanhar as partidas nas TVs que estão espalhadas pelo mapa, que inclusive contam com gravações reais das partidas nas quais o Equador jogou.

Um pacote completo para quem quer uma curta e bela aventura
Mesmo Despelote sendo um jogo relativamente simples, há opções de acessibilidade para os controles e visuais, e ele está completamente localizado(e de forma muito boa!) para o português brasileiro, o que certamente não é um impeditivo para ninguém de apreciar e se apaixonar por este game.

Por fim, Despelote é uma curtíssima e breve aventura, mas que certamente tem um gostinho de infância e um carisma que facilmente conquistam qualquer um que teve uma infância marcada por brincar de bola na rua, aprontar com os vizinhos e vibrar junto com uma nação ao disputar um torneio mundial de futebol.
O Review
Despelote
Um jogo bastante simples e curto que conta com um visual altamente nostálgico e criativo, além de um enredo que, mesmo específico de seu país de origem, retrata a infância e a magia do futebol de forma quase universal.
PRÓS
- Visual altamente criativo e sem igual
- Trilha sonora e qualidade dos diálogos muito imersiva
- História tocante e pessoal, que ressoa facilmente com a infância de muitos
- Jogabilidade diferenciada e única para o futebol
CONTRAS
- É uma narrativa curta e bastante confusa em alguns momentos
- Apesar da jogabilidade única, os controles são um pouco esquisitos de se dominar






