Desde seu lançamento em 2015, Dying Light conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo, estabelecendo-se como uma das principais referências no gênero de terror e sobrevivência. O primeiro título ultrapassou a marca de 20 milhões de cópias vendidas, enquanto a sequência, lançada anos depois, atingiu 5 milhões de unidades apenas no primeiro mês. O equilíbrio entre exploração em mundo aberto, a fluidez do parkour, combates intensos e uma narrativa cativante foram elementos fundamentais para que a franquia se tornasse consagrada.
Com esse histórico de sucesso, a expectativa por um novo capítulo era inevitável. Em agosto de 2024, a Techland anunciou oficialmente Dying Light: The Beast, despertando grande curiosidade entre os jogadores ao prometer revelar o destino de Kyle Crane, protagonista do primeiro jogo, após os acontecimentos que marcaram a trama inicial. A promessa era ousada: não apenas expandir o universo já consolidado, mas também oferecer um fechamento digno para uma trilogia que buscava manter a consistência e evitar as quedas de qualidade tão comuns em séries de longa duração.
Lançado em 2025, o novo título carrega a responsabilidade de superar seus antecessores e corresponder às altas expectativas criadas ao longo dos anos. A questão que paira é inevitável: será que a Techland conseguiu entregar uma experiência à altura da franquia, inovando o suficiente para justificar sua existência e ainda assim mantendo a essência que tornou Dying Light tão marcante? Confira na nossa análise completa.
De dia o caçador, de noite… Depende.

Após os eventos de Dying Light 1 e 2, assumimos novamente o controle de Kyle Crane. Para um rápido resumo: depois do primeiro jogo, Crane foi capturado pelo governo e submetido a uma série de experimentos cruéis, que acabaram despertando nele um profundo ódio por aqueles que um dia estiveram ao seu lado. A oportunidade de escapar surge quando uma criatura monstruosa rompe seu encarceramento, permitindo que Crane também fuja de seus captores. A partir daí, seu desejo de vingança e a necessidade de decidir em quem confiar para alcançar seus objetivos tornam-se os principais motores da narrativa.
Assim como nos títulos anteriores, o jogo mantém o ciclo de dia e noite, que continua sendo um dos pontos mais interessantes da franquia. Durante o dia, o jogador encarna o caçador: uma força imparável, capaz de dizimar hordas de zumbis com brutalidade, utilizando movimentos de parkour para escapar de qualquer situação com agilidade. Mas à noite, a realidade muda drasticamente. Criaturas muito mais poderosas surgem, colocando à prova até mesmo os jogadores mais habilidosos. Nesse cenário, o título de caçador é questionado, restando apenas duas opções: lutar para mantê-lo ou fugir em busca da sobrevivência.
Existem duas formas principais de aprimorar Kyle Crane e facilitar sua jornada em Dying Light: The Beast. A primeira ocorre por meio dos pontos de habilidade tradicionais, adquiridos ao jogar de maneira casual: correr, pular, enfrentar hordas de zumbis e explorar o mundo rende pontos que desbloqueiam melhorias clássicas, como escalar mais rápido, executar golpes especiais ou até aplicar a famosa voadora.
A segunda, muito mais ousada, envolve os Beast Points, que transformam Crane em algo próximo a um super-herói. Esses pontos só podem ser obtidos ao derrotar as Chimeras, chefes quase opcionais que, ao serem vencidos, permitem que Crane extraia seu sangue e injete em si mesmo. O processo avança sua infecção, mas não a ponto de perder o controle, e garante habilidades extraordinárias: saltos mais altos, investidas capazes de atravessar hordas inteiras e até a possibilidade de redirecionar seu gancho de escalada no ar, concedendo a Crane um toque quase “Homem-Aranha”.

No quesito combate, o jogo oferece uma ampla variedade de opções. Além da voadora, que conecta movimento e luta de forma fluida, há um vasto arsenal à disposição. Armas de fogo, como pistolas, fuzis, arcos e até lança-granadas — liberadas por meio da árvore de habilidades —, garantem poder de fogo pesado. Para quem prefere algo mais visceral, o jogo também conta com armas brancas improvisadas: facas, barras de ferro, pedaços de cano, entre outros itens que podem ser encontrados pelo cenário. Essa diversidade não só amplia as possibilidades estratégicas como também dá ao jogador a liberdade de adotar estilos de combate distintos, tornando cada enfrentamento único.
Dying Light: The Beast acerta ao equilibrar um sistema de progressão robusto com um arsenal variado e bem polido. Dominar essas ferramentas e combiná-las com a movimentação ágil e o parkour torna cada batalha uma experiência dinâmica, divertida e altamente recompensadora.

O jogo também recebeu um polimento impressionante comparado ao lançamento do segundo jogo, apresentando pouquíssimos ou quase nenhum bug durante toda minha experiência, transformando-se em um verdadeiro parque de diversões para os fãs da franquia. Dominar a movimentação e o combate é recompensador, e a exploração do mundo aberto, que foi cuidadosamente projetado para potencializar esses sistemas, faz com que cada sessão de jogo seja envolvente e satisfatória.
O calcanhar de Aquiles continua.

Apesar de todos os acertos, Dying Light: The Beast ainda carrega consigo o que sempre foi um dos pontos mais criticados pela comunidade e pela crítica especializada: a história. Embora a trama apresente uma motivação clara desde os primeiros minutos — com Crane movido por ódio e vingança —, ela não consegue se sustentar de forma consistente. O enredo sofre com a ausência de personagens realmente marcantes e de momentos memoráveis, ficando na maior parte do tempo em segundo plano. A exceção notável é uma cena próxima ao final, envolvendo um dos últimos chefes principais. Para os veteranos da franquia, esse momento pode ser impactante e nostálgico; para os novatos, no entanto, talvez não cause o mesmo efeito.
Outro problema é que a narrativa não consegue prender a atenção do jogador, que muitas vezes acaba se perdendo em sidequests. Essas missões secundárias, em grande parte, são mais interessantes do que a própria campanha principal, mas não mantêm um padrão constante de qualidade — algumas se destacam, enquanto outras soam genéricas ou repetitivas. O vilão central do jogo também não ajuda: sua construção é rasa, genérica e, para quem já conhece a franquia, vários de seus movimentos e falas são facilmente previsíveis, reduzindo o impacto da história.
Isso pode ser frustrante para aqueles que valorizam tramas fortes em jogos narrativos. No entanto, em uma análise mais ampla, a jogabilidade intensa e divertida de The Beast compensa, em grande medida, essas falhas. O ciclo de exploração, combate e progressão mantém o jogador engajado por horas, mesmo quando a história falha em empolgar. Ainda assim, fica a sensação de que a Techland precisa, em algum momento, entregar uma narrativa à altura da qualidade técnica e da jogabilidade que já consolidaram a série. The Beast tentou caminhar nessa direção, mas não conseguiu atingir o marco definitivo que os fãs aguardam.
Mas e ai? Dying Light: The Beast vale a pena?

Por fim, chegamos à pergunta de ouro: vale a pena jogar Dying Light: The Beast? A resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. Se o senhor já apreciou os títulos anteriores, certamente encontrará aqui muito do que fez a franquia se destacar: a fórmula permanece praticamente a mesma, mas agora refinada ao extremo para agradar os fãs de longa data. No entanto, há ressalvas importantes que podem pesar na decisão final. Em diversos momentos, fica a sensação de que este jogo poderia facilmente ter sido lançado como uma grande DLC de Dying Light 2, em vez de um título completamente novo.
Embora seja, de fato, uma experiência completa — com começo, meio e fim —, alguns elementos deixam transparecer que o plano inicial poderia ter sido o de um conteúdo adicional. O mapa mais enxuto, por exemplo, reforça essa impressão. Isso não significa que o jogo não entregue diversão, mas pode decepcionar aqueles que esperavam uma evolução mais ousada da franquia.
No fim das contas, Dying Light: The Beast é um excelente título para quem busca uma jornada de survival horror repleta de ação, tensão e mecânicas de jogabilidade bem polidas. Para jogadores mais exigentes, entretanto, pode soar como uma experiência menos ambiciosa, que não sustenta o mesmo impacto narrativo ou inovador de seus antecessores. Ainda assim, é inegável que o jogo cumpre seu papel de entreter — e, por isso, merece ser conferido, ainda que com expectativas moderadas.
Essa review de Dying Light: The Beast foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Techland.
O Review
Dying Light: The Beast (PS5)
Dying Light: The Beast mantém a fórmula de sucesso da franquia, com parkour fluido, combates intensos e o já clássico ciclo de dia e noite. A jogabilidade é polida, divertida e recompensadora, com chefes que adicionam variedade e novas habilidades. No entanto, a história continua sendo o ponto fraco, com personagens pouco marcantes e um vilão genérico. O mapa menor e a sensação de conteúdo derivado reforçam a impressão de que poderia ter sido uma DLC de Dying Light 2. Ainda assim, é um ótimo título para fãs, mas pode decepcionar jogadores em busca de inovação ou narrativa mais envolvente.
PRÓS
- Parkour fluido e recompensador.
- Ciclo de dia e noite envolvente.
- Jogabilidade polida e divertida
CONTRAS
- História fraca e previsível.
- Vilão genérico e pouco marcante.
- Mapa menor com sensação de DLC.






