Quando Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake foi anunciado, minha reação foi imediata: empolgação misturada com curiosidade. Eu já tinha uma história antiga com o jogo original, joguei bastante à época, mas nunca cheguei ao final por conta da rotina corrida. Revisitar esse universo agora, com melhorias visuais e ajustes modernos, trouxe não apenas nostalgia, mas também a sensação de finalmente concluir uma experiência que ficou inacabada por anos.
Lembro bem de quando trabalhava em uma loja de games em Belo Horizonte e via a reação das pessoas ao experimentar esse título. Não era raro ouvir gritos ou ver jogadores largando o controle por susto. Fatal Frame II sempre teve uma identidade muito própria dentro do terror, apostando menos em ação e mais em tensão psicológica. O remake respeita essa base, embora faça algumas concessões que mudam um pouco o impacto ao longo da jornada.
Atmosfera, narrativa e a força emocional das protagonistas
A história de Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake continua acompanhando as irmãs Mio e Mayu Amakura, que se perdem em uma floresta e acabam encontrando a enigmática Vila Minakami. O local, aparentemente abandonado, esconde um passado marcado por um ritual macabro conhecido como Sacrifício Carmesim, onde gêmeas eram utilizadas para selar um portal espiritual. Quando esse ritual falhava, as consequências eram devastadoras, condenando toda a vila a um ciclo eterno de sofrimento.
O que mais me chamou atenção, mais uma vez, foi a relação entre Mio e Mayu. Existe uma carga emocional muito forte que sustenta toda a narrativa. Não se trata apenas de sobreviver aos fantasmas, mas de entender o vínculo entre as duas e como ele é testado ao longo da história. Esse elemento dá profundidade ao jogo e faz com que cada decisão tenha um peso maior.

A construção do enredo continua sendo um dos pontos mais ricos. Grande parte da história é revelada por meio de documentos espalhados pelos cenários, o que incentiva a exploração e recompensa o jogador mais atento. Esses detalhes ajudam a montar o quebra-cabeça do que aconteceu na vila, tornando a experiência mais envolvente e até perturbadora em certos momentos.
Outro destaque é a ambientação sonora. O jogo quase não utiliza música, apostando em sons ambientes para criar tensão. Esse silêncio constante, quebrado por ruídos inesperados, faz com que o jogador fique sempre em alerta. É uma abordagem simples, mas extremamente eficiente para o tipo de terror que o jogo propõe.
Evolução visual, ajustes na jogabilidade e mudanças no ritmo
Visualmente, o remake impressiona. Os cenários foram recriados com mais detalhes, iluminação mais refinada e uma ambientação ainda mais densa. A sensação de estar preso em um lugar esquecido pelo tempo é muito mais forte agora. Os fantasmas também ganharam melhorias visuais, tornando seus encontros mais impactantes, principalmente nas primeiras horas.
A jogabilidade permanece fiel à proposta original, com a Camera Obscura sendo a principal ferramenta contra os espíritos. A mecânica continua interessante, exigindo que o jogador enfrente os inimigos de frente para capturar o melhor momento da fotografia e causar mais dano. Os diferentes tipos de filmes funcionam como munições, adicionando uma camada estratégica ao combate.
No entanto, percebi que o ritmo do jogo muda com o tempo. O início é mais focado na construção de tensão, enquanto a parte final aposta em uma maior quantidade de confrontos. Isso acaba diminuindo um pouco o terror psicológico, substituindo-o por uma abordagem mais direta. Não chega a comprometer a experiência, mas altera o equilíbrio que fez o original se destacar.

A dificuldade também está mais acessível. Isso pode ser positivo para novos jogadores, mas para quem já conhece o título, a sensação de desafio é menor. Em alguns momentos, senti que o jogo poderia exigir mais, principalmente em encontros que antes eram mais tensos.
Múltiplos finais ampliam a experiência e reforçam o fator replay
Um dos aspectos mais interessantes do remake é a presença de múltiplos finais, que incentivam o jogador a revisitar a história e explorar diferentes caminhos. Esses desfechos variam de acordo com decisões tomadas nos momentos finais envolvendo Mio e Mayu.
Entre os finais, existem variações que destacam diferentes interpretações do destino das irmãs. Alguns são mais sombrios e trágicos, reforçando o tom pesado da narrativa, enquanto outros oferecem uma conclusão um pouco mais branda, ainda que longe de ser totalmente positiva. Essa diversidade de desfechos amplia o impacto emocional do jogo e dá mais profundidade à história.

Explorar todos os finais acaba sendo uma experiência à parte. Cada conclusão traz novos elementos e ajuda a compreender melhor os eventos da vila e o significado do Sacrifício Carmesim. Para quem gosta de mergulhar na narrativa, esse é um dos pontos mais recompensadores do jogo.
Apesar de tantos acertos, existe um problema que não dá para ignorar: a ausência de legendas em português do Brasil. O jogo oferece suporte a vários idiomas, mas deixa de fora justamente um público relevante e engajado. Isso impacta diretamente a experiência, já que grande parte da narrativa depende da leitura dos documentos espalhados pelo cenário.
Sem entender completamente esses textos, o jogador perde nuances importantes da história, o que reduz o envolvimento com a trama. É uma falha difícil de justificar, especialmente em um momento em que o mercado brasileiro tem ganhado cada vez mais atenção da indústria.
Uma grata revisita a Fatal Frame II

No geral, Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é uma revisita muito competente a um clássico do terror. Ele acerta ao preservar sua essência, aprimorar o visual e expandir a narrativa com múltiplos finais. Ainda assim, algumas decisões, como a redução da dificuldade e a falta de localização, impedem que ele alcance todo o seu potencial.
Apesar dos problemas como a baixa dificuldade e a ausência de localização para português, Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é uma excelente pedida para os fãs da franquia e amantes de jogos de terror, fazendo jus ao game original ao expandir a narrativa de Fatal Frame II e mantendo intacto todos os elementos que tornaram a jornada de Mio inesquecível.
Essa review de Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake foi produzida através de uma cópia do jogo para PS5 gentilmente cedida pela agência Masamune, GamerHut e Koei Tecmo
O Review
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é um remake competente de um dos grandes clássicos do gênero, preservando tudo o que fez o original se tornar um clássico atemporal ao mesmo tem que aprimora e expande a narrativa com novos finais.
PRÓS
- Bons gráficos
- Ambientação extremamente imersiva
- Narrativa rica
- Desenvolvimento da relação entre Mio e Mayu melhor explorado
CONTRAS
- Ausência de localização para português
- Dificuldade reduzida em relação ao jogo original
- Perda gradual da tensão ao longo da campanha






