Digimon foi um dos grandes gatilhos para a febre dos ”mons” no final dos anos 90 e início dos anos 2000 no Brasil e no mundo, trazendo os tamagotchis, carinhosamente apelidados de bichinhos virtuais, em uma nova roupagem como monstros digitais estilosos e poderosos. De lá pra cá, a franquia se expandiu para todas as mídias, como filmes, mangas, novels, e claro, videogames!
Com Digimon Story Time Stranger, a Bandai Namco prometia levar a franquia de jogos de Digimon para um novo patamar, abraçando tanto os fãs que acompanham os lançamentos recentes da franquia quanto os fãs mais saudosistas que tem as aventuras de Tai e Agumon em Digimon Adventure como seu único contato com a série.
Como um fã assíduo da franquia, Time Stranger se tornou um dos meus jogos mais aguardados de 2025 (se não o mais aguardado), com cada novo trailer aumentando ainda mais as minhas expectativas. Após passar algumas dezenas de horas no digimundo de Time Stranger, é com uma imensa alegria que trago as boas novas: SIM, Digimon Story Time Stranger é O jogo que os fãs de Digimon sempre sonharam, e eu conto em detalhes nessa análise completa o que faz de Time Stranger ser um jogo tão especial!
Digimon Story Time Stranger abraça passado, presente e futuro para criar o RPG definitivo de Digimon

Digimon Story Time Stranger leva os digiescolhidos em uma nova jornada que se inicia em uma versão fictícia de Tóquio, que tem sido palco de diversos eventos considerados anômalos, que tem criado uma série de problemas por toda a região metropolitana da capita japonesa. Decidido a investigar a origem desses eventos, o governo japonês criou a ADAMAS, uma organização secreta que tem como objetivo investigar a origem de tais eventos.
Acontece que esses eventos são, na verdade, obra de criaturas digitais chamadas de “seres de elétrons fasais”, também conhecidas como Digimon, que pouco a pouco tem causado um verdadeiro caos por todos os distritos de Tóquio. Após um novo fenômeno anômalo obrigar o governo a isolar um distrito inteiro em uma enorme muralha, a ADAMAS é acionada para investigar o que de fato está acontecendo.
Assumimos o papel de um (ou uma) agente da ADAMAS enviado para investigar a situação, que apesar de possuir um nome “canônico” (que pode ser alterado), será chamado apenas de Agente durante a jornada. Ao chegarmos ao local, a presença de Digimon no local é confirmada, permitindo que o Agente escolha seu Digimon inicial e inicie a sua investigação atrás de respostas.

Durante a investigação, encontramos uma garota que age como se já nos conhecesse a muito tempo, apesar de claramente a Agente não fazer ideia de quem se trata. O comportamento estranho da garota chama a atenção da ADAMAS, e recebemos ordens de seguir a garota por dentro das instalações e protege-la dos Digimon hostis que infestaram o local com o objetivo de colher dados e, quem sabe, entender a causa de todo esse caos.
O que a Agente e a ADAMAS não esperavam era que, na verdade, esses eventos anômalos se tratavam de uma grande guerra entre os Digimon que acabaram afetando o mundo real, cujo o climax desse conflito resultaria em uma grande explosão causada por uma criatura desconhecida. Para piorar a situação, a explosão rompeu a barreira temporal, transportando a Agente para 8 anos no passado…
Uma Digiaventura através do tempo

Perdida no passado, a Agente acaba encontrando a mesma garota, mas que agora parece não conhecer nosso personagem, mas que ainda assim, se dispõe a nos ajudar em nossa investigação sobre os Digimon. Chamada Inori Misono, a garota revela saber sobre a existência dos Digimon, chegando a criar uma grande empatia por um Digimon bebê, que após ver a garota se colocar em perigo apenas protegê-lo, digievolui para Aegiomon, um Digimon humanoide que parece muito com uma criança humana.
A digievolução de Aegiomon coincide com a chegada de Minervamon ao mundo real, um Digimon enviado pelo Digimundo para encontrar um Digiovo que se perdeu no mundo dos humanos. Segundo Minervamon, esse Digiovo protegia o Guardião, um Digimon extremamente poderoso que traria a paz para o Digimundo, que vive uma guerra civil sanguinária iniciada por Digimon malignos conhecidos como Titãs.
Porém, Minervamon não é a única a vir ao mundo real atrás do Ovo, já que os Titãs também deram seu jeito de atravessar o portal para o mundo real, colocando o mundo real e o Digimundo em perigo.
Juntos, os 4 partem em uma jornada épica em busca do Digiovo perdido, levando os novos Digiescolhidos em uma aventura fantástica rumo a Illiad, um novo Digimundo criado exclusivamente para Time Stranger!

Digimon Story Time Stranger imerge o jogador em uma nova aventura inédita na franquia Digimon, nos levando para explorar um novo mundo fantástico junto a um novo cast de personagens extremamente carismáticos. O senso de urgência de impedir o colapso da humanidade se mescla com o desenvolvimento de Aegiomon, criando um clima único de família entre o núcleo de personagens principais.
Apesar de extremamente poderoso, Aegiomon se mostra como um Digimon dócil e carinhoso, que tenta entender o seu propósito no mundo enquanto protege as pessoas que ama, fazendo com que não apenas os personagens ao seu redor, mas que também nós, os jogadores, se apeguem ao personagem e se preocupem com o seu bem estar e seu destino na história.
Aos poucos, o desenvolvimento de Aegiomon e seu relacionamento com a Agente e Inori tomam o protagonismo de Digimon Story Time Stranger, se tornando o grande motor que move o roteiro do game. Ver Aegiomon tentando se encaixar no mundo humano e no Digimundo acaba criando um forte vinculo entre o personagem com o jogador, criando aquela conexão entre jogador e criaturinhas clássico de toda a franquia.

Mas claro, uma boa história não se faz apenas com o núcleo de personagens principais, e Digimon Story Time Stranger traz uma série de personagens secundários carismáticos e com personalidades distintas, incluindo dezenas de Digimon espalhados pelo Digimundo.
Chamado de Illiad, o Digimundo de Time Stranger serve como lar para Digimon de todas as gerações da franquia, prestando homenagem as criaturas digitais desde as suas origens nos tamagotchis até as séries mais recentes como Xros Wars e os filmes mais recentes de Adventure. Nossa jornada por Illiad nos levará a conhecer diferentes pontos desse mundo digital fantástico, imergindo o jogador no personagem de um Digiescolhido, trazendo aquela vibe nostálgica de Digimon Adventure.
Durante nossa jornada, faremos amizade com diversos Digimon que nos ajudarão a entender melhor sobre as diferentes regiões de Illiad e as sociedades de Digimon que habitam esses locais, desenvolvendo espetacularmente bem esse novo universo criado para Time Stranger. Boa parte desse world building é criado a partir das várias missões secundárias, que apesar de serem simples no quesito gameplay, servem para nos dar uma perspectiva mais ampla sobre o cotidiano dos Digimon e o quanto a guerra tem afetado o Digimundo como um todo (além de nos darem recompensas).


Apesar de se apegar um pouco a nostalgia dando um claro destaque para Digimon que apareceram em Adventure, Digimon Story Time Stranger soube contar uma história isolada que não exige que o jogador tenha conhecimento prévio da franquia, o que honestamente, foi um grande acerto por parte da Bandai Namco. Time Stranger me fez vibrar e me emocionar como a muito um jogo da franquia não conseguia fazer, graças a um roteiro que sabe dosar muito bem momentos leves, ação e drama, corrigindo grande parte dos problemas de roteiro que Cybersleuth e Hacker’s Memory possuíam.
Um dos maiores problemas da franquia Digimon a meu ver é a falta de renovação de público, e um novo game que entende que a franquia precisa se abrir para receber novos fãs pode ser o ponto de entrada perfeito para que novos Digiescolhidos conheçam Agumon e os demais monstrinhos digitais.
Trocando em miúdos, Digimon Story Time Stranger traz uma história que faz jus a todo o legado da franquia Digimon, dando um abraço caloroso nos fãs de longa data ao mesmo tempo que da as boas-vindas para os recém-chegados.
Uma nova era de batalhas entre Digimon
Digimon Story Time Stranger traz em seu gameplay alguns sistemas já bem conhecidos de outros jogos do gênero ”mon”, trazendo masmorras diversas, combates por turnos e permitindo que o jogador treine diversos Digimon e crie o seu time dos sonhos.
Começando pelas masmorras, o mundo de Time Stranger conta com diversos locais habitados por Digimon hostis espalhados tanto pelo Digimundo quanto pelo mundo real, com Digimon únicos distribuídos para cada um desses locais de acordo com o seu bioma e temática. Por exemplo, masmorras em esgotos abrigam alguns Digimon como Sukamon, enquanto Funbeemon pode ser encontrado com maior facilidade em florestas.
Digimon Story Time Stranger aposta em um formato de regiões isoladas que só podem ser acessadas através de fast travel, como cada região possuindo diversas áreas e hubs conectados entre si, sendo um formato que eu honestamente prefiro para o gênero. As masmorras e cidades seguem uma estrutura simples de corredores, sem trazer caminhos secretos ou muitos segredos, disponibilizando um mapa de todo o ambiente que estamos desde o momento em que pisamos os pés nele.
Sim, é um sistema simples, e sim, a exploração acaba sendo prejudicada por ele, já que não há muito para se descobrir além de caixas espalhadas pelos mapas, mas para a proposta de Digimon Story Time Stranger, a formula acaba funcionando muito bem. Nem tudo precisa ser um jogo de mundo aberto ou masmorras procedurais, né?


Os grandes fatores que separa Digimon de outras franquias que envolvem captura e treino de bichinhos é a forma que recrutamos e treinamos nossas criaturinhas, que é honestamente, a parte mais legal de toda a franquia.
Por serem essencialmente dados, não conseguimos novos monstrinhos para o nosso time capturando ou barganhando com eles, mas sim, convertendo os dados coletados em um novo Digimon, pronto para ser treinado e digievoluir. Funciona da seguinte maneira: ao derrotar qualquer digimon que esteja em um estágio infantil, coletaremos e armazenaremos seus dados, que ao alcançarem uma certa quantia, podem ser usados para criar um novo Digimon.

Com o Digimon em nosso time, podemos treiná-lo e digievoluilo, mas é aqui que entra outro grande diferencial de Digimon Story Time Stranger: cada Digimon possui várias linhas de evolução diferentes, que podem ser alteradas de acordo com a forma que o mesmo for treinado. Coisas como os status e até mesmo a personalidade de um Digimon não só deve como VAI afetar as linhas evolutivas, contando com mais de 400 criaturas únicas.
Para ajudar no treinamento, Digimon Story Time Stranger traz a DigiFazenda, um local totalmente dedicado para treinar nossos digimon, nos permitindo evoluir status específicos e até mesmo alterar a personalidade através de treinos especiais, auxiliando o jogador no processo evolutivo de um de seus Digimon.

Graças a essa imensa quantidade de Digimon disponíveis, é possível formar diversos times diferentes que podem ser utilizados em diferentes situações, seja para tirar vantagem do famoso sistema de pedra, papel e tesouro da franquia, vantagens e desvantagens elementais ou diferentes estratégias baseadas unicamente nas habilidades exclusivas de cada Digimon.
Nosso personagem também possui árvores de habilidades que permitem acelerar a evolução e aumentar os status de Digimon com personalidades específicas, o que traz um toque a mais de complexidade ao treinamento e evolução de nossas criaturas, dando ainda mais liberdade para que o jogador crie diferentes times de Digimon. Chamadas de Habilidades de Agente, essas habilidades são desbloqueadas utilizando pontos que podem ser conseguidos ao completar missões secundárias e principais, dando uma importância a mais para as sides.
Esse sentimento de liberdade é uma constante em todo o sistema de batalha de Digimon Story Time Stranger, que apesar de restringir o número de Digimon em campo para 3 e +1 convidado, nos permite levar até 6 Digimon para as batalhas, nos possibilitando adaptar nossa estratégia durante os combates ao substituir um Digimon já em campo por outro que esteja na reserva.


As linhas evolutivas sempre foi um dos aspectos que afastava muitos jogadores dos jogos da franquia Digimon, mas felizmente, Digimon Story Time Stranger traz o sistema de evolução mais acessível de toda a franquia, que conta com tutoriais que explicam em detalhes cada um dos diferentes aspectos do game, além de detalhar os status e personalidade necessária para cada uma das evoluções.
No geral, todo o sistema de combate de Digimon Story Time Stranger é uma evolução natural de toda a franquia, trazendo mecânicas refinadas vindas da própria franquia Digimon Story e pegando algumas coisinhas emprestadas de outros “mon”. E o mais importante, eu (ou minha Agente no caso) finalmente pode montar em um MetalGreymon. Obrigado Bandai, você definitivamente fez um fã feliz com isso!

Um Digimundo imperfeito
Infelizmente, Digimon Story Time Stranger acaba pecando no que diz respeito a questões técnicas, tomando algumas decisões no mínimo questionáveis. Por ser um jogo exclusivo para a atual geração de consoles e PC, era esperado que o game oferecesse suporte a HDR, um modo performance a 60 fps… Mas não, por algum motivo, esse não foi o caso.
Apesar de utilizar gráficos com o efeito cell shading e efeitos de iluminação muito bonitos, os visuais de Digimon Story Time Stranger notavelmente mais simples quando comparados a outras grandes produções da atual geração, o que me faz questionar muito a decisão de lockar a taxa de frame para 30 fps. Piorando a situação, o game também não possui suporte a HDR, apesar de ter suporte a resolução 4K, deixando um imenso ponto de interrogação a respeito dessa decisão.

A trilha-sonora por outro lado está bem dentro do esperado dos jogos da franquia, trazendo algumas faixas que embora não sejam icônicas, ajudam a criar a atmosfera necessária para as cenas durante as cutscenes e empolgar durante os combates e exploração. Outro ponto de destaque em relação ao áudio é o fato de grande parte das cutscenes serem totalmente dubladas, com raríssimos casos de cenas importantes da história em que os personagens não possuem vozes.
Os Digimon também receberam um carinho especial, com vários deles possuindo animações e até mesmo vozes especiais para golpes icônicos da franquia, dando um toque único para Digimon Story Time Stranger, demonstrando que o time de desenvolvimento do game realmente se preocupou com os detalhes.
A localização para português também merece seus elogios, estando repleta de referências a dublagem brasileira de Digimon Adventure e Adventure 02, tornando Digimon Story Time Stranger um game ainda mais especial para os fãs que cresceram com a franquia.
A evolução definitiva da franquia Digimon Story

Digimon Story Time Stranger é um game que nitidamente tinha como se principal objetivo atender as expectativas dos fãs, sendo uma grande homenagem para a franquia e um verdadeiro presente para os fãs, seja você um Digiescolhido que conheceu o Digimundo pela primeira vez através da aventura dos 8 Digiescolhidos originais de Adventure ou um recém chegado de Digimon Story Cybersleuth.
Apesar do grande foco em abraçar os fãs da série, Digimon Story Time Stranger também faz um excelente trabalho em servir como o ponto de entrada perfeito para jogadores que nunca tiveram contato com a série, respeitando a mitologia e o espírito de aventura e descoberta que sempre foram a alma de Digimon em todas as mídias em que a franquia já deu as caras.
Com uma história que faz jus a todo o legado de Digimon e um sistema de batalha robusto, Digimon Story Time Stranger é uma verdadeira carta de amor para a franquia e os fãs.
Essa review de Digimon Story Time Stranger foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Bandai Namco.
O Review
Digimon Story Time Stranger
Digimon Story Time Stranger cumpre a sua promessa de levar a franquia Digimon Story para novos ares, trazendo uma história repleta de personagens carismáticos e que sabe dosar ação e drama, um sistema de digievolução bem explicado e acessível a novos jogadores e mecânicas de batalha refinadas, tornando Time Stranger o melhor jogo de toda a franquia Digimon Story.
PRÓS
- Historia e construção de mundo imersivos
- Sistema de digievolução acessível para novos jogadores
- Mecânicas de combate divertidas que estimulam a criatividade do jogador
CONTRAS
- Ausência de modo performance e suporte a HDR
- Exploração das masmorras poderia ser melhor trabalhada






